Leana Silver;

- James! James! — lá estava eu, no meio de uma chuva em um beco qualquer, tentando acordar o meu namorado que estava sumido a dias. Agora ele estava deitado no chão com uma garrafa de vodka quase vazia na mão. Não conseguia parar de chorar. Pensei em olhar se ele ainda estava vivo, não conseguia identificar. Estava com medo de saber da verdade, mas coloquei dois dos meus dedos gelados em seu pescoço. Estava batendo. Isso fez com que eu conseguisse sorrir por alguns segundos. Tentei carregá-lo até o hospital, mas ele era muito pesado. Pensei em ligar para um de seus amigos, mas quem? Só era próxima de Brian. Mas eu tinha o telefone do Zacky.

- Alô? — quase pulei de alegria quando ele atendeu.

- Zacky, é a Leana. Socorro, eu achei o James deitado no chão de um beco. Ele está vivo, mas não consigo carregá-lo sozinho.

- Onde você está?

- Eu… Eu não sei! Faz assim, vou te passar um endereço e você me encontra lá. Acho que consigo carregá-lo até esse lugar. — passei o endereço de um ponto de ônibus ao lado da casa de Blair e, com muita força, consegui carregá-lo até lá, sentei em um banco e o fiz ficar em cima de mim.

Comecei a chorar, não sabia distinguir se era de felicidade por ter finalmente o achado ou se era de angustia, com medo de que acontecesse algo com o amor da minha vida. Cheguei perto de seu pescoço e o beijei, sentindo seu cheiro. Cheirava a… Vodka e cigarro. Mas eu não me importava. Fiquei mexendo em seus cabelos negros até avistar Zacky, Johnny e Matthew.

-

- Por que você não vai para casa tomar um banho e descansar, Lea? — Matthew estava sentado do meu lado e segurando um de meus braços. Realmente, eu estava muito molhada, podia ficar gripada. Mas eu não me importava.

- James já acordou? — Matthew fez que não com a cabeça. — Então eu vou ficar.

- Leana, pare de ser criança, você tem que ir! — Matt estava começando a me irritar.

- Ei, deixa a menina em paz, porra. — Johnny falou em tom ofensivo para Matt, o que fez com que se levantasse e Johnny sentou do meu lado.

- Me desculpe, Matt nunca entende ninguém, só ele mesmo. — dei um sorriso como resposta e abaixei minha cabeça. Johnny fez o mesmo.

- Por favor, eu vim ver como o James Sullivan está. Sou da família. - ouvi uma voz de uma garota de longe. Levantei minha cabeça. Uma garota mais ou menos de 17 anos, cabelos até a cintura, pretos e lisos. Quando ela se virou, eu vi seu rosto pálido e seus olhos azuis piscina. Aqueles olhos. Só podia ser Amy Sullivan. Nunca a havia conhecido pessoalmente, ela não morava conosco. Preferiu morar na casa de uma amiga. Mas ela é tão linda quanto James descrevera.

Percebi que ela não conseguiu visitar o irmão, abaixou a cabeça e sentou do lado de Johnny e os dois se cumprimentaram.

- Olá, Amy? — ela fez que sim com a cabeça, mas parecia confusa. — Sou Leana.

- Leana! A famosa Leana, você que achou meu irmão, não é? Muito obrigada. — fiz que sim com a cabeça e ela virou para o outro lado antes que eu pudesse falar alguma coisa. Acho que ela não gosta muito de mim, mas eu nunca fiz nada para ela. Será ciúmes do irmão? Logo meus pensamentos voltaram para James e comecei a sentir depressão. Lembrei dos remédios e dei uma saída para buscá-los em casa e aproveitar para tomar banho. Matt reclamou algo sobre ninguém nunca o escutá-lo, mas eu já estava fora do hospital antes que o mesmo pudesse terminar sua frase.

-

Aquela banheira com a água morna estava mesmo me deixando bem mais relaxada. Mas eu logo levantei para me secar e por um vestido preto, então me encarei por uns segundos no espelho. E depois encarei o remédio e o tomei.

Quando entrei no hospital, Johnny me puxou pelo braço.

- James acordou!

James Sullivan;

Minha cabeça doída, onde eu estava? Em um momento eu estava caindo de tão bêbado, não sabia mais o que fazer, então me rendi, sabia que era meu fim. Cai no chão de um beco e apaguei. Apesar de estar pensando, não conseguia abrir os olhos ou dar sinal de consciência, mas ouvia duas vozes de longe. Uma mulher e um homem. Porra, onde raios eu estava? Por mais que eu tentasse, não conseguia me mover. Mas lutei tanto, que consegui abrir um pouco meus olhos, minha visão estava embaçada e então ouvi uma mulher dizer que eu tinha acordado.

Eu estava… No hospital?

- Onde estou? — foram as únicas palavras que consegui pronunciar.

- Você estava se perdendo, James Sullivan. Por sorte uma amiga te achou e te trouxe para o hospital.

