AMOR EM CAMPO
42 Capítulo 45: Marcado
Notas iniciais

A manhã chegou devagar, trazendo uma claridade suave que se infiltrou no quarto do hotel pelas frestas da cortina. Rafaela abriu os olhos lentamente, levando alguns segundos para reconhecer o lugar onde estava. O braço de Gabriel ainda pesava sobre ela, envolvendo-a e puxando-a contra o peito dele. O calor da pele, o som da respiração tranquila, o ritmo constante do coração… tudo parecia irreal, como um sonho que insistia em continuar mesmo depois do despertar.
Ela permaneceu imóvel, absorvendo o cheiro dele, uma mistura do perfume amadeirado e da intimidade da noite que haviam dividido. O peito apertou. A lembrança do que viveram ainda era tão vívida que um arrepio percorreu sua pele só de pensar. Mas, junto com o arrepio, veio a pergunta inevitável e silenciosa: e agora?
Rafaela nunca fora de se deixar levar. Sempre calculava, planejava, se protegia. Era assim que sabia existir. Mas naquela noite… não havia cálculo possível. Tinha se entregado por inteiro. E, talvez o mais assustador de tudo, gostara mais do que imaginara ser capaz.
Gabriel se mexeu ao lado dela, anunciando o despertar com um 'Bom dia' murmurado em uma voz ainda rouca de sono. Ao virar o rosto, Rafaela encontrou os olhos semicerrados e o sorriso preguiçoso que parecia já a esperar.
— Bom dia! — respondeu, baixo, como se temesse quebrar a delicadeza daquele instante.
Ele esticou a mão, afastando uma mecha que caía sobre os olhos. O gesto foi simples, quase automático, e ainda assim fez o coração de Rafaela acelerar. Ali, deitado ao lado dela, Gabriel não parecia o galanteador confiante que todos conheciam. Parecia… verdadeiro. Simples. Seu.
— Dormiu bem? — perguntou, tranquilo.
Rafaela fez que sim, mordendo de leve o lábio, um pouco envergonhada.
— Dormi… mas… — começou, baixando o olhar. — Ainda tô tentando acreditar que isso realmente aconteceu.
Gabriel riu baixo e se inclinou para beijar de leve o canto da boca dela.
— Acredite. Eu também ainda tô tentando processar.
Rafaela suspirou. As lembranças dos beijos, das mãos dele explorando sua pele com calma e atenção, voltaram com força. Seus sentidos responderam de imediato. Ela virou, tentando disfarçar o próprio reflexo.
Gabriel percebeu.
— Ei… — chamou, a voz ainda sonolenta, mas atenta. — O que foi?
Ela demorou a responder. Ficou alguns segundos observando o desenho que a luz do sol formava na parede, como se procurasse ali a coragem que sempre tivera de sobra… até aquela noite.
— Nada — mentiu, por fim.
Gabriel se apoiou no cotovelo, estudando suas feições com cuidado, como quem tenta compreender algo importante demais para ignorar.
— Rafa, você se arrependeu, é isso? — perguntou, tentando manter o tom leve, mas a insegurança escapava nas entrelinhas. — Se for… pode me falar.
Ela se virou para ele, levando a mão à face dele com delicadeza.
— Não, Gabe. Não é isso. — Sua voz saiu firme, apesar do sorriso tímido. — Eu tô feliz que tenha acontecido… tudo.
Ela engoliu em seco antes de completar:
— É só que… eu nunca pensei que fosse ser assim.
Gabriel riu baixinho, um sentimento de alívio surgindo no peito. Ele a puxou de volta para junto do peito.
— E ainda não faz ideia do quanto pode ser melhor — sussurrou, com uma provocação suave. — Essa foi só a primeira vez… de muitas. Se você quiser.
Rafaela passou a língua pelos lábios, tentando controlar a maneira como a mera palavra — muitas — lhe afetava. O corpo se aqueceu contra o de Gabriel, a intensidade daquele desejo crescendo sem controle, como uma onda que ela não podia impedir e nem queria impedir.
— Sim… eu quero. — respondeu, quase surpresa com a própria sinceridade.
O sorriso de Gabriel foi imediato, aberto, genuíno. O desejo de tê-la novamente latejando tão fortemente quanto o sangue correndo por suas veias.
Com mãos firmes, a virou de leve, deitando-se sobre ela. Rafaela correspondeu sem hesitar, abrindo-se para ele. Gabriel sentiu o calor e a umidade já entre suas pernas e a maneira como as mãos dela subiram pelas suas costas, memorizando cada linha retesada dos músculos dele.
— Isso é tudo que eu precisava ouvir. — murmurou.
Ele capturou os lábios de Rafaela num beijo possessivo, como se tentasse tomar posse de cada curva do sorriso dela. Ela retribuiu do mesmo modo, permitindo que sua língua entrasse em sua boca, buscando por mais, explorando-a com gana. Gabriel prensou-se contra ela, cada linha dura, cada curva definida causando em Rafaela uma dor aguda de vontade.
Até que…
Grrrrooonc.
O som foi alto. Inconfundível.
Gabriel congelou por meio segundo, os lábios ainda próximos aos dela. Rafaela piscou, confusa… e então entendeu.
Ela tentou se conter, mas falhou.
A risada escapou leve, surpresa, cristalina, quebrando a tensão como um raio de sol atravessando uma nuvem carregada.
— Meu Deus… — ela disse entre risos. — Isso foi o seu estômago?
Gabriel fechou os olhos por um instante, derrotado, e então riu também.
