Um pequeno filhote de javali pela floresta foi andar, acompanhado de seus 5 irmãos e sua mãe, em um leve trotar. Nada ali parecia apetitoso para se mastigar, mas um cheiro doce aos poucos tomava o ar. Sua família ia à frente enquanto o curioso começava a desviar. Quando se viu o pequeno filhotinho de seus irmãos, foi a desgarrar, caminhando pelos ermos à procura do que de bom tinha ali para tragar.

Quando foi andando, encontrou um campo em meio àquele lugar, ali tinha árvores mortas, sobrepostas a objetos formados, algumas cortadas formando linhas que eram difíceis de andar. Também tinham pedras que faziam trilhas no chão em meio àquele lugar, mas não tinha movimento algum, o que era algo a se estranhar. Mas o filhote não ligava, pois o cheiro e a curiosidade começavam a aflorar.

Andando em meio às árvores enfileiradas, foi algo encontrar um lobo de pele falha curta que do frio não podia ajudar. Suas orelhas eram caídas e seu corpo alto parecia algo faltar. Seu focinho era mais curto e seus lábios pareciam balançar, ele estava ali deitado ao lado de uma carcaça que mal estava a cheirar. O javali foi interrogar, mas o lobo o olhou, subiu em cima da carniça e começou a rosnar, o filhote entendeu o recado e dali foi se mandar.

Entrou mais fundo naquele lugar, agora encontrou um lugar cheio de lama onde algo comum foi achado, havia outro javali ali, mas este parecia ter algo a faltar, ele não tinha pelos e era liso com uma cor de pele rosada. O pequeno se aproximou e este nada fez a não ser tocar, apenas roncou para o pequeno como se ali fosse para se acomodar. O curioso perguntou o que havia ocorrido naquele recanto lugar e o grande, sem pelos, apenas com o focinho, foi a indicar as marcas no topo e o cheiro ruim que tinha também naquele lugar.

O filhote não compreendeu e foi cutucar, queria saber do cheiro bom que vinha de lá. Sem pelos, apenas o empurrou, dando um grunhido fraco, o fazendo ir procurar. O filhote ficou lambeado, balançou e foi novamente a procurar.

Continuou andando, tentando entender o que o rosado queria sinalizar, viu nas árvores tombadas as grandes marcas de garras, tão grandes que nem os ursos pareciam projetar. Ele viu que não era brincadeira e que aquilo poderia machucar, começou a andar mais sério enquanto com seu focinho ia a fungar. Foi andando até mais alguém encontrar, dessa vez era um pássaro gordo de andar desajeitado que no meio de um mato colorido ia a ciscar.

O filhote se aproximou e o ser começou a cantar, o curioso ficou fascinado e foi a comentar, porém o pássaro era muito assustado e aos poucos, com medo, foi a ficar, dando um salto para voar, mas seu peso não foi a deixar. O Javali ficou chateado, mas nada daquilo ia mudar, se aproximou do alimento ciscado para o identificar.

Quando viu, era um fruto que nunca chegou a provar, era grande e amarelado e no chão parecia brotar. Ele deu uma dentada e dele sementes foram a respingar, o fruto era duro, mas saboroso, algo que raramente se encontrava na floresta. Ele mordeu, mordeu e mordeu até que foi se enfiar dentro, ficando todo lambuzado com aquelas sementes que nele estavam a grudar.

Enquanto se empanturrava, uma grande sombra aparecia naquele lugar, os animais gritavam, começando a se esconder por todos os cantos, tentando escapar de algo. O Javalizinho desajeitado se enfiou no furto para se ocultar, quando viu pelo buraco notou que tinha algo errado a pousar. Era um monstro alado, com garras maiores que as de um leopardo indo caçar, seu porte era elevado, contendo escamas de um lagarto e olhos afiados que pareciam rasgar.

Mas seu corpo era incomum, pois somente aquilo não era o suficiente para explicar, ele tinha também asas feitas de um couro escuro que não pareciam com as dos pássaros a voar. Ele se pôs em dois pés e, com a cauda, foi a mandar, passou pelas árvores sobrepostas e, pegando o chão, foi um pedaço de madeira a carregar, nele tinha uma pedra afiada que parecia cortar. O curioso não entendeu o porquê de um ser com grandes garras precisar de algo para cortar.

Mas ele ali ficou calado, com medo de ser encontrado pelo monstro que ali estava a vagar. O mesmo quebrava umas madeirinhas que rangiam com o soprar, o lobo se escondeu e o javali em meio ao feno se meteu, o passo pelo fato no meio dos frutos obscureceu, mas não eram eles que o lagarto procurava. Com um romper de um tronco, o monstro subiu nas pilhas, que por algum motivo de grama seca acima a selar.

Ele puxou o ar e, com um estouro, soprou um forte ar. Seu ar era intenso ao ponto de a palha secar e começar a queimar. Os passarinhos que ali estavam começaram a voar, os ratos pequeninos em disparada para a floresta foram voltar, mas em meio aos troncos algo foi a pular, era uma macaca pelada, usando folhas longas e cinzentas para seu corpo ocultar, ela chorava a queimar. Todos viram ela no meio das pedras se jogar, seus sons eram estranhos, mas eram como os de alguém a se desesperar.

Ninguém a ajudou enquanto no chão ia a rolar, todos ficaram escondidos enquanto o lagarto ficava a observar, parecia entediado como se aquilo fosse um trabalho a faltar. Ele pegou seu pau com ponta de pedra e nela foi a acertar, os sons altos pararam e com os braços ele foi a pegar, carregou como um cipó mole enquanto voltava a voar. Por um momento, o pequeno filhote foi se aliviar, mas depois de tudo aquilo ali, ele não queria mais ficar.

Comeu mais um pouco do fruto e, com 2 pequenos, foi a carregar, usando seu faro, voltou à floresta para sua família procurar... entre grunhidos e roncos, achou os seus irmãos. Contou para eles a história sobre sua aventura naquele lugar, mas eles não se importaram, pois ali não iriam chegar, preferiram comer os frutos gostosos que seu pequeno irmão foi levar.

E assim termina a história de um filhote curioso que um pouco do mundo foi a explorar, e até hoje nunca entendeu o que aconteceu naquele lugar.



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