Abençoada pelos Deuses

17 Visita Inesperada


Notas iniciais
Gente me perdoem pela enoorme demora, eu realmente tive dificuldades para continuar essa fic. Peço mil perdões, Um agradecimento especial para Izzy Granger que foi quem mais insistiu para que eu continuasse. Esse retorno é dedicado a você.

─ Quem vai ser o primeiro a me explicar tudo isso? ─ questionou Kathe entrando no Templo de sua mãe.

Ela ainda usava o vestido de sua cerimônia e olhava tudo ao seu redor como se visse pela primeira vez.

─ E o que precisa ser explicado? ─ questionou Olímpia.

─ Ah não sei... ─ começou ela fingindo pensar no assunto ─ Talvez possam começar pela mudança do meu nome. Desde quando me chamo Sophia?

─ Você por acaso já ouviu falar de algum deus ou deusa com um nome tão moderno como Katherine? ─ quis saber Annabeth cruzando os braços.

─ Apesar de seu nome ser de origem grega ─ começou Olímpia ─ Para ser deusa respeitada e totalmente grega é preciso ter um nome como tal.

─ E eu sugeri Sophia ─ disse Athena entrando no salão.

Kathe sorriu ao ver a tia preferida com uma leve diferença na barriga.

─ Esse meu irmão não cresce? ─ questionou Annabeth cruzando os braços.

Athena riu suavemente e revirou os olhos, continuando:

─ Quero que siga esse caminho com sabedoria.

─ Se eu tiver ajuda, não terei problemas ─ respondeu Kathe sorrindo.

─ Terá ajuda ─ respondeu Annabeth e Athena em uníssono.

─ Olímpia ─ chamou Hades entrando no salão em passos largos ─ Enlouqueceu? Como você doa dois anos da sua vida para cada ser humano e semideus do mundo?

─ De nada ─ respondeu a deusa sarcástica ─ Também estou feliz por ter salvado toda a nação.

Hades revirou os olhos e bufou. Até que seu olhar recaiu sobre sua filha.

─ Kathe...

A garota, agora com seus 15 anos, esboçou um leve, porém sincero, sorriso.

─ Você está linda... ─ elogiou o deus com um olhar sonhador ─ Tão parecida com sua mãe.

─ Muito obrigada pelo elogio Hades ─ divertiu-se Olímpia dando uma piscadela em seguida.

O deus do submundo remexeu-se e pigarreou, disfarçando.

─ Então Kathe, como está se sentindo? ─ questionou Athena se metendo na frente dos dois.

─ Diferente ─ respondeu a garota suspirando ─ Não sei o que fazer primeiro.

─ Hades! ─ gritou Poseidon fazendo Hades se sobressaltar e olhar, confuso, para o irmão ─ Está ficando surdo? Deixou de ser o deus do submundo por acaso?

─ Do que está falando? ─ quis saber Hades ainda confuso.

Poseidon o fitou sem acreditar e exasperou-se:

─ Isso é sério?!

Hades continuou inexpressivo. Fazendo o deus dos mares continuar, bufando.

─ Seu reino! O seu reino está sendo atacado!

─ Atacado? Por quem? Como?

─ Pelos deuses Hades. Em quem mundo está?

Nesse momento o sorriso de Kathe sumiu... ela sabia o motivo que estava distraindo seu pai. Decidida, pé ante pé saiu do salão, trancando-se em uma sala qualquer.

Mais uma vez seu pai estava perdendo o domínio de seu reino, tudo porque não conseguia pensar em varias coisas ao mesmo tempo, se houve um algo mais que não fosse relacionado ao seu reino, então um desses iria ser esquecido. E, infelizmente, Hades não conseguia colocar sua filha em segundo plano, mesmo que ambos quisessem...

Kathe respirou fundo e se concentrou no único lugar em que queria estar agora. Segundos depois pôde sentir a brisa do mar rodeando ela. Abriu os olhos e se viu de frente para o mar, em um enorme banco de areia rodeado do mesmo. Parecia uma pequena ilha habitante somente por ela e árvores.

Preferia estar ali por enquanto. Somente ela e as árvores. E Paxton que se fez presente esfregando seu “focinho” na perna da garota.

─ Acho que vamos ficar um tempinho fora de área Paxton, o que acha? ─ questionou Kathe acariciando o cão infernal.

