Abdication
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Não havia a menor chance. Não com Benjamin e Beatrice amarrados. Melanie pensa em todas as alternativas e nenhuma parece boa o suficiente para tirar ela e seus novos amigos dessa situação. Se fosse alguns dias atrás, ela provavelmente soltaria Beatrice, que soltaria o irmão. Melanie não faria a menor questão de salvar Benjamin. Porém depois da conversa deles... Benjamin poderia estar meio bêbado, mas para Melanie aquilo bastou. Não o deixaria para trás.
Ela pega a garrafa de água e mira no alto de uma árvore, atingindo o tronco. Os loucos param a "festinha" deles e atentam seus ouvidos para o barulho. Oito saíram para a mata e dez ficaram ao redor da líder loira deles, ela raciocinou rapidamente. Melanie pôde então contar com quantos teria que lutar. Haviam três no ataque e cinco ao redor de Beatrice e Benjamin. Vinte e seis.
Era improvável, mas podia conseguir.
Melanie empunhou duas facas menores e guardou as outras quatro no cinto. Ela se aproximou de uma árvore e a escalou no maior silêncio possível. O escuro estava ao seu favor, mas o tempo não. Estavam levando os gêmeos para a fogueira. Ela tinha que parar aquelas pessoas.
Ela pulou da árvore para as costas de um homem e cravou a faca em seu pescoço. Ele caiu silenciosamente enquanto sua jugular jorrava sangue. Melanie foi para o próximo, com a mesma faca, o atingindo na barriga duas vezes. Quando ele caiu morto, ela foi para uma mulher, que havia a visto e estava avisando aos outros.
Bosta.
A mulher avança nela para dar-lhe um soco, a morena segura seu pulso no ar e abre seus dedos, fazendo a faca atravessar sua mão. A mulher urra, chamando a atenção.
A loira encara Melanie com ferocidade no olhar.
– Thunk a tropkiski.
Melanie segura as facas ensanguentadas bem apertadas nas mãos e fica em posição defensiva. Recua até Benjamin e corta as cordas. Porém não consegue chegar a Beatrice, que ainda estava cercada de homens, que agora a arrastam para a líder.
– Kilia a tropkiski, Indobahs!
Eles caminham até Melanie e ela olha para Benjamin.
– Eu não entendo o que eles falam. Nunca vi mais feios.
– Eles vão queimá-la — ela sussurra com desespero.
– Nenhum de nós jamais sofreu tal humilhação — ele rosna. — Nenhum Beckering morrerá agonizando nas chamas.
Benjamin retira um canivete da bota e olha para Melanie.
– Nunca pensei que lutaria ao seu lado.
Ela não consegue deixar de sorrir.
– Vamos matar alguns idiotas que ousaram atravessar o nosso caminho.
Melanie gostou. O pior é que agora percebia que havia gostado de rasgar Morgana ao meio e também gostou de matar todas aquelas pessoas. Não se importava com a vida deles. Só queria matá-los, voltar em segurança para o acampamento com os gêmeos.
Ela pula atrás de um homem, ele se impulsiona para trás e a faz chocar suas costelas com o grosso tronco de uma árvore. Melanie puxa a faca para a ponta dos dedos e rasga a garganta do homem.
– Apodreça no inferno — ela murmura ferozmente no ouvido dele conforme seu corpo morto cai.
Ela corre para desamarrar Beatrice enquanto Benjamin crava algo no crânio de um homem. Ela sente a dor do crânio amassado se chocando contra o chão e se arrepia. As cordas são grossas e dolorosas, mas ela desfaz nos nós com rapidez. Aprendeu no PMI.
Entrega uma de suas facas a Beatrice.
– Chame seu irmão. Fujam.
– E você?
Ela olha para a líder loira.
– Estarei logo atrás de vocês.
Melanie atravessa toda a segurança da mulher. Mata oito pessoas. Quatro homens e quatro mulheres.
– Você fala o Idioma Comum? — ela pergunta depois de puxar sua faca de volta para si.
A mulher não responde.
– Eu vou perguntar só mais uma vez: você fala o Idioma Comum?