- Amiga? — minha cabeça doída. Que amiga? Não tinha amigas mulheres. E nem tinha certeza se meus amigos ainda lembravam que eu existia.

- Sim, todos estão aqui. Seus amigos, uma adolescente que diz ser sua irmã e uma outra mulher.

- Qual o nome da mulher? — perguntei quase sem voz. Olhei para o lado, a mulher de branco estava falando com o médico, mas não conseguia ouvir.

- Leana Silver. — Esse nome me deu todas as forças que precisava para sentar na cama e abrir bem meus olhos. — Aliás, foi ela que achou o senhor. — a moça deu um sorriso largo. Então quer dizer que ela não me esqueceu? Ela me perdoou por ter deixado ela sozinha? Esses pensamentos fizeram com que lágrimas caíssem de meus olhos, lágrimas de alegria.

- Quero vê-la.

- Mas você ainda não está bem e…

- Agora. — cortei a fala da enfermeira. Eu não me importava, só me importava em vê-la e eu queria vê-la agora.

Leana Silver;

Meu coração começou a ficar acelerado ao ver a enfermeira sair da sala onde James estava. O meu James.

- Ele acordou. — não pude deixar de abrir um sorriso no meu rosto. — E ele quer te ver, Leana Silver. — não me dei o trabalho de responder e corri para dentro do quarto.

- James! — comecei a chorar e o abracei forte. Ele fez o mesmo, como era bom sentir sua pele macia e quente mais uma vez. — Você me deu um susto, sabia? Não aparecia mais, e então eu te encontrei no chão. Achei que você estava… — comecei a soluçar — achei que você estava morto. Não me assuste assim, não me abandone nunca mais, ok?

- Eu prometo nunca mais fazer isso. — James começou a chorar e então segurou minha mão com força. — Eu me arrependo de ter ido embora.

- Então não faça isso novamente.

Mais tarde Zacky, Johnny, Matt e, por ultimo, Amy entraram no quarto. Todos abraçaram James e deram sermões do tipo “não faça mais isso, porra” “tenha mais responsabilidade da próxima vez”.

-

Eu passei duas semanas tranquila, mas mesmo assim, sentia necessidade de tomar um remédio de depressão todos os dias. E depois eu comecei a tomar dois, três por dias. Eu sei que dr. Salvatore falou para tomar apenas um por dia, mas não está me fazendo mal. E eu achei melhor não contar para James dos remédios, não queria criar nenhum conflito entre nós.

Estava lendo O mundo das sombras, um dos melhores livros que já li. Estava me deliciando com cada palavra, até que eu ouvi a voz de James em minha cabeça.

- Amor, eu vou sair com Johnny, Matt e Zacky hoje, tudo bem?

- Vai lá amor, divirta-se.

- Talvez eu durma na casa do Johnny.

- Sem problemas. Leva a chave. — James chegou perto de mim e me deu um beijo longo de despedida.

- Eu te amo. — acariciou meus cabelos e deu um sorriso, não pude deixar de sorrir também.

- Eu também te amo.

James Sullivan;

Já era uma hora da manhã quando todos nós fomos para casa de Johnny e a campainha tocou. Estávamos todos com violões e cervejas, conversando.

- James, visita para você. — fiquei confuso, quem iria me visitar na casa de um amigo meu?

- Oi. — Amy veio me dar um abraço apertado. — Eu estou sentindo sua falta. — ela disse envergonhada.

- Oi pequena, como você está?

- Brava com você. Você sumiu James, eu não sabia se você ia voltar mais. Você não pode fazer isso. Eu sei que essa não é a melhor hora para conversarmos, mas logo que te acharam eu fui viajar com a minha amiga. — de repente aquele sentimento de culpa tomou conta de mim.

- Me desculpe. Mas eu também preciso conversar com você mocinha, Leana me contou que você olhou feio para ela. — Amy deu uma gargalhada.

- Desculpe, é que você passa muito tempo com ela e eu não me simpatizei com a Leana. — ela fez uma careta e eu ri.

- Eu tive uma ideia, por que não faz uma visita pra ela agora mesmo? Leva sua amiga se quiser, tenho certeza que Leana vai ficar muito feliz.

- Vou pensar.

- Vai logo, se você não for agora e mudar de ideia depois, não vou te dar uma carona. — disse enquanto balançava a chave do carro nos dedos com um sorriso.

- Tudo bem! Chato.

-

- Oi amor. — Leana pareceu surpresa.

- Já voltou?

- Na verdade, a noite ainda nem começou para mim. — dei uma risada de um segundo — É que eu trouxe a Amy e Melissa para conversarem aqui com você, sabe, te conhecer melhor. — Leana ficou surpresa e vi que não pode conter a alegria.

- Ótimo, eu resolvi trazer uma amiga minha para cá hoje a noite, a Blair. Garanto que todas vão se dar muito bem.

- Que bom, amanhã quero saber tudo. — ri e então dei um beijo demorado em sua boca. — Eu te amo.

- Eu também te amo.