Abismo
20 Recuperação e Mudança
Notas iniciais
Capítulo 20 – Recuperação e Mudança
Todos aguardavam na expectativa o que o médico tinha a dizer. Seu rosto não deixava transparecer nada e isso os deixava aflitos.
– Bom, Sras. ... Mesmo havendo uma pequena complicação que resultou na hemorragia que vocês já sabem, correu tudo bem. – falou, tranquilizando a todos – O Ben está reagindo bem ao pós-operatório e já está na sala de recuperação. A cirurgia alcançou 100% seu objetivo e em breve as mamães poderão entrar para vê-lo.
Rachel e Quinn se abraçaram, diante da notícia de que o filho estava bem. Não conseguiam segurar a felicidade que tomou conta delas.
– Ele ainda vai ficar desacordado por 48 horas, como eu tinha dito antes. Para sua recuperação ser mais efetiva. Depois disso vou acompanhar sua recuperação e ele ficara mais uns três dias internado para depois ter alta.
– Obrigada, Dr., não poderia ser uma notícia melhor. – disse Rachel emocionada.
O médico saiu e cerca de duas horas depois uma enfermeira veio avisá-las que podiam ver Ben na sala de recuperação. As duas seguiram ansiosas até o local e só se tranquilizaram quando viram o filho.
– Ele parece tão pequenino. – sussurrou Quinn.
– Sim, mas ele é muito forte. – disse Rachel – Vai se recuperar logo e voltar para casa rapidinho.
– Vai sim, tenho certeza disso.
Ficaram com Ben até que vieram dizer que tinham que deixá-lo. Saíram do local protestando, mas lhe foi garantido que ele seria bem cuidado.
As duas retornaram para a sala de espera, onde ainda estavam todos.
– E então, filha, como ele está? – perguntou Judy.
– Ben está se recuperando, mãe. Agora na fase pós-operatória ele vai ficar inconsciente, então não podemos ficar muito tempo com ele.
– Por que vocês não aproveitam e vão para casa descansar um pouco. – Quinn e Rachel iam protestar, mas Judy prosseguiu – Eu vou ficar aqui e qualquer coisa aviso vocês. E não aceito não como resposta. Vocês têm que estar fortes e descansadas quando o Ben acordar para darem todo o suporte necessário a ele.
– Você tem razão, Judy. – Rachel falou – Mas é tão difícil deixa-lo aqui.
– Vá, Rachel, e leve a Quinn. Eu fico aqui com a mamãe. – disse Kitty.
– Está bem, com toda essa insistência de vocês eu vou.
– Eu vou com você, Rachel. Te deixo em casa. – completou Quinn.
Fizeram o caminho todo em silêncio. As duas estavam bastante cansadas, não haviam dormido à noite na expectativa da cirurgia e agora que a adrenalina havia baixado o cansaço havia caído sobre elas.
– Está entregue. Quer que eu te pegue mais tarde e voltamos juntas ao hospital? – Quinn perguntou, soltando um bocejo.
– Entra ali na garagem e estaciona o carro na minha vaga, Quinn. – Rachel falou imperativamente, deixando Quinn confusa – Você está cansada e desse jeito vai dormir ao volante antes de chegar em casa.
– Não precisa, Rachel. Eu estou bem. – tentou argumentar, soltando outro bocejo.
– Faz o que estou te pedindo, por favor. Não quero que meu filho fique órfão agora que conheceu a mãe. E eu não quero ficar sozinha.
Diante de toda aquela argumentação Quinn sorriu e acabou concordando. Rachel podia ser bem dramática e com todo aquele problema que estavam passando era melhor não discutir.
Parou o carro na vaga indicada por Rachel, pegou uma bolsa de roupas que tinha separado para levar para a casa nova e se dirigiram ao elevador. O apartamento não era grande, mas era decorado minuciosamente, era tudo muito bonito e aconchegante.
– Você pode dormir no quarto que era do Kurt.
– Obrigada, eu gostaria de tomar um banho antes.
– Tem toalhas no armário do banheiro, pode pegar o que quiser. Vou fazer algo para comermos enquanto você se organiza lá.
– Não precisa se incomodar comigo.
– Deixa de bobagem, Quinn, vou fazer para mim também. Não é incomodo nenhum. – falou.
Rachel estava terminando de preparar a refeição das duas quando Quinn entra na cozinha vestindo uma blusinha justa e uma bermuda curtinha, deixando as pernas à mostra. A morena ficou admirando aquela cena distraidamente, levando um susto quando Quinn falou.