— Acho que isso é um sinal — admitiu. — Se a gente continuar agora, posso acabar desmaiando de fome no meio do caminho.
Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para perto outra vez, agora num abraço confortável, menos urgente, mas igualmente íntimo.
— Seria um jeito memorável de estragar o clima — respondeu ela, sorrindo.
— Vai fingir que não tá com fome também? — provocou, a voz carregada de ironia suave. — Eu tô morrendo, não acredito que a gente gastou tanta energia ontem…
— Gabriel! — Ela puxou o lençol, se escondendo, sentindo as bochechas queimarem. — Você não tem filtro nenhum.
Gabriel soltou uma risada curta, puxando o lençol do rosto dela.
— Filtro é para quem precisa, e eu nunca precisei. — Ele disse, aproximando-se para beijar de leve a boca dela. — Além disso… não adianta se esconder. Eu vi cada detalhe ontem.
Rafaela fechou os olhos, tentou ignorar o arrepio que percorreu sua pele só de ouvir a voz dele tão perto. Ela odiava — e, ao mesmo tempo, amava — como ele conseguia deixá-la vulnerável com meia dúzia de palavras.
— Você não vai parar de falar essas coisas, né? — murmurou, ainda tentando se esconder atrás das mãos.
— Nunca. — respondeu, com um riso preguiçoso, mas verdadeiro.
Pouco depois, eles se levantaram juntos. Após um banho rápido, Rafaela vestiu um moletom e Gabriel jogou a camiseta por cima da cabeça. Antes de sair, ele segurou a mão dela.
— Café da manhã? — perguntou.
— Café da manhã. — confirmou ela.
No restaurante do hotel, encontraram alguns dos amigos de Gabriel tomando café, risadas espalhadas entre mesas, comentários sobre o jogo, planos desencontrados. Houve cumprimentos, brincadeiras rápidas, olhares cúmplices trocados por cima da xícara de café.
Mas havia algo diferente agora.
Quando saíram, já no estacionamento, o sol subia firme no céu. O asfalto os chamava.
Encostado contra a lateral do ônibus, Gabriel acolheu o rosto de Rafaela entre as mãos para unir suas testas em um gesto de despedida.
— O ônibus vai te deixar perto de casa — disse baixo. — A gente se vê depois.
Ela concordou, sentindo aquele aperto bom no peito.
— Tá bom.
O beijo foi breve. E quando cada um seguiu para seu ônibus.
O veículo começou a se mover devagar, deixando o estacionamento do hotel para trás. Rafaela escolheu um lugar perto da janela, encostando a testa no vidro ainda frio. A cidade foi ficando menor, dissolvendo-se em placas de estrada, postos de gasolina e campos abertos.
O silêncio agora era diferente do da ida. Menos expectativa. Mais reflexão.
Ela puxou a manga do moletom, cobrindo as mãos, e respirou fundo.
Ainda sentia Gabriel nela, não só no corpo, mas em algo mais profundo. No jeito como ele foi paciente. Na conversa. No riso depois do estômago roncando. Aquilo desmontou qualquer fantasia exagerada e deixou só o que importava: eles.
Do outro lado do trajeto, no ônibus do time, Gabriel estava jogado no banco, com os fones pendurados nas orelhas, sem música alguma tocando. Olhava o mundo passar rápido demais, como se tudo estivesse em movimento enquanto ele, por dentro, tivesse ficado parado em algum ponto da noite anterior.
O corpo ainda carregava o cansaço do jogo. Músculos doloridos, respiração pesada. Mas não era isso que o deixava inquieto.
Era Rafaela.
Gabriel já tinha dividido camas antes. Muitas. Sabia exatamente como aquelas histórias costumavam acabar: intensidade rápida, química imediata, o prazer resolvido em poucas horas e depois… o vazio confortável do desapego. Nunca fora cruel, nunca prometera o que não sentia. Era fácil assim. Sempre fora.
Até não ser mais.
Com Rafaela foi diferente desde o começo e ele sabia. Não fora só o jeito como ela o tocava, ou como reagia ao toque dele. Havia sido como ela perguntava com o olhar antes de avançar. Como confiava sem se anular. Como se entregava sem se perder.
Gabriel fechou os olhos por um instante, quando os abriu novamente encarou o reflexo distorcido no vidro. Lembrou-se do riso baixo dela pela manhã, da forma como se encolhera um pouco quando falou “nunca pensei que fosse ser assim”. Bom, ele também não.
Com ela, ele não sentia vontade de fugir. Nem de simplificar.
Não era só desejo, embora o desejo estivesse ali, vivo, insistente. Era outra coisa. Uma vontade calma de estar. De repetir não o ato, mas a sensação de entrega absoluta, de pertencimento.
Gabriel passou a mão pelo rosto, respirando fundo.
Ele sabia reconhecer quando algo era passageiro. E sabia, com uma clareza quase desconcertante, que aquilo não era.
Rafaela não ocupara apenas o espaço ao lado dele na cama. Ocupara um lugar que ele nem sabia que estava vazio. Um lugar onde o toque vinha acompanhado de significado, onde o prazer não se esgotava no corpo.
Ele a amava.
A constatação não veio com alarde. Não foi dramática. Veio muda, firme, como uma verdade que não precisava ser dita em voz alta para existir.
A rodovia seguia longa, reta. O movimento embalou pensamentos, expectativas, medos e uma nova certeza se formando, silenciosa.
