Abismo
50 Casamento Karley
Notas iniciais
Capítulo 50 – Casamento Karley
– Mami, a Mamãe pediu para ver se você já está pronta. – falou Ben entrando no quarto do casal.
Ele havia feito cinco anos há um mês e estava a cada dia mais parecido com Quinn, só que numa versão masculina. Rachel se virou para o filho e seus olhos brilharam diante daquela visão. O menino vestia um terno preto, uma camisa branca e uma gravata vermelha, estava simplesmente lindo para o casamento de sua tia Kitty e Marley.
– Filhote, você está lindo demais. – disse se aproximando do filho – Ainda não consigo acreditar que conseguimos fazer uma criança tão bonita.
– Mamiii, assim você me deixa com vergonha. – declarou recebendo o abraço da mãe.
– Já estou pronta, vamos lá encontrar a sua mãe e as meninas.
Rachel desceu as escadas com Ben ao seu lado. Ao ouvir os dois vindo Quinn desviou o olhar das filhas que brincavam em seus carrinhos e olhou para a esposa, ficando deslumbrada. A morena usava um vestido vermelho longo tomara que caia que acentuava as suas curvas e uma sandália da mesma cor.
– Rach, você está incrível. – declarou boquiaberta.
– Eu tinha que ficar à altura da minha esposa, que está simplesmente uma gata. – respondeu admirando a mulher.
Quinn usava um vestido de alças azul petróleo com um decote acentuado na frente e as costas desnudas e uma sandália preta. Estava um deslumbre... As gêmeas usavam vestidinhos diferentes. Sophia usava um vestido floral com predominância em lilás e Sarah vestia um rosa, também com motivos florais, mas modelos diferentes.
– Vamos lá, senão vamos nos atrasar para a cerimônia. – disse Rachel antes que ela e Quinn perdessem mais tempo se olhando.
A loira não se conteve e roubou um beijo da esposa, que não se negou em retribuir antes de partirem rumo ao casamento das meninas. A cerimônia seria realizada no jardim da casa comprada por Marley e Kitty, que ficava na mesma rua que a de Rachel e Quinn. Elas havia comprado o imóvel assim que foi colocado à venda, não perderiam a oportunidade de morar perto dos sobrinhos.
O jardim estava decorado com lírios brancos, assim como o altar preparado para a cerimônia. Havia mesas espalhadas pelo local, para a recepção que seguiria logo após.
O casal se dirigiu com os filhos para a primeira fileira de cadeiras a frente do altar, onde havia sido reservado para a família e Judy já às esperava ansiosa. Sentaram-se junto da loira mais velha na fileira do lado esquerdo, logo tendo a companhia de Puck, Ashley e Tom. Na fileira do lado direito sentariam os pais de Marley, que já estavam ali e acenaram para elas, Kurt, Blaine, Brittany e Santana com sua volumosa barriga de oito meses.
Não tardou muito e Britt chegou com Santana. A latina estava linda grávida e já estava ansiosa para ter o filho Vinicius no colo. Logo em seguida Rachel se virou para trás e viu Kurt chegando com Blaine, sendo seguidos por uma figura mais alta que não conseguiu distinguir quem era de onde estava.
A morena seguiu conversando com a esposa e a sogra quando viu os amigos sentarem-se em seus lugares. Acenou para eles e os dois devolveram o gesto, mas apenas Blaine sorria, mesmo que não parecesse natural. Rachel estranhou aquilo, mas resolveu esquecer aquele fato por hora, depois questionaria o que havia de errado.
No horário que havia sido combinado Marley entrou em um vestido maravilhoso para aguardar Kitty que entrou deslumbrante. Todos ficaram boquiabertos com a beleza das noivas, que não continham os sorrisos e os olhares uma para a outra.
Rachel e Quinn assistiram toda a cerimônia abraçadas e trocavam selinhos apaixonados a todo momento. Ben estava agarrado à avó, que tinha os olhos marejados de emoção. Sarah dormia tranquilamente no carrinho, enquanto Sophia mordia distraidamente um brinquedo de borracha.
