Abismo.

1 "Miane." - capítulo único


Notas iniciais
Bem, não acho que ninguém vá ler isso daqui, é só uma expressão de sentimentos da autora e uma explosão de hormônios da tpm. Pelo menos eu espero que seja isso.Se lerem e não gostarem não os culpo, tá uma bosta. Igual a mim.Enfim, só isso, valeu.

– Você não enjoa dessa coisa nojenta? – pergunta-lhe a mais nova, tossindo tanto que chega lacrimejava.

– Não. Isso me deixa mais calma. Se você não gosta, saia por aquela porta ali, ó. – A mais alta dizia com deboche e apontava para a porta, não se importando com a presença dela ali ou não.

– Nossa, Reru... Tá, eu... Hn, vou tomar um banho, você empesteou o quarto com esse cheiro! – a menor saiu do quarto, batendo a porta e segurando o choro.

Entrou no banheiro quase totalmente escuro, pois só entrava a luz do sol por uma pequena janela virada para a rua. Despiu-se, e ficou se olhando no espelho. Odiava seu corpo. Odiava sua aparência. Odiava seu cabelo. Sua personalidade, e tudo mais.

Ligou o chuveiro quente, e esperou a banheira encher. Jogou apenas um sabonete líquido pra fazer espuma. Sentou na privada fechada, tirou suas meias e sua calcinha de babados. Olhou em suas mãos e começou a se destruir em lágrimas. Ela chorava muito, mas chorava baixo.

Entrou na banheira, e se afundou ali. Ficou mais de um minuto sem respirar debaixo d’água. Ela queria de qualquer forma destruir essa dor absurda, que coloria (ou descoloria) seu coração, deixando-o cinza. Pelo menos, era assim como seu inconsciente descrevia parte dessa dor. Ou tentava descrever. É, era uma tristeza acumulada e indescritível.

Ela olhava pra cima, tentando parar de chorar. Sentia falta de sua família. O aconchego de sua mãe. A risada dos seus irmãos. O carinho de seus primos, e o amor que despertava no coração dela quando seu sobrinho sorria pra ela.

“Minha filha, tem certeza que quer ir pra essa lonjura? Ai, meu coração de mãe até dói...”, lembrava-se das palavras de sua mãe em meio às lágrimas. Lembrava também que depois que se mudou, mal ligava pra sua mãe ou perguntava pela sua família.

Ela lembrava-se de suas amigas. Sentia-se presa ali, e não conseguia arrumar amigos nenhum mais. Tinha medo que Reru sentisse ciúmes dela. Mesmo que elas não tivessem nada assumido, ela sabia que a outra não gostava.

– Você está bem? Desculpe-me! Eu não quis fazer mal! – ela ouvia a voz de Reru batendo na porta, e engoliu o choro.

– Estou bem, já vou sair... – ela levantou-se da banheira, se enxaguou e depois de se enxugar, colocou apenas sua blusa de volta e saiu do banheiro.

Foi na geladeira, e não tinha nada além de besteiras. Ela sentia fome, porém não tinha apetite. Estava magra, ela queria tanto ser magra e conseguiu, porém estava odiando essa fase. Emagreceu do pior jeito: passando fome por causa da depressão. A única depressão que não se desconta na comida. Era raro, mas ela que dizia isso. Porém dizia aos outros que era resultado da academia dela em excesso, e sua dieta balanceada. Coitada.

Voltou para a cama, frustrada, onde a outra estava sentada a frente, no seu computador, vendo fotos aleatórias, textos, palavras... Num grande painel infinito onde ali ela via refletir toda sua dor e tristeza, e onde ela jogava parte de suas dores também...

– Hey.

– Oi.

– Até hoje eu me pergunto, o que você faz aqui...

– Por quê?

– Me negou até a morte, por medo de te tratarem como uma anomalia, e hoje em dia, você vive grudada em mim cheirando meu rabo. Foi por que você viu meu lado ruim? Você é alguma masoquista, gosta de sofrer? Se eu estivesse no seu lugar, faria tão mal a mim mesma...

– Por que eu faria mal a você...?

– Você já me fez mal, me fazendo me apaixonar por ti e não retribuindo... Quebrando sua palavra, me iludindo... Admita, você me chamava de namorada desde o início. Burra foi eu na verdade, não vi que era uma brincadeira.

– Eu já disse. Eu fui apaixonada por você, completamente. Eu caí de amores pela sua pessoa como nunca tinha gostado de ninguém antes. Você conseguiu me deixar confusa em relação a tudo, meus amigos, minha família, meus amores fora de nós duas, eu mesma, e até minha sexualidade. Você mexeu comigo como ninguém nunca conseguiu por mais que tentasse. Parte de mim ainda é encantada por você. Porém, eu percebi que te faria sofrer por causa do meu jeito mal. Metade de mim é um entojo, a escória.

