Ab Aeterno- Principium

5 O carrasco dá o sinal


Notas iniciais
Bom, demorei porque estou tendo provas, e creio que o capítulo tenha muitos erros, pois o escrevi correndo :/
Me desculpem.

─ Titia Belle?

Acordei e olhei para Sophie.

─ Sim amor?

─ Me desculpe por ter te chamado de mamãe...

Sorri para ela.

─ Se quiser continuar me chamando pode chamar. ─ falei sorrindo. Então ele me abraçou mais forte.

─ Titia Belle, minha mamãe e meu papai morreram não foi? ─ perguntou ela abraçada em mim.

─ Meu amor...

─ Eu já sabia. Mas a senhora me trata bem como se fosse minha mamãe, pode ser minha mamãe daqui pra frente? ─ perguntou ela com os olhinhos azuis cheios de água.

─ Posso. Serei sua mamãe. ─ falei abraçando-a.

Então ficamos alguns minutos assim, meu coração chegava a bater mais forte, não imaginava que isso fosse chegar a este ponto, mas era de se esperar, ela era uma criança muito pequena apesar de não demonstrar isso. Então após algum tempo Joseph abriu a barraca.

─ Meninas, estamos partindo.

─ Vamos meu amor? ─ chamei Sophie.

Ela se levantou cambaleante e saímos da cabana. Ajudei a desmontar a cabana e guardei na bolsa que seria levada pelo Arclaro. Então voltei e encontrei Thomas e Sophie juntos arrumando a cabana dele.

─ Bom dia Belle!!! ─ disse ele animado. ─ Não sabe o quão bem eu dormi, muito obrigada por ontem, estou extremamente relaxado!

─ Isso é tão bom. Para onde vamos hoje?

─ Não pararemos até depois de amanhã, todos estão descansados, se prepare, será longo. Então pararemos em um vilarejo que tenha trigo pronto para colher, vou fazer uma colheita com quem tiver. Precisamos de pães, a viajem demorará. Vamos Sophie, esta na hora de viajarmos.

─ Titio Tom, vamos parar em alguma cidade legal? ─ perguntou a pequena. ─ Eu e mamãe precisamos de roupas novas.

Thomas franziu o cenho.

─ Mamãe? ─ perguntou ele.

─ Sim!!! Titia Belle agora é minha mamãe...

Thomas continuou desconfiado e olhou para mim como a cara um pouco indescritível. Se virou e colocou a mochila nas costas.

─ Então, venha, vou te contar a história de Yahweh, ele era muito conhecido no velho mundo, consideravam-no um deus...

Então me virei para Thomas.

─ Qual a religião dos Signatas, Thomas? ─ perguntei.

─ Somos descrentes, não temos uma religião própria, dentro de nosso povo pode ser o que se quiser, ainda alguns acreditam em Yahweh, mas a grande parte não mantêm a crença em nada, costumam se concentrar em seus cânticos e proteções mágicas acima de crenças. Mas também existem crentes no anjo de luz... Principalmente em Ilíria, a princesa formou um grupo crente nele. São famosos pelo grande potencial mágico, perto deles Lhogran é um bebezinho... ─ falou ele sorrindo. ─ E em seu povo?

─ Alguma parte ainda crê em Yahweh, mas grande parte é crente no senhor Odin. Não existem crentes no anjo de luz...

─ É um privilégio de cidades com grandes bibliotecas. Vai entender quando chegarmos ao reino, o próprio rei Stephan é um crente no anjo de luz, desde pequeno devo aguentar ele conversando sobre a volta de Yahweh e a luta com o seu reluzente anjo. E ainda faz cultos em seus templos, algo desnecessário... No momento meu único deus é a certeza de que tempos de paz estão vindo...

─ Eu não sei o que crer, e você meu amor se lembra seu deus? ─ perguntei à Sophie.

─ Yahweh!!! Ele virá nos salvar mamãe, você verá!!! ─ falou ela dando voltas em seu próprio eixo.