Ela fica em silêncio. Melanie suspira.
– Sinto muito que você tenha escolhido o modo difícil.
Ela acerta a cabeça da mulher com o cabo da faca, a fazendo desmaiar. Melanie amarra suas mãos nas costas e olha para os gêmeos. Eles estão entrando na mata. Melanie os segue enquanto arrasta a mulher, o sol nascendo. Decide olhar uma última vez para trás.
Todos mortos. Sangue para todos os lados. E ela havia gostado.
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Algum tempo atrás
Melanie observa o sangue em suas mãos. Deixa a faca escorregar por ele, diretamente da sua mão, o metal se choca com o chão em um barulho estridente em meio ao silêncio do beco. Ela está sozinha.
Não se arrepende. Sabe o que ele faria. Não se arrepende em momento algum.
Ela olha para o lado. Desirée a observa.
– O que aconteceu?
– Ele tentou abusar de mim — a morena conta com a voz fria e cortante. — Eu o matei.
– Você cortou a garganta dele — ela constata. — Onde arranjou essa faca?
– Estava com ele.
Desirée se abaixa e pega a faca. A vira nas mãos, ignorando o sangue. Ela arregala os olhos e Melanie se aproxima. Há o desenho de um gavião talhado no punho da faca.
– Ele não era inocente — Desirée diz.
A loira vê que Melanie a observa e guarda a faca no cinto.
– Vamos embora daqui antes que alguém nos veja.
Ela conduz a morena para fora do beco. Uma semana depois, Desirée havia desaparecido e a morena jamais voltou a vê-la.
+++
Dias atuais
Melanie acorda com dor de cabeça. Sente uma pressão nos ouvidos e percebe que está dentro do avião ao sentir uma turbulência.
– Já estamos pousando.
Ela olha para cima. Nunca viu a mulher na vida, para parece uma aeromoça pelas roupas. Olha ao redor. Não há o barulho comum que deveria haver em um avião cheio de jovens. Na verdade, aquilo era pequeno demais para um avião.
Melanie percebe que é um jato particular.
– Onde está todo mundo?
– Lorde Fieldmann requisitou que sua presença fosse tratada com exclusividade.
Vincent. Claro.
– Eu...
– Não se preocupe, Srta. Hemingski, todos sabemos ser muito discretos. Somos fiéis ao Senhor de Meurer.
A morena olhou para trás. A loira chefe dos loucos estava com as mãos em algemas no último banco, dormindo.
– E ela?
– Como a senhorita insistiu em interrogá-la, porém estávamos sem tempo, Lorde Fieldmann permitiu que a levássemos conosco.
– E exatamente para onde?
– A criminosa vai para as Minas.
As Minas. A prisão de segurança máxima de Meurer. No subsolo, pessoas que cometiam crimes mais graves eram torturadas, para serem lembradas dia e noite da dor que haviam causado a um cidadão do norte.
A aeromoça sorri.
– A senhorita é uma mulher de sorte, Srta. Hemingski.
– Sou? — ela questiona, meio avoada.
– Sim. Irá morar na mansão Fieldmann.
Melanie sente seu coração parar de bater por alguns segundos.
– Vou?
– Jamais uma mulher conseguiu tal façanha. Lorde Fieldmann deve gostar muito da senhorita.
Ela volta a sorrir, dessa vez algo meio ameaçador corre por seus lábios.
– Mulheres matariam para ser você.
+++
Melanie passou por uma sala de jantar com a governanta. Ela se lembrava daquela sala. Foi a sala em que todos os participantes do PMI se reuniram antes de ir para a ilha. De repente, sua cabeça se enche de perguntas.
Os gêmeos estavam vivos? Como Josh está depois do término? Andrew ainda seria seu amigo ou foi apenas uma trégua na ilha para ela não tentar matá-lo durante o circuito? Tyler a ignoraria agora que ela está com Vincent? E Vincent? A usaria como um objeto ou a trataria bem como estava fazendo nos últimos tempos? Kimberly, a esposa do Senhor de Meurer, a expulsaria de lá? Ou tentaria matá-la? A empurraria da escada ou simularia um suicídio? Como ia conviver com Hilary, sendo amante do pai dela? E Matt, novo namorado de Hillary, aquele com quem a própria Melanie havia feito um acordo para se vingar de Vincent, como reagiria?
