AFTER YOU - 4 temporada
3 O Despertar dos Monstros
Notas iniciais
CAPÍTULO 3 — O despertar dos monstros
POV EDWARD
O cheiro de madeira encerada, papel antigo e café forte sempre foi o meu anestésico favorito. Há uma matemática reconfortante na academia. Mas estar do outro lado da bancada, vestindo um terno de tweed cinza sob medida, que disfarça perfeitamente a tensão atlética de um homem que sabe exatamente como quebrar um pescoço sem fazer barulho , trazia uma sensação diferente de poder. Respeitabilidade. Eu era o Professor Cullen. Um homem acadêmico, seguro, tragável para a sociedade. Um monstro domesticado usando giz entre os dedos enquanto um anfiteatro lotado de mentes jovens e medíocres me observava de boca aberta. Eles me olhavam e viam erudição; eu os olhava e via gado intelectual.
— Dostoiévski não escreveu Crime e Castigo como um simples romance policial — comecei, minha voz modulada na frequência exata para ecoar pelas paredes de pedra da universidade de Londres, projetando uma autoridade magnética. — Ele o escreveu como uma autópsia da arrogância humana. Raskólnikov acreditava ser um homem extraordinário. Alguém acima das leis morais dos homens comuns. Alguém que detinha o direito biológico e intelectual de eliminar um obstáculo — uma velha usurária, um verme social — pelo bem maior.
Caminhei até o centro do tablado, cruzando os braços, sentindo o peso dos oitenta pares de olhos seguindo cada milímetro do meu movimento. É inebriante como as pessoas são fáceis de guiar quando você domina o tom de voz correto.
— Mas a verdadeira punição de Raskólnikov não é a Sibéria, os trabalhos forçados ou o frio. É a sua própria mente — continuei, reduzindo o tom de voz, forçando-os a se inclinar para frente para me ouvir. — É o isolamento. É a percepção tardia e humilhante de que ele não é um deus, mas apenas mais um monstro enjaulado pela própria culpa. Ele colapsou porque não tinha o estômago necessário para o que sua mente planejou. Ele percebeu que era comum. E para homens como ele, ser comum é a verdadeira sentença de morte.
Fiz uma pausa dramática. O silêncio no anfiteatro era tão denso que eu podia ouvir o tique-taque do relógio de pulso de um aluno na terceira fileira. Eu adorava aquele silêncio. Era o silêncio da submissão.
— A pergunta que deixo para vocês nesta introdução ao semestre é: o crime destrói a alma do homem no momento em que o sangue é derramado... ou a alma já estava morta, podre e vazia, antes mesmo de ele erguer o machado?
Ninguém se moveu. Alguns alunos desviaram o olhar, intimidados pela frieza cirúrgica da pergunta. Eles queriam respostas fáceis, queriam moralismo cristão. Eles queriam que eu dissesse que matar é errado. Mas a moralidade é uma convenção inventada por homens fracos para limitar os homens fortes.
Na primeira fileira, ligeiramente deslocada para a esquerda, uma jovem ergueu a mão.
Ela usava um suéter de tricô oversized que parecia grande demais para o seu corpo miúdo, óculos de armação fina e tinha os cabelos escuros presos em um coque frouxo. À primeira vista, o arquétipo perfeito da estudante tímida e invisível. Mas a postura dela não era de submissão. Era de observação.
— Eu diria que a alma dele morreu no momento em que ele justificou o crime, Professor.
A voz dela saiu suave, limpa, mas com uma cadência métrica e uma ausência total de hesitação que me causou um arrepio elétrico, quase erótico, na espinha.
— O machado foi apenas a consequência física — ela continuou, ajustando os óculos com a ponta do dedo, os olhos escuros fixos nos meus, sem piscar. — Raskólnikov já era um fantasma muito antes de entrar naquele apartamento. Ele não matou por necessidade, nem por dinheiro, e certamente não pelo bem da humanidade. Ele matou porque queria testar os limites do próprio controle. Ele queria saber se pertencia à categoria dos homens comuns ou dos extraordinários. O erro dele foi ter sentido remorso. O remorso é o defeito de fabricação dos amadores.
