AMOR EM CAMPO

42 Capítulo 41: Despedida


Notas iniciais
⚠️Aviso importante: este capítulo retoma o arco da Letícia e aborda novamente uma situação de violência doméstica e controle. Se esse tema for sensível para você, leia com cuidado e respeite seus limites. 🤍 Agora respira fundo e vem comigo, porque a volta para Niterói não vai ser exatamente tranquila. 👀 Boa leitura, time! ❤️⚽️📖

O sol da manhã ainda estava baixo no horizonte, projetando sombras longas sobre o asfalto. A calçada da frente da casa nunca pareceu tão pequena para comportar os rituais daquela despedida.

Dona Sônia aproximou-se com os braços abertos, e Gabriel não hesitou: envolveu a sogra em um abraço de urso que a tirou do chão, arrancando dela uma gargalhada sincera.

— Vê se não demora a voltar, meu filho. Na próxima visita, prometo um empadão quentinho só te esperando.

— Olha que eu vou cobrar, hein, dona Sônia! — ele rebateu, exibindo um sorriso aberto.

Marcos deu um passo à frente. O aperto de mão entre os dois veio sem a medição de forças do primeiro dia, selado por um tapinha no ombro — um gesto legítimo de camaradagem.

— Valeu pelas instruções na beira da grelha, Marcos. Da próxima vez, eu trago os cortes de carne e o senhor só se senta para avaliar se eu aprendi a lição.

— Vou cobrar o ponto perfeito da picanha, jogador — Marcos respondeu, com um respeito novo e sólido na voz.

Antes de abrirem as portas do carro, Micaela surgiu correndo da casa com um envelope pardo nas mãos.

— Ei, Gabriel! Não se atreva a ir embora sem levar isso! É para você se lembrar de que agora tem uma torcida organizada em Saquarema.

Gabriel abriu o envelope e sorriu ao encontrar a fotografia. Todos estavam espremidos no enquadramento, com a mangueira ao fundo. Ele passou o polegar sobre a imagem de Rafaela antes de guardá-la junto ao peito.

— Ficou incrível, Mica. Vai direto para o mural do meu quarto. E trate de treinar aquele drible, porque na volta eu não vou facilitar.

Rafaela observava em silêncio, satisfeita ao ver como ele se encaixava com facilidade naquele cenário. Mas, antes que colocasse o pé no veículo, uma voz conhecida cortou o ar fresco da manhã:

— Rafaela!

Era Vera, atravessando a rua apressada, exibindo o cabelo mais curto e os mesmos olhos atentos de sempre.

— Tia Vera!

Vera a puxou para um abraço esmagador, que cheirava a amaciante de roupa e aconchego.

— Menina, olhe só para você… uma mulher feita.

— Acho que é o que acontece quando a gente cresce, tia — Rafaela forçou um riso.

— Para mim, você ainda é a menininha que comia bolo de cenoura na minha cozinha junto com a Letícia — Vera sorriu com doçura, antes de pausar o olhar em Gabriel. — E quem é esse rapaz bonito aqui?

— Tia, esse é o Gabriel… meu namorado.

— Muito prazer, dona Vera.

— Nada de "dona" para cima de mim — ela acenou, mas o observou por instantes antes de aprovar. — Então você é o famoso Gabriel. A Sônia passou o final de semana inteiro falando de um jogador de Niterói que tinha roubado o coração da filha.

A risada foi geral, mas a leveza no rosto de Vera durou pouco. Ela voltou a fixar as pupilas em Rafaela, e a feição nublou.

— Rafa… — ela chamou, o tom caindo, urgente. — Vem cá um minutinho com a tia.

Segurou o antebraço da garota e a puxou para perto do portão vizinho, longe dos outros. A mão de Vera estava fria.

— O que foi, tia? Aconteceu alguma coisa?

Vera entrelaçou os dedos nos de Rafaela.

— Está tudo bem com a minha Letícia, Rafa? — a voz quebrou sutilmente. — Ela tinha combinado de vir passar o feriado. O quarto estava arrumado, a geladeira cheia… E aí ela me ligou na véspera dizendo que a loja não tinha liberado a folga.

— Foi o que ela me falou também, tia — Rafaela mentiu, sentindo o gosto amargo subir pela garganta.

Vera balançou a cabeça devagar.

