Notas iniciais
A melhor parte de viver é perceber que mudamos todos os dias, não necessariamente pra algo melhor ou pior. Apenas acontece. Pensando assim que minhas ideias morrem e florescem depois.

Pra quem ainda não trabalha e é sustentado pelos outros, tem uma coisa que passa despercebida: Uma hora o dinheiro acaba.

E se você recebe por mês isso fica mais gritante do que nunca.

Lá por volta do dia 15 da pra perceber aqui pelo movimento que simplesmente despenca, já que a maioria do público é funcionário público que mora ou trabalha nas proximidades.

Mas passando do dia 22 tudo normaliza por conta do vale refeição e dos salários que são pagos.

Mas durante esse período de baixo movimento é a oportunidade de ouro de fazer muita coisa: colocar a produção em dia, lavar gôndolas, reorganizar o balcão...

E claro que o melhor de tudo: NADA.

Não sou vadio toda hora, mas sempre que posso eu aproveito e largo todo pra ficar de bobeira por ai.

Fico dentro da câmara fingindo que to contando o estoque só pra ficar sentado lá onde é friozinho, vou pra sala de produção de salgado onde o pessoal ta contando charque e bacalhau enquanto falam da próxima jogada que vão fazer no Bet nacional.

Limpar o chão da maneira mais lenta disponível no mercado também é uma opção relaxante.

É nessa hora que eu percebo que eu não to cansado de trabalhar, apenas cansado do maldito balcão.

Talvez esse seja o gatilho que precisamos para rever a carreira e recalcular o que faremos dali para frente.

Não tenho o direito nem a opção de desistir, mas quem disse que mudar seria impossível?