⚽⚽⚽
Gabriel, Daniel e Diego entraram em casa juntos, largando as mochilas perto da porta num rastro de cansaço. Enquanto os amigos ainda comentavam ruidosamente sobre o jogo no corredor, Gabriel seguiu direto para a cozinha. Abriu a geladeira sem realmente procurar nada e encostou-se no balcão, perdido naquela nova paz que o habitava.
Daniel, entrando logo atrás e percebendo o silêncio do amigo, arqueou uma sobrancelha.
— O que tá acontecendo, Gabs? Cê tá estranho.
Gabriel deu de ombros, tentando manter a expressão neutra.
— Só tô meio cansado. Nada de mais.
Diego apareceu logo em seguida, camiseta larga, celular na mão. Observou Gabriel que parecia mais feliz do que o normal e não parecia ter nada a ver com a vitória da noite anterior.
— Desde quando cansaço faz alguém ficar com essa cara de bobo?
Gabriel desviou o olhar, traçou o contorno do mármore, como se estivesse organizando pensamentos que não queria dividir.
— Vocês viajam. — murmurou.
— Não mete essa… — Daniel respondeu, abrindo a geladeira. — Depois de jogo fora, você costuma voltar falando besteira, reclamando do ônibus, do hotel, da comida, do juiz… hoje você veio o caminho todo com essa cara de quem viu o passarinho verde.
Gabriel riu sem humor. Um som curto, quase um suspiro disfarçado.
— Tô cansado mesmo. Vou tomar um banho — encerrou, já se afastando.
Diego riu e trocou um olhar rápido com Daniel antes de provocar:
— Aham… Tá com um sorrisinho de quem teve uma noite bem cansativa mesmo.
Gabriel ignorou e subiu direto para o quarto. Sabia que, se ficasse dois segundos a mais, as especulações só iam piorar.
Minutos depois, ele desceu as escadas apenas de short, secando o rosto com uma toalha. Daniel e Diego continuavam na cozinha, agora dividindo um sanduíche enquanto riam de um vídeo da partida. Gabriel caminhou até a geladeira para pegar uma garrafa d’água e, por um instante, o silêncio tomou conta do cômodo.
Daniel arregalou os olhos, processando a imagem por um segundo antes de explodir em uma gargalhada que ecoou pela cozinha.
— Mas que porra é essa?!
Gabriel franziu a testa, confuso, até perceber para onde os amigos olhavam: os ombros e as costas marcados por arranhões ainda bem visíveis.
Diego bateu as mãos nas coxas, incapaz de conter o riso.
— Alguém aqui foi atacado essa noite!
— Mano, eu sabia! — Daniel apontou para ele, divertindo-se. — Sabia que tinha algo diferente! A Rafaela te deixou marcado, hein?!
Gabriel soltou o ar pesadamente, passando a mão pelo ombro marcado, mas não conseguiu conter o sorriso satisfeito que escapou. Daniel não fazia ideia do quanto Rafaela o marcou e não era só na pele.
— Vocês são insuportáveis. Sério.
Diego sinalizou para ele, ainda rindo.
— E você é um homem morto se a Rafaela descobrir que a gente viu as provas do crime!
O cômodo explodiu em mais gargalhadas. Gabriel foi até a sala, pegou uma camiseta jogada no sofá e a vestiu rápido demais para alguém que dizia não se importar. Quando retornou, encarou os amigos com um olhar sério.
— Se um de vocês fizer qualquer comentário perto dela, eu juro que mato.
Daniel ergueu as mãos em rendição, rindo.
— Tranquilo, tranquilo… Só precisamos saber de uma coisa: foi um jogo limpo ou você precisou chamar o VAR?
Gabriel jogou a toalha úmida na direção dele. Não acertou, mas também não interrompeu as risadas que continuaram ecoando pela casa.
Ele tentou parecer irritado. Mas o bom humor era impossível de esconder.
Percebendo que as risadas não iam cessar tão cedo, Gabriel se apoiou no balcão, batucando na superfície, já prevendo o interrogatório.
— Então… — Diego começou, com aquele sorriso lento de quem estava prestes a encher o saco. — Vamos aos detalhes importantes.
— Não. — Gabriel cortou na mesma hora. — Sem detalhes.
Daniel fingiu ofensa.
— Ué, mas você sempre gostou de se gabar. Com essa nem começou e já acabou?
— Exatamente — Gabriel respondeu, seco. — Vida pessoal. Privada. Sigilo absoluto.
— Ih, olha lá… — Diego se aproximou, teatral. — Ele agora é reservado.
— Mas para ele tá assim é porque o negócio foi bom. — Daniel provocou ainda mais. — Nem adianta negar. Dá para ver pela sua cara e pelas marcas. — Apontou de novo, sem perder a chance.
Gabriel revirou os olhos.
Ele não podia negar. A noite com Rafaela, sem dúvida, entraria para a lista das melhores de sua vida. Mesmo tentando manter a calma, a lembrança provocava uma vontade quase involuntária de sorrir.
— Quem diria que a nerd faz o tipo selvagem. — Diego falou com um sorrisinho.
Gabriel revirou os olhos
— Vocês são uns tarados, sabiam?
— Estamos impressionados, isso sim. — Diego deu de ombros.
— Impressionados por quê? — Gabriel desafiou.
— Porque já te vimos sair de muitas camas por aí, mas você nunca voltou assim. Quieto. Tranquilo. Protegendo os detalhes.
Daniel concordou.
Gabriel respirou fundo.
— Já disse que não vou dar detalhe nenhum. Nem agora, nem nunca. Respeita.
— Opa, opa… — Diego levantou as mãos, rindo. — Respeito total. Mas zoar não tá proibido, né?
