Abismo
1 Perdição
Notas iniciais
–Takahiro-sama o carro está esperando. A voz de um dos integrantes da família soou e um jovem no auge dos seus 20 anos aparece com o mesmo rosto quadrado e cabelos negros, que sua versão atual apenas não possuía o cavanhaque negro marca registrada da versão mais velha, mas que não mudava em nada a aura imponente do mesmo, para dizer a verdade seu olhar era mil vezes mais sombrio e carregado.
O jovem mestre seguiu entre seus guardas, ou melhor, entre os membros da família que fariam sua escolta ate o Kia k9 negro, que o levaria de encontro ao seu pai e atual líder da família em um jantar oferecido por um velho amigo do mesmo e dono de uma das maiores multinacionais do mundo, as empresas Satsuke.
Satsuke Hiro é um homem conhecido por todos como sendo muito excêntrico, mas extremamente ardiloso e inteligente. Pai de dois filhos, e avô de dois netos, filhos de seu filho mais velho e possível herdeiro já que o mais novo ainda possuía apenas 19 anos.
Ao chegar à mansão Takahiro não se surpreendeu pela estrutura inglesa da mansão, já havia visto inúmeras mansões, e apesar de ser extremamente bela por fora não era novidade... Ao ouvir do pai que Satsuke era excêntrico imaginou que sua residência seria surpreendente, mas era muito comum, ele se dirigiu ate a porta aonde havia um mordomo que o guiou ate o imenso salão de baile e qual foi a sua surpresa ao presenciar um circo dentro do mesmo. Engolidores de fogo, malabaristas, palhaços, mágicos, trapezista pulando de um lado para o outro, contorcionistas e um imenso elefante, seu pai tinha razão Satsuke era muito excêntrico, quem em sã consciência coloca um circo dentro de casa.
Andou toda a extensão do imenso salão observando as mais diversas atrações, mas ao avistar o pai conversando animadamente com um homem de cabelos brancos que deduziu ser o anfitrião andou ate eles, o pai ao perceber a chegada do filho sorriu e deu sinal para que o mesmo se aproximasse, apresentando-o para o velho amigo.
– Hiro, este é meu filho e sucessor da minha linhagem, Takahiro Akira.
Estendi a mão a ele, pelo que Akira havia pesquisado Satsuke era adapto a este costume estrangeiro.
– É um prazer Satsuke-san.
–Ora, pelo jeito andou me investigando? –sorri- Muito bem meu jovem devesse sempre saber em que caminho pisar, é isso que sempre digo aos meus netos. Por falar neles onde estão. -Ele observa ao redor e encontrando os na companhia de seu secretario pessoal, Dois garotinhos que aparentavam não muito mais de cinco anos de cabelos negros e imensos olhos, um deles possuindo olhos de um Azul profundo, característico da família. -Esse pequeno se chama Hiroko, meu neto mais novo- Akira olhou para o menino que ao olhá-lo nos olhos estremeceu de medo, é Akira nunca foi bom com crianças ele sempre as assustou pelo seu porte e cara de mau, mas se surpreendeu a olhar e ver um par incomum de olhos vermelhos o fitando- este é Ren meu neto mais velho ele e Hiroko são gêmeos, idênticos diferenciados apenas pela cor dos olhos como pode observar Ren possui essa rara modificação genética.
Akira encarou aqueles olhos, sem perceber ficou preso naquele olhar indecifrável, não era ameaçador nem havia resíduos de medo, ele parecia decifrar a alma de Akira, foi quando ele viu uma tristeza crescente se formando nos grandes olhos.
–Takahiro-sama, Satsuke-sama. Disse se curvando o secretario e me tirando da minha prisão. — Presidente o dono das empresas Tomoya acaba de chegar e pede por sua presença.
–HAi Hai... Por que eu insisto em fazer esse tipo de evento chato?-diz Satsuke um tanto desanimado ao certo ser o anfitrião não era algo que ela gostava de realizar. -Até mais Akito. — disse se referindo ao pai de Akira- Até mais Akira-kun foi um prazer conhecer o filho de um grande amigo.
