Abismo
47 Shopping
Notas iniciais
Capítulo 47 – Shopping
Durante aquela noite as duas tiveram que se levantar para atender as filhas que haviam chorado. Enquanto Rachel amamentava uma as bebês, Quinn trocava as fraldas da outra. Era a típica cena familiar que elas tanto amavam.
No dia seguinte Ben acordou perto das nove da manhã e correu ao quarto de suas mães batendo na porta. Em seguida uma Rachel com cara de sono a abriu e sorriu ao ver o filho abraçado a seu unicórnio. Pegou-o no colo e após o encher de beijos levou-o para sua cama e deitaram-se ao lado de Quinn que ainda dormia. Como sempre fazia, Ben aninhou-se contra a loira e passou a fazer carinho em seu rosto até ver um sorriso em seus lábios.
– Bom dia, meu anjinho. – disse ainda com os olhos fechados, mas ainda sorrindo.
– Bom dia, Mamãe. – falou ao ser abraçado pela mãe e receber um afetuoso beijo nos cabelos.
Rachel observava a interação dos dois, mas acabou levantando para atender uma das gêmeas que choramingava pela babá eletrônica. Voltou ao quarto trazendo Sarah, depositando-a junto à mãe e ao irmão e retornou para pegar Sophia, que já estava acordada, mas permanecia quietinha.
– Vocês vão me levar ao shopping hoje? – perguntou com carinha de cachorrinho.
– Ai, coisa fofa. Não faz essa carinha que te mordo. – brincou Quinn, apertando as bochechas do filho.
– Vamos sim, filho. Só vou alimentar suas irmãs, depois vamos todos tomar um banho e nos arrumar e em seguida vamos. – esclareceu Rachel para alegria do filho.
As duas revezaram-se entre arrumarem os filhos e a elas mesmas e em seguida estavam todos prontos para partirem. Rachel foi dirigindo já que Quinn ia atrás brincando com Ben. Alternadamente os observava pelo espelho retrovisor enquanto conduzia o veículo, a felicidade do filho durante a brincadeira era visível. As bebês dormiam tranquilamente em suas cadeirinhas, sendo que constantemente a loira lançava olhares protetores a elas.
Colocaram as filhas no carrinho e foram direto para a área de recreação com Ben. O entusiasmo da criança era visível e quando chegaram ao local ele enumerou os brinquedos com os quais queria brincar. Suas mães o deixaram com a monitora e foram sentar-se na praça de alimentação que ficava ao lado e dali poderiam vigiar o menino.
Quinn tinha a mão de Rachel na sua e acariciava seu torso com o polegar, distraidamente. As duas conversavam animadamente enquanto admiravam suas princesas que ainda dormiam.
– Quinnie, você pega um suco para mim? – pediu a morena, manhosa, sabendo que a mulher não resistiria.
– Claro, amor. De que você quer? – falou bobamente, como sempre fazia.
– Pode ser de laranja. – disse, esticando-se para dar um selinho na esposa.
– Vou ali pegar para nós e já volto. – sorriu, já levantando.
Quinn estava na fila já aguardando que o funcionário lhe entregasse o pedido quando viu uma loira muito bonita, de cabelos ondulados se aproximar de Rachel, que estava distraída olhando para Ben. Ela chegou por trás da morena tapando-lhe os olhos e dando um beijo em seu pescoço.
Quinn sentiu seu sangue ferver e uma onda de raiva tomou conta de seu corpo. Quem era aquela mulher e como se atrevia a se aproximar daquela forma de sua esposa? Aquela sensação de raiva mesclada com ciúmes só aumentou quando viu Rachel se levantar e dar um efusivo abraço na outra. Sua vontade era agarrar a outra pelos cabelos e afastá-la de sua mulher.
– Moça... moça... seus sucos. – o garçom chamava, mas ela não escutava. Só viu ele lhe estendendo os copos e deu de mão neles voltando caminhando duro até sua mesa.
Quando se aproximou ouviu a voz daquela que queria matar perguntando animadamente para Rachel sobre Ben.
