Abdication
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Melanie encarava Veronica sem entender. Tudo o que ela havia lhe dito parecia irreal, como um livro antigo. Fantasioso demais, improvável.
– Então Vincent mandou atear fogo no prédio?
– Não. Ele faria algo pior, a ideia foi nossa. Precisávamos de uma distração para fugir.
– Mas ele descobriu.
– Sim. Vincent decidiu que seria um desperdício de QI mandar nos matar, então nos isolou na ilha de Veik, que é perto da ilha onde vocês fazem o PMI. Nós logo nos cansamos da exploração e começamos a procurar saídas. Quando descobrimos uma ilha perto da nossa, nos enchemos de esperança e fugimos. Era uma armadilha, pois o Chanceler de lá é subordinado a Vincent.
Veronica respira fundo.
– Há cinco grandes ilhas no extremo norte de Frömming. Todas são governadas pelo Chanceler Bronn diNatulie e ele idolatra Vincent. Sendo assim, os domínios dele são bem maiores do que todos imaginam.
– Vocês não me pareciam subordinados a ninguém.
– Nos mantivemos nossas exigências. Vincent viu como éramos grande em números. Apesar disso, precisamos de uma motivação. Cinquenta e dois dos nossos se mataram pela nossa causa.
– Você deixou cinquenta e duas pessoas morreram? — ela questiona, indignada.
– Toda guerra exige sacrifícios.
Veronica se aproxima.
– Vincent aceitou nossas condições: trabalharíamos para ele naquela ilha, mas jamais nos curvaríamos diante dele ou de qualquer outro. Lá nós descobrimos ervas, fabricamos medicamentos, revolucionamos a medicina.
– Vocês me pareciam bem primitivos na praia enquanto tentavam queimar os meus amigos.
– Estávamos entediados. Então Vincent propôs um divertimento para nós: poderíamos matar no dia de encerramento do PMI. Olhe, nós recebemos comida, não pagamos contas, temos companhia, tecnologia, não há presidente, chanceler, rei ou algo do tipo. Todos mandamos e ao mesmo tempo não há lei.
Parecia uma sociedade pequena e perfeita demais para Melanie. Ela sempre adorou a bagunça do trânsito, o movimento nas ruas, as pessoas caminhando apressadas, os outdoors digitais, os risos enquanto passeava pelos restaurantes, as mesas nas calçadas, o cheiro de café ou de uma boa comida. Não se acostumaria àquilo, por mais que a ideia de não ser subordinada a ninguém lhe parecesse tentadora.
– Você parece ser a líder deles.
– Eles me ouvem porque confiam em mim, mas não mando em ninguém. Não há lei naquela parte de Frömming.
– Veik, Lerch, Pjon, Dwen e Hash. Todas controladas por Vincent.
– Há uma lenda que diz que elas, juntas, costumavam ser um país. Durante a Grande Guerra, tantos ataques aéreos dividiram a terra. Não acredito muito nessa teoria, mas as pessoas gostam de ouvi-la, afinal tudo o que sabemos é que as cinco foram completamente devastadas e o Marechal Johann, pai de Vincent, reconstruiu tudo do nada. Ele não era o tipo de homem carismático e cativante, mas o povo via esperança nele, por isso o aceitaram como líder quando tudo começou a desmoronar. Ele era inteligente, entende? Johann nunca revelou a ninguém que continuou com as experiências.
Veronica puxa uma pequena tela de vidro de uma das gavetas e começa a mexer nele.
– Então veio o PMI. Eles precisavam de um lugar improvável, onde nenhum espião poderia chegar, algo que as pessoas almejassem. Amor à pátria era tudo o que eles precisavam.
Ela olha para Melanie.
– Parece que o nacionalismo não foi suficiente. O Marechal era um homem duro e estrategista. Vincent herdou isso dele, além da arrogância. Ela, quando na medida certa, é essencial. Abusivamente é corrosiva. Vincent quase perdeu tudo. Nós descobrimos seu segredo e foi por isso que ele queria nos matar.
– Qual segredo?
– Sobre a Infecção de Carrick. Nós sabemos como que as pessoas são contaminadas.