Sorri, Sophie era linda, realmente parecia um anjinho. A olhei com amor e me aproximei pegando-a no colo.

─ Vamos lá querida, não vamos atrasar a caravana, Thomas me dê esta sacola de coisas, eu amarro no Arclaro.

─ Vai lá e obrigada. ─ disse ele se voltando para os seus homens.

Segui até o Arclaro e amarrei a bendita mochila. Então notei o quão acostumada com esta nova vida eu estava, já nem mesmo me importava de conviver com Arclaros, um dos seres que mais temi dentre todos.

Olhei para o outro lado do acampamento e Roran pegava seu arco e aljava, então me lembrei de como aprendera a atirar, fora com meu irmão e pai, eles falavam bem de mim, pois nos primeiros dias já acertava os alvos como uma arqueira de anos, meu pai tinha muito orgulho de mim por meus talentos. Era a coisa da qual eu mesma mais me orgulhava.

Me sentei abaixo de uma árvore com Sophie, não demorou muito até que partíssemos, fui com Thomas na mesma formação, tudo pareceu muito calmo, Sophie como sempre dormia. Permaneci olhando a paisagem.

A cada segundo me preocupava mais com o resultado de nossa viajem, o chamado lindo reino de Illiëde, mas lá algo que eu nada gostava me esperava, notara que as meninas estavam agitadas, Linda e Alícia conversavam felizes sobre a chegada, era como se quisessem mesmo serem rainhas, de um rei tirano e terrível, que assassinara seu povo, sua família.

Não entendia a visão delas, talvez fossem interesseiras o suficiente para somente pensar nas riquezas que ser a esposa de um rei de um império próspero.

─ Esta com medo? ─ perguntou Thomas.

─ Sim... Como soube?

─ Esta me apertando com tanta força, deu para notar.

Afrouxei o aperto.

─ Não quero passar pelo rei Thomas. Me abandone com Sophie na cidade, não quero ir vê-lo. ─ falei me apertando contra as costas dele.

─ Acalme-se, pense em tudo que terá se for escolhida...

─ Posso pensar no que terei, mas jamais me esquecerei do que perdi por ele. ─ falei incisiva.

─ Às vezes temos que esquecer o passado, querida. Não podemos viver disso...

─ Então você se apaixonaria pela mulher que matou sua família?

Ele permaneceu calado. Então suspirou.

─ Eu sou noivo da mulher que matou minha família. ─ falou ele.

Arregalei os olhos.

─ Esta noivo?

─ Sim. ─ falou sério.

─ De quem? ─ perguntei curiosa.

─ Da filha do rei de Ilíria, seu nome é Narthanaktha, ela é a rainha da linhagem Luciferiana e mágica de Ilíria. É uma feiticeira de nome sagrado por lá, é conhecida como tecedora do fio da realidade, gosta de implantar coisas na mente das pessoas. É uma mulher linda, apesar de ser cruel─ falou ele esquecendo que já havia me falado dela. ─, um belo dia brigou com meu pai e minha mãe... E simplesmente invadiu a mente deles sobrecarregando até eles entrarem num estado de loucura... Então eles se suicidaram.

Permaneci calada.

─ O rei me pediu este casamento, ela é pouco mais nova que eu, venerada como deusa e como demônio. O rei se refere à ela como mensageira da paz e da guerra, da luz e escuridão e da morte e vida.

─ Ela não parece ser muito legal...

─ É uma deusa, deuses não são muito legais, dizem que ela tem contatos diretos com o anjo caído, não acredito em tal afirmação, converso com ela raramente, quando o fazemos ela jura que o faz... Mas magos são fantasiosos, não consigo acreditar em muito. ─ falou ele olhando o horizonte. ─ Mas falávamos em você, se for escolhida, Belle, quem sabe não seja ótimo, o rei tem muitas riquezas e dizem que é um ótimo amante.

─ Não quero Thomas... Tenho medo...

─ Não tenha. Pode ser bom, quem sabe Belle...

─ Não acredito que venha a ser...

Então ele se calou, o clima estranho permaneceu no ar.