– Ele está bem. Cada dia maior. – respondeu alegremente apontando para o filho que brincava em um carrossel.
– Rach, ele está ainda mais lindo. – a mulher falou sorrindo, enquanto olhava para Ben.
A mulher agarrava possessivamente um dos braços de Rachel e Quinn só pensava em arrancá-la dali aos tapas, mas se conteve, não iria expor sua família àquilo. O que mais a estava irritando é que a esposa estava dando conversa para aquela mulher e nem ao menos tentava se afastar. Respirou fundo, ainda tremendo de raiva e se aproximou ao ver que a mulher levava um dos braços aos ombros de sua esposa, SUA ESPOSA.
– Rachel. – chamou e a morena se virou assustada, parecia que tinha esquecido de sua existência – Aqui está seu suco. – falou séria.
– Ah, obrigada. – respondeu, estranhando a reação de Quinn, mas sem se desvencilhar dos braços da loira.
A outra olhava curiosa para a loira que chegara, analisando-a de cima abaixo com um sorriso de canto nos lábios. Quinn pegou Rachel pelo outro braço e a puxou para si a fim de mostrar a quem a morena pertencia.
– Não vai me apresentar sua amiga, Rach. – disse maliciosa, já pensando em causar uma pequena desavença entre o casal.
Rachel sentiu a intensão da outra e na mesma hora colocou os braços ao redor da cintura da esposa. Quando foi abrir a boca para falar ouviu um pequeno choro. No mesmo instante ela e Quinn dirigiram seus olhares para as filhas e viram que Sophia havia acordado.
Quinn largou na mesa o suco que ainda tinha em mãos e pegou a filha no colo.
– Que foi princesa? – disse embalando a filha, enquanto a esposa se aproximava por trás – Acho que ela está com fome. – falou para Rachel, já esquecendo da outra que observava a cena espantada, não havia notado a pequena no carrinho.
Rachel pegou a filha e sentou-se para amamenta-la e a loira não perdeu tempo aproximando-se de Quinn, no intuito de seguir seu plano.
– Olá, eu sou Carla. – disse de forma sedutora.
A morena não acreditava que Carla estava dando em cima de Quinn, bem na sua frente, apesar de que ela não sabia que elas eram casadas. Agora era sua vez de ferver de ciúmes.
– Carla, esta é Quinn Berry-Fabray. Minha esposa. – anunciou para desestimular a mulher.
– Humm... esposa, é? – falou sem tirar aquele olhar cobiçoso da direção de Quinn que a olhava friamente.
– Sim, esposa. – respondeu Quinn secamente.
– Você caprichou na escolha, heim Rach. Sua ‘esposa’ é muito gostosa. – disse piscando sedutoramente para Quinn sem que a morena visse,
– Posso ser ‘gostosa’, mas sou só dela. – falou apontando para Rachel que a olhava com um sorriso vitorioso. Quinn gostava cada vez menos daquela mulher.
Carla ia seguir flertando com as duas quando ouviram um novo choro. Dessa vez era Sarah quem havia acordado irritadiça. Mais uma vez Quinn se dirigiu ao carrinho e pegou a outra filha.
– Acordou bravinha, foi, meu amor? – disse carinhosa, embalando a filha.
– Vocês têm gêmeas? – perguntou Carla espantada, já esquecendo o flerte e desistindo de seu plano.
– Sim. – respondeu simplesmente Rachel que olhava Quinn tentando acalmar a caçula enquanto Sophia terminava de se alimentar.
– Elas são sua cara. – disse olhando para Quinn, que não aguentou e sorriu orgulhosa – Foi você quem engravidou?
– Digamos que eu fiz a inseminação. – falou olhando maliciosa para Rachel que riu da resposta da esposa.
– Engraçado, olhando agora com mais atenção que eu reparei que o Ben também se parece muito com você. – falou pensativa olhando para o menino que brincava um pouco mais distante.
Quinn sentou-se ao lado de Rachel e Carla seguiu seu exemplo, mas sentando-se em uma cadeira do outro lado da mesa. Ao ver que as duas tinham uma família desistira do jogo que tinha em mente, a morena era uma pessoa boa e sempre gostara muito dela para fazer isso. Errara no passado e não repetiria o mesmo erro agora. Viu as duas trocando habilmente as filhas uma para o colo da outra enquanto aguardava a resposta da loira.