— Tá implícito — Gabriel respondeu.
— Relaxa — Daniel deu um tapinha no ombro dele. — A gente só quer saber uma coisa. Só uma e prometemos que te deixaremos em paz.
Gabriel fechou a expressão.
— Lá vem.
— Quando você estava lá com a Rafaela, bem na hora H, não te bateu um medo do Diego aparecer na porta do quarto de vocês gritando, não? — Daniel soltou, caindo na gargalhada logo em seguida, acompanhado por Diego.
— Ou o Daniel te oferecendo remédio para impotência.
Mais risos.
Gabriel apertou os punhos com força antes de responder:
— Vocês são muito sem noção.
Enquanto os amigos zoavam, trocando cochichos e risadinhas sobre como ele finalmente fora fisgado, Gabriel pegou a garrafa de água, subiu as escadas e fechou a porta do quarto atrás de si, encostando-se nela. Passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro profundo.
Sentou-se na beira do colchão, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Pegou o celular quase sem pensar. Nem precisou procurar muito antes de encontrar o nome dela e apertar o botão de chamada.
O telefone tocou algumas vezes antes de ser atendido.
— Oi, campeão — a voz de Rafaela soou suave do outro lado da linha.
— Oi, nerdzinha. Atrapalho?
— Não. — Ela sorriu, ajeitando a colcha da cama. — Tava só… tentando me convencer a desfazer a mala.
Ele riu do outro lado.
— Para mim, essa também é a pior parte de viajar. Chegou bem?
— Cheguei sim. — Ela fez uma pequena pausa. — Conseguiu dormir na volta?
— Um pouco. E você?
— Quase nada. — Rafaela deu de ombros, mesmo sabendo que ele não podia ver. — Fiquei olhando a paisagem e pensando.
— Em quê? — ele incentivou.
Ela suspirou, olhando para o vazio do quarto.
— Em você… — confessou.
O peito dele apertou de leve.
— Eu também fiquei o caminho todo com você na cabeça… — Gabriel ficou em silêncio por um segundo, depois mudou o tom, mais leve. — Se eu disser que já estou morrendo de saudades, você vai rir da minha cara?
Do outro lado da linha, Rafaela estava sentada, encarando a mala ainda fechada no chão. O cômodo parecia grande demais depois do espaço que haviam dividido. A quietude ali era diferente do hotel, mas a sensação no peito era a mesma: um misto de expectativa e ansiedade.
— Não vou rir, não. — Passou os dedos pela barra da camiseta. — Na verdade, eu também estou. Queria estar com você agora.
Houve alguns segundos de silêncio do outro lado, longos o bastante para fazer o coração dela acelerar. Então Gabriel respondeu, a voz mais baixa, quase um sussurro:
— Você tá me convidando?
Rafaela sorriu sozinha, mordendo o lábio.
— A Letícia não tá em casa. Foi passar o final de semana na casa do namorado… só volta amanhã. — fez uma pausa breve. — Aqui ficou… muito quieto de repente.
— Me dá trinta minutos — disse — Tô chegando.
Nada no mundo o faria perder a chance de vê-la.
Desligando a chamada enquanto já saltava da cama, Gabriel vestiu-se com uma urgência que não sentia há muito tempo. Enfiou a carteira no bolso e, em um movimento quase instintivo, abriu a gaveta da mesinha para garantir que não faltaria proteção.
Na sala, Daniel e Diego, agora largados no sofá, assistiam a um jogo qualquer na TV. Quando Gabriel passou por eles, arrumado e perfumado demais, o destino ficou óbvio.
Diego estreitou os olhos, com um sorriso malicioso.
— Ué… você não ficou nem duas horas em casa e já tá saindo de novo?
Gabriel pegou as chaves do carro, sem diminuir o passo.
— Não me diga que você já vai atrás da Rafaela — Diego provocou. — Mano… que chá foi esse?
Daniel riu, jogando um punhado de pipoca na direção dele.
— O cara nem descansou para repor as energias e já tá correndo para a namoradinha. Tá ferrado, irmão. Perdeu totalmente a autonomia.
Diego analisou Gabriel dos pés à cabeça.
— E olha para ele! Todo arrumado. Aposto que vai todo bonitão só para seduzir a garota de novo.
Gabriel parou por um segundo e abriu um sorriso debochado.
— Engraçado. Muito engraçado. — Abriu a porta. — Mas, enquanto vocês vão passar o domingo inteiro abraçados assistindo TV, eu vou estar fazendo algo bem melhor.
Diego pegou uma almofada e arremessou, errando por pouco.
— Vai se foder!
Gabriel riu, já do lado de fora.
— Vou mesmo. E de um jeitinho bem melhor do que vocês. Tchau, babacas.
A porta se fechou atrás dele em meio a risadas e xingamentos.
No carro, enquanto dirigia pelas ruas quase vazias, Gabriel sentia o peito apertar de um jeito bom. Ao chegar à casa dela, tocou a campainha uma única vez. Mal teve tempo de processar o momento, pois Rafaela abriu quase imediatamente, como se estivesse esperando atrás do portão.
Ela usava uma camiseta simples, um short justo e o cabelo solto, levemente bagunçado. Não parecia arrumada para impressionar e talvez por isso mesmo ele a achasse ainda mais bonita.
— Oi — ela disse, simples.
— Oi — ele respondeu, do mesmo jeito.
Rafaela deu um passo para o lado, abrindo espaço.
— Entra.