Melanie não sabe o que falar. Por tanto tempo ansiou descobrir e agora que estava ali, diante da verdade, parecia indecisa. Queria saber, mas tinha medo. Medo do seu mundo virar de cabeça para baixo. Veronica parecia não se importar com isso, pois continuou:
– Não há praga, infecção e nem nada do tipo. É um vírus criado em laboratório para dizimar a população.
Sua voz não sai. Nem um sussurro. Tudo parecia embaralhado dentro de si. Seu estômago embrulhou.
– O quê?
– Os pobres trabalham para pagar impostos e parece que não é o suficiente. Vincent quer mais. Por isso ele mandou acabar com os pobres através desse vírus. Não é contagioso de forma aleatória. As pessoas são selecionadas. Famílias de rebeldes, suspeitos, sonegadores de impostos... eles sabem mais sobre nós do que nós mesmos. Eles descobrem tudo, roubam nossa identidade e então acabam com a nossa vida.
Parecia demais para ser processado tão rápido. Sua cabeça girava e ela pensava sobre quem poderia saber sobre aquilo. Josh? Tyler? Quantas pessoas haviam morrido pelo egoísmo de Vincent?
Vincent.
– Como?
– Você nunca se perguntou como seu irmão ficou doente, mas não sua mãe? Ou você. Até mesmo sua madrinha ou qualquer outra pessoa que tenha ido visitá-lo. É óbvio que não é contagioso pelo ar ou geneticamente. As pessoas aceitam as informações que lhe são impostas e ficam travadas no comodismo. Não questionam, não pensam.
Ela não está mais olhando para a tela de vidro, mas ainda a segurava. Então a largou na mesa e se aproximou de Melanie mais ainda.
– O leite é distribuído pelo governo. Apesar de ter setores para a fazenda que poderiam distribuir seus produtos, o governo faz questão de mandar as garrafas para as casas de setores mais pobres.
– O leite.
A ficha dela cai. Melanie é intolerante a lactose e sua mãe só toma café puro, assim como sua madrinha. Derek é o único na casa que toma café com leite. Por causa das longas jornadas de trabalho, várias pessoas no seu setor não tomam leite, porque acham que o café puro é mais fácil para se manter acordado.
– A transmissão dessa forma não é cem porcento efetiva — Veronica continua -, pode não dar certo, afinal há pessoas que não o consomem. Mas não é arriscada. Para falar a verdade, Vincent é o dono de uma puta de uma inteligência.
– Por que minha família? Por que meu irmão?
– Por causa do pai do seu irmão. Para puni-lo.
– Callum Hemingski — Melanie fala.
– Agora ele usa outro nome: Carrick Hillbrand.
+++
Depois de todas aquelas informações, Melanie não sabia em quem confiar. Tyler e Josh trabalhavam para Vincent, o próprio Vincent era criador daquilo; se Callum era responsável, era capaz que sua mãe soubesse, mas isso parecia delírio demais para ela, já que sua mais jamais compactuaria com tal coisa. Além do mais, todas as pessoas que ela conhecia trabalhavam de alguma forma para Vincent, seja no Exército ou no TI.
Então ela pensou em Andrew. Veria se ele ainda era confiável. O encontrou na casa dos Duninghan e contou. Contou desde a prisão de Veronica e a fuga até a operação e tudo o que ela lhe disse.
– Melanie. Nossa. Eu não...
– Eu sei.
– É difícil de acreditar.
– Eu também tive dificuldade, mas faz sentido — ela respira fundo. — Eu precisava contar para alguém, mas não sabia em quem confiar. Então lembrei de você.
A cabeça de Andrew tenta processar tudo aquilo. Quantas vezes havia trabalhado secretamente para Vincent? Sua consciência pesou novamente. Precisava contar.
– Melanie... — ele a puxa para sentar no sofá. — Eu preciso te contar uma coisa.
Ela espera até que ele volte a falar.
– Aquele dia que eu te encontrei nas ruas, antes do PMI...
– Eu te agradeço por isso.
– Sim, mas... não foi por acaso.
– Não?
– Não. Vincent me mandou até você.
A cabeça de Melanie gira. Como não foi por acaso? O que Vincent tinha a ver? De onde ele o conhecia?
– O quê?
– Ele a observa, Mel. Há tempos. Desde antes de você sair da casa da sua mãe.
