ADN - Como Tudo Começou
22 Emoções Demais Para Um Dia Só
Notas iniciais
Depois de olhar para trás e não encontrar Isabel, voltei a olhar para Caroline. Não conseguia pensar muito bem, ela não tinha batimento cardíaco e sua pele estava fria, sem contar os ferimentos e o fato de parecer mais magra. Senti vontade de chorar, sabia que ela estava morta, mas não queria acreditar. Sem saber o que fazer,e perturbada demais para pensar, corri até a porta.
Faltavam dois ou três passos para chegar quando ela se abriu, no susto escorreguei e caí. Isabel entrou seguida por Fátima, Elena e Maria, que me viram no chão mas não deram atenção. Foi Isabel quem me levantou e eu disse :
– Ela... Eu já sabia, mas... — não consegui terminar a frase, uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Ela olhou para o lado, segui seu olhar e vi Elena e Maria abraçadas chorando, Fátima estava com mais raiva que tristeza. Acho que ela não aguentou, pois deu um grito de raiva e começou a andar em círculos. Parou por um segundo, fechou os olhos e quando abriu disse :
– Vamos embora. — pensou um pouco e continuou — Eles podem já saber que não estamos presas, então cuidado e parem de chorar.
Nós simplesmente a seguimos, Fátima tentava não demonstrar, mas estava tão abalada quanto qualquer uma de nós. Me peguei alguma vezes distraída pensando naquilo, mas tentei manter a concentração. Logo chegamos na porta que dava para a rua. Antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, Francis abriu essa porta, que parecia mais um alçapão pelo lado de dentro, e entrou junto com seus capangas.
Demos alguns passos para trás, mas Fátima, que estava na frente, fechou o punho e tentou dar um soco nele. Quando perceberam o que ia acontecer, Maria e Elena seguraram o braço da amiga, enquanto eu e Isabel nos escondidos atrás delas.
– Por que fez aquilo com ela? — berrou Fátima.
– Não interessa. — respondeu calmamente — Então vocês já sabem. Mas eu tenho uma pergunta melhor, como vocês quatro conseguiram fugir?
– Não interessa. — rebateu a mais forte.
– Então é assim? Não se preocupem, eu descubro sozinho.
Fiquei com medo dele ver Isabel, por isso tentei esconde-la atrás de mim. Foi um erro, pois alguns segundos depois, ela deu grito. Olhei em sua direção, um homem a havia puxado e agora segurava uma faca mirando em seu pescoço.
– Hã... Dá para alguém me ajudar? — pediu, com medo e segurando o braço de quem a ameaçava.
Não soube muito bem o que fazer, tentei pensar em algo, mas nada vinha em minha mente. Ouvi passos atrás de nós, Francis passou direto em direção à Isabel e, olhando diretamente em seus olhos, disse :
– Então foi você quem as soltou? Muito corajosa, mas essa coragem não vai te servir para mais nada.
Pela primeira vez desde que somos amigas, ela não disse nada, apenas engoliu em seco e permaneceu imovel. Por segundos, que pareceram horas, meus neurônios ferviam, trabalhando a todo vapor para encontrar um jeito de solta-la. Não me vinha nenhuma idéia, estavamos em desvantagem e eles tinham uma refém. En dado momento me ouvi dizer:
– Solta ela e me leva em seu lugar.
Senti que alguém doa Anjos da Noite fosse fazer uma objeção, mas antes que isso acontecesse outra pessoa se pronunciou:
– Quer saber? Não! — disse Francis, pouco se lixando — Tenho planos melhores para você, e para que se concretizem você precisa estar livre.
– E ela? O quê vai fazer com ela? — perguntei preocupada, não só com o fato dele me querer do lado de fora, mas principalmente com o que fariam com minha melhor amiga.
– Ela vai ficar aqui. — me desesperei — Não precisa se preocupar, nada de mau vai acontecer com ela. Levem-na. — ordenou.
