Notas iniciais
Uma fanfic boba que escrevi para passar o tempo (estou em um projeto de escrever pelo menos 500 palavras por dia, não importa para que história), e num desses dias surgiu essa.

Eu me diverti escrevendo, espero que você se divirta lendo!

Na primeira vez que aconteceu, Peter estava grato ao fato de não ter ninguém por perto, pois ele não se orgulhava de ter vomitado em seus sapatos, nem da vertigem que o acompanhou por longos minutos depois. O lobo olhou em volta entrando em modo de alerta, tentando recobrar sua visão turva enquanto sacava suas garras.

Ele não reconheceu o lugar de imediato, mas definitivamente não era os fundos da casca queimada da antiga mansão Hale onde ele caminhava.

Quando seus sentidos se acalmaram o suficiente, ele farejou o ar e inspecionou os arredores, decifrando sua localização somente ao seguir o barulho de água que vinha de sua direita, não tardando em revelar o riacho que margeava o território. Praguejando, ele se perguntou como diabos havia parado milhas de distância em apenas um passo.

― Stiles ― ele rosnou por fim, sentindo um mínimo de seu cheiro velho permeando uma pedra junto a água. ― Seu merdinha, o que você aprontou?

Não sabendo voltar da mesma maneira como veio, Peter rosnou para si mesmo novamente, irritado por ter de andar todo o longo caminho até em casa.

Depois daquele dia, Peter descobriu que Stiles estava testando a magia de portais. E ele estava ficando muito bom nisso, aprendendo como programá-los para funcionar somente sob uma assinatura mágica, impedindo que humanos ou animais caíssem neles por acidente, o que não impedia que Peter acabasse sendo lançado em diversos lugares ao menor passo errado.

A coisa era que Stiles estava ficando muito bom em abrir portais. Muitos portais. Montes deles em lugares aleatórios, espalhados principalmente pela reserva. Mas o problema estava no fato de que ele não sabia como fechá-los. Aparentemente a magia era sutil e instável assim, e criar bolsões mágicos de transporte era muito mais fácil do que destrui-los.

Peter rugiu alto em frustração quando sentiu o mundo sob seus pés desaparecer em uma sensação que estava começando a se tornar familiar demais. Sua cabeça girou e sua visão ficou turva, e ele tropeçou alguns passos para se firmar quando finalmente se viu em pé sobre uma superfície sólida. Ele pressionou as têmporas com os dedos e olhou ao redor, orgulhoso por não ter vomitado dessa vez.

― Que diabos!?

Peter estremeceu com o grito agudo ao seu lado, então sacudiu a cabeça e lançou ao garoto assustado seu melhor olhar ameaçador azul elétrico.

― Stiles ― ele rosnou, expondo as presas. ― Feche esses malditos portais.

― De onde você veio? ― O garoto questionou, encolhendo-se em sua cadeira, onde antes estudava em seu computador. ― Quase me mata do coração.

― EU estava patrulhando a reserva ― o homem falou, finalmente recuando as presas e garras. ― Então pisei em dos seus malditos portais, e vim para aqui.

― Ah, é ― Stiles sorriu amarelo, esfregando o cabelo da nuca, parecendo culpado. ― Desculpe por isso.

― Você precisa parar de abrir essas coisas em áreas de acesso comum ― Peter censurou. ― O que você faria se um completo estranho aterrissasse no meio do seu quarto?

― Tá, eu sei, esse não foi meu melhor portal, mas em minha defesa eu já estava cansado do treinamento, então criar um atalho direto pra minha cama me pareceu uma ótima ideia na hora ― Stiles deu de ombros. ― Mas não se preocupe, eu já estou trabalhando em como fechar de vez eles.

― Eu acho bom ― Peter alisou a jaqueta, então passou a mão pelo cabelo quando sua cabeça parou de girar. ― Agora se me der licença, preciso voltar ao trabalho sujo que ninguém do pack se digna a fazer.

― Ah, eu posso fazer um portal pra você, te mando de volta em um segundo ― Stiles se levantou, esfregando uma palma na outra provocando faíscas vermelhas no processo. ― Me deixe só...