Ela começou a se sentir mal com todas essas perguntas e disse para a governanta. A mulher a levou para um quarto no terceiro andar. Tinha elevador dentro da mansão.
O quarto de Melanie era bonito, com paredes claras, criado-mudo, um tapete fofo creme perto da cama de casal, com lençóis caros. Havia um espaçoso guarda-roupa branco com portas de correr transparante no canto e do outro lado havia um estante um tanto vazia, poucos livros a ocupavam, por isso a maioria dos exemplares estavam caídos nas prateleiras, enquanto um armário branco ocupava o espaço perto da grande televisão na parede. Ainda havia um banheiro espaçoso, com um box transparente e banheira de solteiro, porém grande o suficiente para duas pessoas. Era um lugar bem espaçoso.
Apesar de tudo isso, o quarto parecia extremamente vazio. Depois de ligar o ar e de achar um cobertor no armário perto da televisão, Melanie sentiu lágrimas queimarem suas bochechas.
Nem nas ruas ela se sentiu tão sozinha.
+++
Ela acordou no meio da noite e decidiu virar de lado ao notar que seu ombro doía. Se assustou ao ver Vincent a observando dormir. Suas esferas negras como águias a cercando, uma coruja sempre atenta aos seus mínimos movimentos.
Ele passa os dedos pelos cabelos dela.
– Como você está.
Ela pensou. Triste, infeliz...
– Com frio — respondeu.
Vincent levantou e foi até o armário perto da televisão. Pegou um edredom amarelo clarinho e colocou em cima do outro cobertor. Melanie percebeu que ele ainda estava de terno. Mesmo assim, quando ele deitou novamente na cama, estava mais próximo. Ela sentia o tecido negro do paletó contra os seus braços.
– Eu sei que você não queria estar aqui, mas farei o possível para você se sentir à vontade.
Melanie se sentiu um pouco mal novamente. Quando Vincent lhe tocou o rosto, sua mão logo recuou.
– Você está queimando.
Ele pegou um termômetro no criado-mudo e mediu a temperatura dela. Trinta e nove graus.
– Em outras situações, isso seria mais proveitoso — ele envolveu os joelhos dela e suas costas. A pegou no colo e a conduziu até o banheiro. Melanie sentiu seu corpo mole, dolorido. — Hoje eu vou cuidar de você, princesa.
Melanie pensou que ele pegaria algum remédio ou algo assim. Seus olhos estavam colados de sono. Porém ele a conduziu até o chuveiro e a colocou debaixo da água fria. Melanie soltou um grito agudo de surpresa e de dor. Vincent sorriu diante daquilo. As juntas de Melanie pareciam atrofiadas e de repente parecia como se estivessem voltando ao normal conforme a água caia. Como se fosse a pomada da cura.
Ela abriu os olhos e o encarou. Ele havia tirado o paletó, estava apenas com a camisa social branca, que estava ficando transparente por causa dos respingos de água, mostrando o contorno dos seus músculos.
Melanie precisava conversar com alguém. Josh ela sabia que não entenderia; sua mãe, sua madrinha e seu irmão sentiriam nojo dela se contasse que matou alguém daquela forma; ela havia acabado de recuperar sua amizade com Andrew e sentia que Tyler não a julgaria, não depois de compartilharem alguns segredos enquanto estavam juntos, mas seria estranho conversar com ele sobre, já que ela imaginou que estava matando a irmã dele. Sentia que não tinha mais ninguém, mas precisava contar. Vincent a entenderia quanto à morte, isso ela sabia.
– Eu matei alguém no circuito.
Vincent parece um tanto surpreso por ela ter levado a conversa para esse rumo. Na verdade, ele parece surpreso por ela sequer ter puxado conversa.
– Quem?