Quando a cerimônia acabou as noivas percorreram o corredor entre as cadeiras, por onde tinham entrado, para cumprimentar os convidados ao final deste. Rachel e Quinn estavam dando atenção aos filhos quando um Kurt com a cara nada boa se aproximou dela seguido de Blaine.
– Rachel, preciso falar com você. – falou para a morena sem ao menos cumprimentá-las.
– Oi para vocês também, Kurt. – ironizou enquanto pegava Sarah que havia acordado chorando.
– Sério, Rachel. É urgente.
Kurt ainda falava com urgência, mas Rachel não dava atenção a este, cuidando da filha. Quinn não estava entendendo aquela atitude do amigo, mas não perguntou nada enquanto tentava entreter a filha que estava mais calma.
– Rachel, é que o...
– Olá, Rachel. Quanto tempo?
Ao ouvir aquela voz Rachel gelou, se negava a virar o corpo naquela direção. Não queria visualizar o rosto daquele que tanto a magoara logo que havia perdido seus pais. Podia não sentir mais amor por ele, talvez nunca tivesse sentido, mas ainda assim sentiu as feridas reabrindo. Quinn estava de frente para ela e encarava o homem sem entender o que acontecia.
– Você não vai me cumprimentar? – insistiu.
Sem outra alternativa olhou o rosto de sua esposa, que estava confuso, e lentamente se virou em direção àquela voz. Deparou-se com aquele homem alto que agora parecia tão diferente e não ter a altivez que achava que ele tinha no passado. Olhou direto nos seus olhos e mais uma vez constatou que realmente não sentia mais nada por aquela pessoa, apenas repulsa.
– Você está linda. – disse, a devorando com os olhos.
– O que você faz aqui? – perguntou entredentes.
– Os pais da Marley me convidaram. – disse, agora com um sorriso bobo no rosto. O mesmo sorriso idiota que muitas vezes Rachel havia achado cativante, mas que agora não significava nada.
– E você ainda tem a cara de pau de vir no casamento da minha melhor amiga e da minha cunhada?
– Eu queria te ver... – foi tudo que conseguiu dizer.
– Mas você chegou a levar em consideração que talvez eu não quisesse te ver nunca mais? – disse segurando a raiva, não podia estragar a felicidade das amigas.
Quinn olhava aquela cena sem conseguir entender nada. Quem era aquele homem, afinal? E por que Rachel estava agindo daquele jeito?
– Eu falei para você não vir, Finn. – acusou Kurt.
Finn? Então aquele era Finn Hudson. O namorado de Rachel que a abandonou logo que ela perdeu os pais. Que trocou-a por outra com quem teve um filho e foi embora. Que simplesmente a deixou e agora vinha querendo se aproximar da sua esposa, pensava Quinn.
– Você sabia que ele viria e não teve a decência de me falar, Kurt. – disse Rachel enraivecida – Que tipo de amigo é você, me fazendo passar por esta situação?
Vendo tudo aquilo Quinn passou Sarah, que agora voltava a cochilar, para o colo de Britt, que a colocou no carrinho junto de Sophia e tratou de tirar as meninas dali junto com Santana. Ben já havia se afastado antes de tudo com Judy e estava perto das recém casadas, alheio a tudo.
– Rach, me desculpe. Eu queria te contar... – se justificou Kurt.
– Contar o que, Kurt? Que você apareceria no casamento da Marley e da Kitty com seu “irmão”? Ou que ele estava na cidade e eu poderia me topar com ele em qualquer lugar sem estar prevenida? – falava com raiva.
– Calma, amor. – finalmente Quinn falou e envolveu a cintura da esposa, trazendo-a para mais perto de seu corpo.
– Rachel, me deixa falar com você em particular. Por favor? – implorou Finn, olhando Quinn com expressão de nojo.
– Eu não tenho nada para falar com você, Finn, nem em particular e nem aqui na frente da minha esposa e dos meus amigos.