O sol desceu e todos permaneciam fortes como se ainda fosse hora de correr, continuamos no absoluto escuro, só se via ao céu um singelo brilho da lua e o imperceptível brilho das estrelas, o resto era escuridão.

Constantemente Thomas olhava ao redor, não perdia um minuto a visão de seus seguidores, ele tinha que olhar para todos lados procurando todos, pois a única coisa que se ouvia era o bater das patas de Arclaros no solo. Pisada que era dura e trazia um som abafado.

Em alguns momentos a marcha diminuía e havia muita poeira, era quando estávamos em terrenos arenosos ou em lugares de terra fofa. Pela posição da lua deviam ser oito horas.

Com cuidado peguei uma coxa e Thomas cobriu Sophie. O vento batia forte e não demorou muito até que eu mesma sentisse frio, me abracei a Thomas e em silêncio prosseguimos a corrida.

Estranhava a falta de palavras, mas era notado que todos estavam apreensivos, e seria uma noite longa para chegar a um dia longo, nós correríamos até a próxima noite. Thomas parecia realmente ansioso e apreensivo, segundo ele o tempo já havia se esgotado e já deviam ter voltado. Mas agora que podiam deveriam correr o máximo. Nossa estrada seria longa.

Cochilei.

Quando abri os olhos foi sob uma agitação de Thomas. Olhei os céus e a lua acusava cerca de três horas da manhã.

─ O que houve? ─ indaguei.

─ Os arclaros aumentaram o ritmo, parecem ter sentido algo...

Só então notei que estávamos muito rápido, ao ponto de meu cabelo ser violentamente jogado para trás.

─ Tem alguma ideia? Eles não podem só estar querendo parar o quanto antes?

─ Não, não é do costume deles. ─ falou ele olhando ao redor preocupado.

Então imitei seu movimento e me virei segurando na cela de panos e couro do arclaro. Haviam muitos arclaros atrás de nós, mas o que me chamou atenção foi outra coisa, um brilho estranho. Olhei pra lua e novamente pra direção do brilho, era uma leve reflexão da lua, como algo molhado, mas simplesmente não se afastava.

─ Thomas, olhe para trás daquele ultimo soldado do terceiro general.

Então ele se virou e procurou, de repente arregalou os olhos e urrou loucamente.

─ INICIAR GUARDA, AUMENTEM O RITMO, HÁ ROGNARÜS ATRÁS DE NÓS!!!

Os arclaros pareceram entender o anúncio de Thomas, o problema é que os rognarüs também entenderam.

Um grito horrendo fez-se ouvir.

Outro em seguida.

Me virei, dois soldados haviam sido derrotados. Os arclaros guinchavam e pude notar uma luta intensa. Logo mais um soldado foi derrubado.

─ ABANDONEM OS ARCLAROS AGORA!!! PULEM!!! ─ gritou ele abraçando Sophie e me puxando, caímos ao chão em alta velocidade. Então ouvi o urro de Thomas: ─ LUTEM, ANIMAIS, SUA RECOMPENSA SERÁ CARNE DE CAVALOS!!!

Então os arclaros urraram e notei que muitos desceram de seus animais também. Thomas me levantou brutamente e fui obrigada a correr. Muitos vieram atrás. Pude ouvir as perguntas, gritos e indignação atrás de nós.

Olhei para o lado de Lhogran, Alícia e Joseph se aproximavam.

─ POR QUE?! QUAL O SEU PROBLEMA THOMAS?! ─ gritou Joseph.

─ Você quer morrer? Se continuássemos nos animais seríamos derrubados um a um.

─ E acha que agora temos mais chance seu demente!? ─ gritou Lhogran, fora a primeira vez que vira ele se dirigir a Thomas com absoluto desrespeito.

─ TEMOS, nossos cheiros podem ser camuflados sozinhos, com os animais não!

Então todos se calaram, pareceu ser um argumento suficientemente bom para os homens.