– Precisa de ajuda aí?
– Nã-Não. – gaguejou – Já está pronto, pode ir sentando.
– Humm, o cheiro está delicioso.
– Preparei só uma macarronada, era mais rápido.
– Adoro macarrão. Se pudesse comia todo dia.
– Aahh, então é daí que vem toda a fascinação de Ben por macarrão. – falou rindo.
– Pode ter certeza que se puxou a mim não é só fascinação, não, é paixão. – falou rindo e provando a refeição – Huuummm, Rachel. Que delícia. Nossa, maravilhoso.
Rachel ria das caras que Quinn fazia enquanto se deliciava comendo. Seguiram conversando mais um pouco enquanto terminavam a refeição e lavavam a louça suja.
– Bom, vou descansar um pouco. – disse Rachel – Fica a vontade.
– Também já vou. Daqui umas três horas voltamos ao hospital, pode ser?
– Pode sim. Bom descanso.
– Bom descanso. – falou Quinn já se dirigindo ao quarto que fora de Kurt
...
O tempo de recuperação em que Ben ficou desacordado passou extremamente devagar para todos. A ansiedade era enorme e queriam ver logo como ele estava.
O médico já havia autorizado a remoção dele para o quarto e orientou que de início somente suas mães ficassem com ele, a fim de evitar que se agitasse sem necessidade. O remédio ministrado para mantê-lo desacordado já tinha sido suspenso e não demorou muito para que acordasse sob olhares preocupados de suas mães.
– Mami? Mamãe? – chamou com a voz fraquinha.
– Oi, bebê. – falou Rachel se aproximando ao ouvi-lo – Estamos aqui. – beijando a testa do filho em seguida.
– Oi, meu anjinho. Como você está se sentindo? – disse Quinn afagando a mãozinha do filho.
– Com sede. – falou – Já posso ir para casa?
– A Mami vai pedir para te trazerem água, ok?
– Daqui uns dois ou três dias você já pode ir para casa. Vai passar rapidinho, você vai ver.
Diante da resposta da mãe Ben se tranquilizou, faltava bem pouco para voltar para casa, mas ele ainda tinha uma dúvida.
– Mamãe, quando a gente for para casa eu ainda vou te ver todos os dias? – perguntou com olhinhos esperançosos, tomando em seguida um gole da água que Rachel lhe alcançara.
– Você quer me ver todos os dias? – Quinn perguntou divertida.
– Sim, mamãe. Quero ver você e a Mami todos os dias.
– Então o que você acha de nós três morarmos juntos?
– Você vai ir morar com a gente no nosso apartamento?
– Não. – Ben fez carinha de triste, então Quinn prosseguiu – Você e a Rachel vão morar comigo na casa que comprei para nós.
Ben abriu um sorriso e já ia pular de alegria quando foi contido por Rachel, dizendo que ele não podia se agitar.
– Nós vamos mesmos morar com a Mamãe, Mami? – questionou indagador.
– Você quer ir? – Rachel perguntou.
– Siiimmm, muito, muito. – falou feliz.
– Então nós vamos.
Quinn não cabia em si de tanta felicidade, teria Ben e Rachel morando com ela e tinha certeza que eles seriam muito felizes em sua casa nova.
– Bom, então temos que arrumar as coisas de vocês para levarmos para nossa nova casa.
Rachel que de início estava meio receosa com relação àquela mudança agora estava ansiosa. Cada dia que convivia com Quinn estava a deixando mais encantada. Sentia-se à vontade com ela e sua amizade havia se tornado realmente importante.
Os dias foram passando e aos poucos o médico foi liberando as visitas para Ben, no máximo duas pessoas poderiam entrar no quarto por vez.
Judy, Marley e Kurt revezavam com Quinn e Rachel para que elas pudessem descansar e também organizar as coisas para a mudança que se daria assim que Ben tivesse alta.
Quinn ainda não tinha levado Rachel até a casa, queria que ela e Ben a vissem juntos. Tudo seria uma surpresa.
...
Finalmente o dia da alta chegou e Ben estava ansioso para ir para casa. Quinn tinha ido ajustar os últimos detalhes na casa nova enquanto Rachel a esperava com o filho. Quando chegou ao hospital os dois já estavam prontos a sua espera. Ben tinha uma alegria que não cabia em si e Rachel tentava contê-lo a todo custo.
Ao entrarem no carro Quinn passou a conduzi-lo a seu novo lar, ansiosa de que os dois gostassem do lugar escolhido. Dirigiu por alguns minutos e viu que ela rumava a uma área nobre da cidade, um pouco afastada do grande centro, mas ainda mais perto que o apartamento de Rachel.