Prendi a respiração por uma fração de segundo, engolindo o oxigênio frio da sala. Minha mente, que costuma operar em um ritmo lógico e frio, disparou. Aquela resposta... não pertencia a uma estudante de graduação. Não havia o sentimentalismo barato que a juventude costuma destilar. Havia uma profundidade ali. Um eco de escuridão que reconheceu, com precisão cirúrgica, a minha própria escuridão. Aquela garota não estava analisando Dostoiévski. Ela estava descrevendo a mecânica de uma mente como a minha.
— Uma análise... assustadoramente brilhante, Srta... — estiquei o braço, folheando a caderneta de chamada sobre a mesa de carvalho, meus dedos levemente rígidos.
— Santiago — ela respondeu. E então, ela me deu um sorriso. Não um sorriso de flerte, mas um sorriso contido, quase imperceptível nos cantos dos lábios. O sorriso de quem compartilha um segredo macabro. — Katherine Santiago.
— Uma excelente introdução ao semestre, Srta. Santiago — respondi, forçando minha voz a voltar ao tom aveludado e profissional do Professor Cullen, embora meus olhos tenham demorado dois segundos a mais no rosto dela antes de me voltar para o restante da turma.
Durante as duas horas seguintes, Katherine permaneceu em silêncio absoluto, anotando tudo em um caderno de couro texturizado. Mas eu podia sentir a presença dela como uma corrente de alta voltagem no ambiente. O meu cérebro, aquele predador que eu vinha tentando manter dopado com rotina, terno de tweed e jantares em família, havia acordado. Uma velha, perigosa e deliciosa faísca de curiosidade acendeu na minha cabeça.
Tentei me convencer, enquanto guardava minhas anotações, de que era apenas orgulho profissional por encontrar uma mente acima da média na névoa de Londres. Tentei usar a lógica. Mas a lógica é inútil quando você reconhece o cheiro de outro predador no mesmo território. Eu sabia que estava mentindo para mim mesmo. E eu adoro uma boa mentira.
POV BELLA
A cobertura cheirava a risoto de cogumelos, alecrim e uma quantidade milimetricamente calculada de harmonia doméstica. Eu fiz questão de organizar tudo pessoalmente. Passei a tarde escolhendo os ingredientes, limpando as superfícies, garantindo que cada almofada estivesse no ângulo exato. Queria comemorar o primeiro dia de Edward na universidade. Queria criar o cenário perfeito de um lar feliz, estável e intocável. Pessoas normais cozinham por amor; eu cozinho porque o controle do ambiente é a minha maior obra de arte. Se o Edward se sentisse perfeitamente seguro aqui dentro, a necessidade de buscar o caos lá fora desapareceria. Eu sou o freio de mão da mente dele. E ele é o meu espelho.
Edward estava radiante, ou ao menos encenando o papel com a perfeição habitual. Sentado à cabeceira da mesa, com as mangas da camisa social branca perfeitamente dobradas até os antebraços, ele servia o vinho para mim e para Jasper, que mantinha aquela postura rígida de quem também sabe o peso de ocultar segredos, enquanto Alice distribuía seus sorrisos mecânicos e adoráveis. Tony, nosso pequeno garoto de quatro anos, estava ocupado demais tentando usar o garfo de adulto com uma precisão coordenada que herdou do pai.
Mas os meus olhos estavam em Bree.
Ela parecia estranhamente inquieta, cutucando o risoto com o garfo, os olhos fixos no prato. Eu conheço os micro-movimentos da Bree. Sei quando a pulsação dela acelera, sei ler a inclinação dos ombros dela. Ela estava escondendo algo. E na nossa casa, segredos não autorizados são anomalias que precisam ser extirpadas.
— Tudo bem, Bree? — perguntei, apoiando o queixo na palma da mão, inclinando a cabeça com o meu melhor sorriso maternal, doce e inofensivo. — Você mal tocou na comida. O risoto não está do seu agrado?
Bree corou instantaneamente, as bochechas ganhando um tom vermelho-vivo que denunciava sua vulnerabilidade. Ela olhou de relance para o Edward, depois para mim, buscando uma rota de fuga que não existia. Respirou fundo, os dedos apertando o guardanapo de linho.
