About This Girl I Know.

4 Bury all your secrets in my skin.


"Não acredito que eu estou ficando louca. Que merda, que efeito aquele cara tem sob mim, agora eu estou começando a imaginá-lo em todos os lugares, eu tenho que parar com isso, cara."

James Sullivan;

Chegando em meu escritório, dei um suspiro exausto. Odeio a minha profissão, eu sou psicólogo. É como se eu já não tivesse problemas suficientes e ainda precisasse resolver problemas de outras pessoas. E é como se elas fossem incapaz de resolvê-los sozinhos, é um saco tudo isso.

Depois de ficar horas e horas ouvindo centenas de pessoas choramingando com problemas que eu costumava ter na quinta série, enfim eu tive um tempo livre, fui andar pelo bairro para pensar um pouco. Sentei em uma praça por perto onde eu costumava sentar com Johnny quando éramos mais novos. Johnny é o meu melhor amigo, sempre foi, conheço ele desde quando eu virei gente. Ele sempre foi muito baixo, então eu o chamo de anão e ele me chama de gigante. Algumas imagens vieram na minha cabeça e isso me fez rir. Resolvi acender um cigarro e ficar lembrando de alguns momentos bons, porque, querendo ou não, horas e horas só ouvindo problemas, estressa muito. Ainda mais eu, que costumo ser muito estressado.

Comecei a analisar o meu redor e no banco da frente não muito longe de mim havia uma mulher de vestido preto lendo um livro. Eu acho que estou ficando louco, parece aquela mulher misteriosa cuja fugiu de mim hoje de manhã. Aquele perfume está começando a invadir minhas narinas mesmo de longe. Puta que pariu, é ela mesmo. Não vou perder tempo, irei sentar do lado dela e perguntar qual é a dessa mulher. É, vou mesmo. Sem vergonha na cara.

- Oi?

Quando ela me viu ela levou um susto tão grande que quase deixou cair o livro no chão. Meu Deus, se ela é mesmo a mulher que estava comigo ontem a noite, eu devo ter feito algo horrível para ela ou… Ela é somente tímida. Estou apostando na segunda situação.

- Ah… Oi… Me desculpe, você me pegou de surpresa.

- Por que você fugiu de mim hoje de manhã? — estava olhando diretamente em seus olhos castanhos penetrantes, agora estava conseguindo me lembrar, era ela mesma que estava comigo ontem a noite.

- Eu? Não, não fugi de você. Só estava com pressa.

- Eu já te vi alguma vez antes?

- Viu, não viu? Hoje de manhã, você mesmo falou.

- Não, antes disso.

- Não sei, talvez eu esteja vendo coisas. — notei que a mulher não conseguia tirar os olhos da minha nova tatuagem.

- Gostou da minha tatuagem? Eu não sei como ela veio parar aqui, eu ainda não a tinha feito ontem de tarde. — achei que ela tinha alguma coisa a ver com a situação, então chutei no escuro.

- Ah, gostei sim. É bonita. Eu acho que não estou vendo coisas. E sim, eu te conheci ontem a noite.

- Como você me conheceu? Aliás, como eu sei que você não está mentindo? — ela ficou calada esperando eu continuar — Qual é o meu nome?

- Você não me disse.

Nesse momento parece que colocaram algo pesado e quente sob as minhas costas, queria mesmo que eu tivesse conhecido ela ontem a noite, mas essa mulher está apenas brincando comigo, vaca. Quando eu estava me levantando ela segurou minha mão e então olhei bem nos seus olhos.

- Olha aqui, eu não admito que brinquem comigo, está legal? Eu não lembro absolutamente nada do que fiz ontem a noite, e você me pareceu familiar. Mas é infantil da sua parte, sendo uma mulher feita, ficar brincando falando que me viu ontem a noite, só para confundir minha cabeça.

- Mas… Eu te vi ontem. Mas você não me disse seu nome, pediu para eu te chamar de The Rev.

Meus olhos se arregalaram, então ela não estava mentindo afinal. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, meu celular tocou. Filho da puta, era meu chefe falando que tinha outro cliente para mim. Quando desliguei a mulher estava se levantando.

- Ei! Por que está indo embora?

- O que você tem de beleza tem de arrogância, Rev. Sinto muito, você é bem mais divertido bêbado.

- Volta aqui, me desculpe. Eu fiquei realmente irritado. — mas a mulher não deu ouvidos, continuou andando, o que fez com que eu tivesse que correr para alcançá-la, ao chegar perto dela peguei seu braço e ela olhou para mim no mesmo momento. Nossos olhos se cruzaram e eu conseguia sentir sua respiração perto de mim, fiquei um segundo apenas olhando para seu rosto. — você não me disse qual é o seu nome.

- Você não me disse o seu.

- James. James Sullivan.

- Leana Silver.

- Você sabe porque a tat… — fui interrompido pelo meu celular, de novo. — Caralho, me desculpe. Um minuto. — era meu chefe novamente, estava ficando furioso. — Me desculpe, eu preciso ir. Pode me passar seu celular?

- Não sei, ainda não mudei minha opinião sobre você ser grosso, sabia? — fiquei olhando para a sua expressão e ela deu uma risada de um segundo.

- Vamos, eu posso ser demitido por fazer meu chefe esperar tanto, você sabia disso? — meu tom de voz estava um pouco mais amigável agora. E então, Leana cedeu e me passou seu número.