– Sua esposa? Você só casou com essa daí porque eu não estava contigo. Eu sei que você ainda me ama. Olha como você está reagindo só por me ver? – falou prepotente.
Aquilo fez Quinn ferver de raiva e só não tinha avançado nele ainda porque Puck a segurava pelo braço.
– Eu estou reagindo assim porque eu tenho nojo de você. Nojo da pessoa que você é. Nojo de mim por ter sido tão tola e acreditado em você por tanto tempo. Eu tenho nojo da pessoa que me abandonou por um rabo de saia poucos meses depois que eu perdi meus pais e que sabia que eu estava sofrendo. – desabafou e apontou para Quinn – E essa daqui, como você disse, é o amor da minha vida. É a minha esposa, a mãe dos meus filhos; é a minha mulher, minha amante, meu amor e vai continuar sendo até o resto dos nossos dias. E eu tenho certeza que ela me ama como eu a amo.
– Mas eu fui o seu primeiro...
– Cala a boca, idiota. Já chega, cansei de ficar calada e me segurar para não estragar o casamento da minha irmã. – Quinn rosnava quase descontrolada – Você não tem o direito de vir aqui num dia feliz para todos e estragar tudo. Não ache que sua infelicidade vai estragar nossas vidas, porque não vai. E pouco importa se você foi o primeiro da MINHA MULHER. Não venha se vangloriar de uma coisa que você mesmo fez questão de jogar fora e tornar uma péssima lembrança para ela. EU serei a última e é isso que realmente importa.
Finn estava vermelho de raiva e se segurava para não avançar na loira. Só não o havia feito ainda porque havia muitas pessoas em volta. Encarava as duas abraçadas com um olhar de ódio, quase doentio.
– Vai embora, Finn. – mandou Rachel – Faça o favor de não estragar a felicidade alheia.
Ele ainda ficou a encarando por um tempo e fez menção de avançar em sua direção, mas Puck interpôs-se entre elas, impedindo a aproximação.
– Vai embora, cara. Você não ouviu? – falou desafiador.
– Isso não vai ficar assim. – falou entredentes, saindo logo em seguida empurrando quem estivesse em seu caminho.
– Rach, me desculpe... – dizia Kurt, arrependido.
– Por quê, Kurt? Por quê? – falou com os olhos marejados – Por que você não me falou que ele tinha voltado? E como você pode trazê-lo aqui, logo hoje?
– Eu n-não queria. Mas os pais da M-Marley nos encontraram em um restaurante e por educação o convidaram. – explicava.
– Nós não conseguimos dissuadi-lo de vir. – completava Blaine.
– E por que você não me avisou, droga? – falou alto, mas evitando gritar – Você sempre soube como eu me sentia e me fez passar por isso. Pior, você fez minha família passar por isso.
– Me desculpe. – pediu cabisbaixo.
– Isso não tem desculpa. – falou pegando a mão de Quinn e saindo.
– Deixa ela esfriar a cabeça, purpurina. Vai ficar tudo bem. – disse Santana se aproximando e colocando a mão no ombro do amigo.
– Será mesmo, San? – perguntou quase chorando.
– Tenho certeza. – afirmou – Agora vamos aproveitar a festa das nossas amigas. Elas não merecem que fiquemos com cara de velório.
– Você tem razão. – disse se recompondo e saindo com o resto dos amigos.
...
Rachel segurava a mão de Quinn com força e a loira sentia que ela estava tremendo. Puxou então a esposa em direção a uma sala reservada da casa da irmã e fechou a porta. Assim que se virou puxou sua morena para seus braços e deixou que ela chorasse.
– Me desculpe, Quinn. Eu estraguei o casamento das meninas. – se lamentava.
– Shhh, não fale isso, amor. Se alguém estragou alguma coisa foi aquele babaca que nem devia ter vindo. – consolou – Você não tinha como saber.
– Mesmo assim. Eu não devia ter feito aquela cena. Por favor, me desculpe por te expor assim. – disse se agarrando à esposa.