— Mãe conhece perfeitamente a voz do filho, Rafa. Eu ligo e ela fala correndo, diz que está ocupada… mas a voz da minha menina está completamente sem vida. Tem um peso ali. Eu sinto que ela está sofrendo em Niterói. — Vera apertou as mãos dela. — Você é a irmã que a vida deu para ela. Se tiver algo errado… você me fala, não fala?

A imagem do hematoma no braço de Letícia surgiu na mente de Rafaela. A verdade subiu pela garganta, mas o pânico de piorar as coisas falou mais alto.

— Eu… tenho certeza de que é só cansaço da faculdade e do trabalho, tia.

Vera a encarou em um silêncio pesado. Sabia que havia algo omitido, mas não pressionou. Tocou o braço da garota.

— Conversa com ela por mim, por favor. Diz para ela vir me ver.

— Eu converso, tia. Prometo.

Rafaela entrou no carro com as pernas pesadas. O sol parecia ter perdido o brilho.

Gabriel não deu a partida de imediato ao notar a palidez dela.

— O que aconteceu, Rafa?

— Aquela é a mãe da Letícia… — a voz dela sumiu por um instante. — Ela sente, Biel. Sente que a filha está desaparecendo e eu… eu não tive coragem de dizer o porquê.

Gabriel estendeu a mão e cobriu a dela.

— Você não mentiu por mal, Rafa. A gente ainda não sabe como ajudar sem expor a Letícia.

Ele colocou o carro em movimento. Mas, ao olhar para Rafaela, um frio violento atingiu seu próprio estômago.

E agora? Ele pensou, enquanto seus dedos apertavam o couro do volante até as articulações das mãos ficarem completamente brancas. Como é que eu vou abrir o jogo com ela sobre o início de tudo?

Ele engoliu em seco, encarando a rodovia que se abria à sua frente.

Deixa de ser um covarde de merda, Gabriel. Não dá mais para continuar olhando nos olhos dessa garota e escondendo a podridão daquela aposta. Eu preciso ser o cara que o pai dela acredita que eu sou.

Ele acelerou assim que os pneus alcançaram o asfalto liso da rodovia principal em direção a Niterói.

A conversa dolorosa com a mãe de Letícia continuava pairando no ar do veículo durante a viagem de volta. Rafaela mantinha o olhar fixo na estrada, com as mãos inquietas e juntas no colo.

Tentando dissipar a tensão sufocante, Gabriel quebrou o silêncio:

— Ei, gata… por que você não coloca a sua playlist para tocar aí?

Rafaela olhou para ele, grata pela tentativa. Conectou o celular e, quando a música começou, Gabriel acompanhou o vocal, desafinando de propósito.

— Meu Deus, Gabriel… ainda bem que seu forte é o futebol, porque se dependesse da música para sobreviver…

— O que foi, não gostou do meu talento vocal? — Ele soltou um riso alto e deu uma olhada rápida para ela. — Ah, esqueci que o seu forte é a dança. — Arqueou uma das sobrancelhas, provocando-a abertamente. — Um concurso de funk, sério mesmo, nerdzinha?

Rafaela se curvou na direção dele, a fita do cinto de segurança esticando-se contra o peito, e lançou um olhar audacioso:

— Seríssimo, Duarte. Se eu ganhei aquele primeiro lugar com a vila inteira olhando, imagina o que eu faço quando a plateia for só você.

Gabriel a encarou, a voz ficando grave.

— Isso quer dizer que vou ganhar uma apresentação particular?

— Quer dizer que, assim que a gente entrar naquele apartamento, você vai ter que aguentar o que pediu — ela murmurou, sem vergonha nenhuma.

Gabriel soltou um riso desacreditado, enquanto tentava manter os olhos na pista:

— Puta que pariu, garota… Você não tem medo nenhum do perigo, né? Falar um absurdo desse comigo dirigindo é pedir pra eu jogar esse carro no primeiro acostamento.

— Duvido você ter coragem — ela provocou, recostando a cabeça no banco e aumentando o volume da música.

Como resposta, Gabriel tirou a mão direita do volante. Deslizou os dedos devagar pela coxa dela, subindo sem pressa até afundar a mão com vontade na parte de dentro, bem rente a virilha.

O sorrisinho convencido de Rafaela deu lugar a um arfar curto e surpreso.

— Continua rindo — Gabriel avisou, apertando a coxa dela. — Vai ter que sustentar essa marra toda quando chegar, Rafaela.

⚽️📖⚽️

Gabriel já sabia que o apartamento estaria vazio — Daniel e Diego tinham avisado no grupo que só voltariam à noite.

