ART DECO

1 A LITTLE PARTY NEVER HURT NO ONE


Confraternizar com o inimigo em uma festa soava lindamente destrutivo, e Klaus achou a realidade ainda melhor do que sua mente perversa havia imaginado. Tinha sido fácil demais juntar todos em um mesmo ambiente, e os lembretes constantes de Elijah de que deveria se comportar se mostraram inteiramente entediantes. Não estava em seus planos ser um bom menino, afinal, nunca havia sido um em toda sua vida imortal. O que esperava por eles naquela festa orquestrada pela mãe podia não ser assim tão ruim, afinal.

Ao menos, tentaria tirar proveito da situação.

Humanos, vampiros e... uma bruxinha mais do que especial para ele, bebiam e dançavam. Ela, claro, estava cercada por seus guardas-pessoais, irmãos Salvatore.

Seu nome era Jessamine. Jess, para os íntimos.

Uma jovem universitária que vez ou outra passava as férias com seus tios, Damon e Stefan, e que sabia de todos os podres da cidade, mesmo sendo muito discreta. Uma linda menina-mulher, por quem ele se encantou, no instante em que colocou os olhos.

Jess, todavia, não parecia sentir nada por ele além da mais absoluta repulsa. Ela, obviamente, era leal à sua família e amigos. Para falar a verdade, isso não a tornava menos atraente aos olhos de Klaus. Quanto mais ela o rejeitava, mais ele a queria.

Ele bebeu de seu champanhe se afastando dos comentários engraçadinhos dos irmãos mais novos, apenas para notar que era observado por sua bruxinha favorita. Com o cabelo castanho acobreado ondulado, pele de porcelana, sobrancelhas grossas e olhos que eram uma mistura perfeita do castanho e verde, ela era simplesmente a maior de todas as obras de arte que ele algum dia já tinha colocado os olhos a observar, e estava pronto para declarar devoção.

Ela usava um vestido de baile branco e parecia um anjo. Ele, como o diabo disfarçado, imaginava todas as coisas que gostaria de fazer com ela. Imaginou-se trilhando um caminho de beijos do canto de sua boca em formato de coração até a clavícula. Então subiria novamente para o pescoço, onde as veias eram claras, evidentes, e ela imploraria por isso. Por ser dele. Em cada pedacinho. Da alma ao sangue.

Ele observou quando ela cochichou algo para os tios e se afastou, andando pelo salão com a confiança de que tinha vampiros de ambos os lados aos seus pés. Mesmo que particularmente não fossem dos mais cooperativos, até mesmo Kol e Rebekah admitiam que a garota Salvatore tinha algo de diferente. Klaus sabia que ela atraía a todos como um ímã... Tendo ele mesmo caído nessa armadilha fatal, chamada amor.

De certo modo, não lhe agradava nenhum pouco dividir. A ideia da atenção de terceiros estarem voltadas para sua garota lhe causava diferentes tipos de impulsos massacrantes. Mas tinha de admitir que tinha suas vantagens... Todos eles estavam dispostos a lutar ao seu lado, caso precisasse garantir a segurança dela, ou quem sabe, realmente tivesse que lutar para conseguir o seu amor.

Não era o ideal matar todos os amigos e familiares, mas continuava sendo uma consideração em sua lista mental de como conquistar Jessamine Salvatore.

Como se tivesse escutado o próprio nome sendo dito por ele, ela se virou, e por cima dos ombros o encarou, como uma delicada gazela, e ele entendeu. Ah, como entendeu.

Gostava de pensar que era o predador, mas naquele momento estava sendo a completa presa daquela criatura que o atormentava. Klaus se aproximou, seguindo-a até o estacionamento, feito um inocente animal que vai para o abate. Ele não se importava naquele momento de estarem invertendo papeis. Observou até que ela estivesse completamente de costas.

― Permite-me uma dança? ― perguntou sem rodeios, puxando-a para seus braços, enquanto a girava.

Os lábios de Jessamine entreabriram-se como se ela fosse brigar com ele, mas tudo o que ela fez foi se encaixar nos braços dele ainda mais.

― Por que demorou tanto? ― os lábios vermelhos se ergueram em um sorriso travesso. ― Creio que meus tios não sejam um problema para o famoso híbrido e sua família aterrorizante.

O hálito dela bateu de encontro ao rosto dele. Era quente, delicioso. Ele poderia passar a noite inteira escutando-a dizendo verdades sobre sua família e sua natureza, como uma sabichona. Adorava como um narizinho dela empinava nesses momentos. Mas, verdade seja dita, estava louco para ir direto ao ponto.

Bem direto mesmo. Estavam nesse joguinho de gato e rato pelo que parecia um tempo longo demais.

― Penso que você está certa, amor. Mas que graça haveria em tê-la sem de fato tê-la? Família e amigos não são algo importante para você, não é mesmo?

Os olhos de Jessamine se apertaram em desconfiança, e ela tombou a cabeça de um jeito muito sutil. Klaus conseguiu ouvir o momento exato em que o coração dela vacilou algumas batidas.

― Está dizendo que desistiria dessa perseguição infantil por mim? ― ela perguntou, tão direta quanto ele, seus olhos brilhando de algo que parecia esperança.

Ele queria dizer que sim. Deus, como ele queria. Como queria largar tudo por ela. Mas, por algum motivo, não conseguia. Não conseguia mentir para os dois. A verdade, ainda que agridoce, era tudo o que tinha a oferecer no momento. Na esperança, de que um dia, pudesse vir a ser o suficiente para ela.

― Esta noite, sim.

Jessamine soltou um suspiro longo, atormentado. E ele percebeu, pela primeira vez, que não era o único ali com tais sentimentos. Estariam em um eterno impasse. De lados opostos.

― Esta noite basta, por enquanto.

Então ele fez tudo o que havia imaginado antes, com a permissão dela, que realmente implorou no momento em que os dentes cravaram em sua pele macia. Essa foi a primeira vez que Klaus provou dela, e teve certeza que não seria a última.

Ainda iria provar dela outras vezes. De outras maneiras. Infinitamente.

Não importava como, nem quando. Ele só sabia disso. Assim como sabia, agora, que ela era sua, porque queria ser. Da mesma forma que ele já era dela muito antes... E seria muito depois também.




Notas finais
Bom, foi divertido escrever essa one. Provavelmente estarei escrevendo mais sobre o híbrido original no futuro...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!