─ E o que acha de uma conversinha?

Ela virou-se para encarar Anfitrite que a fitava maliciosamente.

─ O que você quer escamosa?

─ Quero apenas conversar ─ a Nereida disse enquanto se sentava ao lado de Kathe, que revirou os olhos.

─ Pode falar.

Anfitrite alcançou a mão da garota que a olhou desconfiada. Então tudo aconteceu rápido demais. Kathe sentiu sua mão ser puxada com violência e ser arrastada para o mar. Paxton sentiu o perigo e atacou a Nereida, mas apenas foi jogado para o outro lado, caindo perto da árvore.

─ Paxton! ─ Kathe gritou, mas o cão infernal não se mexeu.

Furiosa, Kathe virou-se para Anfitrite e tentou se soltar, em resposta foi puxada com mais força para o chão e sentiu as mãos delas em volta do seu pescoço.

─ Essa é a sua conversa? ─ questionou com dificuldade.

Anfitrite rosnou e puxou Kathe para mais perto da água, jogo-a no chão novamente sem soltar seu pescoço, deixando que apenas a cabeça dela tocasse o mar.

Kathe imediatamente fechou olhos, sentindo o poder do mar invadindo-a sem hesitação.

─ Está sentindo isso? Esse poder? Reprima-o! ─ Anfitrite ordenou com um rosnado enquanto apertava mais suas mãos no pescoço dela ─ Reprima-o.

Kathe se esforçou para obedecer, mas apenas conseguiu senti-lo mais. Agarrou os pulsos da Nereida, apertando-os com forças, cravando suas unhas ali e logo sentindo algo pegajoso escorrer entre seus dedos.

─ O que... pensa.. que está fazendo? ─ questionou ofegante.

─ Mostrando que não é você quem manda por aqui.

Kathe a olhou confusa, esperando que ela continuasse e explicasse.

Mas não foi preciso.

Ouviu passos na areia e virou-se para fitar o visitante. Arregalou os olhos ao encontrar um homem forte e consideravelmente alto, com alguns fios grisalhos entre as madeixas negras que iam até o ombro, usando uma túnica grega vermelha. Estava com algumas manchas de sujeira por todo o corpo e um olhar quase letal.

Kathe sabia muito bem quem era.

─ Cronos.

Ele sorriu convencido e se aproximou, agachando-se ao lado dela. Anfitrite ainda não a havia soltado.

─ Que bom que me reconheceu, podemos pular as apresentações Sophia.

─ Eu prefiro Katherine ─ sussurrou Kathe.

Ela não tinha preferência entre os nomes, mas aquele nome em especial sendo pronunciado por ele... lhe causava calafrios.

Cronos lançou um olhar a Nereida que a fez se afastar, soltando Kathe que continuou deitada na areia, fitando-o.

─ Katherine... ─ ele pronunciou esboçando um sorriso de lado em seguida ─Em grego Aikaterhíne, e entre muitos significados está pura e casta. Será?

Ele tentou tocá-la no rosto, mas ela desviou no último instante e logo depois já estava de pé diante dele.

─ O que você quer comigo? ─ questionou.

Cronos ignorou sua pergunta e se aproximou ainda mais dela.

─ Desculpe-me por essas vestes, eu não tive tempo de me atualizar quanto ao vestiário dessa época ─ ele sorriu friamente ─ Eu estava trabalhando muito bem do Tártaro, até que você cresceu e começou a me dar problemas. Eu não sabia como uma reles garota poderia fazer isso, então eu decidi sair e me contaram quem realmente você é... sobre sua mãe e que você é minha neta. Foi muita informação em um curto espaço de tempo, sabe? Eu tinha que encontrar você o mais rápido possível.

─ Já encontrou ─ respondeu Kathe impaciente ─ O que quer?

─ Meu plano era ter você como minha aliada, seria feliz ao meu lado ─ Cronos disse indiferente ─ Mas pelo sangue que carrega, eu diria que é estupida demais para aceitar essa oferta.

Kathe o fitou, confusa. Ser aliada dele? Seria uma boa ideia? Bom, mesmo que quisesse isso, sabia que Cronos já havia desistido desse plano. Então o que raios ele queria?