― Não! ― Interrompeu Peter, prontamente. ― Querido, agradeço a intenção, mas eu prefiro ir andando. Deus sabe as sequelas que sua magia desenfreada pode provocar.

― Ah ― o menino falou, murchando visivelmente, então coçou o queixo, pensativo. ― Eu deveria estudar isso, sabe, o efeito que o uso prolongado de portais causa no organismo. Quer ser minha cobaia?

― Não abuse, filhote ― Peter sorriu, com uma leve indicação de presas.

Stiles tentou encontrar uma maneira de fechar os portais durante dias.

Ele não conseguiu.

Mas esses dias renderam a Peter uma incrível resistência. Depois de ser jogado para todos os cantos da reserva e arredores, alguns becos sujos da cidade, o quintal da casa dos Stilinski, um par de vezes o próprio quarto de Stiles, e uma memorável ocasião em que caiu no banheiro do loft bem quando Derek estava tomando banho ― o que lhe rendeu uma mandíbula quebrada pelo reflexo de reação de seu sobrinho ―, seu corpo se acostumou com as implicações da viagem mágica. Ele se recuperava em segundos e estava ficando muito bom em transitar entre os portais.

Ele não era o único no bando pego de surpresa, é claro, mas os filhotes pareciam achar divertida a ideia de teletransporte, então faziam disso uma espécie de brincadeira.

Peter só queria que Stiles conseguisse dar um fim neles de uma vez. Ele estava cansado de tropeçar em uma pedra em uma trilha e acabar caindo em uma lixeira no centro da cidade, ou se encostar numa árvore somente para se ver perdido no extremo oposto do território. Ao menos as viagens se restringiam aos limites de Beacon Hills, nunca saindo da cidade.

Seu único alento era que os portais sempre se ligavam a um único ponto fixo, então Peter se obrigou a memorizar a localização de cada armadilha descuidada de Stiles em que já caíra, e onde ela desembocava, e foi graças a isso que ele agora pulava de bom grado na que ligava a reserva ao quarto de Stiles.

― Ah, cara ― o menino gemeu ao se virar para sua nova companhia. ― Eu tinha acabado de limpar meu quarto.

Peter sorriu mesquinho e sacudiu os braços em vingança, salpicando de lama não só o chão, mas também os objetos ao seu alcance. Ele havia descoberto acidentalmente um novo portal de Stiles, que saía da garagem do loft direto para o meio de um pântano lamacento nos limites da cidade.

Seu nariz ardia com o cheiro de lama e matéria orgânica em decomposição, e ele lamentava ter que jogar suas roupas fora, mas a satisfação da pequena vingança fazia valer a pena.

― Me diga, querido, por que havia um portal para um pântano no loft do Derek? ― Peter ronronou, aproximando-se do menino em passos pesados que deixavam os rastros de suas botas enlameadas.

― Eu estava testando um encantamento para fechar os portais ― Stiles se encolheu quando Peter parou em sua frente. ― Eu queria fechar aquele que liga ao banheiro do Derek, mas de algum jeito ele só mudou de lugar e rota.

― E você não achou prudente comunicar que ele desembocava diretamente acima de um lago de lodo? ― Peter inclinou-se acima do garoto, soltando um muxoxo com o cheiro de diversão que ele emanava ao observar seu estado absolutamente arruinado. ― Você tem sorte de que havia um portal de volta logo depois daquele.

― Sorte é? ― Stiles alfinetou, recostando-se em sua cadeira. ― Do contrário o quê? Você teria que vagar encardido pela estrada de volta?

Peter sorriu mostrando as presas, piscando seus olhos azuis enquanto apoiava ambas as mãos nos descansos de braço ao lado do garoto, que perdeu o sorrisinho zombeteiro a medida em que o lobo aproximava seus rostos.

― Do contrário eu teria que lhe ensinar uma lição ou duas ― o homem ronronou. ― Puni-lo por ser descuidado com suas travessuras.

Stiles estremeceu quando o nariz de Peter passou por sua bochecha com leveza, ouvindo o leve rosnar que vinha do fundo de seu peito. Fechando os olhos, o garoto nervosamente empurrou o homem para longe com as mãos em seu peito, exitoso somente porque Peter permitiu ser afastado.