Um arrepio percorreu meu corpo, o modo como disse aquilo deu a impressão de que ele sabia o que aquele rapaz disse antes de me desmaiar e em meu sonho. Queria muito correr atrás dela, mas logo que a levaram os dois segurança taparam o caminho.
– Isabel! — gritei, esperando ouvir uma resposta.
– Carry! — ouvi baixinho, sua voz fazia parecer que ela iria chorar.
– Nós precisamos tira-la daqui. — disse eu, me virando para olhar elas.
– Agora não dá, temos que esperar a hora certa. Olhe em volta, tudo que podemos fazer é tentar fugir para poder voltar. — explicou Maria, em um tom que só eu pude ouvir.
– Mas ela não pode ficar aqui, vocês viram o que ele fez com a Carolone. Eu não posso deixar. — insisti no mesmo tom de voz.
Quando um dos homens que aguardava do lado de fora às ordens de Francis chegou perto da Fátima, ela deu uma cotovelada certeira e sem olhar para trás.
– Vamos logo! — disse ela, estralando os dedos.
Fiquei com mais medo dela que do vilão da história, agradeci mentalmente por ela estar do meu lado, tive a impressão de que não sobreviveria se a tivesse no lado inimigo.
Não podia fazer nada, e mesmo assim relutei em sair de lá. Isabel sempre fora a melhor amiga, me ajudou várias vezes, o mínimo que podia fazer era retribuir, mas com elas me impedindo...
Sair de lá foi fácil, fácil até demais. Todos que lá estavam, menos Francis e seus dois guardas, vieram praticamente em fila até Fátima, que derrubava cada um com um soco, chute ou cotovelada. Enquanto isso eu era quase empurrada para sair de lá, sendo obrigada a segui-las.
Não fomos se quer seguidas de longe, apenas tomamos cuidado para que ninguém notasse nossa presença. Parecia que nos atrairam em uma armadilha para poder nos pegar em outra. Era como se Francis tivesse secrestrado Caroline, Fátima, Elena e eu; e me soltado para poder ajudar Maria a resgatar elas apenas para ficar com Isabel.
Não conseguia parar de pensar nisso, eu poderia estar sendo usada sem saber, todas nós poderiamos. "O que ele quis dizer com aquele papo de planos e que para que dêem certo eu precisaria estar livre? Se fosse só isso, ele simplesmente poderia não ter levado ninguém, assim eu continuaria do lado de fora. Então ele precisava fazer tudo isso, deve ter um motivo. Só me resta tentar descobrir que motivo foi esse." Pensei, mas esse raciocínio não me ajudou muito.
Quando finalmente chegamos na rua , eu roía as unhas. Estava pensando seriamente sobre o motivo do Francis querer justamente Isabel com ele, e pensar nisso me deixava deprimida. Todas as ruas estavam numa escuridão total, apenas cortqda pela luz dos postes, todos estavam dormindo.
– Será que eu posso...? — perguntei, olhando na direção da casa de meus irmãos.
– Pode sim, só não conta nada. — respondeu Maria, depois de olhar na direção das outras.
– Obrigada. — agradeci.
Me separei delas e me senti inconsolável. Entrei em casa e fui direto para meu quarto, deitei na cama, agarrei um travesseiro e chorei baixinho, como sempre fazia na casa dos meus tios. Coloquei tudo para fora sem acordar Teo e Dav. O sono começou a vir sem que eu percebesse e logo estava dormindo.
Acrdei perto das dez horas da manhã, para o horário que fui dormir na noite anterior, até tinha acordado cedo. Me sentei mas desisti de levantar, eu queria ir até lá embaixo, e ao mesmo tempo queria ficar quieta no meu canto. Não consegui entender o que estava sentindo, estava tudo tão confuso.
