Inglaterra, 1896

Uma vez duas crianças chamadas John e Elene, viajaram da Rússia até a Inglaterra depois do desaparecimento de seus pais. Eles foram acolhidos por sua tia Ana na grande mansão Campbell que fora herdada por ela depois da morte de seus tutores. Ana era uma mulher jovem e solteira, muito simpática e querida pelos irmãos Campbell.

Certa tarde, depois da visita dos primos Martin e Lucia, John e Elene resolveram andar pelos lugares que eles costumavam chamar de “Lugares proibidos”, pois a Sr.ª Ana os havia advertido de não entrarem com os dizeres, — Não toquem, não entrem e principalmente, não leiam.

A “aventura” não demorou muito para começar, logo estavam correndo pelos corredores, entrando em portas desconhecidas, mesmo depois de um ano morando na casa. Não encontraram nada mais do que salões lotados de pinturas, móveis que jamais serão usados e quartos desativados. No final da tarde depois da exploração, estando John se preparando para voltar aos andares mais baixos da casa, ouviu uma voz que saia de um dos cômodos, era a Sr.ª Ana que lia em voz alta textos de um livro.

John levado por muita curiosidade observava pela pequena brecha da porta do que se tratava. Tão concentrado que estava não notou a aproximação de Elene.

—Te peguei. –Gritou Elene pulando em seus ombros. No primeiro impulso a porta se abriu e os dois caíram no chão, deixando a Sr.ª Ana sem ação.

—Mas o que estão fazendo crianças? –Disse, se levantando apressadamente. -Eu lhes disse para não entrarem aqui.

—Nós estávamos brincando e nos perdemos. –Mentiu John.

—Mas o que esta lendo Tia Ana? –Perguntou Elene, enquanto corria para ver o livro na poltrona de couro onde ele descansava, porém a Sr.ª Ana em um rápido movimento o tomou para si. –Esse livro faz parte do “Não leiam”. –Retirou-se da sala deixando as crianças para trás e apressou-se em descer as escadas. Em uma rápida troca de olhares e um divertido meio sorriso Elene disse:

—Está pensando o mesmo que eu?

—Sim.

Correram as escadas e desceram o mais depressa possível para tentarem alcança-la, pararam de frente a uma porta velha depois de dois lances de escadas a porta estava aberta, no entanto estava muito escuro. John e Elene nunca haviam notado aquela porta ali, contudo, entenderam que dos lugares “Não entrem” aquele possivelmente seria o melhor. Depois de muita espera, e da volta da Sr.ª Ana parecer tardia, Elene já estava decidida a voltar para o quarto apesar de John ter resolvido ficar e observar a tia.

...

Naquela noite escura, passos ligeiros se ouviam nos corredores. Baixos risinhos, entre palavras perdidas se podiam ouvir como eco quando as crianças chegaram ao velho porão da casa.

—Você tem as chaves, John? –Perguntou Elene, forçando para abrir o cadeado.

—Sim, aqui está.

Em um pequeno impulso os dois estavam dentro do pequeno porão escuro. Assim que a porta foi aberta a luz que vinha da janela invadiu a entrada do lugar, e logo viram uma grande escada de pedras.

—Elene, é melhor voltarmos.

—Não, precisamos fazer isto ou então, como saberemos o que tem lá? Além do mais, foi você que começou isso.

O jovem John, rapidamente foi convencido, de que deveria obedecer. Elene tirou duas lanternas do bolso e começaram a descida lentamente. O porão já estava sem uso há algumas horas. Nas paredes, teias de aranhas e pequenas passagens para ratos foram formadas. Logo, chegaram ao final dos degraus. Dentro do pequeno salão, estavam alguns moveis antigos, cobertos por empoeirados lençóis.

—Vamos John, ela guardou em uma dessas gavetas. Precisamos encontrar este livro.

—E se não tiver nada nele? Vamos ter perdido nosso tempo, vindo a este lugar sujo.