Disse saindo logo em seguida com cara de cansaço, indo de encontro ao presidente das empresas Tomoya, para que pudesse fazer o papel de anfitrião, sendo seguido por dois pequenos seres.
–Akira?-disse Akito
–sim.
–O que aconteceu? Você achou tão estranhos assim, aqueles olhos?
–Não, na verdade os achei muito belos, por quê?
–você ficou encarando o garoto, achei que você pudesse telo achado estranho.
–Não, só estava curioso.
–Entendo. Akito saiu indo cumprimentar outros conhecidos enquanto Akira se encostou a uma das paredes observando as atrações.
Foi quando sentiu uma pequena mão puxando seu terno, virando-se encontra um par de olhos escarlate o fitando.
–Onii-chan! Sua voz infantil era melodiosa e doce, mas que não escondia a tristeza. –Cuidado, ela está atrás de você!
–O que?
–Ela quer te machucar, você tem que ter cuidad...
–Ren!- uma voz imponente soou fazendo o menino estremecer de medo- O que está fazendo? Espero que não tenha dito nada infeliz!- diz o home com escárnio na voz.
–Sinto muito Otou-san...
Akira observou o menino, que ate poucos instantes não havia demonstrado sequer um vestígio de medo, de um yakusa, mas que na presença do pai se mostrava morrendo de medo, como se em sua frente estivesse o pior monstro da face da terra.
O homem pegou na mão do menino de maneira áspera e seu olhar reprovador, como se aquele ser em sua frente fosse um erro.
–Desculpe! Este menino sofre de alguns distúrbios psicológicos, espero que ele não lhe tenha aborrecido. Disse o mais velho, que eu entendi por ser filho do velho Satsuke.
– Ele não disse nada demais.
–oh sim... entendo, com sua licença. – saiu em direção ao salão puxando o garotinho pelas mãos.
Akira ficou pensando no que o pequeno de olhos escarlate o havia falado, “ela quer te machucar” sobre quem o pequeno se referia.
–Estou pensando demais, o menino tem problemas mentais...
Akira olhou em seu rolex Black milgauss e percebeu que já estava tarde ele caminhou pelo salão quando encontrou o pai, fazendo um sinal avisando que já estava de partida, se retirou do local saindo em direção a porta de entrada quando ouviu um barulho, ao lado direito em um corredor que julgava estar vazio, por instinto se virou e viu quando o garotinho que ate alguns instantes estava ao seu lado receber um soco no rosto do próprio pai descontrolado. Não pôde deixar de ficar chocado quando ouviu o mesmo dizer ao menino caído no chão com a boca sangrando. — Teria sido melhor se uma coisa como você nunca tivesse existido, projeto de monstro, será que é tão difícil para você ser normal como Hiroko!”
–Gomen Otou-san!-Dizia o pequeno com lagrimas escorrendo dos olhos
– Não me chame assim! Você não é um filho meu você é um monstro imundo, um assassino sem valor algum! Meu único filho chamasse Satsuke Hiroko.- Disse de maneira fria e cruel.
Akira ficou chocado com que ouviu, mas nem por isso iria interferir, uma coisa que ele aprendeu com a máfia era não se meter em problemas alheios, ele não tinha nada haver com a maneira que os pais tratavam seus filhos.
Ele se virou e iria continuar seu caminho quando um jovem moreno com cabelo comprido passou por si, chegando ate onde a criança estava o perfume do mesmo era adocicado, de maneira que fez o moreno mais uma vez se virar, a cena que seguia em partes o agradou. O moreno mais jovem encontrava-se ajoelhado observando a face do pequeno Ren que ainda tentava segurar as lagrimas da maneira que conseguia, o moreno de cabelos compridos olhou para o pai de Ren levantou e o segurando firme pela camisa disse – Se você tocar nele de novo eu acabo com você! Seu bastardo maldito!
Soltando o mais velho e pegando Ren no colo passando de novo por Akira desta vez com em passos lentos, com um garoto que parecia não aguentar mais segurar o choro, não Akira não pode deixar de notar a semelhança entre os dois mais velhos na certos ambos seriam filhos do velho Satsuke, ele os observou ate sumirem do meu campo de visão dando de ombros e seguindo seu caminho.
