Ab Aeterno- Principium
4 Boas notícias
Notas iniciais
Quando finalmente conseguimos despistar os Rognarüs Thomas ordenou a parada, estávamos esgotados, era quase manhã e todos estavam esgotados.
Quando Thomas desceu de seu Arclaro notei o quão terrível ele estava, estava branco como uma folha de papel Noviniano¹, ele se encostou ao seu Arclaro e olhou para o horizonte. Lhogran estava conversando com Linda e Alícia, Linda logo se desvencilhou e foi até Thomas perguntar se estava tudo bem, notei o interesse no olhar dela, ela e Alícia estavam loucas para se juntar a Thomas e a Lhogran como pude notar. Linda pareceu não ter muito papo com Thomas, logo saiu da conversa de cara fechada.
Eu estava com Sophie no colo, a pequena chorava copiosamente, notei que ela nunca estivera com tanto medo. Era uma criança tão pequena e já tinha que lidar com mortes e mais mortes, tirando o sangue e o terror de sempre estar em uma fuga desesperada em luta para chegar a um reino de tiranos que dizimaram toda sua vida. Meus olhos encheram de lágrimas, notei que fazia algum tempo que não chorava, faziam cerca de quatro dias que saí de minha vila, tentei lembrar-me quantos dias exatos... Minha mente não se clareava... Era como se os confrontamentos tivessem sido tantos e tão intensos que eu perdera completamente minha noção de tempo.
A lágrima escorreu e Sophie me olhou assustada.
─ Titia? Porque esta chorando? ─ perguntou ela assustada com olhos arregalados.
─ Nada meu amor... ─ falei limpando os olhos com a mão direita que não a segurava.
Notei uma aproximação, levantei a cabeça e era Thomas.
─ Obrigada por me salvar no acampamento... E desculpe por minha grosseria, tem que entender que sou assim... ─ falou ele confuso. ─ Por que choras? ─ perguntou ele fechando os olhos e franzindo o cenho em atitude de estranheza.
─ Nada... Só estou com medo... ─ sussurrei baixinho.
─ Uma pena que não posso mais dizer que tudo ficará bem... ─ falou ele virando a cara.
─ Nunca diria, você não é o tipo que consola uma mulher. ─ falei dura interrompendo ele. Este que levantou o olhar.
─ Belle não sou tão terrível a este ponto, ainda sou um homem por dentro...
─ Pois não parece. ─ falei olhando dura.
Ele me olhou e abriu a boca, como quem não entende, então virou a cabeça para o lado como se tivesse recebido um tapa. Abaixou levemente e começou a falar.
─ Sou sim... E me abomino mil vezes por isto... ─ então ele levantou o olhar. ─ Sophie querida poderia nos dar licença? ─ pediu ele. ─ Tio Joseph esta precisando de um abraço. ─ falou ele sorrindo e olhando para Joseph.
─ Certo titio, vou lá─ falou a pequena descendo de meu colo.
─ Por que pediu licença?
─ Porque é algo que tenho vergonha de dizer... Belle, em nosso povo... Nós não podemos sentir medo e demonstrar emoções, somos punidos quando acontece, Lhogran sabe do que falo, as marcas dele não são a toa... Foi há muito tempo, fui treinado junto com ele, aconteceu em treinamento de campo, nos separaram e trouxeram seis crianças, quatro meninas e dois meninos... Mandaram-nos matar as seis, cada um de nós mataria três...
Olhei aterrorizada.
─ Ele hesitou e ficou horrorizado com o pedido, iniciou uma discussão com seus superiores, por fim eles acabaram em uma luta a adagas, enquanto isso eu acatei a ordem, e como sabia que Lhogran não o faria... Matei as seis... Lhogran olhou com horror, me afastei e sentei no chão em absoluto desgosto... Lhogran gritou comigo até não poder mais, então o amarraram e marcaram seis vezes seu rosto, por desacato, luta, injúria, fúria contra superior, ferimento a superior e a colega. Sim, ele me esfaqueou. ─ então ele levantou a camisa e mostrou uma cicatriz que não tinha notado na barriga. Olhei com horror para ele.
─ Por que o fez? Eram crianças!? ─ gritei.
─ Porque se eu não o fizesse... Meu superior faria e eu ainda sairia com marcas... Não pude me dar ao luxo de manchar a imagem de minha família...
─ Ah, como se você fosse alguém importante para o reino de Illiëde!!! ─ insultei-o.
Ele olhou para mim sério e então abaixou a cabeça.
─ Não quis nascer importante... ─ começou ele.
─ Ah então o que o senhor é para ser tão importante e tão superior assim!?
