Abismo Primordial.
2 O primogênito de Thanos.
O vento gélido sopra sobre a noite, uivando como um aviso macabro da morte em nossos ouvidos desesperados como um chamado triste de desespero e desilusão...
Ando quase sem rumo sobre as carcaças de muitos que outrora chamei de amigos... Às poucas vezes que toco o chão, este é claramente fofo e quase delicado... Encharcado pelo sangue dos meus parceiros de guerra.
Olho para meu braço direito em busca de tentar ver a hora. Uma ação inconsciente e automática provida de um tempo que talvez nunca mais volte. Uma época onde minha preocupação era apenas se iria me readaptar ou não? Se iria me casar ou não? Iria eu conseguir levantar a quantidade de peso que queria até o campeonato de powerlifting?
Mas logo ao ver o sangue sobre minha armadura de combate logo retomo a consciência de minha quase louca condição... Max Rosa não existia mais! Apenas MAXIMUS! O comandante das forças remanescentes pela libertação da existência! Um dos últimos dos primogênitos dos guerreiros de Thanos. E como alguns ousavam sussurrar, mas claro nunca na minha frente. Suposto braço direito do gigante púrpura.
Não vou negar minha admiração ao Titã, mesmo quando acreditava que o mesmo não passava de um simples personagem de histórias fictícias. Mas a morte, o caos, e tudo que com ele veio de presente, e difícil mesmo para eu ser hoje um grande fã do gigante...
Continuo andando sobre os destroços de onde outrora era a paulista. Hoje me parece mais uma mistura de cenário de silente Hill e Killzone. Corpos espalhados para todos os cantos, um cheiro horrível de carne em decomposição, queimada, olho de maquinas, explosivos, poeira de escombros, e uma infinidade de coisas que meus sentidos não são capazes de reconhecer.
Em épocas áureas, provavelmente estaria me desmanchando em vômitos, mas hoje? Hoje infelizmente isto é tão normal que até me assusta.
Lembro-me de minha pequena Giovanna, e se ela estaria bem. Thanos a havia escalado para comandar as forças de ataque do oriente. Enquanto eu ficava responsável pelas forças do ocidente, o Pedro iria para África, e ele iria pessoalmente a Meguido impedir a abertura do abismo...
O Abismo... Aquilo era uma loucura! A existência de Thanos era uma loucura. Minha vida tinha se tornado uma loucura! Oh meu Deus! Terei eu sido deixado para traz? Estes são os últimos dias antes do fim? Eu não fui digno de ser levado?
Num momento de desespero me ajoelho no chão e levo as mãos ao rosto implorando por uma resposta que sabia que não viria.
Queria acordar daquele pesadelo! Não aguentava mais a pressão em minhas costas. Mesmo com todo o poder que tinha a mim sido presenteado por Thanos, toda aquela loucura era demasiada para meus ombros cansados.
Queria paz...
Quando achei que iria enlouquecer, foi que minha loucura foi quebrada por um leve e fraco choro de criança que me foi trazido pelo vento...
Alguém precisava de mim. Esta não era hora de chorar ou enlouquecer. Obrigado meu Deus por me dar a resposta que precisava.
Tomado por uma nova energia levantei-me como um raio e me atirei em busca dos pequenos grunhidos perdidos na escuridão da noite.
Sem pensar, sai devastando tudo que estava em meu caminho. Precisava encontrar aquela que tanto sofria. E que com seu sofrimento, sem querer acabara de me salvar... Agora era minha vez de retribuir o favor.
Minutos se passaram até que encontrei onde era à entrada da consolação (assim eu acho), uma pequena criança chorando ao lado de uma grande nave de guerra inimiga. Era um cruzador espacial. Um pouco menor que um estádio de futebol. Estava partido ao meio. Era possível ainda ver os corpos dos seres bestiais espalhados pelo chão junto aos meus compatriotas.