— Eu... eu tenho uma coisa para contar. Eu conheci alguém na faculdade. Um rapaz. O nome dele é Tyler. E... nós estamos namorando.
O silêncio que caiu sobre a sala de jantar foi tão instantâneo que pareceu que o oxigênio havia sido sugado do ambiente.
Eu abri o maior e mais caloroso sorriso do mundo. Meu rosto se moldou instantaneamente na expressão de uma mãe adotiva orgulhosa e entusiasmada, embora, por dentro, minha mente já estivesse catalogando o nome Tyler em uma lista de ameaças em potencial.
— Oh, Bree! Isso é maravilhoso! — comemorei, a voz saindo no tom exato de doçura, minhas mãos se juntando em um gesto de pura alegria. — Como ele é? O que ele estuda? Já quero marcar um jantar para conhecê-lo! Quero saber tudo sobre ele.
Ao meu lado, o tempo pareceu congelar para Edward. O garfo dele parou exatamente na metade do caminho entre o prato e a boca. O olhar dele mudou em um milésimo de segundo. O brilho suave do "marido e pai dedicado" sumiu, dando lugar às pupilas dilatadas do predador em nível máximo de alerta. Ele pousou o garfo lentamente, o metal batendo na porcelana com um clique seco e ameaçador , limpou os lábios com o guardanapo com uma lentidão calculada e fixou os olhos em Bree. Não eram os olhos de um pai ciumento. Eram os olhos de um sociopata avaliando a intrusão de um corpo estranho em seu perímetro.
— Namorando? — Edward repetiu. A voz dele saiu mansa demais, civilizada demais, o tipo de tom que ele usava segundos antes de quebrar a resistência de alguém. — Que interessante, Bree. E o que exatamente esse... Tyler faz? Quais são as origens dele? O histórico familiar? Ele tem uma ficha totalmente limpa na universidade? Você verificou os antecedentes criminais dele?
Senti um misto de irritação e divertimento com o exagero dele. Edward às vezes esquecia de usar o filtro social.
— Edward, pelo amor de Deus, pare de interrogá-la como se estivesse em uma sala de custódia — brinquei, soltando uma risada leve enquanto esticava a perna por baixo da mesa e desferia um chute firme na canela dele. Ele sequer piscou. O corpo dele estava rígido como pedra.
Para coroar a nossa disfunção familiar, Tony, que observava tudo com aqueles olhinhos excessivamente atentos para uma criança da sua idade, imitou perfeitamente a postura do pai. Ele largou o garfo pequeno, cruzou os bracinhos gordinhos por cima da mesa, projetou o maxilar para a frente e semicerrou os olhos para a irmã mais velha.
— Eu não quero nenhum menino perto da minha Bree — Tony declarou, a voz infantil carregada de uma possessividade assustadora que ele obviamente absorveu de nós dois. — Ela é nossa. Se ele vier aqui, eu chuto a bola na cara dele até ele chorar!
A mesa explodiu. Jasper soltou uma gargalhada contida, sabendo exatamente de onde vinha aquela genética comportamental, e Alice bateu palminhas. Edward, no entanto, não sorriu. Ele olhou para o filho de quatro anos com total seriedade, um orgulho sombrio brilhando em seus olhos, e assentiu com a cabeça.
— Muito bem, Tony. Concordo plenamente com você. Vamos estabelecer um perímetro de segurança e monitoramento. Estilo militar.
— Vocês dois são completamente inacreditáveis! — Bree riu, o rosto pegando fogo, mas visivelmente aliviada por o foco ter saído de cima dela. Tentando desviar os holofotes com urgência, ela olhou para a minha barriga, que ainda não mostrava sinais da gravidez. — Mas mudando de assunto... vocês já escolheram o nome do bebê?
Tony deu um pulo na cadeira, erguendo a mão como se estivesse na escola.
— A vovó Renée disse no telefone que vai ser Emmett!
Edward soltou um suspiro pesado, uma expressão de genuíno asco cruzando suas feições perfeitas.
— Sua vovó está ficando completamente maluca de tanto botox e calmantes, Tony. Não vai ser Emmett nunca. Nem por cima do meu cadáver enterrado em uma vala rasa.
