Abdication
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Melanie ajeitou os cabelos molhados com os dedos. Não encontrava o pente, por isso enrolou uma toalha ao redor do corpo e voltou para o quarto, flagrando uma cena que jamais pensou que ia ver. Kimberly, a mulher de Vincent, estava destruindo seu vestido com uma tesoura.
– O que você pensa que está fazendo?
A loira sorri, nem parece que havia sido pega no flagra.
– Impedindo um vexame. Essa noite você ficará nesse quarto e dele não sairá até eu dizer.
Melanie posiciona as mãos na cintura, desafiadora.
– É mesmo? Vincent adoraria saber disso.
– Não vamos dar a ele esse gostinho, não é mesmo? Se não a próxima coisa que aparecerá cortada por aqui será a sua garganta.
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Melanie mal teve tempo de pensar em algo, porque poucos minutos depois que Kimberly saiu, Vincent entrou, vendo o vestido lindo que ele havia comprado para ela em frangalhos. Melanie estava inconformada. Ele era lindo, verde água com renda branca até a cintura, apertado, depois caia aberto, como uma flor. Era maravilhoso. Agora ela não tinha nada para vestir para o jantar. Nenhuma de seus vestidos era adequado para aquela situação.
– Se você não tivesse gostado, era só dizer que eu mandava trocar — o tom em sua voz era de brincadeira, mas havia algo estranho, como se ele realmente acreditasse que Melanie fosse rasgar um vestido daqueles.
– Não, é lindo. Era, na verdade. Isso aqui é um presente da sua digníssima esposa.
Vincent não controla o riso.
– Kimberly fez isso? Ela é mais louca do que eu pensava.
– Estraçalhou meu vestido, fez ameaças, nada que uma mulher não faria se tivesse um marido como você.
Vincent para de rir, arqueando as sobrancelhas.
– Um marido como eu?
– Que leva uma mulher bem mais jovem para dentro de casa!
Vincent parece estar se divertindo com a situação.
– E o que você faria se estivesse no lugar dela?
– Pode ter certeza que não seria apenas o vestido da amante que seria cortado.
Ele sorri abertamente. Ela nunca o viu tão radiante.
– Amante, é?
Ela tranca a respiração conforme ele se aproxima, um olhar sedutor no rosto.
– Quer dizer que nós dois somos amantes agora?
Ele rouba um beijo dela, forte e confiante, mas logo se afasta.
– Pode escolher outro vestido. Eu pago.
Ela sorri.
– Sério?
– Aquele ficava muito menininha para você mesmo — ele diz. — Gosto quando você se veste de preto.
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Melanie comprou um vestido preto, comportado, mas não muito recatado, no mesmo estilo do primeiro, apertado em cima e solto embaixo, mas sem as rendas e com um belo detalhe em tule e brilho no colo. Um salto preto nos pés a deixou quase da altura de Vincent e uma bela maquiagem realçando seus olhos verdes, como delineador, lápis, rímel e uma sombra fraca, a deixou mais bonita, enquanto seu cabelo estava preso em um rabo de cabelo despenteado, com uma trança bagunçada de lado. Parecia algo feito as pressas e essa era a intenção, já que tudo, desde seu vestido até sua maquiagem, havia sido milimetricamente escolhido. Hoje tinha tudo para ser uma das noites mais importantes da sua vida e não deixaria Kimberly estragar isso. Era a noite em que as notas finais do PMI seriam reveladas.
Pela janela do quarto Melanie viu que pessoas começavam a chegar e ela estava pronta para descer, quando Vincent entrou no quarto. Ele se aproximou dela e sorriu.
– Você está deslumbrante — ele toca a cintura dela — e de preto. Maravilhosa.
Ele a beija calmamente e Melanie desfruta daquele momento de paz. Ela se sentiu tão bem perto dele nos últimos dias que não via porquê ficar receosa. Se não estivesse pronta, o jogaria em sua cama e só o deixaria sair ao amanhecer.
