Abismo de Rosas
6 Desejo e Reparação
Notas iniciais

Sakura chegou ao fim da tarde, lembranças amargas invadiram sua mente, desejava nunca pisar naquele local novamente, tudo parecia como há dez anos, conseguia ouvir os gritos que por tantos anos ecoou pela casa “O PORÃO NÃO”
Ao subir as escadas conseguia se lembrar do olhar severo e frio da tia, olhar as fotos de família era como ouvir seu primo dizer “Sakura Haruno? Ela não é da família” logo afastou seus pensamentos, ao chegar a uma das salas encontrou as primas, ambas de preto, uma estava em pé próxima à lareira e a outra sentada lendo um livro – Miss Haruno? Falou surpresa após recompor seu a seu ar esnobe. –Não ficou tão alta. Sakura nada disse, a outra se levanta e balança um sino.
—Como esta a mãe das senhoritas?
—Ela esta muito mal, creio que não poderá vê-la esta noite.
Sakura manteve sua postura. – Se puder subir e dizer que vim eu agradeceria. Se deleitando pelo rosto de espanto das duas continuou. –Ela me pediu para vir, não a deixe esperar.
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Sakura subiu mais um lance de escada, e encontrou uma das criadas.
—A senhora esta acordada disse-lhe que você esta aqui.
Sakura agradeceu e foi até o quarto, uma paisagem fria, se prostrava sobre a cama, uma senhora envelhecida pela doença e o sofrimento, a respiração era um chiado intermitente, que abalou Sakura por alguns instantes, ela se aproximou devagar a mulher a olha.
— Quem é? A voz fraca se dirigia a ela.
—Sou Sakura Haruno. Ela tenta se aproximar, mas a mulher esconde as mãos. – Como esta senhora?
— Você não é Sakura Haruno, quantos problemas essa menina me causou... Estava louca...Era um monstro. Sakura que relembrava todas as humilhações que a tia lhe fizera, mas agora só sentia pena, do pobre criatura a sua frente. –Ouvi dizer que ouve uma grande febre no orfanato e que muitas meninas morreram, mas ela não, quem dera tivesse morrido. A velha senhora expressa com desprezo, Sakura se aproximou.
—Por que odeia tanto Sakura, senhora?
— Eu odeio a mãe dela, a irmã preferida de meu marido, quando ela morreu chorou como um bebe, e insistiu em trazer a criança dela, uma criatura doente e chorona, chorava selvagemente a noite inteira, e o tonto a adorava, até em seu leito de morte mandou chama-la em vez de seus próprios filhos. Ela para, uma respiração ruidosa preenche o quarto, a mulher olha para o teto.
—Onde esta meu filho? Olhou para Sakura. –Sempre quer mais dinheiro, é um bom rapaz e gosta de mim, mas não sei de onde tirar mais dinheiro. A voz falha ela junta o ar que pode nos pulmões, e grita. –ONDE ESTA MEU FILHO?! Sakura se assusta a mulher chora a sua frente, a criada entra rapidamente enquanto a mulher tenta mais uma vez chamar pelo filho.
A criada olha para Sakura. –Sabe muito bem que o filho morreu, por isso nunca se levanta da cama. Sakura sai do quarto, após um tempo a criada sai. –Espero que não se ofenda
—Não se preocupe, eu não me ofendo. Disse sorrindo.
—Você ficava aborrecida mais que aborrecida, mas agora que cresceu esta tão segura de si, quem diria, suponho que agora tem amigos em quem confiar.
Sakura sorri. – Sim, tenho um amigo, alguém que entende tudo que eu falo, ele riria se falasse de minha tia, ele me conhece tanto. Disse radiante, a primeira vez que fala com outra pessoa sobre seu amado senhor. – Ele conhece meus pensamentos antes mesmo de pensa-los e traduzi-los em palavras.
—Quando saiu dessa casa, meu coração apertou, mas sempre soube que sairia bem, fico feliz que quando sair daqui voltara para seu amigo.
Sakura sorri, mas um ar melancólico vem sobre ela.
— Em breve meu amigo ira se casar. Virou o rosto para que a confidente não perceba sua tristeza.
—Espero que seu amigo não vá morar muito longe, você poderá visita-lo.
—Sim, claro poderia fazer isso. Sakura pensou se Sasuke já teria feito o pedido a Jane.
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Sasuke ficou mais taciturno depois que Sakura foi ver a tia, seus convidados, cavalgavam, jogavam, e ele apenas aparecia no horário do jantar, e quando lhe perguntavam dizia ser trabalho, Adele rodopiava pelo salão, enquanto as senhoras conversavam, ela parou e fez uma reverencia a senhora com desagrado diz. – Não era para estar na cama?
— Não, senhora, oh que belo colar.
—Nunca pensei que diria isso, mas é uma pena que a preceptora não esteja aqui, deve estar feliz por ficar longe dela tanto tempo.
— Oh não, desejo que volte logo, é a pessoa de quem mais gosto, exceto pelo senhor Uchiha é claro.
A mulher se vira para Jane. — Quando o Senhor Uchiha fizer um certo anuncio, essa jovenzinha desfrutara de um bom internato.