Melanie se retrai. Não sabe como reagir. Vincent sabia tudo sobre ela. Por quê? Eles descobrem tudo, roubam nossa identidade e então acabam com a nossa vida, as palavras de Veronica Herzog invadem sua mente.
Depois de tudo o que havia descoberto sobre ele hoje, ainda tinha isso. Ele estava voltando a ser a figura arrogante e egoísta que um dia ela viu. Não sabia de onde havia tirado que ele podia mudar, que ele era diferente com ela. Ele jamais mudaria e descobrir coisas como aquela eram a prova disso.
Ele a observa, Mel. Há tempos.
Isso era absurdo. De onde ele a conhecia? Não era possível. Precisava saber.
– Por que eu?
– Não sei. Depois do acidente de Heather, ele me ajudou muito. Hillary e Matt me ajudaram muito também. Então quando Vincent me convidou para trabalhar com ele, eu aceitei.
– Trabalhar com ele... você sabia das coisas que ele fazia?
– Claro que não. Ele me dava nomes, números de registros, fotos... eu encontrava essas pessoas para ele.
– Parece tarefa para alguém do TI, não para alguém do Exército.
– Sim, mas Vincent não confia nas pessoas do TI. Eu tinha meus informantes e eu confiava neles. Senti que devia a ele por me tirar do fundo do poço.
– Você sempre leva suas missões para casa? — ela pergunta, irritada. Nem se importava com a história de Andrew no momento, não como se importaria antigamente. Ele mentiu para ela, a enganou, ficou com ela. Ela não passava de uma tarefa para ele?
– Você era especial. Vincent mesmo me disse isso. "Cuide dela", ele me disse. Pensei que seria algo como vigiá-la, mas eu a vi na rua com frio e... Deus, mesmo na chuva, você era linda. E eu precisava te ajudar. A procurava há meses e finalmente havia a encontrado, não podia deixá-la. "Proteja Melanie", ele disse. "Ela é a mais especial de todas. Muito importante para nós. Para mim."
– Especial. Importante. Ele só me usou, assim como todos vocês. Usaram minhas habilidades com armas, usaram minha mente, usaram o meu corpo...
– Todos vocês?
– Sim — ela fala, cheia de raiva. — Todos. Você, Vincent, Tyler... até mesmo seu irmão, muitas vezes. Eu não aguento mais. Ninguém mais vai me controlar. Estou cansada de ser como um bicho em uma exposição. PMI, Primeiro Exército... é tudo um show, nada disso realmente importa.
Veronica estava certa, ela pensa. Veronica sempre esteve certa. Esse mundo é podre. As pessoas aqui são como veneno.
– É uma preparação, Melanie. Eles têm um exército para a guerra.
– Para guerra? — ela debocha. — Que guerra? Vincent sufoca todas as revoltas. Quem sabe o que fará se uma guerra eclodir.
– Você parou para pensar que pode ser tudo invenção dessa Veronica? Ou, mesmo que seja verdade, pode ter feito tudo pelas costas de Vincent?
– Para de defender esse cara!
– Eu me surpreendo você não estar fazendo o mesmo! Não era você, Melanie, que até semana passada estava apaixonada pelo Senhor de Meurer? Você mesma me contou que deixaria o meu irmão. Por que você mudou?
Ela não sabe responder a isso. Não havia pensado sobre. Realmente, por quê? Ela simplesmente não confiava mais e nada podia ser construído sem confiança. Sinceramente, não confiava nem em si mesma, quem dirá no seu julgamento.
– O que está acontecendo, Melanie?
– Você não é meu amigo para conversarmos sobre isso.
– Não sou seu amigo? Eu fui a única pessoa a te ajudar.
– Me ajudou por obrigação. Nada disso tem importância agora.
– Nossa amizade era verdadeira — ele sussurra. – Meu amor por você também era, agora o seu...
– O que você quer dizer?
– Você me traiu com todos os homens que entraram em sua vida. Tyler, Vincent, Josh... meu irmão, Melanie. Eu a perdoei, não perdoei?
– Eu conheci Tyler antes de todos vocês e só voltei a ficar com ele quando já tínhamos terminado. Vincent foi algo a parte. Foi o pagamento de uma dívida, algo que eu fiz pela vida do meu irmão. Fiz por gratidão, pensando que ele estava salvando a vida de Derek, quando na verdade ele era o culpado pela doença dele.