Lá dentro, a casa estava quieta. Luzes baixas. Um cheiro leve de sabonete e café fresco no ar. Assim que Gabriel cruzou o limite da porta, Rafaela a fechou com um clique suave, encostando as costas na madeira por um segundo enquanto o observava.
— Chegou rápido. Não me diga que ignorou todos os limites de velocidade? — provocou, com um sorriso de canto.
— Não — ele respondeu. — Cheguei rápido porque o trânsito estava tranquilo.
Ela concordou enquanto se aproximava e o abraçava.
Gabriel fechou os olhos no mesmo instante, envolvendo-a com os braços, sentindo o calor do corpo dela contra o seu.
— Que bom que veio — falou, a voz abafada contra o peito dele.
Gabriel engoliu em seco antes de responder.
— Você acha mesmo que eu recusaria qualquer oportunidade de passar mais tempo com você?
Eles se afastaram devagar, mas não completamente. A mão dele permaneceu na cintura dela; a dela, apoiada nos ombros dele, como se nenhum dos dois quisesse quebrar o contato por inteiro.
— Quer café? — ela perguntou, como quem tenta trazer o momento de volta à superfície. — Acabei de fazer.
— Depois — ele respondeu. — Quero ficar assim mais um pouco.
— Ficar assim, parados, abraçados até cansar? — ela devolveu, sorrindo de leve.
Ele respondeu com um aceno quase imperceptível de cabeça.
— Sim… vou te abraçar até enjoar — murmurou, inclinando o rosto e apoiando a testa na dela. — O que não vai acontecer. Nunca.
Rafaela sorriu, o corpo relaxando nos braços de Gabriel.
A mão dele subiu pausadamente pela coluna dela num carinho preguiçoso. Os lábios alcançaram o pescoço de Rafaela, depositando um beijo suave, quase inibido.
Um suspiro delicado escapou da garganta dela em resposta.
Ele segurou a nuca dela, acolhendo sua cabeça para diminuir ainda mais a distância entre os rostos.
Os lábios se encontraram. Primeiro um roçar leve, como se estivessem se reconhecendo outra vez. Em seguida, um pouco mais profundo. Mais confiante. O tipo de beijo que não pede nada, mas promete tudo.
Rafaela suspirou contra a boca dele, sorrindo.
— Acho que o café vai esfriar.
Gabriel riu baixo, sem se afastar.
— A gente esquenta depois.
O beijo deixou de ser leve imediatamente.
As bocas se encontraram ansiosas, línguas invadindo, exigentes, sem cuidado. Rafaela reagiu na mesma proporção, sugando os lábios dele. O som era molhado, desordenado. Respirações falhando.
As mãos de Gabriel desceram, apertando as curvas dela com vontade enquanto a erguia do chão num movimento brusco e decidido. Rafaela soltou um som surpreso e, instintivamente, enlaçou a cintura dele com as pernas, prendendo-o ali.
— Gabriel… — o nome saiu quebrado entre beijos.
Pressionando-a contra a parede mais próxima, a boca não dava trégua. Mordidas curtas. Línguas se chocando. Fôlego nenhum dos dois tinha.
Ele sustentava o peso dela sem esforço. Já Rafaela o tocava em todo lugar — cabelo, nuca, costas — puxando, arranhando de leve, como se quisesse mais dele.
Gabriel sorriu, lembrando-se das piadas dos amigos.
— Melhor parar de me marcar, nerdzinha… Quando eu tirar a camisa no vestiário amanhã, vão te chamar de selvagem.
— Desde quando dou a mínima para o que seus amigos pensam?
Ela mordiscou o lábio inferior dele, pedindo passagem mais uma vez. Gabriel gemeu, um som baixo e rouco, e voltou a beijá-la, como se estivesse perdido demais para parar.
Os lábios direcionaram-se à nuca dela, tocando exatamente o local que ele já conhecia.
Ela arfou alto e Gabriel repetiu o gesto, mais firme agora. O suficiente para fazer Rafaela se remexer contra ele, sem controle.
— Assim… — ela murmurou, a voz falhando.
Ele voltou para o mesmo lugar, insistente, alternando beijos e mordidas curtas, fazendo Rafaela jogar a cabeça para o lado, oferecendo mais espaço, respirando rápido.
Cada movimento dela o fazia ficar mais duro dentro da calça.
— Você vai me matar de tesão — soprou, deslizando as mãos por sua cintura.
Rafaela sorriu de canto, os olhos escuros sustentando os dele sem recuar. Aproximou a boca do ouvido de Gabriel e respondeu, num tom baixo:
— Você não é o único. Então, para de falar… tira minha roupa e faz alguma coisa antes que eu enlouqueça também.
Antes que ele pudesse avançar outra vez, ela prendeu o lóbulo da orelha dele entre os dentes.
— Rafa… — grunhiu.
— Ou você prefere que eu mesma tire?
Aquele tom carregado de sensualidade quase o fez cair em seus próprios joelhos e suplicar “por favor”. Mas, antes que as palavras pudessem sair de sua boca, ele segurou o quadril dela com força, quase possessivo.
— Seus desejos são ordens, nerdzinha.
Ele a manteve presa à parede por mais alguns segundos, voltou a beijá-la, só o suficiente para deixar o ar faltar outra vez.
As mãos escorregaram da cintura para as costas, firmes, guiando-a para longe da parede. As pernas dela deslizaram até o chão, mas o contato não se quebrou. Pelo contrário. As mãos dele encontraram a barra da blusa dela e a ergueu revelando centímetro por centímetro da pele que ele já conhecia, mas, ainda assim, conseguia fazer seu coração acelerar.
