Abismo
21 Ciúmes? - parte 1
Notas iniciais
Capítulo 21 – Ciúmes? – parte 1
Já fazia cerca de dois meses e meio que estavam morando juntos. O relacionamento entre Rachel e Quinn se estreitava cada vez mais. Tinham construído uma amizade sólida, sempre estavam os três juntos. Quem olhava de fora poderia perfeitamente dizer que elas eram um casal com seu filho.
Sempre tinham alguma coisa programada para fazerem junto com Ben, que estava adorando toda aquela atenção. Faziam passeios e pic-nic’s no Central Park, iam ao cinema, ao shopping e o que mais achassem interessante.
Era uma quarta-feira e naquele dia Ben tinha mais uma consulta marcada com Dr. Marcus a fim de ser verificada sua evolução após a cirurgia e a consequente alta definitiva.
– Mami, eu não vou ter que ficar aqui de novo, não é? – perguntava apreensivo.
– Não, bebê, o Dr. só quer te ver para ter certeza que tudo está bem.
Mesmo com aquela explicação da mãe o menino estava apreensivo enquanto esperavam o atendimento. Quando foram chamados pelo médico se agarrou a Quinn e colocou o rostinho em seu pescoço, gesto que tinha se tornado automático.
Após serem realizados todos os exames pedidos pelo médico e este tê-los analisado minuciosamente, finalmente Ben teve alta.
– Então garotão, preparado para acabarem todas as restrições? – perguntou o médico para Ben – Você já está liberado, com alta absoluta.
Com aquela notícia Quinn e Rachel vibraram e se abraçaram a Ben, que não continha sua felicidade e lançava um sorriso igual ao de sua Mami, fazendo com que Quinn ficasse boba o olhando.
Saíram do consultório já ao telefone contando as boas novas a todos. A alegria foi geral e Santana determinou que naquele domingo comemorariam na casa das meninas.
Na sexta-feira Judy chegou de viagem e foi direto à casa da filha mais velha, uma vez que já tinha um quarto dela, por insistência de Rachel e Quinn. Queriam que ela ficasse perto de Ben quando estivesse na cidade.
– Judy, que bom que você veio. Estava morrendo de saudades. – disse Rachel, vindo abraçá-la – Já acomodou suas coisas em seu quarto?
– Oi querida, é claro que eu viria. Já me instalei, sim. Não deixaria de comemorar por nada a saúde do meu netinho.
– Você não sabe o alívio que tivemos quando o médico disse que ele já estava com alta. Parece que uma alegria explodiu dentro de mim. – falou rindo.
– Posso imaginar, foi uma situação bem difícil. Ninguém queira passar por isso.
– Não mesmo. Não quero chegar perto de um hospital tão cedo.
– E então, como está a convivência do Ben com a Quinn? Ele aceitou bem a situação?
– É incrível, mas parece que eles se conhecem desde sempre, que conviveram desde que Ben nasceu. Têm tanta afinidade e semelhanças que chego a me arrepiar.
– Confesso que me espantei quando a Quinn falou que era mãe dele. – Rachel a olhou curiosa — Por favor, não me entenda mal, mas ela sempre foi extremamente responsável. Nunca esperaria isso dela, por isso levei um susto quando fiquei sabendo.
– Nem me fale, Judy. Eu te entendo completamente. Comigo mesma também foi uma surpresa. Também sempre fui extremamente cuidadosa e nunca tinha tido uma atitude dessas antes. Acho que foi reflexo do que passei na época.
– Não se martirize, Rachel. Olha só o resultado maravilhoso da inconsequência de vocês. – falou sorrindo – Se vocês não tivessem sido irresponsáveis hoje não teríamos o Ben.
– Olhando por este ângulo, você tem toda a razão.
– E Quinn e Ben onde estão?
– Ben já voltou para a creche e ela ficou de pegá-lo hoje, por isso cheguei antes.