Melanie se sentiu aliviada por não ver julgamento nos olhos dele. Na verdade, era difícil decifrar qualquer coisa nos olhos de Vincent. Isso era bom, às vezes. Ele não era óbvio e Melanie era muito observadora, conseguia captar tudo no olhar de qualquer um. Vincent era diferente. Mais misterioso e sempre fechado, sério, vazio, como se fosse algo abandonado, porém ainda vivo. Ele era intrigante.
Mesmo assim, ela conseguiu ver ele tentando esconder o esboço de um sorriso.
– Morgana Aguirré.
Ele respirou fundo. Melanie sabia que Morgana era filha de alguém importante e que isso poderia causar problemas para ele.
– Como?
– Importa?
– Para o juiz Aguirré importará.
Ela não sabia como contar isso. Sabia que Vincent havia mandado matar muita gente, que já havia matado muita gente e estava acostumado com a morte, mas não sabia como isso mudaria.
Talvez ele sentisse nojo o suficiente para me mandar para casa, pensou. Ou a morte de Morgana poderia causar problemas o bastante para eu ser exilada em qualquer outro lugar.
– Ela foi completamente desfigurada — ela conta. — Eu rasguei seu corpo ao meio com as facas.
Vincent se afasta e não sentir mais o toque dele em seu braço a fez se sentir mais infeliz e vazia do que havia imaginado. Ele parece um tanto surpreso e isso a faz se sentir muito mal. Nem mesmo ele deve ter matado alguém daquela forma terrível. Melanie se sentia envergonhada. Ela, que tanto abominou-o por tudo o que fazia, estava se tornando pior do que ele.
E ele estava preocupado agora.
– Você a enterrou?
– Sim.
– Amanhã quero que me diga a localização exata do corpo. O juiz Aguirré irá querer saber o porquê de sua única filha não ter voltado para casa. Precisaremos justificar... — ela sente seu estômago embrulhar enquanto Vincent pensa alto, maquinando um plano para livrá-la da forca. — Posso dizer que alguém que também morreu no circuito a matou. Posso usar um garoto do primeiro chalé que era fissurado por facas — ele olha para ela. — Nada cairá sobre as suas costas.
– Por que você está fazendo isso?
– Você tem um futuro brilhante, princesa. Não vou deixar a morte de uma garota, mesmo que uma garota nobre, estrague isso.
– Josh sabe — ela conta. — O Comandante Duninghan — ela se corrige.
– Darei um jeito nisso.
Melanie olha para os próprios pés.
– Como você está?
– Vou ficar bem.
Vincent percebe que ela não passa de uma criança, afinal. Mesmo que esperta, ainda é ingênua demais para lidar com esse mundo. Ele não conseguia acreditar no quanto ficou abalado ao vê-la daquela forma.
– A morte é natural, Melanie. Todos nascem e morrem. Mais cedo ou mais tarde... não importa. Todos morrem.
– Morrem naturalmente, não destroçados por uma louca...
Ele toca o rosto dela, o envolve em suas mãos e a faz olhar para ele, a afasta da água fria.
– Você não é louca.
– Eu não sou louca — ela repete, tentando se convencer. — Eu só...
– Melanie, uma militar precisa aceitar a perda, a dor, o sacrifício.... a morte.
– Eu não sou uma militar.
Ainda, ela completa mentalmente.
– Na verdade — ele sai do chuveiro e pega uma toalha branca na gaveta, a enrola ao redor do corpo de Melanie -, andei conversando com Declan.
– Derek? — ela sorri e acompanha os passos de Vincent de volta para o quarto. — Como ele está?
– Curado.
Vincent desabotoa a camisa social e caminha até o armário, pegando outra igual.
Melanie não consegue deixar de observá-lo. Nunca viu algo como aquilo. Os braços grandes e fortes, os músculos, a forma e o desenho do corpo... musculoso, mas nada artificial. Lindo. Havia uma tatuagem escrita em outra língua no braço direito e uma cicatriz meio de lado entre o peitoral e o umbigo, dando a entender que alguém já havia o cortado ali. Havia uma marca em suas costas também, mas Melanie não conseguia pensar nisso. Lindo. Ela nunca pensou que ele fosse assim tão... já havia visto muitos homens sem camisa, mas algo em Vincent era diferente. Imponente, musculoso, porém natural. A cara de bravo era reforçada pelas sobrancelhas grossas e os olhos negros como fendas, porém a expressão era vazia, a voz grossa e ameaçadora, o sotaque deliciosamente estrangeiro. E a forma como ele estava a tratando...