Mais risadas ecoaram. Eu estendi a mão e acariciei meu ventre ainda plano. Sob a pele, uma nova vida estava sendo gerada a partir da união de dois monstros. Uma criatura puramente nossa. Senti uma onda de calor, uma plenitude quase divina me invadir. Olhei para Edward, para Tony, para Bree. Aquela era a minha definição de perfeição. Um império construído sobre segredos, sangue e controle absoluto. Nós éramos invencíveis porque éramos os donos das regras.
— Bom... eu tenho um palpite — comentei, baixando o tom de voz, fazendo com que todos fizessem silêncio imediato para me adorar. — Eu acho que é uma menina. E estive pensando em um nome clássico... Charlotte. O que vocês acham?
Bree suspirou, os olhos brilhando com o romantismo que eu fazia questão de cultivar nela para mantê-la dócil.
— Charlotte... É lindo, Bella. Parece o nome de uma rainha.
— É elegante — Alice concordou, a mente artificial dela provavelmente já calculando o guarda-roupa da criança. — Eu adorei.
Edward relaxou os ombros. O gelo assassino que habitava seus olhos um segundo atrás derreteu-se completamente em uma adoração quase religiosa enquanto ele olhava para mim. Ele esticou a mão por cima da mesa, cobrindo a minha. O aperto dele era firme, quente, a promessa silenciosa de que ele mataria o mundo inteiro se eu pedisse.
— Vai ser Charlotte, então — ele disse, a voz mansa, quase um sussurro. — Charlotte Cullen-Higginbotham.
Sorri, sentindo que o universo orbitava exatamente ao redor da nossa mesa. Nossa pequena familia: Edward, Tony, a pequena Charlotte a caminho e a nossa Bree. Nós éramos uma fortaleza juntos, invencíveis.
Mais tarde, enquanto eu ajudava Bree a organizar a louça na cozinha, desfrutando do som mecânico da água, Edward foi para o escritório terminar de preparar as leituras da semana. Ao passar pelo corredor escuro em direção ao nosso quarto, parei diante da porta semiaberta do escritório.
Eu o vi de pé. Ele estava de costas para mim, sob a luz fraca e amarelada do abajur, olhando fixamente para o caderno de notas aberto em cima da escrivaninha de mogno.
A postura dele não era a de quem lê notas de aula. Ele parecia distraído... Longe...Flutuando naquela zona cinzenta e perigosa da mente dele que eu conhecia tão bem... Onde os impulsos mais sombrios moram.
Eu não consegui ver de onde estava, mas na página aberta daquele caderno, sob a luz do abajur, o nome de uma aluna, Katherine Santiago, estava escrito. E não apenas escrito com aquela caligrafiaperfeita dele, estava circulado repetidas vezes com uma tinta preta tão forte que quase rasgava o papel, uma marcação obsessiva, compulsiva...monstruosa...
Edward piscou, como se estivesse acordando de um transe, fechou o caderno com um baque seco e passou a mão pelo rosto, tentando afastar o fantasma que ele mesmo havia convidado para entrar.
Ele apagou a luz do escritório, deixando o cômodo na escuridão, e caminhou em direção ao nosso quarto, pronto para se deitar ao meu lado e me amar com a intensidade de sempre. Ele achava que estava escondendo aquilo. Mas eu vejo tudo. Eu sinto o cheiro da mentira.
A primeira e invisível rachadura na nossa parede de vidro escuro havia sido plantada ali mesmo, no papel timbrado da universidade. E nenhum de nós dois, nem o predador, nem a mente que o controlava, estava pronto para a quantidade de sangue que escorreria quando aquela parede finalmente quebrasse.
Edward achava que o escuro do escritório escondia os seus demônios. Ele esquecia que fui eu quem ajudou a desenhar o mapa daquela escuridão.
Quando ele entrou no quarto, tateando a penumbra para se deitar ao meu lado, eu não estava na cama. Eu estava sentada na poltrona perto da janela, com as pernas cruzadas e o caderno de couro dele aberto no meu colo. A luz da lua atravessava a vidraça, iluminando a tinta preta que ele usou para circular, obsessivamente, o nome daquela garota.