Mal terminara de falar e os dois irromperam na sala rindo. Quinn trazia Ben no colo e fazia cócegas em sua barriga. O menino ria e se contorcia sem parar. Judy ficou parada olhando aquela cena, enternecida.
– Olha só o meu bebê com seu bebê. Me digam se não é a cena mais linda do mundo.
– Mããee! Achei que você só chegava amanhã. – disse Quinn vindo em direção a Judy.
– Vovó Judyyy! – Ben comemorava – Eu já tô bem, o médico que disse. – falou contente.
– Ó meu querido, a Vovó Judy sabe e por isso veio aqui comemorar contigo, porque eu fiquei muito feliz. – disse enquanto beijava e abraçava o neto.
– Já vi que agora eu vou ser esquecida... – Quinn fez drama.
– Ai, meu Deus. Vem cá, meu bebê. Até do seu filho você tem ciúmes? – falou indo abraçar Quinn que fazia beicinho, enquanto Rachel olhava achando aquilo muito fofo.
– Estava com saudades, mãe. Quando é que você vai vir morar conosco, heim?
– É mesmo, Judy. Quando você vem? – Rachel reforçou.
– A Vovó vai morar com a gente? Êbaaa. – Ben comemorou.
Todos riram da reação de Ben e Judy prometeu que iria pensar, mas que achava muito difícil trocar o calorzinho de Miami pelo inverno de NY.
No sábado Ben passou o dia com Judy, enquanto Rachel e Quinn providenciavam as coisas para o almoço do dia seguinte. Segundo determinação de Santana seria um churrasco na beira da piscina e só restou as duas aceitar.
Puck estava encarregado de fazer o churrasco no domingo, por isso chegou mais cedo. Kitty e Marley tinham ido jantar no dia anterior e já haviam ficado dormindo por lá mesmo, por insistência de Judy e Rachel. Kurt e Blaine chegaram logo depois de Puck.
Rachel conversava com Kurt e Blaine em uma mesa abaixo de um guarda-sol na beira da piscina quando viu Quinn saindo de casa. Ela vestia apenas óculos de sombra, chinelos, um biquíni e uma sunga vermelhos que contrastavam com sua pele levemente dourada de sol.
No instante em que colocou os olhos no corpo de Quinn sentiu um calor subir por seu corpo e seu pulso acelerou na mesma hora. Toda vez que via Quinn naquele tipo de roupa ficava assim, tentava disfarçar ao máximo para que ninguém percebesse.
Não entendia ao certo o que era aquilo. Atração? Desejo? Só sabia que não queria sentir, não queria estragar a amizade que tinham.
Ainda não tinha visto ela vestida naquela roupa vermelha, não conseguia desviar os olhos. Mal conseguia manter a boca fechada enquanto a admirava por trás dos óculos.
– Cuidado para não babar... – cantarolou Kurt, tirando-a daquele transe.
– Como? Não entendi. – desconversou Rachel.
– Para bom entendedor meia palavra basta... – prosseguiu Kurt.
– Você está muito engraçadinho hoje, heim. – falou brava, tirando risos de Kurt e Blaine, levantando-se.
Quinn foi direto onde Puck estava, a fim de cumprimentar o amigo. Estava conversando animadamente quando viu Rachel levantar de onde estava e vir em sua direção. Ela vestia um biquíni branco que contrastava com seu tom de pele. Seu corpo era perfeito.
Sentiu uma excitação crescente e viu que não conseguiria disfarça-la caso Rachel chegasse perto dela naquele momento. Não estava preparada para ver aquilo, estava totalmente desarmada.
Ao ver que Rachel se aproximava ainda mais não pensou duas vezes, tirou os óculos de sombra e lançou-os sobre a mesa mais próxima, jogando-se na piscina no momento seguinte.
– Vem brincar comigo, Mamãe. – gritou Ben que estava brincando com Marley e sendo observados por Kitty e Judy.
Nadou em direção a eles enquanto Rachel disfarçava e seguia em direção a Puck para conversarem.
– Por que será que a Britt e a San estão demorando? – perguntou.