Ele sabia quem ela era. Poderia tê-la obrigado a dormir com ele há tanto tempo, mesmo depois que eles fizeram o acordo pela vida de Derek. Ela estava pronta, porém ele não quis. Preferiu esperar. E esperou. Quando ela chegou, estava mal e ele cuidou dela. Poderia tê-la jogado para alguma criada cuidar dela ou simplesmente ignorar e usá-la conforme bem entendesse. E além disso, está a ajudando a se livrar de uma acusação de assassinato.
Ele a tratava tão bem...
– Conversei com seu irmão — ele volta a dizer, infelizmente, colocando a camisa branca seca.
– Você foi até a minha casa? — ela se surpreende.
– Claro que fui — ele fala como se fosse óbvio. — Quem você acha que levou os remédios para seu irmão?
– Não sei. Você com certeza tem gente para isso.
– Você é exceção, princesa. Você é a única exceção.
Ela sente o seu rosto corar.
– Você conversou com meu irmão e...
Ele parece despertar de um devaneio e foi então que Melanie percebeu que ele observava seus lábios.
– Ah, sim. Conversei com seu irmão e ele me disse que você sempre sonhou em ser uma militar. A primeira mulher a ser Comandante.
Ela olha para baixo.
– É um cargo alto, eu sei.
– Bom, eu poderia simplesmente privilegiá-la, mas seu do seu potencial. Sei que consegue por si própria.
Ela olha para cima, para Vincent.
– Consegui uma audição para você.
Melanie não esconde o sorriso, o brilho nos olhos.
– É sério isso?
– Daqui uma semana, depois do resultado das notas das Provas Finais. Se for bem no PMI, terá mais chances.
Melanie está radiante e isso faz Vincent sorrir. Quando Melanie enxerga isso, para. O encara. Ele percebe. Ela nunca havia o visto sorrir, não daquela forma. Havia o visto sorrir quando alguém se dava mal, algo meio debochado. Apesar do olhar bravo, sua expressão não era mais vazia. Ele estava feliz, ela conseguia ver claramente.
Ela volta a sorrir e anda até ele, o abraçando. Envolve seus braços ao redor do pescoço dele e para isso fica na ponta dos pés. Ele parece surpreso, porque envolve seus braços ao redor da cintura dela depois de alguns segundos.
Quando o silêncio se torna constrangedor demais, Melanie se afasta, porém não o suficiente. Olha para seus olhos negros, que estão brilhando.
– Obrigada.
Ele não diz nada, apenas olha para os olhos dela.
– Obrigada por salvar a vida do meu irmão.
Ela olha para a linha dos olhos dele e percebe que ele encara os lábios dela.
– Obrigada por me dar essa chance de realizar o meu sonho.
Vincent a encara, como se estivesse submerso demais em seus próprios pensamentos para ouvi-la.
– Ser Comandante — ela completa.
Melanie sabe que não pode se esconder para sempre. Vincent a viu, a notou. Ela estava ali, querendo ou não. Ela estaria ali até ele dizer para ela ir embora. Ela não poderia nunca partir, não se ele não quisesse.
– Os seus olhos... — ele sussurra. Melanie percebe que nenhuma luz foi acesa, ele estavam no escuro, sendo banhados apenas pela luz da lua que entrava no quarto pela enorme janela da sacada. Os olhos de Vincent pareciam ainda mais brilhantes sob a luz da lua.
Melanie não quer pensar. Decidiu deixar para pensar amanhã.
– Eu nunca vi nada igual — Vincent completa, tocando o rosto dela. Melanie sentiu seu corpo esquentar novamente.
Não conseguia resistir.
Ela ficou na ponta dos dedos para ficar na altura dele e o beijou.
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