Criaturas magras de pele acinzentada e cabeça grande e oval com os queixos afinados. E olhos grandes e profundos com grandes olheiras, braços longos e dedos finos. Com um grande OZ marcado no peito de seus trajes negros...
A nave ainda queimava... Resultado da última batalha.
Diante dela, sentada sobre seus joelhos lá estava uma menina negra, aparentemente de oito anos de cabelos desdenhados olhando fixamente para nave e chorando de forma desmedida!
Poucas coisas me chocavam ou incomodavam de imediato naquela altura da vida. Mas não nego que tal cena me tocou de forma que não sabia explicar. O que estava acontecendo? Porque aquela menina estava ali chorando daquela forma? Porque não tinha ido embora com todos os demais?
Depois de alguns segundos de paralisia resolvi me aproximar, e o que vi não só me chocou, como logo explicou tudo o que estava acontecendo.
Diante da pobre criança, embaixo da estrutura da grande nave, jazia inerte um corpo de uma senhora negra, talvez uns 50 anos. Só parte de seu tórax e braço direito estavam à mostra. Todo o resto estava encoberto pela grande massa de ferro agora inútil.
Sem saber o que fazer ou o que falar me aproximei da pequena criança e a abracei da forma mais carinhosa que consegui expressar no momento.
“-... Tio Ajuda... Ajuda minha avozinha... Tira ela debaixo da nave dos bichos maus. Por favor, tio...!”
Mesmo contra minhas vontades as lágrimas rolaram sobre minhas faces. Aquilo era demais mesmo para mim...
Num abraço forte e caloroso como se ela fosse à coisa mais importante em minha vida falei:
“- Não se preocupe, minha pequena princesa. Sua avó não mais ficara embaixo do lixo dos bichos maus. O tio está aqui para salva-la e a você também!”
Ao ouvir minhas palavras a pequena garota fez nascer um luminoso e maravilhoso sorriso que de tão quente e feliz preencheu minha alma de alegria e paz. Uma paz como há tempos eu não sentia. Uma paz que há tempos eu havia esquecido.
Pedi para que a menina se afastasse, pois era perigoso, e quando vi que a mesma estava segura me virei ao lixo cósmico em minha frente. Com cuidado para não afetar o frágil corpo da senhora morta, finquei minhas fortes mãos nas fuselagens da nave, e num movimento a ergui com toda a força que Thanos havia me proporcionado. E antes mesmo que a menina sequer pudesse exprimir seu espanto pela visão incrível do tio levantando a grande nave, eu a arremessei em direção à estratosfera, rezando para que nunca mais este lixo caia em nosso planeta.
“- Tio, Tio, você é o Super-homem tio?”
Veio até mim à pequena menina com os olhos ainda molhados pelo choro, mas agora surpresos e alegres.
“- Não minha pequenina. Sou apenas mais um. Mais um entre muitos que luta para sermos felizes.”
— Eu queria que minha avozinha pudesse te conhecer...
— Não se preocupe minha linda pequenina. Onde ela estiver está me conhecendo. E está feliz de eu estar com você.
A pequena então deu um sorriso de grande felicidade e me abraçou da forma mais forte que lhe era possível chorando. Agora não mais de tristeza, mas de alegria.
Eu também a abracei sorri e chorei. Queria ficar e aproveitar aquele momento tão mágico e único. Em minha vida. Quando em minha mente o clima é totalmente quebrado.
Falando diretamente em minha mente, meu velho amigo Gilmar me chama:
“- Max precisamos de você agora!! O conselho enlouqueceu e quer atacar. Vamos todos morrer!!”
*** Mesmo sem modos de garantir que não roubem os direitos dessa obra, peço encarecidamente que se publicarem em outros sites, façam referência ao autor original, Maxiliano Rosa. Tenham ética e maturidade e não se assumam como autores desta fanfiction quando/se publicarem em outros sites, pois o autor teve muito trabalho em criar esta história, e em pensar em todos os detalhes. ***
Fale com o autor