– Estou curiosa — ela fala, quando eles rompem o beijo — e ansiosa. Muito ansiosa.
Ele a beija novamente.
– Vou descer primeiro e você vem depois, tudo bem? Não quero que as pessoas fiquem murmurando coisas.
– Que tipo de coisas eles murmuram? — ela pergunta, divertida, mesmo já sabendo a verdade.
– Coisas sobre você que eu não gostaria de ouvir — ele a beija mais uma vez antes de ir até a porta. — O que me importa é o que eu vejo, mas de qualquer forma...
Ela sorri para ele.
– Obrigada.
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Melanie conversava com Martin Torkeach quando avistou Andrew e Matt se aproximando. Ela acenou para eles, que vieram até ela. A morena abraçou os dois.
– Senti falta de vocês depois de desses meses juntos.
– Vamos saber hoje quem passou — Andrew murmura, virando um copo de uísque. — Vocês vão para a Academia Militar?
Melanie e Matt concordam, mas Martin não.
– Escolhi ir para o TI. Sou melhor nisso.
Melanie se lembra de que foi Martin que arranjou seus documentos e que isso nunca lhe rendeu problema, então ela assente com a cabeça, concordando.
– É verdade.
Pelo canto do olho, ela vê Tyler a chamando. Ela assente com a cabeça discretamente e se afasta dos amigos, indo beliscar alguma coisa na mesa de petiscos e depois olha novamente para ele, procurando um sinal. Ele aponta com a cabeça para a cozinha, ela concorda. Então olha para frente quando Tyler se vai. Josh está parada diante dela, há centímetros. Ela não sabe como agir. Ele está lindo. Cabelos desarrumados de forma meticulosa, para parecerem naturalmente assim. Ela sabia quanto tempo ele ficava em frente ao espelho, desarrumando o cabelo, para que parecesse naturalmente desarrumado e belo. Sinceramente, ela o acharia bonito até com toda aquela crina loira para trás.
– Você está muito bonita.
– Obrigada.
Sinceramente, o simples olhar de Josh servia para perturbá-la. Ela simplesmente não conseguia sair dali, mesmo que seu cérebro gritasse para ela fechar os olhos e dar o fora.
– Será que nós podemos conversar?
– E o que nós estamos fazendo?
Josh suspira.
– Melanie, o que eu quero dizer é que...
– Hum, Melanie, vejo que já se reencontrou com o Comandante Duninghan — Vincent aparece e a morena não consegue calcular se isso é bom ou não. — Ele é um bom exemplo do que talento e alguns bons patrocinadores podem fazer.
Josh sorri para Vincent e faz uma breve e curta reverência.
– Nem todo o talento do mundo poderia ser utilizado sem a sua influência, milorde.
Vincent dá uma risada breve enquanto leva a taça à boca.
– Não seja modesto, Comandante Duninghan. Você e a Srta. Hemingski irão conviver muito depois que ela for a primeira mulher a se tornar Comandante.
Melanie respira fundo, procurando por um garçom. Por sorte um passa por ali e ela pega a primeira bebida que vê na sua frente, que por acaso era um conhaque. Ela torce o nariz quando a bebida desce queimando pela garganta.
Josh a encarava de forma estranha. Ele perguntava com os olhos porque ela nunca havia lhe contado aquilo e ela fuzilava Vincent, mesmo sabendo que ele não tinha culpa. Ela teve um relacionamento com Josh, ele supôs que ela havia contado, algo que casais normais compartilhariam. Mas ela não era normal e o relacionamento dela e de Josh tampouco fora.
– Hum, vejam só, Benjamin Beckering — ela se afasta dos dois enquanto se dirige ao loiro. — Graças a Deus você apareceu — ela enlaça seu braço no dele, o arrastando para o bar -, me tirou de uma grande fria.
– Então, o Comandante Duninghan, o Comandante Whitmore, Andrew Duninghan e o Senhor de Meurer?
Melanie abaixa a cabeça para a carta de pedidos.
– Cosmopolitan — ela pede. — Então, como Beatrice está?