Ele olhou em meus olhos.
─ Sou o arquiduque do reino, Belle. ─ falou ele abaixando a cabeça.
Fiquei em silêncio, arquiduque era o primeiro cargo de poder após o rei. Era o segundo mais importante do reino.
─ Infelizmente não podia me dar aos luxos da escolha... E agora estou com medo... ─ falou ele perdido.
Olhei -o com seriedade.
─ Desculpe, senhor. ─ falei abaixando a cabeça. ─ E o que lhe aflige?
─ Não Belle, não me trate assim, por favor... ─ falou ele com desgosto.
─ Não posso, és um extremo superior, se antes já devia o tratar com seriedade agora, ainda devo mais.
─ Não...
─ Devo, não discuta. ─ falei dura. ─ O que lhe aflige?
Ele olhou desaprovador.
─ Rognarüs, raramente aparecem, e quando aparecem é um sozinho, estavam em grupo desta vez... Não entendo o que trouxe isso...
Olhei séria.
─ Vamos até o reino, depois resolveremos isso, senhor. ─ falei. ─ Agora vossa senhoria deve informar aos teus companheiros generais sobre suas aflições, não se deve guardar os medos quando estes podem definir a vida de muitos. Desculpe minha insolência senhor. Vou cuidar de Sophie. Com licença. ─ falei me retirando.
Notei os olhos dele me seguindo, me virei para confirmar e ele me olhava com tristeza.
Continuei inatingível. Sophie estava brincando com Joseph, olhando assim ele até parecia um bom pai. Com atenção notei que ele só tinha uma marca, entre as sobrancelhas, mas seu rosto era certamente marcado por algo que não era indicio do treinamento, ele tinha um corte extenso que ia do canto entre a sobrancelha e o inicio do nariz até o outro lado da bochecha, era fino nos fins e grosso no meio.
Ele me olhou e logo franziu o cenho.
─ Primeiro: você precisa arranjar outra roupa, a que usa esta completamente acabada e rasgada. ─ falou ele sorrindo. ─ Segundo: você esta com uma cara, o que houve? ─ perguntou ele ficando de repente sério.
─ Nada.
As pessoas começavam a montar barracas.
─ NÃO MONTEM AS BARRACAS! ─ Thomas ordenou. ─ SEGUIREMOS VIAGEM EM ALGUNS MINUTOS, NÃO PODEMOS PARAR ATÉ O PRÓXIMO VILAREJO, DEPOIS DO ATAQUE TEMOS QUE CHEGAR A ILLIËDE O QUANTO ANTES. REPITO, NÃO MONTEM BARRACAS. ─ ele gritou.
─ A viagem será difícil. Thomas esta aterrorizado; conheço bem ele para notar isso. ─ disse Joseph sentando e colocando Sophie em seu colo.
─ Imagino... Temos mesmo que correr tanto para chegar?
─ Sim... ─ falou ele brincando com Sophie.
Partimos em cerca de quinze minutos, Thomas me mandou ir com ele em seu Arclaro, permanecemos em silêncio, Sophia foi sentada na frente dele e eu atrás, notei que em alguns minutos a pequena adormeceu encostada nele.
Não resisti e adormeci também.
─ Belle acorde. ─ disse Thomas.
Abri os olhos.
─ Vou descer, se segure.
─ Por que vai descer?
─ Recebemos uma mensagem de um corvo, vou ler.
Então ele desceu, segurei Sophie e notei que já era manhã, Thomas estava concentrado no tal bilhete, mantinha o corvo no braço enquanto lia. Este era lindo de penas lustrosas. Não demorou muito até ele levantar a cabeça com semblante feliz.
─ Não teremos de passar por nenhum vilarejo, Raidthe escreveu que já passaram por lá, e para nos encontrarmos no banho de sangue, depois seguimos para casa!!! ─ disse tomas gritando animadamente.
Todos gritaram e nos animamos a continuar a corrida. Quando Thomas subiu no Arclaro comecei as perguntas.
─ Thomas, o que é o banho de sangue...? ─ perguntei receosa.
─ Acalme-se, é uma antiga pedra sacrifical, antigamente faziam sacrifícios por lá, mas agora esta desativada. ─ falou ele calmo.
─ Quanto é a distância? ─ perguntei.
─ Ah, demoraremos bastante, cerca de dois mil quilômetros...
─ Oh céus. Muito tempo... Pararemos?
─ Claro! Se quiser podemos dar uma olhada em vilarejos abandonados, podíamos fazer uma colheita de trigo, daremos boas paradas. De cerca de três dias, mas saiba que só pararemos depois de dois dias de corrida, ou seja, só pararemos amanha por volta de uma da tarde, se quiser continuar dormindo, sei que esta cansada. ─ falou ele com o Arclaro já em movimento.