Vasculharam todos os locais, gavetas, estantes, bolsas, caixas, livros por livros. Já cansados da busca sentaram no ultimo degrau e indagaram a possibilidade de terem esquecido algum lugar.

—Tem certeza que você a viu descer aqui? –Perguntou Elene.

—Sim, eu acho.

A conversa dos dois fora interrompida por um forte bater de sinos, quando a luz da lua invadiu o salão as lanternas se apagaram. O piso de madeira iluminou-se e se podia ver um pequeno caixote brilhando entre as vigas. As crianças correram para se esconderem atrás das cortinas, imaginando ser a tia Ana. Esperaram até ter certeza de que tinham trancado bem à porta antes de descer. Aproximaram-se lentamente das vigas iluminadas para verem o que estava acontecendo.

As crianças se olharam por um instante.

—Precisamos abrir, ache alguma coisa para tirarmos as vigas. –Ordenou Elene.

—Não seja boba, Ele. Se nossa tia vem aqui, as vigas já devem estar soltas.

Apressadamente os irmãos puxaram as vigas de madeira do chão, e a caixa logo fora descoberta. Puxaram-na para fora e perceberam, que o brilho na verdade vinha de seu interior. Abriram a tampa, e lá estava o livro misterioso, que a Tia Ana os proibirá de tocar.

—Encontramos, finalmente encontramos! –Exclamou John: — Vamos rápido. Vamos ler o que há de tão proibido nisso.

—Não consigo ler o título. –Reclamou Elene. John, com rispidez o tomou da mão da irmã para tentar ler as palavras.

—Deixe isso para alguém mais velho. AINA... Mas que diabos de nomes são estes?

—Não seja estupido, me devolva. –Elene puxou o livro de volta. –E se for outro idioma?

—A Tia Ana, não sabe falar outro idioma.

—E se as palavras estiverem embaralhadas? –Questionou Elene.

—Ou se estiverem de trás para frente? –Continuou John. –Vamos tentar. O que diz a palavra?

—AINAPRAD, é o que está escrito.

Os dois jovens se olharam decidindo o que fariam a seguir. Então John, escreveu as palavras em uma embalagem de chocolate que tinha em seu bolso, e depois de inverter as letras, juntos falaram o que estava escrito.

—DARPANIA.

Em questões de segundos, já não sabiam mais o que havia acontecido, ao avistarem o livro aberto em seus colos, e um grande mapa sobre ele. Então, se despuseram a lê-lo.

Esta é a história dos cincos reinos, Darpania, Darcon, Ascalom, Ambrasia e Dattes.

A perfeita criação dos cincos anciãos, Akur, Vermont, Sargon, Laberon, Yverdun.

Aqueles que lerem este livro irão restituir a paz, mas uma vez deixado para trás, grande pesar trarão.

—O que você acha que significa? –Questionou Elene.

—Não sei.

Observaram com atenção cada desenho daquele mapa. John arrastou os dedos entre as bordas para sentir o relevo das páginas cobertas de marfim, sentiu em sua pele as folhas, flores, passando pelos bosques sombrios, arvores e mares. Sua imaginação aguçou-se diante de tão perfeição, em que cada detalhe fora criado. Segurou a ultima borda da folha do livro, então há virou.

Ao virar o rolo a porta se abrirá.

No piscar de olhos um mundo novo trará.

Naquele momento um grande vento invadiu o porão, a luz ficou ainda mais forte e a tia das crianças estava forçando a porta e gritando seus nomes. De repente, a luz foi ficando mais branca à medida que um furacão cercava as crianças. John segurou o braço de Elene, que segurava o livro o mais forte que pudera. Então o vento cessou. Ao abrirem os olhos, já não sabiam mais onde estavam. Arvores os cercavam por um longo caminho de vistas.

—Fique comigo Ele. Não se preocupe.

—Onde estamos John?

—Não sei. Leia o livro, talvez ele diga.

Então o livro foi aberto, eis o que estava escrito:

Quatro dias morrerão,

Um dominará,

Só então, poderão voltar.

Aqueles a quem a mensagem não chegar,

A um sábio deverá consultar.

...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.