Ele nem esperou que ela tirasse a mochila do ombro. Puxou Rafaela pela cintura, prensado-a contra a madeira da porta, explorando sua boca em um beijo voraz. A língua dele dominou a dela, enquanto suas mãos grandes desciam para apertar a bunda dela por cima do jeans, colando os quadris dos dois.

Rafaela sentiu o volume rígido dele pressionando contra a sua barriga e soltou um gemido abafado no meio do beijo.

O contato foi quebrado quando ela mordiscou o lábio inferior de Gabriel e deu um passo para o lado, deslizando para fora do aperto dos braços dele deixando a mochila cair no chão.

— Qual foi, Rafa? Vai fugir agora?

— Ué… — Ela deu um sorriso lento, tirando o celular do bolso de trás do short sem pressa alguma. — Você não passou a viagem inteira me cobrando a apresentação particular?

Com dois toques na tela, uma batida grave de funk começou a ecoar pela sala silenciosa.

Gabriel permaneceu encostado na porta, os braços cruzados enquanto via a garota cruzar o cômodo na direção dele.

— Senta ali — Rafaela apontou com o queixo na direção do sofá.

O atacante se jogou no estofado, recostando a cabeça para trás, encarando-a com aquele olhar faminto que fazia a pele dela formigar:

— Vai em frente, dançarina. Mostra o que você sabe fazer.

Rafaela caminhou até ele no compasso da música, parando entre as pernas abertas de Gabriel e, num movimento contínuo e deliberado, montou no colo dele.

O impacto foi imediato: ela sentiu o calor absurdo do pau dele queimando por baixo do tecido da bermuda. Segurando nos ombros de Gabriel, Rafaela começou a rebolar lentamente, descendo e subindo o quadril com um movimento sensual, esfregando o próprio sexo direto contra a ereção dele, sustentando o olhar do camisa dez a cada rotação.

A fachada de espectador descontraído do jogador desmoronou em três segundos.

Um palavrão escapou baixo por entre os dentes de Gabriel. As veias do pescoço saltaram, e as mãos grandes desceram pela cintura dela, apertando os dedos na pele com força.

— Rafaela… Para de brincar com a minha cara… Você tá me deixando completamente maluco.

— Pensei que atletas aguentassem mais a pressão — ela sussurrou de volta contra os lábios dele, descendo o quadril com mais peso, arrancando um gemido longo e desesperado dele.

— Eu aguento — Gabriel rebateu. — Mas não sentado aqui feito um idiota.

Ele passou os braços por baixo das coxas dela, ergueu o corpo de Rafaela do sofá sem esforço algum, carregando-a direto para o quarto.

Gabriel a jogou no colchão e foi arrancando as roupas de ambos, com a pressa de quem passou dias se segurando. O corpo esculpido estava tenso, o pau ereto e pulsando, pedindo passagem. Mas, antes que ele pudesse assumir o controle, Rafaela escorregou as duas mãos pelo peitoral dele e o empurrou, obrigando-o a cair de costas no colchão.

— Que isso, Rafa?

— Quieto.

Ela se colocou de joelhos entre as coxas abertas dele. Deslizou as unhas pelas pernas musculosas do jogador, subindo devagar, até alcançar o membro grosso e latejante. Fechou os dedos ao redor do comprimento com força, tirando um gemido rouco da garganta dele. Abaixou o tronco devagar, roçando os lábios úmidos bem na glande sensível, passou a ponta da língua devagar, saboreando a gota límpida que brotava na ponta, sustentando o olhar faminto dele o tempo inteiro.

Gabriel tentou levar as mãos à nuca dela para apressar o movimento, mas ela segurou os pulsos dele e os prensou na cama.

— Eu mandei ficar quieto.

Ela o engoliu de uma vez só, descendo até a metade da garganta. Gabriel soltou um urro rouco, o queixo apontando para o teto enquanto seus dedos se fincavam com força nos lençóis. Rafaela sugava com gosto, usando a sucção e a língua com precisão, subindo o olhar para vê-lo completamente à mercê dela.

A sensação deliciosa da boca dela ameaçou levá-lo ao limite. Ele segurou os cabelos dela e a puxou para cima.

— Chega… vem cá, senão eu vou gozar na sua boca — ele pediu com a voz arrastada.