Akira entrou em seu carro dando ordem para o motorista o levasse ate sua casa.
Ao chegar à mansão estilo tradicional Akira passou pela porta de entrada não deixando de observar a mais nova aquisição de seu pai, ou seja, a nova amante de seu pai se exibindo aos membros da família como sempre fazia, Akira havia dito ao velho que não se importava com os casos amorosos ou a quantidade de putas a qual seu pai se envolvia, mas que ficasse claro que nenhuma delas pegaria o posto de esposa do chefe que havia sido unicamente de sua mãe, em troca Akira se doaria a ajudar em que fosse preciso para preservar a honra e dignidade de seu clã como o próximo herdeiro.
Akira foi ate o banheiro tomando um banho quente e indo se deitar. Ele estava muito cansado, e sua cama parecia ser uma bela utopia, isto ate o moreno adormecer.
Akira sonhava que estava em sua casa, nos jardins ao fundo da mansão onde possuía uma linda arvore de sakura florida, ele estava sentado sob a mesma fumando um cigarro e olhava as pétalas cair, quando de repente, ele ouve um forte grito de pavor...
Virando-se para o lugar onde deveria estar sua casa encontrava-se um casebre abandonado, seu corpo se dirigiu ate o casebre, abrindo a porta de trás da casa e entrando pela mesma, ao passar pela porta não era mais o imponente Takahiro Akira de 20 anos que se encontrava ali, mas sim o pequeno e frágil Akira de 9 anos. O pequeno Akira continuou seguindo os gritos, subindo por uma escada de madeira tendo acesso ao segundo andar da casa quando resolve abrir a porta do quarto de onde teria tido origem dos gritos. Abrindo cuidadosamente a porta, seus olhos não acreditavam no que via sua mãe a única mulher a qual amou de verdade, encontrava esquartejada por um ser magro, pálido e com cabelos negros que a se assemelhava a uma mulher, mas que em nada lembrava um ser humano e sim um demônio ou um fantasma.
O coração de Akira falhou por um instante e o medo o consumiu de tal forma que seu único pensamento foi fugir correr o mais rápido possível. Ele desceu correndo a escada correndo em direção ao local onde estaria a porta pela qual entrará a alguns instantes. Ela não estava mais lá... Ele ouviu algo o chamar –A..KI..RA!!! A coisa estava atrás dele, ele correu e entrou em um dos quartos que aparentava ser a sala se escondendo atrás da porta, pela fresta da mesma o pequeno viu a coisa passar por ele, e adentrar pela sala, ainda o chamando pelo seu nome.
–A..KI..RA!!! A cabeça da coisa girou em direção a porta onde o menino estava escondido. Akira saiu por de trás da porta e continuou correndo pelos corredores da casa, quando se virou em corredor sem saída, o pequeno menino se virou tentando voltar e tomar outra reta mais a coisa já estava na porta do corredor, encurralado Akira não tinha mais o que fazer, a coisa se aproximou e com aquilo que deveria ser as mãos, mas muito mais afiadas que uma faca perfurou seu coração. Akira levou uma das mãos ate o peito a vendo encharcar de sangue, suas vistas estavam escurecendo e seu único pensamento “ESTÁ TÃO FRIO...”
_AAAAAAAAAAAAHHHHHH- um assustado Akira acorda ofegante com uma mão no peito. –Droga!- Ralhou o moreno tentando acalmar sua respiração, a quanto não tinha um pesadelo, ele já estava grande para ser atormentado por seus sonhos, mas tudo aparentava ser tão real... Ele olhou no relógio e viu 5:43 AM.
