Aborrecido atrás do balcão
23 Ócio
Notas iniciais
Pra quem ainda não trabalha e é sustentado pelos outros, tem uma coisa que passa despercebida: Uma hora o dinheiro acaba.
E se você recebe por mês isso fica mais gritante do que nunca.
Lá por volta do dia 15 da pra perceber aqui pelo movimento que simplesmente despenca, já que a maioria do público é funcionário público que mora ou trabalha nas proximidades.
Mas passando do dia 22 tudo normaliza por conta do vale refeição e dos salários que são pagos.
Mas durante esse período de baixo movimento é a oportunidade de ouro de fazer muita coisa: colocar a produção em dia, lavar gôndolas, reorganizar o balcão...
E claro que o melhor de tudo: NADA.
Não sou vadio toda hora, mas sempre que posso eu aproveito e largo todo pra ficar de bobeira por ai.
Fico dentro da câmara fingindo que to contando o estoque só pra ficar sentado lá onde é friozinho, vou pra sala de produção de salgado onde o pessoal ta contando charque e bacalhau enquanto falam da próxima jogada que vão fazer no Bet nacional.
Limpar o chão da maneira mais lenta disponível no mercado também é uma opção relaxante.
É nessa hora que eu percebo que eu não to cansado de trabalhar, apenas cansado do maldito balcão.
Talvez esse seja o gatilho que precisamos para rever a carreira e recalcular o que faremos dali para frente.
Não tenho o direito nem a opção de desistir, mas quem disse que mudar seria impossível?
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