– Não tem o que desculpar. Você guardou essa mágoa dentro de si durante muito tempo e não teve como se conter. Eu te entendo.
– Por favor, eu não quero que você pense em algum momento que eu ainda gosto dele.
– Eu sei que não, amor. Não se preocupe, eu sei que o que a gente tem é para sempre.
– Eu te amo tanto. – falou selando os lábios de Quinn – Mas quando eu o vi parece que aquele abismo que eu tinha sob meus pés antes de te conhecer tinha se reaberto e que eu estava prestes a cair dentro dele.
– Nunca vou deixar você cair. Vou sempre estar do seu lado. Te segurando, caso precise.
– Eu sei, amor. E esse é um dos motivos por eu te amar mais que tudo nesse mundo, Quinnie. – disse abraçando a esposa com carinho, já estando bem mais calma – Vem, vamos voltar para a festa. Não vamos estragar o dia feliz daquelas duas pessoas que tanto amamos.
– Vamos sim, devem estar preocupados conosco e nossos bebês devem estar nos querendo. – disse sorrindo – Vamos esquecer o que houve e aproveitar a festa.
Ajeitaram-se e voltaram de mãos dadas para o jardim. A morena tinha um olhar carinhoso para a esposa, que retribuía com um sorriso.
– Onde vocês estavam? – perguntou Judy preocupada – Britt, San e Puck nos contaram o que aconteceu. Ainda bem que vocês conseguiram controlar a situação e despachar aquele inconveniente.
– Me desculpe, Judy. A culpa é toda minha. – falou Rachel com um olhar triste.
– Não é não, meu amor. Você não tem culpa de nada. Ele que não tinha que aparecer logo hoje. – falou Judy – Mas vamos esquecer essa situação e festejar junto com meu outro bebê e minha mais nova nora.
Com aquela declaração o assunto foi esquecido e o casal pegou as filhas que estavam agitadas no carrinho, querendo sua atenção. Ben brincava com Tom, e nem tinha percebido toda aquela situação, para alívio das duas.
A festa, por fim, acabou sendo bem agradável e todos acabaram se divertindo muito juntos, apesar de Rachel não ter mais falado com Kurt. Em um certo ponto as noivas se despediram de todos e partiram para pegar o voo para a lua de mel, que seria no Caribe.
– Vem dançar essa música comigo. – disse Quinn, um tempo depois, arrastando Rachel para a pista quando passou a tocar uma balada mais lenta.
Dançaram abraçadas e eventualmente trocando beijos apaixonados. Separaram-se de mais um beijo quando sentiram duas mãozinhas agarrando-as pelas pernas. Ao olharem para baixo depararam-se com dois olhinhos esverdeados as fitando.
– Posso dançar com vocês? – falou com aquelas orbes pidonas.
– Claro, meu anjinho. – disse Quinn pegando-o e o colocando entre as duas.
Imediatamente o menino passou um braço em volta do pescoço de cada uma de suas mães e uniu a cabeça dos três. Rachel e Quinn sorriam diante do carinho do filho. Era a criança mais amorosa que conheciam.
Quando voltaram à mesa Santana e Brittany se despediam, a latina já estava cansada em razão de já estar no final da gravidez. As gêmeas dormiam no carrinho e Ben já mostrava sinais de cansaço, assim como Tom, que já dormia no colo de Puck.
– Vamos embora também, Rach? – indagou a loira.
– Vamos. As crianças já estão cansadas. – disse a morena observando os filhos zelosamente.
Com isso despediram-se de Judy e dos demais presentes e saíram, seguidas logo atrás por Puck e Ashley, que traziam um Tom ainda adormecido.
Mesmo com tudo o que ocorrera a noite acabou perfeitamente bem e Rachel se sentia ainda mais ligada a Quinn. Era incrível que mesmo fazendo mais de um ano e meio que estavam juntas ainda sentiam a mesma paixão e desejo, mas o mais importante era o amor... Amor que seria eterno e que fazia qualquer abismo se fechar diante de seus pés.
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