Katherine Santiago.
O silêncio dele ao me ver ali foi quase audível. Eu me levantei lentamente, sentindo o sangue pulsar quente nas minhas têmporas. A calmaria doméstica da cozinha havia evaporado; a arquiteta do crime estava de volta. Caminhei até ele, jogando o caderno aberto contra o peito dele.
— Quem é Katherine Santiago? — perguntei, minha voz um sussurro sibilante, perigoso.
Edward pegou o caderno no ar com seus reflexos impecáveis. Ele olhou para a página e depois para mim, os olhos castanhos perfeitamente limpos, a expressão mudando para uma máscara de tédio e indiferença acadêmica. Ele soltou um suspiro nasal, jogando o caderno displicentemente sobre a mesa de cabeceira.
— Uma aluna, Bells. Só isso — ele disse, a voz incrivelmente calma, fria, destilando uma apatia calculada para me fazer parecer louca. — Ela deu uma boa resposta sobre Dostoiévski. Anotei o nome para lembrar de dar pontos de participação. Pelo amor de Deus, não comece...
A indiferença dele foi o gatilho. O deboche silencioso na postura relaxada dele fez o meu autocontrole estilhaçar.
Eu avancei como um animal territorial. Entrei no escritório dele como um furacão. Agarrei o abajur de vidro da escrivaninha e o lancei contra a parede. O som do vidro estourando ecoou pelo apartamento. Em seguida, avancei para a estante, puxando fileiras de livros pesados, jogando-os no chão, pisoteando as páginas. Eu queria destruir a simetria dele. Queria destruir a paz dele.
— Viemos para cá para recomeçar e VOCÊ vai começar com isso de novo?! — gritei, a voz rasgando a minha garganta, o peito subindo e descendo. Minha respiração estava errática, os olhos arregalados de pura fúria. — Outra obsessão, Edward? Outra garota para você perseguir e estripar na porra de um porão?!
Edward entrou no escritório logo atrás de mim. Ele não tentou me segurar fisicamente, sabendo que isso só aumentaria a minha violência. Em vez disso, ele cruzou os braços, olhando para os destroços no chão com uma calma exasperante, os olhos frios e analíticos.
— Você está surtando de novo... — ele rebateu, a voz firme, mas baixa, tentando usar o tom de psicólogo manipulador. — Pelo amor de Deus, para que isso? É uma estudante. Uma garota de vinte anos. Você está vendo fantasmas onde não existe nada.
— Porque se você não estiver afim de mim 100%, você vai me matar! — gritei na cara dele, dando um passo para a frente, apontando o dedo contra o peito do terno dele. Meus olhos ardiam. Era o pavor real de quem conhece o monstro com quem dorme. — Você só funciona no extremo, Edward! Se eu não for o seu foco absoluto, eu viro um obstáculo. E nós dois sabemos o que você faz com obstáculos!
— Eu nunca ia machucar você, eu amo você, Bella! — ele disparou de volta, a voz finalmente subindo um tom, as sobrancelhas se juntando em uma expressão de aparente ultraje.
— Ah, não?! — soltei uma gargalhada histérica, o veneno do passado transbordando. — Então eu não só sobrevivi a Los Angeles porque eu estava grávida do Anthony? Você ia me eliminar lá se não fosse por aquela criança! Você estava pronto para me descartar!
O silêncio que se seguiu foi pesado. Edward me encarou. A máscara de indiferença dele finalmente caiu, mas não deu lugar à raiva; deu lugar àquela adoração sombria, quase psicótica, que só ele sabia direcionar a mim.
Ele deu um passo à frente. Depois outro. Eu não recuei. Ele se aproximou até que eu pudesse sentir o calor do corpo dele, o cheiro de café e testosterona. Um sorriso lento, magnético e intensamente insano brincou nos lábios dele. Ele ergueu as mãos, segurando o meu rosto com uma delicadeza que contrastava brutalmente com o caos que eu tinha acabado de causar no quarto.
