ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
3 Primeiro dia.
Notas iniciais
– Por favor, dê o seu melhor e se cuida querido – Flor disse beijando a bochecha do filho.
– Pode deixar, mãe – ele sorriu.
As gêmeas vieram em direção a ele que se abaixou abraçando as três de uma vez.
– Não faça besteira – Lindsay disse.
Charlie riu baixinho.
– Não garanto linda – ele beijou o topo da cabeça da garotinha – agora eu tenho que ir porque ainda tenho que achar minha casa.
Todos se despediram devidamente de Charlie que deu um último aceno e saiu jogando suas malas no banco de trás do carro e pulou por cima da porta entrando no carro e logo acelerando.
O garoto não conseguia parar de sorrir, seu sonho estava começando a virar realidade, e ele nunca esteve tão ansioso para ir para uma espécie de escola, mas aquela era diferente, era um sonho de consumo.
Em duas horas ele estava na porta da Academia, ele havia recebido o papel com o número da sua casa. Sim, não eram dormitórios eram casas, a cinco minutos da Academia havia um condomínio com casas que era todo alugado para os alunos.
Da academia se dirigiu para o condomínio muito legal se me permitem dizer. Tirou o cartão que havia recebido do bolso e ao passar por uma luz vermelha os portões se abriram. Ele olhou para aquilo sorrindo enquanto entrava em seu carro novamente e seguia caminho pela rua com muitas casas espalhadas por ali. A bagunça do primeiro dia já estava acontecendo, havia várias pessoas conversando e descarregando suas coisas por todos os cantos.
A casa dele era a número 24. Pelo que ele soube, eram 6 moradores por casa, então ele dividiria uma casa com outros 5 marmanjos... meio estranho.
Ele estacionou seu carro na frente da sua casa e desceu pegando suas malas indo até a porta, quando foi abrir ela se abriu sozinha revelando um garoto loiro.
– Oi – ele estendeu a mão a Charlie que soltou uma das malas para apertar a mão dele de volta.
– Oi – ele respondeu – Charlie Martin.
– Nicholas Hawks, mas pode me chamar de Nick.
. . .
Em pouco tempo Charlie já havia conhecido todos os seus colegas de casa. Tinha o Nick, Simon, Nathan, Dylan e Lester. Todos de cara pareceram muito gente boa, só Dylan que era meio... estranho.
Descobriu que não havia nenhum cantor na casa, Simon era dançarino, Nathan músico e o resto atores. Quando Simon disse que era dançarino, Nathan deu uma risadinha, mas ficou quieto quando ele Simon se levantou irritado.
Cada um deles foi para suas respectivas salas, e Charlie teve que caçar sua sala sozinho.
Na Academia as coisas funcionavam assim: você se inscrevia em uma área específica e ficava em uma turma com pessoas da mesma área. Porém você não tinha só aulas sobre sua área, você tinha aulas sobre todas as artes exploradas naquela Academia, mas claro que era mais concentrado em sua especialidade.
Charlie coçou a cabeça olhando a lista dos nomes escrito "Cantor (a)". Procurou seu nome, que foi bem fácil achar porque era um dos primeiro por começar com C.
Eram duas turmas de vinte e cinco alunos por área e pelo que Charlie havia entendido a co-diretora Carla era responsável pela turmas de número um e o co-diretor Alexander era responsável pelas turmas de número dois. E era separado assim porque Alexander e Carla como um bom casal divorciado adoravam competir, e com isso quero dizer que seus alunos competiam entre si como forma de treinamento e de diversão para os dois diretores.
Charlie tinha a impressão de que isso seria muito divertido.
Ao ver que havia ficado na turma um sorriu, havia muitos boatos de que Carla era mais legal do que Alexander, então...
Sua primeira aula era canto na sala 12. Então ele em passos precisos se dirigiu até a sala 12.