Os olhos dele percorreram a silhueta de Rafaela. Os dedos traçaram o contorno dos seios, provocando, apenas acariciando de leve antes de segurá-los com mais firmeza.
— Você é inacreditável, Rafaela… gostosa pra caralho.
Ela sorriu maliciosa, puxando-o de volta.
O desejo explodiu nos dois. Gabriel desceu os lábios até alcançar um dos seios, sugando-o com avidez, a língua desenhando círculos lentos enquanto sua mão livre massageava o outro. Rafaela gemeu alto, agarrando os fios grossos dos cabelos dele.
Os sons dela o enlouqueciam. Queria ver até onde ela aguentaria antes de se perder.
Beijando o caminho até sua barriga, ele parou na borda do short justo. Levantou os olhos, encarando-a de baixo numa provocação silenciosa.
— Se parar agora, eu juro que te expulso daqui.
Gabriel sorriu de lado e puxou o short devagar. O tecido deslizou por suas coxas, caindo no chão, e a calcinha fina surgiu, marcando a prova do quanto ela já o queria.
— Já está encharcada e eu ainda nem comecei.
Ele passou os dedos pela lateral da peça, como se brincasse com sua própria paciência. Quando roçou o nariz por cima da calcinha, inalando seu cheiro, um gemido baixo escapou dele.
O cheiro da excitação dela era mais delicioso do que qualquer perfume. Era ousado, cru, verdadeiro. Gabriel sentiu a boca salivar. Aquilo era necessidade pura. E ele sabia que não haveria satisfação fora dela.
Seus lábios começaram a marcar a pele interna das coxas dela, ora com beijos molhados, ora com mordidas suaves que a faziam estremecer.
Ela mordeu os lábios, sem ar, os olhos fechados em entrega, afastando mais as pernas para ele.
Gabriel removeu a lingerie dela com uma calma torturante. Então, inclinou-se e passou a língua por toda a extensão de sua intimidade, comoquem saboreia algo raro. Rafaela soltou um suspiro trêmulo, sentindo-o erguer uma de suas pernas para apoiá-la no ombro, ele a prendeu ali, garantindo o ângulo perfeito. A língua dele fixou-se em seu clitóris, alternando pressão e movimentos circulares.
Os gemidos dela cresceram à medida que ele acelerava, chupando, lambendo, estimulando. Rafaela puxava seus cabelos, os quadris buscando mais, enquanto ele deslizava dois dedos para dentro dela, preenchendo-a em sincronia com o ritmo da língua.
— Mais… — ela murmurou, a voz carregada de exigência. — Preciso de mais.
Ela estava perto, Gabriel sentia em cada fibra do próprio corpo como ela estava sensível. A língua dele voltou a pressionar o clitóris dela, mantendo aquele movimento circular, implacável.
Sentindo a vibração das pernas dela contra seus ombros, Gabriel sussurrou contra a pele úmida de Rafaela, a voz rouca e em comando:
— Vai… goza na minha boca.
E ela não resistiu. O orgasmo veio forte, o corpo tremendo descontroladamente, os lábios entreabertos, gemendo alto sem se importar com nada. A intimidade pulsando em torno dos dedos dele.
Gabriel só parou quando sentiu as contrações dela diminuírem, ainda lambendo devagar, como se quisesse arrancar até o último suspiro.
Quando finalmente subiu pelo corpo dela, cobrindo-a de beijos até alcançar sua boca, Rafaela sentia o próprio gosto misturado ao dele. O prazer ainda pulsava nela em ondas lentas, mas a visão de Gabriel, ainda vestido e visivelmente no limite, acendeu uma nova urgência.
— Tira essa roupa. Agora — ela ordenou, a voz ainda rouca, os dedos puxando a gola da camiseta preta dele.
Gabriel soltou um riso curto, aquela vibração perigosa, e obedeceu. Em um movimento único e fluido, ele arrancou a camiseta, revelando a musculatura retesada e os ombros largos que Rafaela tanto queria marcar novamente. Enquanto ele se livrava do jeans, ela não conseguia desviar o olhar. O pau dele já estava completamente duro, latejando contra o tecido da boxer preta, uma prova física de que, apesar de todo o controle que demonstrara até ali, ele estava prestes a perder a linha assim como ela.
Encarando a visão com um sorriso malicioso, Rafaela sentiu o próprio ventre esquentar de novo.
— Porra… acho que nunca vou me acostumar com o tamanho disso — provocou, deslizando a palma da mão pelo comprimento por cima do tecido.
Gabriel soltou um rosnado baixo e segurou o queixo dela, obrigando-a a sustentar o olhar. Não havia mais o “Gabe cuidadoso” ali; era o homem que ia reivindicar cada parte dela.
— Acostumar, eu não sei, nerdzinha… — sussurrou, a voz rasgada de desejo. — Mas aguentar, eu sei que você aguenta. E eu vou adorar testar esse seu limite agora.
Tropeçando um no outro enquanto cruzavam a sala, eles mal conseguiam separar os lábios para respirar. Risadas abafadas se misturavam ao som dos passos apressados. No corredor, Gabriel a puxou de novo pela cintura, encostando-a na parede uma última vez antes de seguir.
— Desculpa, amor… mas hoje, não vou ser bonzinho com você — a voz dele saiu baixa, uma promessa carregada de intenção.
— Tudo bem… — Rafaela respondeu entre um beijo e outro, a voz estremecida. — Eu também não serei boazinha hoje.