Após alguns instantes um Akira mais calmo se dirigiu ate o banheiro, ele tomaria um banho quente para tentar se recuperar por completo daquela sensação estranha. Ele retirou a camisa e as calças com a cueca Box que vestia, abriu o chuveiro deixando a água escorresse por seus músculos definidos e torneados, sem pressa alguma ele se ensaboou e enxáguo, lavou as madeixas negras e desligou o chuveiro, enrolou- se na toalha, indo em direção ao armarinho se pegando os materiais necessários para remover a barba que crescia, ele limpou o espelho com as mãos e se assustou ao ver que em seu peito havia uma marca, mas não era um hematoma, era como uma tatuagem.
Uma marca de cor azulada (dor), com 15cm de extensão. A marca estava no mesmo lugar onde a coisa de seu sonho o havia atingido, Akira não pode deixar de pensar no aviso de certo garotinho “Ela quer te machucar, você tem que ter cuidado.”
– Que isso eu devo estar ficando maluco, o próprio pai te alertou quanto aos problemas psicológicos do menino!- disse com convicção se olhando no espelho- Mas o que será isso?- disse tocando a marca.
Akira voltou ao quarto vestindo um kimono preto saindo em direção ao jardim, a casa já estava com força total com todos os integrantes seguindo seus afazeres, mesmo no inverno chuvoso como aquele, ao passar pelo portão da frente não pode deixar de notar um pequeno tumulto, alguns membros da família estavam parados em frente ao mesmo conversando com o que aparentava ser uma pequena criança que mantinha uma mochila escolar e um guarda chuva, se aproximou com intenção de saber o que ocorria.
–Me deixe velo! Ele precisa de mim!
– O Que é muleque, você não sabe onde está uhumm uhm!!! Pois bem irei lhe dizer está é a residência da família Takahiro, caso não vá embora agora temo que terei que te mandar em partes!!!- Disse um dos membros que apontavam um canivete para o pequeno.
– Não posso ir! Preciso falar com Takahiro Akira-tan!-disse o menino que em seus olhos não demonstrava medo dos homens a sua frente.
Akira foi forçado a intervir antes que algo ruim acontecesse à criança.
– O que esta acontecendo?
Os caras com cara de mal ao olharem em direção a voz imediatamente se curvaram cumprimentado o chefe ali presente.
–Ohayou, jovem mestre!!! -Disseram uni sonoros- Desculpe jovem mestre, mas este muleque esta aqui desde antes de amanhecer, alegando que precisa falar com o senhor?
Akira olhou para o pequeno de olhos escarlate, o mesmo o encarou, Akira viu uma tristeza muito grande se formando nas belas Iris.
– Vá embora garoto!-disse se virando.
–Não posso ir, se eu for ela vai te machucar de novo!- por um instante Akira parou, mas não se virou, mas voltou a andar.
Os membros da família disseram enquanto Akira se afastava.
–Jovem mestre o que faremos com ele?
–Deixe-o, logo ele ira embora!
Akira não pode deixar de se lembrar do que o menino o havia dito como ele sabia?
O dia transcorreu calmo e chuvoso, enquanto Akira trabalhava em seu escritório sobre alguns cálculos relacionados aos “negócios de importações” que a família possuía, quando deu por si já passavam das 19 horas e o céu ainda desabava em água, ele se levantou e imaginou se o menino já estaria em casa, muito provavelmente ele teria ido para casa logo após Akira tê-lo ignorado.
Enquanto andava pela mansão ouviu um dos membros de mais cedo, falando com outro membro, “não acredito ele ainda está La?”- não pode ser será que...
O outro logo respondeu “este menino tem fibra, mas vai morrer se continuar na chuva daquele jeito.”
Akira correu em direção ao portão e para a sua surpresa o pequeno ainda estava lá parado no mesmo local, com os lábios rachados de frio, segurando o guarda chuva que de nada o protegia do temporal que caia.
–Como? Não pode ser...
Ao ouvir a voz do mais velho Ren esboçou um sorriso fraco, mas cheio de significado.
–Eu preciso... proteger...AKiha.- disse o pequeno desmaiando logo em seguida, porem sendo segurado pelo moreno mais velho.
–Não entendo garoto do por que você estar se esforçado tanto por alguém como eu, mas acho que devo pelo menos lhe ouvir.
Disse Akira levando o pequeno para dentro.
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