Gabriel se sentou na beira da cama, apoiando os pés no chão, e segurou Rafaela pela cintura para que ficasse de pé entre as pernas dele. Suas mãos subiram pelas coxas dela alinhando o corpo dela direto ao seu. Antes de deixá-la descer, Gabriel roçou a cabeça do membro na intimidade úmida dela, inclinando o rosto para sussurrar no ouvido dela.

— Você tá tomando o remédio direitinho, né, nerdzinha?

Rafaela envolveu os braços no pescoço dele.

— Eu sou analítica, Duarte… não esqueço essas coisas.

— Perfeito.

Gabriel a guiou para baixo e Rafaela sentou com tudo. Um gemido longo e agudo escapou da boca dela, enquanto Gabriel soltava o ar, sentindo o aperto gostoso e quente que só ela tinha.

— Agora rebola para mim… do jeito que você tava fazendo lá na sala — ele pediu os lábios roçando nos dela.

Rafaela começou a subir e descer no colo dele, rebolando em círculos e aproveitando o contato direto. Gabriel usou as mãos livres para apertar a bunda dela a cada descida, enquanto devorava a boca dela e descia os beijos pela curva do pescoço, até abocanhar um dos seios com vontade, chupando o bico ereto enquanto a ouvia delirar de prazer por cima dele.

— Assim, Gabriel… meu Deus! — ela gemia, a cabeça jogada para trás enquanto sentia o corpo inteiro explodir no primeiro orgasmo.

— Minha vez — ele murmurou contra a pele aquecida do peito dela.

Gabriel levantou-se com ela presa ao seu corpo sem desfazer o encaixe e a deitou de costas na cama, vindo por cima e começou a macetar com estocadas fundas, rápidas e impiedosas. Rafaela agarrou as costas largas dele, ainda em êxtase.

— Você é minha, Rafaela. Entendeu? Toda minha.

— Gabriel a encarou enquanto acelerava ainda mais, atingindo o ponto mais fundo dentro dela.

— Sua… eu sou sua, Gabriel! — ela gritou, a voz falhando quando outro clímax a atingiu em cheio, contraindo a intimidade dela com força ao redor dele.

Gabriel soltou um rosnado grave e se derramou por inteiro dentro dela em jorros quentes, escondendo o rosto no pescoço dela enquanto o prazer o rasgava de cima a baixo.

A calmaria que tomou conta do quarto logo em seguida foi total e absoluta. Gabriel continuava com o peito subindo e descendo contra o rosto de Rafaela, os dedos dele perdidos nos fios embaraçados do cabelo dela num afago lento.

A adrenalina da chegada tinha baixado por completo.

— No que você tá pensando? — a voz de Rafaela saiu abafada contra a clavícula dele.

Gabriel demorou para responder. Os olhos dele estavam fixos na moldura da janela, onde a claridade da tarde em Niterói já começava a perder força, ganhando tons alaranjados.

— Em nada demais, nerdzinha — ele mentiu, a voz ainda um pouco áspera. Desceu a mão pelas costas nuas dela num toque carinhoso, tentando afastar a sensação sufocante que voltava a fechar sua garganta.

— Mentira. — Ela ergueu um pouco o tronco, apoiando o queixo no peitoral dele para encará-lo de frente. O cabelo caía desordenado sobre os ombros. — Te conheço. Você tá aéreo desde a hora que a gente entrou na rodovia.

Ele engoliu em seco. A lembrança do envelope no bolso da bermuda — jogada em algum canto do chão do quarto, com a foto da família dela debaixo da mangueira — pareceu queimar. A conversa com o sogro e... e o rosto abatido da mãe de Letícia no portão em Saquarema. Tudo parecia convergir para um beco sem saída.

— É a sua amiga — ele disse, usando metade da verdade como escudo. — Fiquei pensando na dona Vera. Na forma como ela falou com você.

A expressão de Rafaela nublou no mesmo instante. Ela suspirou, deitando a cabeça de novo sobre o peito dele, como se buscasse abrigo.

— Eu nunca menti para minha tia daquele jeito. Mas não tive coragem de abrir a boca sobre o namorado dela.

— Porque você não podia jogar uma bomba daquelas sem saber como proteger a garota primeiro — Gabriel rebateu, apertando o abraço ao redor dela. — Se você falasse qualquer coisa ali, a dona Vera vinha direto pra cá, a Letícia ia entrar em pânico e aquele cara podia fazer coisa pior.