Desconfiada, voltei a encostar a cabeça em suas costas.
─ Talvez durma.
Então fechei os olhos.
─ Belle? ─ chamou ele.
─ Sim? ─ disse abrindo os olhos.
─ Linda veio até mim, acha que esta tentando me seduzir? ─ perguntou ele. ─ Belle segure na minha cintura direito, assim vai cair!
Então apertei.
─ Tenho certeza, Linda a você e Alícia a Lhogran, são duas cobras a meu ver. ─ falei rancorosa.
─ Nossa, quanto ódio pelas moças que nem conhece!!!
─ Não preciso conhecer uma cobra para saber que é uma cobra, quando se vê uma cobra você simplesmente sabe que é uma cobra, não precisa perguntar nem conversar, a dúvida é saber que tipo de cobra é. ─ falei segura.
─ Olhando por esse ponto, mas ainda acho que são somente meninas burras, nenhuma de vocês vai ter o direito de escolher, todas são do rei, ele escolherá uma e as outras ou serão soltas ou irão para o harém... O rei não é muito piedoso... ─ falou ele. Estremeci diante destas palavras. ─ Não tema, quem sabe ele não a liberte... ─ disse ele virando a cabeça e sorrindo.
─ Thomas... Ou melhor, senhor... Porque muda sua personalidade tão rápido?
Ele se virou levemente.
─ Não sei... Me desculpe...
─ Tudo bem. ─ disse sorrindo e passando a mão no rosto dele.
Ele sorriu e se virou. Me encostei nas costas dele e magicamente adormeci. Às vezes era tão fácil dormir, outras era demorado, acredito que estava em um estado de cansaço extremo.
─ Belle. Acorde. ─ falou Thomas.
Abri os olhos.
─ Os Arclaros não suportaram, ficaremos durante a noite por aqui, amanhã não pararemos. ─ falou ele. ─ Vou descer, segure Sophie.
Então segurei-a para que não caísse, ele desceu e segurou Sophie, pegando-a no colo, esta dormia calmamente. Observei-a com carinho.
─ Ela é linda. ─ disse ele apoiando-a no peito. ─ Vem? ─ ele estendeu a mão para que eu me firmasse e descesse.
─ Sim. ─ falei descendo.
Ele sorriu por algum motivo, retribui.
─ Vou montar a minha cabana, não estou com sono esta noite.
─ Thomas, nunca dorme? ─ perguntei sorrindo.
─ Raramente em tempos de caça, faz nove meses que não tenho uma vida descente... ─ falou ele voltando a sua seriedade, ele me entregou Sophie e pegou os panos e seguimos para um terreno plano. ─ Faz nove meses desde que abandonei meu lar.
─ Qual a parte mais legal de estar na corte? ─ perguntei.
─ Ah, desta corte não tem nada muito legal, infelizmente para os convidados ele não dá muitas mordomias, ele só vai mandá-las para a casa das mulheres, que é um lugar em que vão aproveitar de sais de banhos em banheiras borbulhantes. Mas os grandes luxos realmente estão na corte de Ilíria. Rei Arhmnah é um senhor bondoso, cuidou de meu treinamento quando eu era pequeno, ele é exatamente o contrário de Stephan, cuida melhor de seus convidados especiais do que de si próprio, tem o costume de manter grandes luxos, e ele pode, é um rei muito rico, e sua riqueza é ganha com justiça, rei Stephan costuma cobrar dez moedas de ouro de cada um dos cidadãos, já senhor Arhmnah não cobra impostos, ele deixa a economia de Ilíria fluir, e é uma boa estratégia, pois seu reino só cresce, nunca houve uma crise sequer. Lá sim encontrará shampoos, sabonetes de esfoliação, perfumes dos mais diversos lugares, vestidos luxuosos de pedras preciosas, camas completamente de penas de ganso, roupas intimas de lã, sapatos feitos sob medida, comidas diversas e maravilhosas. Como chocolate.
─ Ahn, só comi chocolate uma vez na minha vida, quando viajantes passaram por meu vilarejo e minha mãe tinha dinheiro pra comprar...
─ Gostou? ─ perguntou ele sorrindo.
─ Foi a melhor coisa que já comi...
─ Quando chegar ao reino agradeça, arranjarei alguns pedaços para você!
─ Nossa, me faz até acreditar que seria legal ser esposa do rei...
─ Não me diga que não quer? ─ falou ele virando a cabeça.
─ Não quero, é sério, não tenho pretensões de ser uma rainha... E segundo os contos rei Stephan é um homem terrível. Tenho medo...