Durante o resto da manhã não saí do quarto, ficava olhando para o vazio e pensando no porwue nao agi. O tempo passou relativamente rápido, tudo o que eu queria era que Isabel voltasse, já não suportava mais a culpa e a cada instante me culpava mais. Pensava em tudo que ela estaria passando, fome, sede, torturas, e que a culpa disso tudo era minha.
Estava quase levantando para ir busca-la quando alguém abriu a porta. Primeiro não me importei, a pessoa ficou parada na porta e eu continuava olhando para o chão. Quando pigarreou finalmente olhei para ele, Teo estava preocupado comigo.
– O que houve? — perguntou.
– Quero ficar sozinha. — cortei.
– Você não está bem, pode me contqr o que aconteceu. — não respondi, ele sentou ao meu lado e disse — Se não quiser, não precisa contar. Só não fica assim, tudo bem?
Continuei muda, apenas apoiei a cabeça em seu ombro, como sempre fazia com Isabel, ele me abraçou e aconselhou:
– Daqui a pouco você vai ter que descer, mesmo que não queira, já passou da horq do almoço e parece que você não comeu nada.
Não sentia fome, não queria sair do quarto. Fiquei feliz por Teo ter aparecido, mas os maus pensamentos continuavam na minha cabeça. Não dava para pensar em outra coisa, estava muito distraída para perceber que a hora do almoço já havia passado. Meus pensamentos estavam em outro lugar, estavam com Isabel.
Algum tempo se pasou e meu irmão me convenceu a comer alguma coisa. Surpreendentemente enchi o prato e acabei com tudo. Logo depois percebi que precisava conversar com três pessoas em especial e me dirigi para lá. Com certeza, àquela hora da tarde, no mínimo uma delas estaria acordada.
Toquei a campainha, pensei em voltar atrás e sair correndo, mas estava decidida que teria explicações. Eu precisava saber, eu queria saber, não aguentava mais saber que elas escondiam coisas. Eu não era mais uma criança, e depois de ir busca-las e perder minha melhor amiga, eu merecia saber.
No fundo tinha medo de perguntar, por mais que fosse adulta, haviam coisas que talvez eu não estivesse psicologicamente preparada para receber. Essas dúvidas me atormentaram por minutos que pareceram eternidade, já estava quase tocando a campainha novamente.
Maria abriu a porta e ficou triste ao me ver. Com certeza ela já sabia o que eu queria. Olhou para o lado de dentro, saiu e fechou a porta. Estranhei sua atitude, mas devia ter um motivo, por isso respeitei sua decisão. Ela me levou até a parte traseira da casa, que parecia relativamente pequena em relação ao lado de dentro. Talvez fosse só impressão minha.
Lá atrás havia apenas um jardim mal cuidado, não como se não fosse cuidado a anos, mas a meses.
– Por que estamos aqui? — perguntei.
– Você quer conversar sobre a sua amiga, acertei? — respondeu, parando de andar e olhando em meus olhos.
Sim, eu queria muito falar sobre isso. Mas só por agora eu queria muito saber a verdade. Respirei fundo e recomecei:
– Na verdade, eu acho que você não vai poder ajudar. — expliquei.
– O quer dizer? — ao deduzir o que ia dizer em seguida ela prosseguiu — E você acha mesmo que ela vai responder?
– Isso eu já não sei, mas preciso tentar. Tem tanta coisa estranha acontecendo, que é difícil pensar em uma explicação lógica para isso. — contei.
– Por exemplo... — começou a dizer para que eu terminasse.
– O lugar onde o Francis se esconde. Ele era grande demais e as vezes parecia que eu estava entrando no mesmo lugar, só que de portas diferentes.
Não precisei dizer mais nada, ela saiu de onde estavamos para chamar quem eu queria ver. Alguns minutos se passaram e Fátima veio sozinha. Me encarou séria, esperando que eu falasse algo. Olhei em seus olhos e perguntei:
– O que vocês tanto escondem?
FIM
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