— Não posso mais fingir que não sei de nada, Biel. — Ela ergueu a mão, os dedos deslizando sem rumo pelo peito dele. —Aquele desgraçado tá passando dos limites. Preciso ir pra casa, conversar com a Letícia.

Gabriel soltou um suspiro longo, apertando-a com um pouco mais de força contra o peito antes de liberá-la.

— Vou com você. Mas escuta, depois que a gente resolver essa parada com a Letícia, eu preciso muito conversar contigo.

Rafaela parou os dedos, franzindo o cenho de leve. Ergueu os olhos escuros, tentando decifrar o que havia por trás daquele tom subitamente sério.

— Conversar sobre o quê?

— Sobre nós dois. — Ele respondeu, engolindo o nó que insistia em subir. — Sobre uma coisa que eu já devia ter falado faz tempo.

— Tá me deixando preocupada, Duarte.

— Não precisa ficar — ele a acalmou, puxando a testa dela de encontro aos seus lábios num beijo demorado. — A prioridade agora é a Letícia. Uma coisa de cada vez.

Rafaela assentiu devagar contra o ombro dele, mas a leveza do quarto já tinha se dissipado. Tomou um banho rápido para tirar o rastro do suor, vestiu-se com uma camiseta dele e um short jeans desbotado, sentindo o corpo leve pela entrega recente, mas a mente pesada.

Quando chegaram ao apartamento dela, Rafaela girou a chave na fechadura, esperando ouvir o som abafado da televisão ligada ou a voz da amiga ao telefone. Mas o que encontrou ao empurrar a madeira foi um vazio gelado e sepulcral.

— Lê?

Ela caminhou até o quarto da amiga e empurrou a porta. O choque a atingiu no peito.

O cômodo estava limpo demais. Impessoal. O guarda-roupa escancarado revelava apenas cabides vazios.

— Gabriel…

O atacante apareceu logo atrás dela, o rosto fechando-se e endurecendo imediatamente ao bater os olhos no vazio do ambiente.

Rafaela deu um passo trêmulo para dentro do quarto e pegou o pedaço de papel lilás — a cor favorita da amiga —, posicionado em cima do colchão desfeito.

“Rafa, me desculpa. O Gui e eu decidimos que é melhor eu ficar no apartamento dele por enquanto. Acho que vai ser melhor para os meus estudos e para o trabalho. Já deixei minha parte do aluguel deste mês paga. Por favor, não me procure agora. Eu realmente preciso de um tempo e de espaço. Te amo.”

O papel escorregou dos dedos dela.

— Ele a levou, Gabriel — Rafaela se virou, os olhos transbordando lágrimas. — A tia Vera estava certa. Aquele infeliz levou a minha amiga e eu… meu Deus, eu o ajudei mentindo na cara da mãe dela!

Gabriel a puxou para um abraço apertado, encarando a nudez daquele quarto vazio. O estômago revirou em pura náusea.

Ele tinha voltado do feriadão decidido a abrir o jogo sobre a aposta. Mas, vendo Rafaela desmoronar em pavor pela amiga, Gabriel paralisou. Como ele poderia dizer que o amor deles tinha nascido de uma farsa podre no mesmo instante em que ela levava aquele golpe?

— Vai ficar tudo bem, Rafa — ele mentiu, mantendo a voz firme por fora enquanto se estilhaçava por dentro.

Gabriel segurou a namorada contra o peito, sabendo, com uma clareza aterrorizante, que algumas verdades não desaparecem quando são adiadas.

Elas apenas esperam o momento certo para destruir tudo.



Notas finais
Time… eu queria muito terminar esse capítulo falando alguma coisa engraçada sobre o Gabriel e a Rafaela voltando para Niterói. Mas acho que, dessa vez, a gente precisa conversar sobre a Letícia. Rafaela mentiu para a mãe da amiga tentando protegê-la. E agora precisa lidar com a culpa, com o medo e com a pergunta que provavelmente também está passando pela cabeça de vocês: Letícia foi embora por que quis ou por que foi manipada? 👀 E enquanto Rafaela enfrenta esse problema, Gabriel continua carregando o próprio segredo. Ele prometeu que contaria. Só que, mais uma vez, adiou. E vocês já sabem que segredo nenhum fica escondido para sempre, né? 👀 Então me contem: o que vocês acham que vai acontecer com a Letícia agora? E vocês acham que o Gabriel finalmente vai conseguir contar toda a verdade para a Rafaela? Até o próximo capítulo, time. ❤️⚽️📖