Sorrindo predatório uma última vez, Peter deu meia volta e saiu do quarto, lentamente caminhando escada abaixo até a saída.

Stiles suspirou trêmulo quando finalmente se viu sozinho, encolhendo-se mentalmente por ter que limpar toda a lama que agora salpicava seu chão limpo. Ele só esperava que Peter não tivesse aproveitado a oportunidade para espalhar mais sujeira pelo andar de baixo.

O problema com os portais desenfreados de Stiles era que, além de extremamente inconvenientes e por vezes imprevisíveis, eles demandavam muita magia. Magia essa que se acumulava com o uso excessivo, cobrindo a reserva com uma grande bolha mágica metafórica. E como todo poder em excesso, este acabou por chamar muita atenção indesejada.

Um coven de bruxas instalava-se em Beacon Hills, furtivamente esgueirando-se sob o radar do bando, colhendo informações e buscando pelo detentor do poder que as atraía. Não tardou para que elas chegassem a Stiles, que distraído pela busca incessante por uma maneira de fechar seus portais não as notou chegar.

O bando só percebeu sua ausência quando horas depois ele não apareceu para a reunião semanal.

Uma busca não tardou a ser iniciada, os lobos farejando seu rastro enquanto refaziam seus passos, começando por sua casa, visto que seu Jeep continuava estacionado na garagem.

Começando pela entrada principal, o bando revirou a casa em busca de pistas, mas nada fora do lugar foi encontrado. Somente Peter, ao procurar pelo quintal dos fundos notou algo de diferente: havia um vaso de flor quebrado. Claro que poderia ter sido qualquer coisa, mas não havia qualquer cheiro de animal ao redor, e se Stiles o tivesse quebrado, poderia facilmente consertá-lo usando magia, mas ele continuava lá aos cacos, espalhando terra escura sobre a grama verde.

Concentrando-se melhor no local, Peter então fechou os olhos e aspirou fundo o aroma do ambiente, finalmente encontrando o que procurava. O cheiro de Stiles estava lá, permeado de medo e pânico, assim como outras essências desconhecidas, todos fracos e encobertos por magia. Ao recuar para que pudesse contar aos outros lobos sua descoberta, Peter se viu girando em mais um dos portais do menino, um que até então ele não havia descoberto.

Quando o chão firmou sob seus pés, Peter olhou ao redor, ouvindo vozes ao longe. Furtivamente, ele seguiu seus instintos, espreitando por entre as árvores até encontrar o mesmo rastro fraco de cheiro que sentira na casa de Stiles. O lobo rosnou em seu peito, satisfeito por ter encontrado seu menino.

Ele caminhou medindo seus passos pelo chão da floresta, evitando os portais que sabia da localização enquanto se mantinha fora do conhecimento daqueles que arrastaram Stiles até aqui. Peter parou atrás de um grande arbusto de folhas, espreitando entre os ramos podendo enfim avistar o grupo composto por três mulheres estranhas e Stiles, que mantido amarrado se contorcia tentando escapar.

Peter ouviu com raiva enquanto elas falavam sobre sacrificar o menino para extrair sua magia, e em silêncio ele ponderou se seria prudente atacar sozinho, ou ir atrás do bando seria a melhor escolha. Mas no fim ele não pôde se dar ao luxo de escolher, não quando uma das bruxas já estava amolando a faca cerimonial.

O lobo rosnou pulando detrás das folhas, dentes e garras a postos, não se demorando em atacar a mais próxima das mulheres, arrancando sua garganta com um gesto preciso. As outras duas, no entanto, tiveram mais tempo para se prepararem. Peter se desviou de uma explosão de magia disparada em sua direção, então atacou, conseguindo cortar alguns tendões e músculos antes de ser atingido por uma dor forte.