– Ainda sobra Josh.
Sobra Josh porque ela não sabia como explicar isso.
– Você realmente está revertendo o assunto para que eu esqueça o que você fez e me sinta culpada? Isso não é algo justo.
– A vida não é justa.
– O que você sabe sobre a vida ou sobre justiça?
– Você não é a única que passou por coisas, Melanie.
– Ah, claro. O cartão de crédito estourado, a menina que deu um pé na sua bunda... sim, claro, muitos problemas. A vida realmente não é justa.
– Minha mãe é uma mulher fútil e omissa, minha irmã sofreu um acidente que quase a matou, um acidente causado pelo melhor amigo do meu irmão, algo que despertou a fúria dentro dele, a qual demorou anos para ser aprisionada. Sem contar o fato de que eu sou um estranho dentro da minha própria casa. A vida realmente não é justa, Melanie, só que eu não fico me lamentando por ela.
– Eu nunca conheci o meu pai, minha mãe se mata trabalhando para ter o que comer, meu irmão foi infectado por uma doença que quase o matou, uma doença que foi causada pelo cara por quem eu estava apaixonada. Quando tinha quinze, tive que fugir de casa e fiquei dois anos nas ruas. Comi restos, passei frio e fome. Me prostitui. Então um cara lindo me tirou daquele inferno, só que eu me apaixonei pelo irmão dele, o qual tinha uma noiva. Meu padrasto tentou me enforcar quando eu era criança e tudo o que eu consigo pensar agora é que eu estou grávida e não sei quem é o pai.
Ela respira fundo, puxando o ar. Percebe que havia contado para Andrew a verdade.
– Grávida.
Ela assente.
– Nossa vida realmente é uma bosta.
Melanie não consegue deixar de rir.
– Estamos ferrados. Acho que deveríamos cometer um suicídio coletivo.
Andrew ri com ela. Melanie sente lágrimas nos olhos. Todas as verdades presa dentro dela foram liberadas e apesar de aliviada, se sentia culpada.
– Desculpa.
– Eu também tenho que pedir desculpa — ele fala.
Andrew a abraça e Melanie engole o choro. Eles ficam em silêncio por um tempo. Andrew seca suas últimas lágrimas com a ponta dos dedos.
– Grávida — ele repete.
– Talvez você seja tio. Talvez.
– Josh sabe?
– Não.
– Você pretende contar?
– Não.
– Vincent sabe?
– Sim.
– Ele pensa que é dele?
– Sim.
Andrew respira fundo.
– O que você pretende fazer?
– Tem um grupo indo para o centro-sul, para o front. Eu vou acompanhá-los como Comandante. Preciso ter esse bebê e ninguém pode saber. Minha mãe se ofereceu para criá-lo até eu resolver tudo.
– Bom, você vai precisar de alguém para te dar cobertura no sul.
Melanie vê que Andrew sorri.
– Você faria isso por mim?
– Eu faria qualquer coisa por você.
+++
– Isso está tudo errado, Duninghan. Não acredito que você deixou aqueles malditos passarem.
Vincent sente uma dor de cabeça terrível. Era uma idiotice tremenda aquilo estar acontecendo.
– Sinto muito, senhor — Josh fala. — Não acontecerá novamente.
– Não mesmo, pois se isso se repetir eu serei obrigado a te mandar para algum fim de mundo. Gente incompetente não serve para mim.
Ele esmurra a mesa.
– Porra. Eu faço de tudo para manter a ordem nesse país. Tudo o que eu pedi para você e para o seu time era que mantivessem os rebeldes longe de Meurer. Não me importo com as redondezas, podemos acabar com eles. Mas Meurer... é uma cidade tão frágil e precisa de cuidados, entende? Paz é algo frágil.
– Sim.
– Se vocês acabarem com a paz no norte, Duninghan, eu juro que a última coisa que verão será a arma que eu apontarei para a cara de cada um de vocês.
Vincent o dispensa. Se joga na sua cadeira de couro e pensa em um castigo. Não podia deixar passar assim. Havia dado à Joshua Duninghan uma missão: proteger as fronteiras de Meurer. Ele e seu time haviam falhado. Falhas assim não são admitidas no norte e ele tinha que fazer dessas falhas o exemplo para que ninguém voltasse a errar.