De repente ela se sentiu ser lançada para longe, arquejou de dor quando suas costas bateram em uma árvore, tentou sair, mas seus pés não tocavam o chão, ela ainda estava suspensa no ar. Quando voltou a abrir os olhos, Cronos já estava a sua frente, sustentando o olhar frio e a voz cortante.

─ Então já que o seu grande poder ─ ele disse irônico ─ Me fez sair do Tártaro, o plano é o seguinte: vai sair do rastro de todos eles, quero que suma, fuja e nunca mais volte. Caso ouse voltar e juntar-se a seus amigos contra mim, eu prometo a você que matarei todos eles, um por um. Eu quero você longe do meu caminho ─ ele arrancou o colar dos Deuses que Kathe carregava ─ Não vai precisar disso, não é?

Cronos riu novamente, riu como se estivesse em plena vitória, como se já tivesse ganhado a batalha.

─ Apareça para o auxilio daqueles que ama e eu os matarei sem pena ─ Ele fitou Anfitrite e ordenou─ Leve-a até o Monte Olimpo e deixe-a morrer por lá.

Então tudo escureceu.

***

A primeira coisa que sentiu foi frio. Muito frio. Mesmo assim queria ficar ali pelo resto da vida, dormindo. Lutou internamente e decidiu abrir os olhos. Logo percebeu o motivo do frio intenso: estava chovendo e muito.

Kathe levantou-se percebendo que estava deitada na areia escura e molhada, que agora estava grudada em algumas partes do seu corpo. Deixou que a chuva levasse qualquer resíduo, era sua única escolha. Olhou em volta e se deparou com muitas árvores grandes, porém tortas, a tempestade a impedia de enxergar mais que isso. Levantou a cabeça e com dificuldade encarou o céu carregado de nuvens, obviamente já estava noite. Olhou em volta mais uma vez, não havia mais nada, nenhuma bolsa ou caixa, nenhum lugar onde se esconder.

Pensou em voltar, em simples pop desaparecer e reaparecer no Acampamento Meio-Sangue, mas lembrou-se das palavras de Cronos, deveria ficar longe, muitas vidas estavam em risco e não acreditava que ele estava brincando quanto a isso.

Suspirou. A chuva parecia não ter hora para acabar, já estava toda ensopada mesmo. Decidiu seguir seu instinto e ir andando.

***

─ Alguém sabe onde ela está? ─ questionou Afrodite em tom sério.

O Grande Salão estava praticamente lotado, os deuses estavam ocupando seus devidos tronos, alguns campistas estavam sentados no chão enquanto Annabeth, Percy e Grover permaneciam de pé ao lado do trono de Poseidon. Nico e Bianca decidiram ficar ao lado do trono do pai, mesmo hesitantes.

O silêncio permaneceu mesmo com a pergunta de Afrodite, a preocupação e curiosidade pairavam no ar. Mas Hades estava com cara de poucos amigos, então ninguém ousava fazer alguma brincadeira ou comentar que a filha havia fugido. A preocupação era visível em alguns deuses, como Afrodite e Athenas.

─ Até onde sei ─ começou Zeus em tom autoritário ─ Equipes de busca foram dispersadas em todo o país, a maioria sob a supervisão de um deus. E estão nos dizendo que não encontraram nada?

A maioria dos semi-deuses já estavam a par do evento que tornou Katherine uma deusa, então era bem claro para eles que ela, como uma deusa, não poderia ser sequestrada facilmente e muito menos morta, então a única resposta plausível era que a própria Katherine decidira fugir, deixando tudo para trás. É claro que ninguém ousava dizer isso em voz alta.

─ Com licença ─ pediu uma garota fracamente. Ela se levantou para chamar a atenção dos deuses e continuou ─ Senhor, eu acho que todos aqui querem saber por que encontrar Katherine é tão importante se nenhum deus pode se apegar aos filhos.

O silencio instalou-se novamente, todos encaravam Zeus a espera de uma resposta. O deus bufou, irritado.

─ Surpreendo-me em saber que uma filha de Athena desconhece nossos motivos ─ a garota abaixou a cabeça e sentou, constrangida ─ Acaso não lembrem, temos uma profecia envolvida. Deixe-me lembra-los de um trecho em especial que diz: Quando viva, será e viverá uma maldição da benção que recebeu, mas quando morta, trará a destruição de tudo o que conheceu... Somente ela será capaz de trazer a morte eterna do Tempo...