– Isso porque ele também é meu filho. – falou sorrindo, já com Sophia no colo, olhando para o filho que acenava ao ver que estava sendo observado.
– Mas como isso? – perguntou sem entender – Quando namorávamos você disse que tinha engravidado acidentalmente e não conhecia o ‘pai’ do Ben.
– Vocês namoraram? – Quinn olhava de uma para a outra com olhos indagadores e no mesmo instante voltou a sentir os ciúmes tomando conta de seu corpo.
– Já faz tempo, amor. – esclareceu a morena, rapidamente.
– Sim, faz tempo, loira. Não se preocupe, já naquela época éramos mais amigas do que namoradas. – falou com um sorriso sincero – Não precisa ficar com essa cara de ciúmes que não vou mais agarrar sua mulher.
– Acho bom mesmo. – disse séria.
– Para com isso, Quinn. Parece que não confia em mim. Do que adiantaria ela querer alguma coisa comigo se eu não correspondesse. – falou Rachel brava – Até parece que não sabe que eu te amo.
Aquilo foi como um balde de água gelada em Quinn que se deu conta que sua esposa tina razão e que seu ciúme era infundado.
– Desculpa, Rach. Eu nunca desconfiei de você, amor. Só fiquei com ciúmes dela te agarrando. – se justificou – Você gostaria de ver alguém se agarrando em mim e ainda beijando meu pescoço?
– Você tem razão. – disse se aproximando levemente da mulher e lhe dando um selinho.
– E como é o nome das meninas? – disse olhando afetuosamente para as gêmeas, mudando completamente de postura.
– Essa é a Sophia. – disse Quinn mostrando a bebê em seu colo – E aquela é nossa caçulinha Sarah.
– Agora olhando bem eu vejo que elas têm a boquinha igual a da Rachel. – falou levantando a sobrancelha – E por falar nisso vocês ainda não me explicaram como o Ben também é seu filho.
A loira sorriu e olhou para Rachel, que sorriu de volta. Estando com a morena Quinn não se sentia mais desconfortável com sua situação, ainda mais tendo três filhos maravilhosos para se orgulhar.
– Digamos que eu seja uma mulher diferente. – disse Quinn ainda sorrindo.
– Ainda não entendi. – disse Carla confusa.
– Eu sou hermafrodita e as crianças foram concebidas naturalmente. – informou simplesmente.
– Nossa... – disse com os olhos arregalados – Isso é... sensacional. – finalizou sorrindo – Isso explica eles serem a sua cara.
– Eu que carreguei os três e ainda saem a cara dela... – fala Rachel fingindo estar brava.
– Amor, as gêmeas têm sua boquinha linda. – disse a loira roubando um selinho da esposa.
Carla olhava aquela cena e cada vez mais se convencia que não seguiria em frente com o plano de separá-las. Seria muito vil de sua parte destruir aquela família. Quando terminou com Rachel anos atrás elas eram apenas namoradas e Ben ainda não estava envolvido na relação delas, pois recém estavam no início do relacionamento. Era uma situação bem diferente, naquela época as únicas envolvidas eram as duas, mas agora era uma família inteira e não podia fazer aquilo.
Conversou mais um tempo com o casal e até chegou a segurar as meninas no colo e rever Ben que tinha vindo tomar um suco junto a elas. Se apaixonou pelas crianças ainda mais, os três eram uns doces. Se despediu das duas e se afastou, logo pegando o celular e fazendo uma chamada.
– Oi, sou eu. Não vou participar de seus planos. Você não me disse que elas tinham gêmeas e que o menino também é filho das duas. Aquela família não merece isso. – parou para ouvir a pessoa que estava do outro lado da linha e prosseguiu – Não, eu não quero mais dinheiro. Não adianta insistir, dessa vez eu não vou aceitar. Não me ligue mais. – falou sem esperar a resposta do outro lado, encerrando a ligação.
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