Abismo Primordial.
4 A promessa.
Mais de uma hora havia passado. Estavam sobrevoando o oceano atlântico e se aproximando das fronteiras do Brasil. Apesar de estar à noite, o céu brilhava como um dia ensolarado, com a imensidão de raios, explosões, disparos e demais ataques inimigos que de forma ineficaz tentavam abater Leo e Éder que continuavam em sua jornada inusitada e sempre em linha reta.
Éder já estava acostumado a ser atacado quando estava voando com o Leo. E sempre achou graça da tentativa frustrada de seus inimigos, uma vez que seu poder não só lhe permitia ficar totalmente translucido, como qualquer coisa que ele tocasse.
Mas desta vez era diferente. Suas rotas sempre eram alternativas, tentando evitar ao máximo o inimigo, nunca em suas vidas tinha pegado um caminho reto e direto, passando bem no meio das forças inimigas! Sentia-se no meio de um jogo de videogame de naves espaciais, onde havia usado gameshark e tinha vida infinita!
No entanto o que mais assustava com certeza não era o número quase infinito de naves inimigas, nem o clarão que quase lhe cegava... O que mais lhe assustava era a velocidade com que seu amigo Leo se dirigia ao encontro do Max. Em todas suas viagens com o amigo jamais havia presenciado tamanha velocidade e seriedade vindas de seu companheiro.
A velocidade era tanta que as luzes dos ataques junto com as naves estavam se misturando, se tornando num único e assustador borrão no céu... Como uma pintura grotesca feita de tintura óleo... Uma visão psicodélica e caótica que mais e mais nos adentrávamos...
— Leo... Porra cara isto é loucura! Eu não estou conseguindo mais nem definir as coisas em minha volta como você sabe para onde você está indo caralho? Leo? Leo!?
Não era que não pudesse escutar seu amigo chamando, mas sua concentração não podia ser cortada. Nunca tinha usado seu poder de tamanha forma, conseguir manter-se em foco, não perder a consciência enquanto usava ao máximo suas capacidades mentais para conseguir enxergar perfeitamente no turbilhão, lhe era demasiado desgastante...
Mas aquela não era hora de fraquejar e nem pensar. Ele sabia que tinha que chegar o mais rápido possível ao Brasil. O Max precisava dele... Ele precisava dele... E o mundo precisaria de todos! Sua velocidade agora deveria ser mais do que testada, tinha que ser levada ao máximo!
— Cala boca Éder que eu tenho que me concentrar porra!!! – Responde o Leo em desespero perante aos chamados de seu amigo já aflito.
— Tabom caralho, mas vê se não vai desintegrar nós dois que nem o flash porra!! — Grita o Éder já aflito e com medo da ação e velocidade enlouquecedora de seu amigo.
Enquanto isto no Brasil...
— Eu não quero Tio! Eu não quero me separar de você! Não me abandona tio, por favor? Promete-me? — Pede uma garota em choro ao seu salvador.
— Minha linda princesa, o tio nunca iria te abandonar. Como eu falei, são dois amigos que estão vindos para nos ajudar. Um vai te levar para um lugar seguro enquanto outro vai me levar para poder ajudar mais gente, mas eu prometo que depois que eu terminar eu volto para ver como você está. Mas o tio tem que salvar mais pessoas entende?
Com os olhinhos ainda cheios de lágrimas, a pequenina apenas balança a cabeça em aprovação as falas fortes, mas doces do tio que havia a pouco salvado a sua vovozinha da grande nave dos bichos maus.
Este então a abraça fortemente em aprovação e feliz pela força e compreensão da pequena criança.
— Muito Obrigado minha linda, muito obrigado! Quando o tio terminar, o tio promete que vai se juntar a você!
— Você promete tio? Promete mesmo?
— Prometo minha linda princesinha! Eu prometo!
Neste momento o clima e quebrado por um forte e poderoso som que corta os céus como uma poderosa e gigantesca turbina de caça de guerra vindo em alta velocidade.
— Tio O que é isto!? — Se assusta perguntando e apertando fortemente seu salvador a pequena menina.
Olhando de forma ameaçadora para o céu, Max então dá um leve sorriso seguido de um suspiro...
— Calma, calma, pequenina. São meus amigos... Eles chegaram...
Antes mesmo que qualquer coisa pudesse ser dita, Max apenas se virou de costas protegendo a pobre criança do impacto que se sucedeu logo em seguida.
Primeiro um grande tremor de terra, seguido segundos depois por um som gigantesco de uma explosão e de uma enorme porção de terra e destroços voando em direção dos dois. A menina gritava enquanto via rochas, maquinas e demais coisas batendo nas costas do tio que a protegia da explosão repentina. Fora o barulho ensurdecedor que por pouco não a fez desmaiar.
Depois de alguns estantes de total terror, uma enorme poeira pairava no ar. A criança chorando quase em choque se abraçava fortemente no forte homem que tentava acalma-la, enquanto virava-se devagar para a direção do ocorrido.
— Calma linda, já passou. Não era nada. Não se preocupe. Já passou, já passou...
Conforme a poeira foi abaixando, uma enorme cratera foi sendo revelada, e em seu interior, bem no centro, um homem ajoelhado com a cabeça baixa começa a se erguer de forma majestosa e oponente. Cabelos castanhos escuros e lisos, olhos profundos e cansados, narinas alongadas... Era o Leo que finalmente havia chegado.