Gabriel chutou a porta do quarto para fechá-la logo atrás de si. O som seco da madeira batendo ecoou pelo espaço, selando o mundo lá fora e deixando-os na penumbra, iluminados apenas pela luz fraca da janela. Ele a guiou até a cama, mas antes que ela pudesse se deitar totalmente, ele a virou de bruços em um movimento rápido.
— Você tem uma bunda maravilhosa, sabia? — ele murmurou, as mãos pressionando com firmeza a pele suave do local.
O elogio de Gabriel provocou um fogo inesperado em Rafaela. Uma risada baixa, maliciosa, escapou de seus lábios quando ela empinou ainda mais os quadris.
— Gostou do que é teu, campeão? — retrucou, consciente demais do efeito que causava.
Um som grave, quase selvagem, escapou de Gabriel.
Tudo nela exalava uma sensualidade natural do tipo que despertava algo instintivo, animal. Dentro dele, uma urgência crescia, quase primitiva: de querer mais, de querer tudo dela.
— Gostei… pra caralho — admitiu.
Num impulso, sua mão estalou firme contra a bunda dela.
O som ressoou pelo quarto.
O corpo de Rafaela reagiu de imediato, num sobressalto involuntário. O calor se espalhou pela pele atingida, intenso, inesperado. Por um segundo, o ar lhe faltou, mais surpresa do que dor.
Ela virou o rosto na direção dele, os olhos grandes, o peito subindo e descendo rápido.
— Gabriel… — a voz saiu baixa, em choque. — Você… você me deu um tapa?
Ele manteve a palma da mão espalmada sobre a pele que ainda vibrava pelo impacto, sentindo o calor dela sob seus dedos. Ele a encarava com uma intensidade predatória, um sorriso lento e perigoso surgindo nos lábios.
— Gostou, não gostou? — A voz dele saiu num tom abafado, carregada de uma autoconfiança que não admitia contestação.
Descendo a outra mão, ele tocou o ponto mais sensível entre as pernas dela. Rafaela se contorcia, incapaz de esconder a resposta do próprio corpo.
— Não precisa responder — ele sussurrou contra a orelha dela — Porra, você está escorrendo.Eu sabia que esse teu jeito de santinha escondia um incêndio, Rafa. E eu vou fazer questão de queimar cada centímetro dele.
Ele apertou a carne macia com força, reivindicando o espaço, sem dar margem para ela se retrair.
— Fala para mim — ele ordenou, aproximando o rosto do dela até que seus hálitos se misturassem. — Você quer que eu pare ou quer sentir o quanto posso ser duro com você?
Rafaela sentiu o desafio no tom dele. Não havia insegurança ali; havia um homem que conhecia exatamente o jogo que estava jogando. Ela o olhou de volta, a respiração ainda falhando, mas agora por um motivo completamente diferente.
— Mais… — pediu ela, a voz segura apesar do sussurro. — Faz de novo. Eu quero.
Gabriel soltou um riso grave, quase um rosnado de satisfação.
— Ótima escolha, nerdzinha. Porque eu não ia conseguir parar mesmo.
E ele acertou mais um tapa firme, sentindo a pele macia dela estremecer sob a força da palma…
— Ai!
Rafaela afundou o rosto no travesseiro, tentando conter os gemidos que escapavam, mas ele a tinha completamente sob seu domínio. Com um puxão nos cabelos, forçou a cabeça dela para trás, expondo o rosto e comandando cada reação.
— Não — ordenou, roçando os lábios no pescoço dela. — Geme para eu ouvir.
— Gabriel… — a voz saiu tremendo, quase suplicante.
Ele sorriu contra a pele dela, subindo até a orelha:
— O que você quer? — provocou, deixando-a escolher suas próprias palavras.
— Eu… preciso sentir você dentro de mim.
— E o que eu preciso agora… — ele deslizou a outra mão até a bunda dela, firmando um tapa em cada lateral. — … é ver você completamente entregue — e deu outro tapa, mais forte, mais exigente. — … pra mim.
Rafaela gemeu alto, sentindo a dor misturada com o prazer. Ele continuou a penetrar dois dedos por sua intimidade, sentindo-a latejar e se abrir sob seu toque. Rafaela arfava, rebolando contra ele, os gemidos saindo sem controle.
— Ah… meu Deus… — ela choramingou.
Ele intensificou a pressão, passando o polegar pelo clitóris dela sem parar, até sentir que ela estava perdendo o controle. Os gemidos dela ecoaram pelo quarto, rasgando o ar quando ela atingiu o ápice de novo, se contorcendo nos braços dele.
Ele sorriu, tirando os dedos de dentro dela, chupando-os um por um, mas não a deixou descansar. Subiu pelo corpo dela, espalhando beijos pelas costas, ombros e pescoço até alcançar os lábios. A respiração deles estava ofegante, o corpo dela ainda tremia sob o efeito do segundo orgasmo, e ele sentiu a própria ereção latejar contra a bunda dela.
Sem perder tempo, Gabriel pegou uma camisinha e a colocou com a eficiência de quem sabia exatamente o que estava fazendo, mas a respiração pesada denunciava que o controle estava por um fio. Ele a reposicionou na cama, erguendo o quadril de Rafaela e forçando-a a ficar de quatro, os joelhos afundando no colchão.
Rafaela sentiu o arrepio subir pela espinha. Naquela posição, ela estava completamente exposta, vulnerável e à mercê dele. Quando sentiu a glande quente de Gabriel roçar contra sua abertura, ela esfregou o próprio quadril para trás, num convite mudo e desesperado.
Gabriel soltou um rosnado baixo e segurou a cintura dela com as duas mãos, os dedos cravando na pele.