– Melhorando. Ela perguntou de você.
– Não me deixam entrar no quarto, já tentei visitá-la.
– Ela recebe alta na próxima semana — Benjamin vira o copo de uísque em suas mãos. — Aquela selvagem e sua horda vão pagar pelo que fizeram.
Melanie pensa em contar para ele as informações que contou para Tyler sobre a rebelde, mas não sabe se confia nele totalmente para isso. Uma pessoa cegada pela vingança não é muito racional, por mais que ela mesma queira aquela mulher morta por motivos próprios e não simplesmente pelo bem do estado.
Tyler.
Ela lembra que havia combinado de se encontrar com Tyler na cozinha bem no momento que seu drinque chega. Ela o bebe rapidamente e toca o ombro de Benjamin.
– Nos vemos por aí.
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Tyler a puxou para um banheiro ali perto e segurou suas mãos.
– Localizei Veronica Herzog.
– O quê? — ela se espanta.
– Ela está reunindo rebeldes no norte mesmo, não voltou para a ilha, mas em breve irá buscar reforços. Ela irá causar um grande rebuliço na nossa cidade.
– Não podemos deixar isso acontecer.
– Eu diria para contarmos ao Senhor de Meurer...
– Não — Melanie nega antes mesmo que ele possa concluir sua ideia. — Ela fugiu durante a minha vigilância, é meu dever capturá-la sem que Vincent se incomode com isso.
Tyler assente com a cabeça e se afasta ligeiramente.
– Então quer dizer que agora você o trata como Vincent?
Ela não sabe o que dizer, por isso apenas sorri fraco, enquanto olha para os pés.
– Ele tem sido bom comigo, apesar do que as pessoas podem pensar.
– Espero que ele seja mais do que isso, porque bom nunca é o suficiente — Tyler deposita um beijo na sua bochecha e se dirige até a porta. — Você está muito bonita, por sinal.
Melanie não consegue deixar de sorrir e fica se perguntando o que ela realmente sente. Tyler, Josh, Andrew, Vincent... a sua vida era uma bagunça e homens se encontravam nela, disputando um espaço. Quem ela permitia que entrasse e ficasse ali até o fim? Isso nem ela sabia e tinha suas dúvidas de que algum dia pudesse responder essa pergunta.
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Vincent ergue sua taça de champanhe e todos fazem o mesmo.
– Queria brindar aos nossos sobreviventes. Muitos passaram, mas não conseguiram voltar depois do circuito. A vida nos prega algumas peças, não é? Me reuni com a Diretoria do PMI e decidimos as notas finais, a posição de cada treinando. Alguns, infelizmente, não podem estar aqui hoje. Uma salva de palmas para Beatrice Beckering, que se encontra no hospital — ele puxa a onda e todos aplaudem atrás com as taças em mãos. — Apesar de tudo, é um dia feliz. Estamos aqui não só para divulgar o futuro dos nossos treinandos, mas para celebrar a vida. Um brinde aos sobreviventes e à Direção do PMI!
Todos levantam suas taças e depois a viram educadamente.
– Agora, vamos a parte interessante.
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As notas estavam sendo reveladas. Melanie estava nervosa, assim como todos os outros.
– Andrew Duninghan 6.8; Academia Militar.
Melanie procura por Andrew. Ela se lembra da edição passada, Josh tirou 7.0. Ela acha Andrew perto de Jasmine, que o abraça sorrindo. Andrew a abraça de volta e a beija no rosto, a deixando corada. Melanie rola os olhos.
– Beatrice Beckering 6.7; Academia Militar.
– Benjamin Beckering 6.9; Academia Militar.
Melanie estava nervosa demais para prestar a atenção nos outros resultados. Tudo parecia ecoar distantemente dos seus ouvidos, como se entrasse por um e saísse pelo outro. Ela estava tão ansiosa, Deus. E receosa. Como ela tinha medo de ir mal ou, pior ainda, ir bem demais e as pessoas acharem que não foi por mérito, mas porquê ela estava envolvida com homens que tem o poder para mudar aquilo. Ela sabia que Tyler, Josh e Vincent eram extremamente profissionais e que não alterariam sua nota e não a colocariam em uma posição que ela não merecesse, não quando o futuro dela e de outras pessoas estão em jogo.