O terror continuou, Thomas parecia satisfeito, estávamos longe, então paramos para camuflar nosso cheiro, jogaram a água dos cantis na areia e nos esfregamos nesta. Podia se ver gente rolando na terra. Então corremos para trás de uma duna, e lá ficamos, Thomas observava com frequência, Sophie estava molhada de chorar, estava abraçada a mim com todas suas forças. Pisquei.

─ AAAAAAH!!!!!

Abri-os arregalados.

Um imenso rognarü estava ao nosso lado, o animal devia ter cerca de quatro metros de pé, e dois de altura de quatro patas. Estava de pé, urrando com sua imensa boca.

Nunca vira um de tão perto, era como uma imensa toupeira de pelo que mais pareciam espinhos do tamanho da palma da minha mão. O animal não tinha olhos, em contrapartida tinha imensos bigodes sensitivos e um nariz aguçado. Seus dentes maiores eram maiores que meu tronco. Unhas do tamanho de meus braços. Musculatura terrivelmente forte.

Então Thomas tomou sua espada na mão e seguiu, tentei o segurar mais não conseguia. O animal desceu pra quatro patas e não teve que fazer muito esforço, bateu a pata em Thomas o jogando longe, então urrou e veio louco em nossa direção.

Com Sophie em meus braços corri pra Thomas.

─ Thomas!? Thomas?! ─ perguntei desesperada. Ele não me respondeu.

Coloquei o dedo em seu pescoço pra sentir o pulso. Não tinha.

Ouvi mais um grito, dessa vez um conhecido, de Joseph.

Me virei e ele estava com um rasgo aberto no peito que ia dum ombro até o outro lado do quadril, ele tombou. Comecei a chorar. Lhogran tentava acertar o animal. Certa hora recebeu um golpe de algo que não esperava: O rabo do animal. Que tinha mais de dois metros.

Lhogran foi jogado longe.

Peguei a espada de Thomas.

─Sophie, fique exatamente aqui.

Ela assentiu. Peguei a espada de Thomas e corri. Lhogran viu minha atitude e gritou. Roran estava correndo para o animal também, ele sabia que eu não iria desistir, fez um sinal para eu ir por trás.

Então entendi.

Ele se jogou na frente do rognarü. No exato momento que corri para debaixo do animal, deslizei silenciosamente pela areia e joguei os braços para trás, segurando a espada com as duas mãos. Apunhalei o peito do animal com violência, ele tentou se defender, mas eu estava no ponto cego de suas patas, então ele teve que retroceder para me atacar com sua imensa boca, porem esta ficava debaixo de seu nariz. Puxei a espada do peito do animal, sentindo o sangue dele descer me molhando enquanto ele retrocedia, em um milésimo de segundo ele me atacou novamente. Quando veio investir com sua boca simplesmente segurei a espada para cima no ultimo instante, não dando tempo de reação. Ele enterrou o focinho na espada, guinchando. Então olhei pro lado e Roran corria para apunhalar o peito do animal novamente. Ele caiu, foi quando notei minha falha, os dentes do animal cairiam exatamente encima de meu peito quando ele caísse, senti uma puxada e o vento em meus pés do tombo do animal.

Era Joseph ferido que me puxara com destreza. Roran gritou e todos ao nosso redor também. Joseph sorriu.

─ Ótima estratégia menina.

Estava estática, então me lembrei de Thomas e Sophie e olhei para o lado, outro rognarü se aproximava destes.

Levantei cambaleante e corri com a espada em mãos, ninguém teve tempo de me deter. No entanto quando me aproximei do animal ele fungou e urrou, ficou nas duas patas e correu. Fiquei sem ação.

Lhogran se aproximava.

─ Confirmando o que disse para Thomas há muito tempo, eles sentem o cheiro de seus amigos e fogem... Vi o que fez... Incrível.

Então desci até Thomas, Sophie chorava. Chequei o pulso dele, nada, respiração, nada.

Então Lhogran entendeu.

Pisquei e tudo se apagou.

O que seria de nós se Thomas se fosse? Logo agora?

Notas finais
Meio fraquinho t-t
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.