Abdelillah...

1 Capítulo 1 - Lágrimas sentimentais.


Notas iniciais
Espero que gostem.
Não faz muito sentido, mas deu vontade de postar, rs.
Boa leitura.

Abdelillah.

Capítulo único — Lágrimas sentimentais.

- Desejo provar da tal felicidade... — a voz baixa escapou por entre os lábios partidos, uma lágrima escorreu pelo rosto oval. Uma pequena prece entre tantas outras.

- Devias desejar algo sólido. — retrucou duramente.

- A felicidade não é sólida? — indagou inocente.

- Não. — sustentou firme, indiferente.

- Ainda assim quero sentir. — murmurou, sorrindo. Seu sorriso brindava a Lua, a noite. As estrelas no céu negro, o vento frio correndo dentre as árvores, as lágrimas...

- Por que? — franziu o cenho, o homem louro. Seus olhos gélidos encarando o menor, a coloração âmbar demonstrava incredualidade. Quem iria desejar por provar da felicidade? Quem iria desejar se machucar? Quem iria desejar amar?

- Oras, porque, quero sentir o mais belo dos sentimentos. — os olhos ametista sorriram. Aquele sorriso poderia desarmar exércitos, poderia causar compaixão, poderia causar encanto e dor. — Quero amar. — ditou, perdido na sensação do que poderia vir à sentir.

- Tolice. — o louro bufou, exasperado. Amor não existia, não era real.

- Tolice, meu caro, é viver uma vida de dor e sofrimento. — retrucou, tocando com a palma da mão mácia no rosto alheio. Oh, a pele era quente, imaculada, perfeita. Angelical...

- Não temos escolha. — afastou a mão carinhosa, engolindo em seco.

- Não queres ter de escolher, Damianos. — sorriu compreensivo, recolhendo sua mão e encarando o céu amigo. — Queria ser livre como as estrelas... — segredou, fechando os olhos por um momento. Mais uma lágrima, mais um suspiro, mais uma prece.

- Falas tanta bobagem. — soltou um murmúrio emburrado, o louro que mordia o lábio inferior. Tantas bobagens em palavras soltas o outro falava. Por que?

- Falo o que sinto e desejo, apenas. — retrucou, rindo baixinho. Oh, aquela risada poderia causar sorrisos recíprocos naquele cenário macabro. Poderia, mas Damianos continuou mantendo sua expressão apática.

Silêncio.

A floresta negra chorava silenciosamente, os uivos de dor eram ouvidos ao longe, o clima frio e sombrio, o medo daqueles que passavam por entre as árvores. Uma pintura perfeita.

Abdelillah, dono dos olhos ametistas, levantou-se quando sentiu a primeira gota de chuva pingar em seu braço. Rodopiou. Os uivos eram o canto, o cenário seu palco...

- Venha-me acompanhar. — pediu aos rodopios, estendendo as mãos na direção de Damianos, este apenas rolou os olhos. — Não sejas tão assim! — riu-se. Seus cabelos prateados aos poucos ficando úmidos, os lábios finos e opacos, sorrindo.

- Não temos credibilidade alguma perante os outros por estas atitudes infantis de sua parte, Lillah. — emburrando, o dono do olhar âmbar, ditou. Fitando o amigo, sentia vontade de sorrir, mas não o faria, não mais.

- Idiossincrasia de tua parte. — aborrecido, voltou a dançar, ignorando-o.

Oh, era a dança mais sutil e bela e, as almas que passavam por ali desejavam por mais daquela visão graciosa, porém seus trabalhos nos confins não poderiam se demorar. Pena.

- Veja como a Lua é linda, Damianos. — apontou para o alto do céu, onde a Lua majestosa iluminava seus passos da valsa mal ensaiada. — Como podes não sorrir com tal visão? — indagou incrédulo, dando fim a sua dança e sentando novamente sobre o galho partido de uma árvore, ao lado do maior.

- Não me importo com essas coisas. — murmurou, indiferente.

Abdelillah sorriu:

- Eu me importo com tudo o que acho belo. — disse calmamente, balançando as pernas de forma infantil. O sorriso permanecia nos lábios finos, olhos brilhantes.

