Abacaxi Zumbi - O Início

17 Rio Das Cristalinas


Vi que o rio tinha algo preto se movimentando, mas sabia que poderia ser muito perigoso de se entrar, aliás, ele não era fundo, mas tinham muitas rochas lá dento e a correnteza era muito forte.

Biel parou de atirar quando me viu arriando as calças para entrar na quele rio tão gelado, que mais parecia que ia congelar meu corpo:

- Déia, NÃO! Você não vai conseguir chegar até o outro lado. A correnteza vai te levar.... -Biel falou aquilo com lágrimas nos olhos.

- Esqueça de mim! Salvem-se, eu vou fazer o que meu coração está pedindo.

Naquele momento, senti que tinha que salvar eles, aliás, eu sempre fui a melhor de todas, eu sempre fui capaz. Eu sabia que ia vencer, ninguém era tão incrível quanto eu.

Fui tentando nadar, até que os movimentos dos meus membros pararam de funcionar. Aquela água tinha algo de muito estranho, era como se ela entrasse dentro de mim e paralizasse tudo. Deitei em uma rocha grande, que estava no meio do rio. Naquele momento, já não conseguia mais me mover.

O que eu não sabia, era que tinha um atalho para chegar ao outro lado do rio, sem que tivesse que entrar nele. Mas o Andrógeno sabia, e o fez... :

- Deia, tenta nadar de volta! Deia volta! Deia nada! -gritavam meus amigos, enquanto o som da voz deles, parecia não existir mais como antes.

Enfim, o andrógeno conseguiu pegar a mochila do índio e eu me senti fracassada. Meu cérebro precisava de oxigênio e eu não conseguia mais pensar em nada, só no motivo de a água ter me derrubado de tal forma.

Fechei meu olhos, e os gritos dos meus amigos não pareciam mais tão altos, eles estavam ficando mais abafados e ia perdendo o volume ao passar do tempo. Quando me dei conta, meus olhos já estavam fechados.

" -Lá-lá-lê-lê, filhinhos, eu vou contar uma histórinha antes de vocês irem mimir, tá bom?

— Tá bom, mamãe! Pode contar...

— Era uma vez, um senhor muito bondoso que morava perto do Rio das Cristalinas... Seu maior sonho, era sair dali e comprar uma casa que ficasse tão, mas tão longe do Rio...

— Mas mamãe, por que o senhor queria sair dali?

— Juanzito, o Rio sempre foi muito perigoso, desde 1865, onde começaram a aparecer animais mortos, a água ia pegando uma cor forte de café, muitos dizem que foi pelo lixo que jogaram, e algo contaminou. Então, tudo que caía lá, morria. O cheiro de café, engana muitas pessoas, e hoje em dia, que limparam todos os lixos, a água está transparente, isso também engana, filhinhos...

O Sr. PacNilson, era esse senhor, que na época tinha perdido a esposa. Ele bebeu a água do Rio filho, hoje em dia, ele está assim... "

Me dei conta de que estava sonhando com a minha infância, coisa que nunca foi fácil para eu lembrar. Me dei conta aí, que minha mãe havia contado essa história para mim e para o Juan, quando éramos pequenos.

Agora tudo fazia sentido, o café na verdade, era feito com as águas do Rio.

Eles pegavam a água do rio e misturavam com o pó do café, isso criava um veneno indestrutível. Ou matava a pessoa, ou a deixava louca.