– Ela me disse que iam chegar um pouquinho mais tarde porque iam trazer uma surpresa para a Quinn. – disse despreocupado.
– Surpresa? Que surpresa? – perguntou curiosa.
– Não sei, ela não quis me falar.
POV Rachel
Quando Puck acabou de me dizer aquilo Santana e Brittany irromperam no local. Quinn saiu da piscina para cumprimentá-las e eu a segui.
– Oi meninas. Vocês demoraram, heim. – disse ela animada.
– É que nós trouxemos uma surpresa para você. – disse San, Britt tinha um sorriso enorme no rosto, parecia que estava se segurando para não contar o que era, me deixando extremamente curiosa.
– Surpresa? Que surpresa? – Quinn falou sem entender.
– SURPRESA, PODE ENTRAR. – gritou Santana.
Ao gritar Santana e Britt se viraram para a porta da casa que dava acesso à piscina e de lá saiu uma morena de cabelo liso, com traços evidentemente latinos, um corpo escultural, um pouco mais alta que Quinn. A mulher era simplesmente linda.
Olhei para Quinn e no mesmo instante vi ela colocar um sorriso enorme no rosto, de pura felicidade.
– CARMEMMM!!! – gritou e foi em direção àquela mulher.
– Quinnieee!! Que saudadesss!!! – dizia enquanto abraçava Quinn.
Fiquei sem entender aquela cena, completamente sem reação. Senti uma pontada no peito e uma vontade quase que incontrolável de ir até onde elas estavam e afastá-la de minha Quinn.
Minha Quinn? Como assim? O que era isso que eu estava sentindo?
É claro que eu tinha uma forte amizade com Quinn, mas não entendia aqueles sentimentos que irromperam em seu peito diante daquela visão. Era um sentimento de posse, de proteção.
– Vem cá, Rach. Deixa eu te apresentar a Carmem. – falou Quinn me tirando de meu devaneio. Me pegou pelo braço e me arrastou para junto daquela mulher – Carmem esta é a Rachel, minha amiga e mãe do meu filho. Rachel esta é Carmem, uma amiga de longa data.
– Muito prazer, Rachel. – falou me estendendo a mão e me olhando de cima abaixo.
– O prazer é meu. – falei seca.
– Quinn, a Santana me falou que você tem um filho? Como isso?
Aquela mulher fez questão de me ignorar e seguir conversando com Quinn como se eu não estivesse ali. Santana e Brittany tinham ido cumprimentar o resto do pessoal e nos deixaram sozinhas.
– É uma história meio longa. – Quinn falou sorrindo ainda agarrada ao meu braço.
– Pois eu tenho muito tempo para ouvi-la. – falou pegando Quinn e a levando em direção aos demais, fazendo com que me soltasse.
Foram em direção à piscina e fiquei parada estática olhando-as do mesmo lugar onde fui deixada. Vi Judy e Kitty cumprimentá-la efusivamente e aquele sentimento só ia crescendo dentro de mim.
Saí de onde estava e fui para junto de Kurt e Blaine. Marley veio em seguida se juntar a nós e sua expressão também não era das melhores.
– Quem é essa mulher, Marley? – perguntei sem tirar os olhos dela.
– Não faço a menor ideia, mas só sei que não gostei nenhum pouco dela.
– Estou sentindo cheiro de ciúmes no ar... – falou Kurt e Blaine riu.
– Cala a boca, Kurt.
– Olha o jeito que ela se agarra na Quinn. – falei enquanto olhava a tal de Carmem colocar o braço em volta da cintura de Quinn.
– Isso porque você não viu o abraço que ela deu na minha baixinha.
O ciúme estava me corroendo. Não conseguia tirar os olhos daquela mulher e tudo só piorou quando Quinn a levou até Ben para apresentá-los. Se Blaine não tivesse praticamente me segurado na cadeira eu tinha voado em sua direção e afastado ela de meu filho.