─ Não tenha, cresci com ele. É um bom homem.
Olhei desconfiada.
Ficamos em silêncio e ele logo terminou.
─ Pronto, coloque Sophie ai dentro, vou arranjar algo para comer. Ah Belle, daqui para frente... Não se faz mais lanches para todos. Cada um é responsável pelo seu...
Ele continuou falando algo, mas só consegui notar as olheiras escuras que cercavam seus olhos.
─ Thomas, você precisa dormir. ─ disse abaixando a cabeça.
─ Não, vocês precisam mais e...
─ Joseph!!! ─ gritei.
Ele veio do outro lado andando calmamente como de costume.
─ Sim?
─ Não acha que Thomas esta parecendo um morto? Ele precisa descansar, vocês vão dormir esta noite? ─ perguntei.
─ Eu não, ficarei na vigília, se quiser colocar Sophie em minha cabana e dormir lá é uma boa, pra este senhorzinho dormir, é claro que já vi ele pior. Mas acredito que esteja mais tenso desta vez. ─ falou Joseph com o semblante feliz.
─ Eu preciso... ─ começou Thomas tentando mudar o que disse.
─ De dormir, só isso, faz noites que aposto que não dorme direito. ─ Vá se arrumar para dormir, eu arrumo algo para comer.
─ Belle! Pare com isso, eu estou bem. ─ ele tentou.
─ Não estou mais pedindo pra ir dormir general, é uma ordem partida de uma mulher. ─ falei semicerrando os olhos.
Joseph riu. Thomas levantou os braços em sinal de inocência.
─ Se vossa senhoria manda desta forma tudo bem eu vou!!! ─ brincou ele.
─ Humpf, é bom mesmo!
Joseph riu alto.
─ Isso ai pequena, botando ordem na casa, vamos buscar Sophie.
Então seguimos até a cabana de Thomas, ele estava na entrada esperando, Joseph entrou e enquanto isso Thomas me olhou com um sorriso feliz, Joseph saiu e estávamos andando quando Thomas chamou.
─ Belle, aqui estão as coisas. ─ disse ele entregando carne de sol e pães. ─ Não dá para fazer muito... Mas talvez dê algo que nos alimente, guarde um pão para Sophie para o café da manhã. ─ disse ele, estava pensando até no dia seguinte.
─ Obrigada, logo estará pronto. Tem algum córrego por aqui? ─ perguntei para ele.
─ Do outro lado... ─ disse ele apontando para nossa direita.
─ Então arrumarei um lampião para que tome banho, desta vez é você quem fede. ─ brinquei. Ele me olhou com os olhos semicerrados.
─ Engraçadinha, e a água é fria agora a noite...
─ Então esquento uma água e você toma banho de cuia. ─ sorri docemente.
─ Nossa, quer mesmo ter trabalho não é... Sendo assim os soldados de Joseph trazem baldes, acenda um lampião e eu busco a água, ai você esquenta no caldeirão.
─ Certo. Vou lá.
Fui até Roran, ele devia ter algum. E tinha, um balde vermelho grande, coloquei-o ao meu lado e acendi o lampião. Thomas me esperava sentado na beira de sua cabana. O entreguei os dois instrumentos e ele voltou com o balde cheio. Só depois da volta dele notei que nosso grupo não tinha acendido uma fogueira, então lá fui eu catar toras de madeira, Thomas notou meu movimento e me ajudou, voltamos com muitas, acendi a fogueira e a água dele esquentou rápido, então misturamos com água fria e o banho dele estava pronto.
Fui ate Lhogran buscar os temperos que havia preparado noites antes, estavam absolutamente conservados nos potes de pedra dele, temperei a carne de sol e a cortei em pequenas iscas, então busquei água, cozinhei as iscas e usei azeite de oliva e massa de alho para fritá-las. Então fiz massa de tomate com os poucos tomates que tínhamos e derramei fazendo iscas mergulhadas no molho.
Não demorou muito até que os curiosos e famintos aparecessem, desta vez vieram apenas os nossos, Lhogran que chegou atraído pelo cheiro e se sentou ao meu lado chamando a comida de iguaria, depois Thaircont apareceu sorrateiramente, depois Hoxy, Veemont e Loki, para minha prima sorte Linda e Alícia dormiam.
Depois de alguns minutos ficou pronto e Thomas chegou atraído pelo cheiro. Peguei os pães sírios e abri-os despejando dentro a carne e o molho. Foi uma luta por quem comeria primeiro, por fim Lhogran acabou pegando o primeiro, esperamos ele dizer como estava, todos na expectativa, inclusive eu. Quando ele mordeu e fez aquela cara de quem gostara todos gritaram.