Jane se levanta, e vai atrás de Sasuke, estava cansada de sua ausência, mesmo não querendo admitir, sabia o porquê, caminhou pelos corredores, até acha-lo em seu escritório, próximo à lareira, ela entrou com seu suntuoso vestido, levantou o queixo o máximo que pode, e com o ar presunçoso fechou a porta atrás de si, Sasuke não escondeu seu desagrado.
—Algum problema? O olhar gélido, não a afrontou.
—Não, estava apenas dando uma volta antes do jantar. Disse se aproximando.
— E gostou do que viu?
Jane Sorriu. – Naturalmente, ficariam melhores com outra administração, alguns moveis aqui e lá.
Sasuke expressou um sorriso irônico em seu rosto. –E acha que gostaria de assumir essa responsabilidade?
Jane sorri triunfante, Sasuke muda sua expressão, o sorriso sumiu de seu rosto, endireitou sua postura. – O que você realmente quer Jane?
O sorriso também sumiu do rosto de Jane.
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Sakura após uma longa noite naquela casa se encontrava desenhando, na presença das primas, uma delas lia um livro enquanto a outra deitada se abanava com leque, essa ultima resmungou.
— Se ao menos tivéssemos ido a cidade. A irmã a ignorou, então ela continuou. –Seria muito melhor desaparecer por uns meses, até que tudo estivesse acabado.
Sakura levantou o olhar, mas logo voltou ao seu desenho, a irmã então lhe respondeu.
—Megumi, não há sobre a terra um ser mais vaidoso e absurdo que tu, és completamente inútil, sendo inútil, só quer depender dos outros, se não encontra alguém que a carregue, uma criatura tão débil lamenta que te tratem mal e a deixem de lado, tem que ser lisonjeada, admirada, senão murcha e morre.
A irmã deitada fica furiosa olha para a irmã com ódio, se senta e fecha o leque. – Pois bem Misao sabes que você é a criatura mais egoísta e insensível do mundo, conheço em primeira mão o teu ódio e desprezo, você arruinou a minha oportunidade de casar com Hyottoko, não podia suportar que eu fosse recebida em círculos, em que você não iria aparecer.
Misao fecha o livro com raiva. – Deixe-me lhe da um conselho, o primeiro e ultimo que lhe darei, divida o dia em partes, e designe uma tarefa para cada parte, o dia vai acabar antes que perceba. Sakura começa a se incomodar com a discussão das duas, sabia muito bem como as primas eram arrogantes e insensíveis, Os olhos de Megumi começam a encher de lagrimas, mas a irmã continua. – Você dependera apenas dos seus próprios sentidos, não precisara que te admirem ou te cortejem, nem precisara sequer ser notada. Megume não segura e soluça ao chorar e Misao conclui. – Depois da morte de nossa mãe, em seu enterro lavarei as minhas mãos com relação a você, será como se nunca tivéssemos nos conhecido, ainda que sobrássemos nós duas na face da terra, não te dirigiria a palavra. Megumi sai chorando enquanto a irmã volta a ler, Sakura pensou que nada havia mudado naquela casa.
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A noite Sakura ao lado da cama da tia lia um livro, a tia ao acordar murmura.
— Quem está ai?
Sakura fecha o livro e reponde. – Sou eu, Sakura Haruno, queria me ver.
— Sim, sei que estou muito doente, preciso aliviar minha consciência antes de morrer, prejudiquei você duas vezes, Sakura Haruno, uma ao romper a promessa feita a meu marido, de que te criaria como se fosse minha filha, você sabe... e... Vá até a minha penteadeira. Sakura obedeceu a caminhou até o move. –Abra. Sakura abriu a delicada gaveta. –Pegue a carta que esta ai dentro. Ela pegou e voltou para a cadeira que estava sentada, e começou a ler o conteúdo da carta.
“Senhora, teria a bondade de enviar o endereço de minha sobrinha, Sakura Haruno.”
Sakura gaguejou um pouco “Gostaria que ela se junta-se a mim em minha casa, a sorte me sorriu e já que não tenho esposa e filhos, desejo adotar-lhe e deixar toda a minha herança quando morrer, atenciosamente, Hatori Kamya”
Sakura virou a carta para ver seu remetente. – Essa carta foi escrita a três anos, por que nunca me disse que tinha um tio vivo?
—Por que te odiava demais, não pude perdoa-la.
—Perdoa-me? Sakura se permitiu ficar brava.
— Seu comportamento, te acolhi e você me tratou com desprezo, falava comigo como um animal selvagem.
— Perdoe minha natureza passional, eu era uma criança, vamos nos perdoar agora.
—Eu não pude evitar, e me vinguei, escrevi ao seu tio Sakura Haruno esta morta, que tinha morrido de febre na escola, vê, tive minha vingança, agora pode ter a sua, pode dizer que eu menti, estarei morta ao amanhecer, então não importa. Sakura se levantou colocou a mão sobre a da tia. –Eu a perdoo, queira ou não eu a perdoo sinceramente. Deu um beijo na testa da tia e saiu do quarto, Sakura não quis ver a tia morrer, arrumou suas coisas, e pediu uma carruagem, de qualquer forma ninguém sentira a falta dela.
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