Fiquei observando de longe e vi que Ben não fez nenhuma questão de ficar perto de Carmem. Ficou um tempo no colo de Quinn descendo logo em seguida e correndo em minha direção.
– Mami, tô com fome.
– Mas já? Esse monstrinho que vive na sua barriguinha tá sempre querendo comida. – disse fazendo cócegas na sua barriga. Vi que Quinn observava de longe nossa interação, mas resolvi ignorá-la. Ela que fosse dar atenção para aquela ‘Carmem’, se quisesse – Vamos ver se tio Puck tem alguma coisa pronta para você.
Levei Ben até a churrasqueira e Puck viu o que estava pronto que eu pudesse servir. Estava arrumando o prato para Ben quando Britt se aproximou.
– Tudo bem, Rach? Você nem se aproximou de onde estamos.
– Claro, está tudo bem. Estava conversando com os meninos e Marley e agora vim providenciar alguma coisa para o Ben comer.
– Hum, achei que fosse por causa de Carmem. Vocês nunca ficam distantes assim, sempre ficamos todos juntos. – disse preocupada.
– Impressão sua, Britt. – tentei remendar – Realmente não a conhecemos, mas é que estávamos entretidos em uma conversa.
– Que bom, Carmem é uma pessoa boa, espero que vocês se deem bem.
– Claro que sim. – respondi e pensei “desde que ela não se meta com minha loira” – Vocês se conhecem há muito tempo? Percebi que Judy e Kitty também a conheciam.
– Sim, ela é prima da Santana e sempre passava as férias na casa dela. – falou.
– Hum, legal. – só consegui dizer.
– Ela foi a primeira namoradinha da Quinn. – disse de forma inocente.
Quando ouvi aquilo senti o chão abrir sob meus pés. Senti uma coisa incontrolável subir por meu corpo, aquela vontade de tirar Quinn de perto daquela mulher só cresceu. Queria que ela saísse da nossa casa e não voltasse mais. Mas infelizmente não podia fazer nada daquilo.
Voltei com Ben para junto de Marley e passei a alimentá-lo. Quinn vendo aquela cena deixou os demais e veio se juntar a nós.
– Estava com fome, anjinho? Por que não pediu para a Mamãe ver a comidinha para você? – perguntou para Ben, enquanto esboçava um sorriso bobo vendo-o comer.
– Vocês estava ocupada com sua amiga, Mamãe. – respondeu de forma ciumenta. Sinceramente não sei a quem puxou...
– Mas a Mamãe ia ver a comidinha para você, era só falar.
– Obrigada, a Mami viu para mim.
Vi pelas feições de Quinn que ela não tinha entendido aquela reação do filho, mas eu tinha entendido muito bem.
– Vem com a Mamãe lá onde está a tia Carmem. – falou.
“Tia Carmem? Sério?”
– Não quero, Mamãe. Vou ficar aqui com a Mami. – disse se agarrando a mim.
– Tudo bem... – estranhou – E vocês, por que não se juntam a nós?
– Daqui a pouco vamos. – disse Blaine, oportunamente e todos concordamos.
Quinn voltou para onde estavam os demais e Puck em seguida verificou o churrasco e chamou todos para comer. Nos servimos e sentamos junto as mesas espalhadas em volta da piscina.
Não conseguia tirar os olhos de Quinn e daquela mulher que fazia questão de tocá-la a todo momento. Seguidamente cochichava algo em seu ouvido e Quinn ria. A raiva era crescente em mim.
– Acho bom você disfarçar. Daqui a pouco todos vão ver que você está morrendo de ciúmes.
– Não estou com ciúmes, Kurt.
– Imagina se estivesse...
A gota d’água para mim foi quando em mais uma sessão de cochichos aquela mulher se agarrou ao pescoço de Quinn e dirigiu seu rosto em direção ao dela. Não aguentei aquilo...
– Kurt, olha o Ben para mim. – falei já levantando e derrubando a cadeira onde estava sentada. Não liguei para aquilo, só me dirigi para dentro de casa o mais rápido possível.
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