─ Ahhh, Belle vou te sequestrar e me casar com você, nossa céus, como pode uma mulher cozinhar tão bem. ─ falou Lhogran se sentando instantaneamente.
─ Ah Belle sirva-nos logo!!! ─ pediu Veemont.
─ Certo. ─ falei feliz e envergonhada.
Entreguei os pães recheados a todos, quando Thomas deu a primeira mordida eu sorri, ele virou para mim extremamente feliz.
─ Realmente Belle, esta incrível, Lhogran tem razão, temos que te roubar do rei!!! ─ brincou ele.
Enquanto ele brincava eu fantasiava com exatamente isso. Por algum motivo não queria ir até o rei. Era como se para mim fosse ser algo ruim, não sabia bem por que nem de onde tirara esta impressão.
Comi meu pão e decidi acordar Sophie para jantar, com os olhinhos baixos ela veio e dei comida para ela, ela comeu pouco e voltou a dormir, levei-a para a cabana. Sobrara metade do pão sírio dela. Então Joseph apareceu.
─ Que festa é esta que acontece aqui homens?
─ Ah, estamos comemorando a maestria de Belle na cozinha, céus, você tem que provar isso!!! ─ disse Thomas feliz. ─ Belle, esse foi o pedaço que a pequena não comeu não é?
─ Sim.
Então ele pegou e recheou-o com o molho, na primeira mordida de Joseph ele fez uma cara de satisfação imensa.
─ Belle, cozinha tão bem quanto minha esposa, nossa! Cuidado, dessa forma o rei vai escolher você! ─ falou ele.
Estremeci e Thomas notou. Então após as conversas Thomas decidiu ir dormir, antes de ir parou e me perguntou algo.
─ Belle, tem algum remédio para dor e tensão? ─ perguntou ele.
─ Tenho sim. Lhogran onde estão as flores de laranjeira?
─ Vou buscar...
─ Tem mel? ─ perguntei.
─ Temos, mas use pouco, pois é raro conseguirmos.
─ Tudo bem. Diga-me onde esta e eu pego. Não quero dar trabalho...
─ As flores estão dentro de um saco vermelho e o mel em um frasco.
Segui e os achei facilmente, passei pelo fogo e peguei o azeite de oliva. Chamei Thomas e fomos em silêncio, a esta hora as conversas já eram poucas e baixas. Thomas entrou, tirou a camisa e se deitou de costas para cima, usei um amassador para amassar as flores, joguei um pouco de mel até se formar uma pasta. Então a deixei do meu lado.
─ Tem um pano que eu possa te limpar?
─ Esse. ─ ele entregou uma toalha branca manchada.
Então joguei azeite de oliva nas costas dele.
─ Ei ei!!! Azeite de oliva?! ─ perguntou ele sem entender.
─ Usavam muito num lugar chamado Grécia no velho mundo. Faz muito bem para a pele.
Então fui massageando, em algumas áreas ele sentia dor, seus músculos estavam muito tensionados e em certas áreas estavam inchados, fui com cuidado até ele não sentir mais dor em lugar nenhum. Então limpei o que restara do azeite e coloquei a massa de flor de laranjeira, massageei com cuidado, vi que Thomas já estava num estado de relaxamento alto. Estava quase dormindo, continuei a massagem até que ele dormisse, então conferi para ver se estava acordado, dormia pesadamente.
Deixei a mistura para reagir na pele dele e levei todo o resto, deixando-o a dormir em sua cabana. Quando sai só Joseph e Thaircont estavam na fogueira. Joseph olhou para mim como quem pergunta.
─ Ele dormiu. ─ falei sorrindo.
─ Enquanto fazia a massagem? ─ ele perguntou franzindo o cenho.
─ Sim, esta relaxado...
─ Sua vez de dormir pequena. ─ disse Thaircont. ─ Esta extremamente abatida. Vai para a cabana de Joseph e descansa.
Não discuti, acatei a sugestão e dei boa noite e segui para a cabana, quando entrei Sophie estava lá, como o anjinho que era. Deitei-me do lado dela a abraçando carinhosamente. Ela me abraçou também e abriu os olhinhos meio abertos.
─ Mamãe, estou com frio... ─ falou ela me surpreendendo.
Olhei um tanto quanto assustada, não sabia o que responder, ela me chamara de mamãe, fiquei um tanto quanto aflita e sem ação. Então puxei um pano e nos cobri.
Então passei o resto da noite pensando nas palavras de meu anjinho.
¹- papel equivalente as folhas brancas que usamos.
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