Rachel estava impressionada com o lugar, apesar de sempre viver com luxo e em meio a pessoas de posses, nunca tinha ido àquele bairro e estava encantada com as casas que existiam ali.
Quando Quinn dirigiu o veículo para a entrada de carros de uma das casas, Rachel ficou boquiaberta, era uma mansão enorme, a maior da rua. Ben mantinha-se em silencio e Quinn então reparou que ele havia dormido no percurso, era até melhor para que não agitasse logo na chegada. Estava preocupada com a reação de Rachel, que mantinha a boca aberta.
A casa era branca, de dois pisos. Tinha enormes janelas que permitia muita claridade entrar. Na frente tinha um gramado e um lindo jardim de flores coloridas.
– Huumm, Rachel? Você não gostou da casa? – Quinn perguntou preocupada.
Rachel olhou para ela embasbacada, não podia acreditar que Quinn tinha comprado aquela mansão em tão pouco tempo e exclusivamente para os três morarem.
– É... É linda, Quinn... – foi só o que conseguiu dizer.
Desceram do carro e Quinn pegou Ben ainda dormindo da cadeirinha. Viu que Rachel ainda estava sem reação olhando para a casa.
– Vamos entrar?
Rachel apenas meneou a cabeça em concordância. Ao entrarem no lugar ficou ainda mais impressionada, era tudo lindo. O chão era recoberto de um tabuão escuro, devidamente polido. O conjunto de móveis e sua disposição trazia a sensação de aconchego. Era a casa de uma família.
– Vamos levar Ben para o quarto dele? – Quinn perguntou já se dirigindo à escada, sendo seguida de perto por Rachel.
Rachel não parava de se espantar. O quarto de Ben era todo decorado com motivos dos personagens infantis que ele mais gostava. A cama era o dobro da cama que ele tinha no apartamento. Havia estantes de brinquedos por todas as paredes, com novos e com os que ele já tinha. Havia ainda um espaçoso closet e um banheiro no quarto, também decorado com motivos infantis.
Sentiu seus olhos ardendo enquanto via Quinn colocava Ben na cama. Seu filho merecia tudo aquilo, mas por causa daquele maldito testamento de seus pais teve de privá-lo de muitas coisas. Naquele momento sentiu ódio por eles, um sentimento que nunca havia tido antes, por nunca ter percebido aquele fato.
Agradecia que Quinn tivesse entrado em suas vidas e que, assim como ela, queria somente o bem de seu filho. Ao se dirigir a Rachel, Quinn viu que ela chorava, indo em sua direção e lhe abraçando.
– O-obrigada. Voc-cê não precisava estar fazendo isso. – disse enquanto soluçava.
– Não chora, Rach. Você sabe que só faço isso porque quero o melhor para Ben. – falou ainda a abraçando.
– Eu sei, mas não custa agradecer.
– Não fique assim, você sempre deu o melhor para o Ben. Só estou compensando três anos de ausência...
– Por favor, não fale como se a culpa fosse sua. – falou cabisbaixa – Se eu não tivesse fugido talvez esse tempo longe nem teria acontecido.
– Rachel, não se culpe, por favor. As coisas são como tem que ser. Não adianta ficar triste pelo passado, é claro que lamento esses anos sem saber do Ben, mas agora estamos juntos e nada vai nos afastar. Não quero mais ver você triste por isso, ok?
– Tudo bem, Quinn, vou tentar. – disse dando um leve sorriso.
– Vem, vou lhe mostrar o seu quarto. – falou puxando Rachel pela mão.
O quarto de Rachel era quase em frente ao de Ben. Tinha uma cama box enorme, coberta por uma colcha bege, ladeada por dois criados-mudos. Na parede em frente à cama tinha uma televisão enorme. O closet já estava com as roupas e sapatos de Rachel organizados e ainda sobrava muito espaço. O banheiro era todo branco, tinha uma banheira enorme, além do box com chuveiro. Os armários eram todos em madeira e as bancadas de mármore branco.
Ela estava de queixo caído, só o quarto que seria seu era quase do tamanho de seu apartamento.
– Quiiiinn, isso aqui é enorme... Não precisava tanto. Nem sei como agradecer.
– Já falei que não precisa agradecer. Realmente quero que sejamos muito felizes aqui.
– Com certeza seremos. – falou olhando diretamente nos olhos verdes de Quinn, com um sorriso enorme no rosto.
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