— Avisei que não ia ser bonzinho hoje — ele murmurou, a voz grave, rente à orelha dela. — Vou meter tão fundo em você que você não vai conseguir pensar em mais nada.
— Então vai logo — ela desafiou, a voz trêmula de expectativa.
Em um golpe único e decidido, Gabriel a preencheu por inteiro. Rafaela soltou um grito abafado contra o lençol, sentindo o impacto até a alma. O pau dele parecia ainda maior agora, ocupando cada espaço, esticando-a de um jeito que a fazia transbordar. Sem dar tempo para ela se recuperar, ele iniciou estocadas profundas, ditando um ritmo frenético que fazia a cabeceira da cama bater ritmadamente contra a parede.
O som da pele se chocando, os gemidos desordenados e a respiração falha dele preencheram o quarto. Gabriel não tinha piedade. Ele a penetrava com força, as mãos alternando entre apertar a bunda dela e puxar levemente seu cabelo para trás, obrigando-a a expor o pescoço enquanto ele a marcava com beijos e mordidas.
— Caralho, Rafa… — ele arfou, o suor brilhando em seus ombros largos. — Você tá me apertando tanto… parece que essa bocetinha foi feita sob medida para mim.
Gabriel a puxou para mais perto, o rosto colado à nuca dela, e por um segundo, o mundo pareceu parar de girar. As palavras subiram pela garganta dele, impulsionadas pela adrenalina e por aquela conexão absurda que o deixava zonzo. Ele quis dizer. Quis gritar que a amava, que ela era a única, que ele estava completamente perdido nela.
Mas ele travou a mandíbula, engolindo a confissão. Não ali. Não agora. Ele sabia que, se dissesse isso com os corpos colados e o quarto cheirando a sexo, soaria como uma dessas frases vazias de momento, um subproduto do tesão acumulado. E a Rafaela, com aquela mente analítica dela, provavelmente pensaria o mesmo. Ele queria que, quando as palavras saíssem, houvesse silêncio e clareza. Queria que ela olhasse nos olhos dele e não tivesse uma única dúvida de que era o coração falando, e não apenas o sangue pulsando no pau dele.
— Você é minha, nerdzinha — ele rosnou em vez disso, canalizando todo aquele amor represado em uma estocada ainda mais profunda, marcando-a com o peso do que ele ainda não podia dizer. — Entendeu? Inteiramente minha.
Rafaela não conseguia responder com palavras. Ela rebolava contra ele, buscando mais profundidade, os sentidos todos focados naquele ponto de contato onde o fogo parecia nascer.
— Isso, porra — ele ordenou, sentindo as paredes dela começarem a pulsar em torno dele. — Quero te sentir gozando no meu pau.
O prazer dela veio como uma avalanche, um orgasmo tão forte que a fez perder a força nos braços. Gabriel sentiu o aperto desesperado e soube que ela tinha chegado ao limite, mas ela continuou. O quadril se movendo contra o dele, seu centro vibrando sensível pelo orgasmo recente.
— Vai gozar para mim também, Gabriel? Hein? — ela provocou, ofegante, olhando maliciosa por cima do ombro.
— Vou, sua puta gostosa!
Gabriel empurrava descontrolado, o membro latejando dentro dela, os músculos do braço e das coxas contraídos de tanta força. Rafaela gemia, movendo-se sem parar, o corpo todo molhado de suor, os seios balançando a cada arremetida.
Ela jogou a cabeça para trás, gemendo descontrolada.
— Isso… Que delícia! Goza pra mim, amor.
Essas palavras foram o disparador final. Ele agarrou a cintura dela com força brutal, empurrando-se até o fim, enterrando-se nela uma, duas, três vezes, até que sua própria visão ficasse turva.
— Puta que pariu! — ele gritou, gozando forte, sentindo a boceta dela o apertar, como se sugasse cada jato.
Ele continuou, enfiando até amolecer dentro dela, como se não quisesse parar nunca, os dois colados, suados, sem fôlego.
Por fim, ela desabou no colchão, rindo, exausta.
— Tá vivo?
Gabriel ainda respirava pesado, jogado ao lado dela na cama. Passou a mão pela bunda dela e respondeu num sussurro rouco:
— Tô… muito.
O corpo de Rafaela ainda reagia em ondas suaves, como se demorasse a voltar ao próprio eixo. A respiração vinha entrecortada, os músculos sensíveis, o mundo um pouco fora de foco. Ele a puxou para mais perto, o braço pesado e proprietário sobre a cintura dela, sem nenhuma pressa de sair. O cheiro dela e do sexo ainda impregnados nele eram o seu melhor troféu.
— Você fica diferente depois — ela comentou, os dedos traçando distraídos os músculos do peitoral dele.
— Fico? — Ele soltou um riso curto, aquela vibração grave que ela sentia contra o próprio peito. — É o efeito de finalmente ter você exatamente onde eu queria, Rafa. No meu tempo, do meu jeito.
Ele segurou o queixo dela, obrigando-a a encará-lo com aqueles olhos ainda nublados de prazer.
— E se você acha que eu já mostrei tudo… é melhor recuperar o fôlego rápido. Eu só comecei a descobrir o que te faz perder o controle desse jeito. E, acredite, eu pretendo explorar cada uma dessas reações.
Ele a beijou e, por alguns segundos, ficaram assim, juntos, deixando o calor aumentar aos poucos, sem vontade nenhuma de se afastar.
Não era o fim de nada. Era só o intervalo.
Fale com o autor