Com o canto do olho Peter viu as mãos da segunda bruxa brilhando com seu poder antes que ela atasse de novo. Desviando mesmo debilitado pela dor, ele aproveitou o salto para finalizar a mulher ferida, enfiando as garras em sua barriga macia, abrindo largos cortes que sangravam em abundância. Sobrando só uma, ele logo se recuperou, pulando para cima dela, derrubando-a no chão sob seu peso. Com um rosnado de pura ira, Peter a mordeu, sentindo com satisfação o gosto de seu sangue invadir sua boca enquanto enfiava as garras de ambas as mãos em seu lado, sentindo a vida se esvair por entre suas mãos.

Ele ergueu-se triunfante, priorizando inspecionar os arredores a procura de quaisquer inimigos remanescentes antes de ir libertar Stiles.

Peter suspirou de alívio ao notar que o menino parecia bem, cheirando profundamente a terror puro e medo, mas fisicamente intacto. Arrancando a mordaça que cobria sua boca, o lobo sorriu para o menino que tomava uma longa lufada de ar, parecendo emocionado em vê-lo.

― As cordas são encantadas ― comunicou Stiles. ― Tentei me soltar a caminho daqui com magia, mas elas não reagiam. A propósito, você achou o meu portal? Só tive tempo de colocar um no jardim quando elas me encontraram, e depois ligar ele no caminho para cá.

― Você tem tanta sorte por eu continuar tropeçando nessas coisas ― Peter rosnou, virando-se para resgatar a faca cerimonial que a bruxa pretendia usar. ― Mas é melhor que você encontre logo uma maneira de fechá-los.

― Cara, meus portais literalmente salvaram minha vida ― Stiles riu esfregando os pulsos doloridos das cordas ásperas. ― Sem eles você jamais teria me achado a tempo.

― Sem eles você não teria sido caçado ― Peter rosnou aproximando seu rosto do de Stiles. ― E não teria chamado a atenção de quem não devia.

― Mas você tem que admitir que eles são bem legais ― esfregando as mãos, o garoto produziu fagulhas vermelhas de magia que arrepiavam os pelos do lobo. ― Ir de um lugar ao outro num instante? Incrível.

― Menino tolo ― Peter rosnou, usando uma garra sob o queixo de Stiles para levantar seu rosto e expor seu pescoço. ― Menino teimoso, eu deveria realmente te ensinar uma lição agora.

― Estou ansioso por isso ― Stiles sorriu em desafio, a magia formigando entre eles enquanto um novo portal era formado, levando-os rodopiando juntos até o meio de seu quarto. ― Ops.

Stiles deu um passo para trás quando se viu sendo o alvo de tantos olhares. Reunidos em seu quarto, Derek e seu pai reviravam seus livros a procura de qualquer pista que indicasse que ele tinha planos não relatados em outro lugar.

― Onde você estava?! ― O xerife ralhou com raiva antes de puxar seu filho para um abraço apertado. ― Não importa, você está aqui agora.

― Por que você está coberto de sangue? ― Derek questionou o tio com urgência. ― O que houve?

― Estou surpreso que não tenham notado minha ausência ― o homem resmungou, limpando as garras na camiseta. ― E respondendo à sua pergunta: eu estava salvando nosso menino das consequências de seus próprios atos.

― Isso é culpar a vítima! ― Stiles protestou, mas sorriu entre os braços do pai.

Notas finais
Deixe um comentário caso tenha gostado! São sempre bem-vindos!

Lembrando que eu tenho outras histórias Steter postadas, basta procurar no meu perfil.

Também estou aceitando pedidos, não prometo que vou atender a todos, mas prometo tentar (os que eu gostar ou que não fujam ao meu estilo). Escrevi as sete fics pra semana Steter que vai ser só em julho e agora estou sem muitas ideias pra minha meta de 500 palavras por dia. Aceito pedidos de Steter e Sterek, se eu gostar do tema eu escrevo ♥ (mas não prometo nada, ainda sou humana cheia de fases kkkkk)

Enfim, caso eu não poste mais nada até o final de Julho, nos vemos na semana Steter, que vai acontecer entre 23 e 29 de julho, e está sendo organizada por esse perfil do tumblr, onde quem quiser participar será bem-vindo. Aqui tem os promps para cada dia:

https://steterweek.tumblr.com/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!