– Eu não me importaria...

– Não acabei. E eu queria apenas que você me conhecesse assim pra sempre. Eu queria ser a sua fofurinha pra sempre. Eu queria parar no tempo. Eu queria... Ser sua. Ser como a pelúcia mais bonita da sua cama, que você mais gosta. Como sua barra de chocolate preferida. Como o roupão mais bonito que você tem. Ou kigurumi, que nem aquele seu rosa de estrelinhas e coelhos fofos. Sabe Reru, só pra te dizer que nada do que eu senti foi mentira, ok? Não te iludi, eu realmente te amava... Mas depois do seu pedido, eu acordei, como se fosse um despertar de um sonho e entrar em um pesadelo, sabe? Eu imaginei tudo de ruim... Não preservo minha imagem por isso, só evitei por que eu não queria arriscar tudo pra te fazer feliz, sendo que eu sei que nunca faria. Jogaria a sua vida fora, seu tempo e tudo mais. Não ligo pro seu cinismo ou se você ri por saber que eu choro.

– Isso não é desculpa. Você não quis tentar.

– Quando eu tentei, com meu primeiro namoradinho, eu levei bastante a sério sabe? Eu amava ele de todo coração. Me entreguei por completo, e decidi, que se essa era a minha primeira chance de fazer alguém feliz, eu faria! Mas aí, eu reparei que sou um desastre em relação a dois. Bem, no final, quando eu percebi que estava errando, tentava me redimir e até chorava pelos coices dele, eu descobri que ele me traía. Não me senti culpada, ele era um filho da puta e mereceu tudo que eu o fiz chorar. Mas você... Você é diferente. Eu gostei de você muito mais que eu mesma e até enfrentei meus valores e minha família por você... Tudo. Só por aquela paixão. Porém quando eu quis tentar, era tarde demais, e eu percebi que meu coração ainda pertencia a outro alguém. Você sabe.

– Aquele tal de Thomas. Estou de saco cheio dele. Já sei que você é apaixonadinha por ele, agora pode calar a boca? – ela pegava outro cigarro, enquanto tomava seu whisky puro e quente. A menor queria chorar de novo. Porém, suas lágrimas ardiam e ela evitava, chorar atrapalhava a fala dela.

– Desculpa... É que, eu não ligaria pra ele, porém eu não queria te fazer sofrer e eu me sentia desconfortável com isso, suja, e desleal. Perdão.

– Aff. Dane-se. – ela virou-se pro computador novamente, voltando sua atenção e concentração total àquilo que fazia.

A menor se levantou, e pegou o violão do avô, que tinha de herança. Única coisa da sua família que guardava com todo amor, era aquilo. E iniciou a arriscar umas notas de uma música que gostava, arriscar, porque ela tocava mal pra cacete. Era mentira, mas ela odiava tudo que fazia.

[...] Meus olhos vagam sem te encontrar
Mais um dia passa e me forço a respirar
Preso a minha mente imagens e voz
Desde que se foi não encontro a paz.

As noites mais frias
Sua falta tingiu de cinza o meu coração

Sobre o grande amor que eu perdi
Sobre o abismo em que me atirei, me atirei.

– Você não sabe tocar, não tente.

– Eu sei que não tenho talento pra porra nenhuma, eu tenho noção disso! Eu sou um fracasso! Eu sei disso toda vez que acordo e me olho no espelho eu sei que sou o fracasso em pessoa! – a menor largou o violão e o deixou encostado na gaveta ao lado da cama. A maior deitou-se ao seu lado, e olhava. Seus olhos manchados de rímel velho borrado, e sua boca ressecada pelo frio.

– Ainda me pergunto, se não me queres, o que fazes aqui comigo ainda?

– Eu gosto de admirar a sua beleza, e me torturar pensando que beldade eu deixei escapar, como areia pelo meio dos meus dedos. Só isso. Por isso, eu sou um fracasso. Falar nisso, vou dormir na sala. Quero adormecer vendo TV. Até amanhã de manhã.

– Tchau. – a menor saiu mais uma vez do quarto, despedindo-se da casa. Na sala ela pegou um papel e uma caneta. Escreveu:

“Desculpe-me, eu te amo e isso está me torturando. Adeus, desejo toda felicidade do mundo a você.”

Saiu de casa, e ficou sentada no trilho que havia perto de sua casa...

Quando ouviu o barulho do trem, fechou os olhos, chorou e disse para si:

Miane.

Notas finais
E aí? O que têm a dizer, mano?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!