– Christian Whitmore 6.5; centro de TI.
Todos se surpreendem. Todos os Whitmore, Frederick e sua esposa Katie, Tyler e Amber foram para a Academia Militar. Christian seria o primeiro Whitmore a ir para o TI. As pessoas eram entrevistadas durante o teste psicológico e são perguntadas de qual setor é o que elas querem, por mais que nem sempre a pessoa consiga passar. O Militar é o mais escolhido, depois o de TI e outros menos conhecidos. A média era 6.0, Christian era bom, se ele quisesse ser militar teria passado, o que significa que ele escolheu ir para o TI.
Melanie ouviu vários cinco ponto alguma coisa, quatro ponto alguma coisa e assim foi. Não estava concentrada naquelas pessoas. Queria saber a sua nota.
– Hillary Fieldmann 7.0; Academia Militar.
Hillary observa o pai, que sorri para ela enquanto o orador conduz a divulgação das notas. Ela fala algo que Melanie não consegue ouvir e Vincent concorda, com um sorriso no rosto. Ele estava orgulhoso dela.
– Jasmine Mitchell 6.1; Centro de TI.
Não é surpresa para ninguém. Jasmine odeia armas, o campo e tudo o mais. É boa com computadores, com o psicológico, mas sofreu durante o treinamento físico. Melanie se lembra de ajudá-la a treinar durante algumas tardes.
– Martin Torkeach 6.2; Centro de TI.
Ela procurou Martin e achou o dono de cabelos cor de trigo. Ela sorriu para ele e aplaudiu. Ele agradeceu com um leve abaixar de cabeça. Jasmine o abraçava e Melanie só conseguiu pensar em como Beatrice o abraçaria se estivesse ali. A loira gostava muito dele, já havia contado para a amiga, mas Martin parecia focado demais no trabalho para ligar para ela.
– Matthew McNaughton 7.5; Academia Militar.
A maior nota até agora. Todos aplaudiam e urravam vivas para ele. Melanie comemorou e foi até o amigo para abraçá-lo, mas não estava muito focada nisso. Estava curiosa, ansiosa. Seu estômago revirava. Chegou a sua vez.
– Melanie Hemingski 8.2; Academia Militar.
O silêncio foi mortal. A vida daquele salão festivo parecia ter se esvaído em poucos segundos, tornando o local mortífero. Ela sentia vários olhares para ela, como se ela não fosse merecedora, mas outros olhares curiosos, como se pensassem se ela era realmente boa. E provaria isso, provaria para todos que merecia ir para a Academia Militar, que merecia a chance de ser Comandante e que merecia aquela nota. A maior nota em cinquenta anos de PMI. Uma nota maior que a de Vincent. Ela mal podia acreditar!
Benjamin, Andrew, Hillary, Matt, Martin, Jasmine... todos seus amigos vieram parabenizá-la. Até Christian, de quem ela nunca foi muito próxima, mas sempre achou gente boa, veio lhe dar parabéns. Ela agradeceu. Tyler veio logo em seguida, ao lado de Savannah. Ninguém se importava com as outras notas, porque o destaque da noite estava ali: Melanie Hemingski.
Josh também veio. Ele era seu treinador, afinal. Claro que viria. Seria falta de educação da parte dele não parabenizar sua melhor treinanda.
– Parabéns — ele fala, sem muito humor. Olha ao redor, todos os encaram. — Vou roubar a minha treinanda por alguns segundos, se vocês não se importaram.
Josh apontou para o jardim lá fora e Melanie o seguiu, não muito certa se deveria fazê-lo. As luzes no jardim eram fracas e o sereno a deixava com frio. Josh retirou o paletó e colocou em cima dos ombros dela, que sorriu fracamente. Ele caminhava mais para longe e ela percebeu que ele estava fugindo do salão, para longe da vista das pessoas.