─ As palavras foram claras o suficiente para vocês? ─ questionou Ares entre dentes ─ Precisamos dela viva se não quisermos sofrer com a parte da destruição.

─ Já se passaram duas semanas... ─ lamentou Apolo ─ Quais são as chances?

─ As mesmas que as de duas semanas atrás ─ respondeu Athena convicta.

Hades bufou e se levantou abruptamente, assustando quem estava por perto, então deixou o salão.

─ Eu vou atrás dele.

Athena suspirou e o seguiu silenciosamente pelo corredor.

─ Hades... por favor ─ ela chamou quando o outro entrou na biblioteca.

O deus estava apoiado em uma das mesas, a cabeça abaixada e os olhos fechados.

─ Deixe-me sozinho Athena ─ pediu sem se mover.

A deusa ignorou o pedido e se aproximou do mesmo, tocando-lhe o rosto em seguida.

─ Ela vai voltar... tenho certeza disso ─ disse convicta.

O deus soltou um riso sarcástico.

─ Eu que deveria estar consolando você e Olímpia ─ ele esfregou o rosto em sinal de cansaço ─ O que aconteceu comigo? Por que me apeguei a ela? ─ virou-se exasperado para a deusa e questionou ─ O que eu fiz? Seja racional Athena e me responda. Ajude-me!

Athena sentiu pena dele naquele momento. Não era comum que um deus se apegasse tanto a um filho, era regra que nenhum deles se aproximasse dos filhos para não possuir nenhum favorito, mas Hades nem percebera quando isso aconteceu. E agora não sabia como agir diante desse novo sentimento: o amor. Ela não era a deusa do amor, mas tinha certeza que o amor por um filho estava entre os sentimentos humanos mais fortes.

─ Eu não sou especialista tio... ─ ela respondeu esboçando um sorriso sincero enquanto se aproximava dele ─ Mas amor é um sentimento muito comum e muito complicado, mesmo que o alvo desse amor seja o próprio filho.

Hades arregalou os olhos ligeiramente e bufou.

─ Amor? ─ desacreditou ─ Deuses não amam.

A deusa da sabedoria revirou os olhos prevendo uma cena de teimosia.

─ Por favor Hades, essa época já passou e sabe disso. Hoje em dia a relação entre deuses e humanos é muito mais comum, e maior que isso é a nossa relação com nossos filhos. Temos como dever manter nossas tradições, mas evoluir com a nação que nos cerca é quase nossa obrigação. E o amor faz parte da evolução deles.

─ Não, não ─ ele insistiu cruzando os braços ─ Não posso aceitar isso Athena, sou o deus do submundo! Tenho regras a seguir, uma imagem a manter.

─ Ah pelos deuses Hades! ─ reprimiu Athena o fitando séria ─ Não estamos mais na Grécia Antiga, nossa imagem de deuses superiores a tudo não existe mais. Só temos que manter o respeito a frente de tudo, apenas isso!

Hades bufou e socou a parede próxima a janela.

─ Você o que o amor traz consigo? Sofrimento! Medo! Angústia! É uma fraqueza!

─ Não seja burro ─ ela rebateu indiferente a fúria dele ─ Amor não é sofrimento, o sofrimento só aparece quando sentimos a falta daquilo que amamos.

─ Eu não a amo!

─ Está preocupado com sua imagem? ─ ela questionou entre dentes ─ Você a ama desde o dia em que foi até a casa da Laura em nome da proteção de Katherine. Ninguém nunca havia feito isso por um filho, sua imagem não foi mais a mesma a partir desse momento. Eu me lembro daquele dia Hades, você não pensou em mais nada a não ser ir lá salvar sua filha! E ainda quer manter a pose de deus frio e intocável? ─ ela riu sem vontade ─ Não seja ingênuo.

Hades apoiou-se no batente da janela e abaixou a cabeça, deixando uma lágrima escapar.

─ Desde quando se tornou a deusa do amor? ─ ele questionou com a voz rouca.

Athena respirou fundo para se acalmar e respondeu:

─ Eu não precisei me tornar a deusa do amor. Eu fiquei grávida e descobri que estou casada, isso foi o suficiente ─ ela riu ─ Mas não se preocupe, Katherine mudou todos nós.

Notas finais
Comentem o que acharam :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.