- Por quanto tempo conseguirás manter isto? — sorriu maldoso, Damianos.

- Pelo tempo em que houver esperança em mim... — afirmou incerto, apagando o sorriso.

Damianos sorriu.

O silêncio voltou e ambos apenas observavam o vale, era belo. Ao longe, arrastando correntes, um grupo de condenados. Uivos, gritos, lágrimas, dor. Lindo. Abdelillah sorria, encantado. Damianos permanecia apático. A chuva bela...

Os cabelos do menor já estavam ensopados com as águas vindas do céu e os fios louros de Damianos pareciam intactos, secos, sem vida. Não se importava. Não mais...

- Escrevi um pequeno poema, palavras soltas, na verdade. — o dono do olhar ametista segredou, sorrindo abertamente ao que viu uma menina passando por entre as árvores. Vestido rendado e manchas de sangue, linda.

- Hm. — um murmúrio escapou por entre os lábios do maior. Por que o outro insistia em fazer tal coisa? Não precisava de uma dor maior...

Damianos levantou-se, caminhando até a menina que parecia perdida, segurou em sua mão. Sorriu, recebendo em troca um olhar de gratidão, caminhou com a pequena por entre o vale, levando-a até um pequeno lago, onde a mesma mergulhou, sumindo nas águas negras.

Um suspirou escapou de Abdelillah que observava a cena:

- Por que não deixaste-a solta? — indagou baixinho, sentido.

- Seria pior... — murmurou, aproximando-se. Fitou o menor com atenção.

Oh, aqueles malditos cabelos o deixando ainda mais belo.

- Queres ouvir meu poema? — indagou pedinte, olhos brilhando.

- Um Lord do Inferno produzindo poemas. — Damianos riu-se.

- Não ria, Damin. — emburrou-se, o menor.

Sorriu, negando com a cabeça. Os fios louros que chegavam aos ombros ganhando algum movimento, sentou-se novamente, então segurou na mão do outro:

- Sobre o que és teu poema? — acariciando a costa da mão alheia, indagou. Seu olhos de um amarelo âmbar e único, demonstravam algo.

- Não sei, apenas escrevi... — segredou, corando. Sentia-se estúpido muitas vezes, mas apenas agia da forma como seu coração mandava. Oras, tinhas um coração?

- Recite-o. — encorajou-o, apertando-lhe a mão levemente.

O dono dos fios prateados sorriu:

- Encontrar-te-ei na escuridão do vale, e na escuridão farei o caminho de volta; tão logo retornarei à tudo, mas não a ti... — a voz branda e gentil. — Encontrar-te-ei na escuridão do vale, perdido por outros mundos, desejo fazer parte do teu. Oh, mas tão logo quanto se fora, volte! — emocionado, sentiu uma lágrima rolar pelo rosto. — E volte depressa... Encontrar-te-ei na escuridão do vale, e que as sombras sejam amigas, nossas amigas; — encarou o louro, sorrindo. — E que as lágrimas se derramem por um equívoco, e que o amor seja recíproco... Procurar-te-ei pela escuridão do vale. — terminou, tímido. Sorrindo, contete por finalmente ter coragem.

Damianos sorriu:

- Lindo. — elogiou. Por que o outro insistia em usar tais palavras?

- Não é apenas um poema... — murmurou, engolindo em seco.

- Eu sei, Lillah. — riu baixinho, Damianos. Arfando em coragem, tocou o rosto do menor, fitando-o por completo. — Eu sei... — murmurou, aproximando-se.

O amarelo âmbar preso ao ametista cristalino.

- Amo-te... — Abdelillah sussurrou, sorrindo.

- Eu sei. — aproximou-se completamente. Lábios unidos, amor.

Um beijo único e calmo, lento e sentimental. Aquele era o amor que Damianos sempre temeu, aquela era a felicidade que sempre evitou, aquele era o começo de vida que nunca viveu.

- Lillah... — partiu o beijo, sorrindo.

Notas finais
Obrigada por ler.
Algo a dizer?
Desculpem os erros...
Beijos, Agony.
;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!