– O que é tudo isso, afinal? — ela pergunta, uma onda fria percorrendo sua espinha. Ela aperta o paletó mais contra si, sentindo o cheiro inebriante do perfume caro de Josh. Sempre amou aquele perfume dele e agora ele estava ali, nela.
– Eu só queria um momento sozinho com você.
Ele segura a mão dela e pousa a outra na sua cintura. Ele começa com leves movimentos e depois de alguns segundos perdida naquela imensidão azul escura tempestuosa no lugar de seus olhos, Melanie percebeu que ele dançava com ela, ao som da música abafada dentro do salão.
– Eu sempre soube do seu potencial — ele fala. — Não duvidei nem por um momento. Sabia desde o momento em que você pisou naquela ilha que seria diferente. Tinha certeza.
Os dedos de Melanie se entrelaçam com os dedos de Josh e ela sente um choque nas costas, borboletas no estômago. Dançar com Josh parecia algo tão irreal, mas ainda assim, algo que ela desejava. Algo que sabia que não duraria para sempre, por isso queria aproveitar.
– Eu te amo, Mellie. E eu nunca vou deixar de amar, não importa com quem você esteja.
– Eu estou aqui por obrigação, você sabe disso.
– Pois não parece — ela o ouve sussurrar. — De qualquer forma, mesmo que não estivesse, não tenho certeza se você me escolheria.
– Você realmente não é a escolha mais fácil.
Josh ri fraco.
– Eu conversei com meus pais e com Amber hoje. Rompi o noivado.
Melanie não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Parecia música para seus ouvidos, uma bela e melodiosa música irreal. Ela só podia estar sonhando. Não podia ser de verdade aquilo, porque era melhor do que qualquer devaneio que ela pudesse ter.
Josh deve ter visto a felicidade nos olhos dela, porque durante a dança, a puxou mais para si pela cintura.
– Volta pra mim, Mellie. Eu te amo.
Ela toca o rosto dele com os dedos trêmulos, os lábios róseos e levemente abertos. Ela sente aqueles lábios adoráveis nos dela de forma calma e reconfortante, algo muito almejado. Ela passa os braços ao redor do pescoço dele enquanto mantem o ritmo sereno, mas no final morde de leve seu lábio inferior, arrancando um sorriso dele.
– Nos vemos na Academia Militar, Destruidor.
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A noite havia acabado. Era madrugada quando Melanie subiu para seu quarto, cansada, os saltos nas mãos. Havia prometido a si mesma que não importava o que Josh fizesse, não voltaria para ele. Porém caiu na tentação. Agora que estava longe dele, conseguia pensar melhor. O usaria como ele fez tantas vezes com ela. Usaria todos os homens, como todos faziam com ela. Não suportava mais ser um objeto no jogo deles. Queria ser mais, muito mais. Era mais do que um peão em um jogo de xadrez agora. Agora ela era a rainha, a mais poderosa do jogo. Podia matar em qualquer posição. Sim, ela seria a rainha.
Por isso quando Vincent entrou no quarto, ela o beijou. Antes que ele pudesse romper, como ele sempre fazia, porque sabia que ela não dormiria com ele, Melanie posicionou suas mãos no zíper do vestido dela. Vincent a encarava, curioso e ansioso.
– Certeza? Depois que eu começar, não vou parar.
– Não quero que pare.
Melanie sente o tecido fino do vestido escorregando até seus pés, sente o olhar de Vincent em cima do seu corpo, sente suas mãos grandes e quentes ao redor dela, tirando suas peças íntimas, a jogando ferozmente em cima da cama, fazendo uma trilha de beijos por lugares inimagináveis, arrancando suspiros dos seus lábios toda vez que a tocava.
Não se importava mais com ninguém. Não podia. Não escolheu ninguém. No final, escolheu ela mesma. Escolheu sua vida e na sua vida, não há regras.
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