– Mande chamar Carrick Hillbrand — ele disse à sua secretária.
+++
Vincent caminhou até Melanie quando ela chegou. Beijou sua barriga já um pouco grande e depois beijou seus lábios. Ela se afastou até a cozinha sem dizer nada e bebeu muita água.
– Você está bem?
Ela não responde.
– Como foi a operação?
– Parte da minha equipe foi capturada pelos rebeldes.
– Você conseguiu libertá-los?
– Eles exigiram uma conversa comigo.
– Uma conversa? — ele ri. – Eles são mais estúpidos do que pensávamos.
– Eles sabiam que uma conversa comigo o destruiria mais do que qualquer bomba jogada na sua casa.
Vincent franze a testa, confuso.
– Do que você está falando?
– A chefe deles, Veronica Herzog, me convocou.
Ele trava. Não lembrava o que estava fazendo, apenas sabia que deixou de fazê-lo. Olhou fixamente para ela, tentando não mostrar o que escondia.
– Ela me contou tudo.
Ele respira fundo. Não negaria, mas pela primeira vez temia dizer algo. Melanie não era muito mais do que qualquer um pudesse imaginar. Não suportaria perdê-la.
– Ela me contou sobre a Praga.
Vincent pensou no que podia dizer. O que confirmaria, o que negaria.
– Aposto que ela contou apenas sua versão.
– Ela contou que você mandou criar a Praga para matar os pobres, rebeldes...
– Apenas sonegadores de impostos — Vincent a corrige. — E, na verdade, a Praga existia bem antes de mim. Eu apenas trouxe de volta.
Ele se aproxima, mas Melanie recua.
– Você tem que entender que eu fiz isso em um momento de crise. O norte precisava de dinheiro e além de ter que sustentar os miseráveis, eles ainda não contribuíam.
– Eles tinham que contribuir para sustentar os seus luxos.
– Você sabe que milhões de notas não são suficientes para manter um país. Ainda mais aqui no norte, onde tudo é tão distante. As pessoas esquecem de nós. Se não fosse a morte de milhares, milhões estariam em covas. Sabe o que é pior do que morrer por uma doença? Morrer de fome.
– Você contribui? Por que os outros são obrigados e você não?
– Porque eu reino nesse pandemônio. Não existe o Reino de Frömming. Existe Frömming do Sul e Frömming do Norte, só que ninguém fala isso em voz alta.
– Você não hesitou em matá-los.
– Se Veronica quisesse mesmo que você soubesse a verdade teria lhe dito toda ela: a Praga atinge tanto ricos quanto pobres. É apenas mais raro, porque os mais ricos são mais próximos de mim e sabem o que acontece com quem me desobedece.
Melanie cruza os braços.
– Essa é a hora em que você me ameaça?
– Eu jamais a ameaçaria.
– Você não pode mais continuar matando essas pessoas.
– Sinto muito, Melanie, mas você não pode interferir na política do país.
– Isso não é política, é um genocídio!
Vincent toca o rosto dela.
– Você precisará aprender a conviver com isso.
Ela acerta um tapa nele. Não suportaria ouvir tamanhos absurdos.
– Eu estou partindo com o grupo para o centro-sul no final dessa semana — avisa, indo em direção a cozinha.
– O quê?
– Eu estou indo embora, Vincent — ela repete. — Eu te dei a chance de parar com isso. Você não aceitar é um direito seu, mas eu não posso compactuar com tal coisa. Eu não quero mais ficar aqui.
– Você está carregando o meu filho. Você fica.
Ela se irrita.
– Eu nem sei se é seu filho.
+++
Josh assiste a uma série sobre política quando o seu comunicador holográfico treme. Ele o abre e o seu pai aparece.
– Pai — ele se surpreende. — Está tudo bem?
– Não — Herbert parece abatido.
– O que está acontecendo? — Josh logo se preocupa.
– É a sua mãe — ele respira fundo. — Ela está em quarentena.
– O quê? — ela se levanta, exasperado. — Por quê?
Seu pai suspira do outro lado.
– Ela pegou a Infecção de Carrick.
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