— Você sobreviveu porque é o amor da minha vida, a mãe dos meus filhos... o ar que eu respiro... — ele sussurrou, os olhos dele fixos nos meus, brilhando com uma convicção assustadora. Ele colou a testa dele na minha, a respiração dele misturando-se à minha. — Nós dividimos o mesmo cérebro, Bells... Ninguém no mundo nos entende. Só nós dois. Você sabe disso.
A raiva na minha mente foi sufocada pelo magnetismo dele. Era a nossa simbiose doente.
Edward me puxou pela cintura com força, prensando minhas costas contra a parede do escritório, no meio dos livros caídos e do vidro quebrado. A boca dele esmagou a minha em um beijo violento, faminto, carregado de uma urgência perversa. Eu gemi contra os lábios dele, cravando minhas unhas nos ombros do terno dele, puxando o tecido, querendo rasgar a pose de professor dele.
POV EDWARD
O gosto de sangue na boca dela, o lábio dela havia partido de leve com a força do impacto, era o melhor calmante do mundo. A fúria da Bella me excitava de uma forma que nenhuma mulher comum jamais conseguiria. Ela era letal, instável e puramente minha.
Girei o corpo dela, jogando-a por cima da mesa de mogno, espalhando os papéis restantes pelo chão. Bella abriu as pernas imediatamente, puxando a minha cintura. Eu não perdi tempo tirando a roupa; apenas abri a calça, enquanto as mãos dela puxavam o meu cinto desesperadamente. Arranquei a calcinha dela com um puxão seco, ouvindo o som do tecido rasgar, o que a fez soltar um gemido agudo de pura antecipação.
Eu a penetrei de uma vez, fundo, forte, sem preliminares gentis. Nós não éramos gentis.
Bella arqueou as costas sobre a madeira escura da mesa, soltando um grito abafado, as mãos dela agarrando as bordas do móvel enquanto eu me movia dentro dela com um ritmo brutal, possessivo, quase punitivo. Cada estocada era uma afirmação de propriedade. Você é minha. Eu sou seu. O som dos nossos corpos se chocando e os gemidos arranhados dela preenchiam o escritório destruído. Ela cravou as unhas nas minhas costas, puxando-me para mais perto, prendendo as pernas longas ao redor do meu quadril, ditando a velocidade.
— Edward... mais... — ela arfou, os olhos revirando de prazer, a pele alva suada sob a luz da lua.
Eu estava perdendo o controle, o ápice subindo pelo meu corpo como uma descarga elétrica. Eu olhei para baixo, querendo ver o rosto da minha esposa, querendo ver a mulher que dividia o meu cérebro se entregando ao preenchimento total.
Mas, quando o meu corpo se esticou no limite, pronto para o orgasmo... as feições da Bella mudaram.
A estrutura do rosto dela sob a luz do luar pareceu se transformar. O maxilar angulado da Bella suavizou. Os cabelos pareceram se prender em um coque frouxo e, por um milésimo de segundo terrível, os olhos que me encaravam não eram os olhos castanhos e obsessivos da minha esposa.
Eram os olhos escuros, frios, analíticos e jovens de Katherine Santiago.
O rosto da aluna me encarava de cima da mesa, me julgando, decifrando a mecânica do meu crime doméstico, sorrindo aquele sorriso contido de quem sabia exatamente o monstro que eu era.
Um calafrio violento e congelante cortou a espinha do meu corpo bem no momento do ápice. Eu soltei um gemido rouco, despejando-me dentro de Bella, mas a onda de prazer veio misturada com uma pontada aguda de pânico puro. Pisquei os olhos com força, sacudindo a cabeça.
Quando abri os olhos novamente, era Bella ali. Apenas Bella, arfando, exausta, com os olhos fechados e um sorriso de satisfação nos lábios.
Eu me afastei lentamente, o meu coração batendo no peito como um tambor de guerra. Meu corpo ainda estava quente pelo sexo, mas a minha mente havia congelado. Olhei para as minhas próprias mãos trêmulas enquanto me recompunha no escuro. A alucinação havia durado um segundo, mas o estrago estava feito. Aquela garota de óculos e suéter largo não era apenas uma aluna brilhante. Ela havia entrado na minha cabeça. E, pela primeira vez na vida, o Professor Cullen teve medo do que veria no espelho na manhã seguinte...Porque ele iria refletir VOCÊ...
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