— Leo seu retardado você ficou maluco? Que negócio foi este? Esqueceu que eu estou com uma criança? Você podia ter matado a coitadinha caramba! – Olhando então para os braços do Max Leo então vê a pobre criança pequenina chorando olhando para ele como se ele fosse um monstro e percebe a loucura que fez...
— Duuupp... Eita porra! Desculpa eu fiquei tão preocupado em chegar logo que até esqueci que você estava com uma criancinha. Ela se machucou? Teve algum machucado?
— Não graças a você seu argentino maluco! Mas vem cá me dá um abraço!
— Tio É ele que é seu amigo? Tio?
— Sim minha querida, este retardado que é o amigo do tio. O nome dele é Leo.
— Oi menininha! Eu sou o Leo. Qual o Seu nome?
— Poxa é verdade! O tio esqueceu-se de perguntar o seu nome... Qual é o seu nome princesa?
— Depois eu que sou o retardado... — Responde Leo, fazendo a pequena criança rir do comentário.
— Só que não fui eu que vim dando uma de exterminador do futuro destruindo tudo em sua volta não viu?
— Você tem que ver que eu sou foda Max.
— Sei, sei, mas voltando ao assunto como é o seu nome, mesmo minha querida? O meu como você já viu é Max, e o seu?
— Então tio, o meu nome é Angel. Que quer dizer anjo. – diz sorrindo a pequena criança olhando para os dois homens que para ela deviam ser super-heróis de quadrinhos. Iguais aos que a vovozinha dava para ela.
— Angel? Que nome mais lindo! E com certeza, apropriado. Pois você é um verdadeiro anjo minha linda! – Brinca Max fazendo cosquinhas na menina, que sorri com a brincadeira.
— Tio Max, é este o seu amigo que vai ficar comigo?
— Não minha linda, quem vai ficar com você é o Éder. Falando nisto onde está aquele macaco?
— Ich bin hier! — Escutam então em suas costas.
— Olha tio Max! Um fantasma! Quando se viram diante deles um homem alto de boa aparência, mulato careca de barba a fazer com uma armadura parecida com a do Max está diante deles totalmente semitransparente.
— Não se preocupe minha linda. Não é fantasma. Este é o outro amigo do tio Max. O nome dele é Éder.
— Mas tio... Seu amigo está morto!?
— Não pequenina ele não está morto, é apenas mais um idiota que NÃO DESLIGA A DROGA DO PODER!
Éder então dá uma enorme gargalhada ao ver a sutil bronca do amigo e assume sua forma normal para espanto da menina.
— Porque raios você ficou escondido Éder?
— É que eu vi a boiolagem toda entre você e o Leo então esperei o amor passar para me aproximar. – Antes mesmo que o Max pudesse responder Éder se abaixa e se dirige a menina que agora está no chão chocada com os super-heróis na frente dela.
— Então princesinha, eu sou o Éder, o verdadeiro herói da história. Sou eu que vim para te salvar.
— Mas quem me salvou foi o tio Max! – Afirma categórica a menina.
— Aquilo foi só fachada. Na verdade, ele é só coadjuvante. A partir de agora você vai ver o verdadeiro herói em ação.
A menina começa a rir do jeito engraçado do homem em sua frente que começa a brincar e fazer demais fanfarronices para alegra-la.
— Bem gente... Chegou a hora de partir... – as palavras fortes vinda do tio Max logo quebraram todo o clima alegre da pobre criança, que mesmo sem querer tem seus olhos marejar...
— Não chore meu anjo, como o tio prometeu ele vai voltar.
— Você promete tio? – Éder e Leo se olhão ao ver tal pedido, como se acreditassem que o mesmo não pudesse ser cumprido, no entanto...
— Sim meu pequeno anjo, o tio Max promete. Eu vou voltar! — Um forte abraço é dado entre os dois. Nenhuma palavra mais e pronunciada. Apenas as lágrimas conversam enquanto Éder e Leo abaixam a cabeça como numa oração de despedida.
Max então se levanta; seu olhar agora é forte e distante...
— Éder meu bom amigo, eu te deixo a vida desta criança como se deixasse a minha própria vida! Conto com você!
— Se preocupa não Max. Eu prometo que nada neste universo vai tocar nesta menina até você voltar. Nada!
Max sorri satisfeito com a resposta de seu amigo, sabendo que a menina está em boas mãos, então se vira e vai em direção ao Leo que já o espera para partirem. Éder então toca a menina deixando-a translucida para mais uma vez seu espanto, mas antes mesmo que pudesse pronunciar alguma coisa, a pequena menina logo entendeu o significado de tal ato.
O que ela vê é com certeza de se espantar, o tio Leo flexionando as pernas, e ao fazer, uma enorme onda de energia em sua volta, fazendo o chão se esmagar abrindo uma pequena cratera, que logo é aumentada com o seu arremesso no ar que de tão fantástico e rápido e poderoso, causa uma verdadeira explosão, tão ou mais poderosa do que a que foi causada pela sua chegada!
Enquanto os destroços passavam pelo seu corpinho como se ela fosse um fantasma, ela depois do susto inicial olhava para o céu vendo seu salvador voando e se distanciando junto com seu amigo voador...
— Tio Éder... O Tio Max vai voltar? – Apesar de desorientado com a pergunta Éder olhando para o céu junto com a menina disse:
— Não se preocupe minha princesinha. Eu nunca vi o Max descumprir uma promessa. Ele virá. Nem que ele tenha que destruir mares e montanhas... Ele virá...
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