Assim que entrou, não pode conter um sorriso ao ver aquela loira sentada olhando as próprias unhas. As cadeiras foram colocadas em forma de um meio circulo e do outro lado da sala havia um teclado e outra cadeira.
A loira, ou melhor, Emily estava usando um vestido vinho com um sinto preto, e mangas curtas rendadas na mesma cor do vestido. Usava um salto preto grande e fino. Os cabelos dourados estavam soltos e o batom vermelho combinava perfeitamente com ela.
Ele arrumou a mochila em seu ombro que continha sua roupa para a aula de dança, uma calça preta muito justa de um tecido leve e confortável e uma camiseta da Academia... exatamente como exigido na lista.
– Oi loira – ele se sentou ao lado dela.
Ela nem se mexeu e continuou analisando suas unhas grandes e vermelhas.
– Pelo jeito a sorte não está a meu favor – ela disse.
– Eu discordo. Você tem um garoto lindo ao seu lado que sente uma grande atração por você, acho que isso é sorte.
Emily acabou sorrindo com o "sente uma grande atração por você".
– Bom, sendo assim acho que o sortudo aqui é você não eu – ela disse seca olhando ligeiramente para ele e depois olhando para frente, mas especificamente para além da enorme janela que ocupava a parte do meio inteira da parede da porta.
– Uhhhhh loira gelada – ele fez uma careta com um sorriso.
– Uhhhhh moreno insistente – ela fez a mesma cara e Charlie riu.
– Ainda bem que sabe – ele se ajeitou melhor na cadeira apoiando o calcanhar direito em cima do joelho esquerdo – então, você é da onde?
Emily revirou os olhos, ele ia mesmo insistir?
Ela olhou para ele que sorriu com as sobrancelhas erguidas como se estivesse achando graça dela. Ela cruzou os braços e ele cruzou também a imitando e rindo da cara dela.
– Idiota – ela disse bufando e ele riu.
– Olha só como já começamos bem – ele sorriu ainda e Emily decidiu ignorar, simplesmente isso.
– Ainda não me disse de onde é.
– AHHHH! Para de me atormentar garoto!
– Charlie, prazer – ele estendeu a mão para Emily que ignorou.
Antes que Charlie pudesse enchê-la mais, uma mulher entrou na sala e só ai Charlie foi perceber que todas as cadeiras estavam ocupadas, menos uma, a da professora, logicamente.
Ela era morena, tinha cara de ter uns trinta e pouco e o sorrisinho em seus lábios entregava que ela era legal. Foi andando até sua cadeira se sentando e olhou para todos rapidamente.
– Primeiramente, boa tarde a todos – ela disse sorrindo.
A sala respondeu um "boa tarde" coletivo.
– Eu sou Nicole, professora de canto – ela sorriu para todos – creio que todos temos muito em comum – ela piscou – e eu estou louquinha para ouvir a voz de todos vocês. Eu sei que já ouvi nas audições e tenho que dizer que houveram performances excepcionais! – ela bateu uma palma, parecia bem animada – e eu quero ouvir essas vozes novamente, cada uma delas.
Ninguém se manifestou e quando Charlie olhou para o lado viu algo que não pensou que veria tão cedo, Emily sorria verdadeiramente de um modo totalmente radiante. Charlie sorriu para ela.
– E eu descobri que temos aqui nessa sala o filho de Florence Martin que é obvio que todos vocês sabem quem é e por sinal, se formou aqui.
Ela olhou para Charlie que corou um pouco.
– Charlie Martin – ela disse – sua mãe atriz e você cantor, que interessante.
Ele sorriu.
– Bom, então para começarmos hoje faremos um exercício de canto – ela disse – quero que me sugiram um dueto.
Ninguém se manifestou.
– Vamos, qualquer dueto.
Emily olhou em volta, bando de gente tímida. Ela levantou a mão e Nicole sorriu.
– Diga querida.
– Just Give Me a Reason – Emily disse, adorava aquela música.
– Perfeito! – Nicole exclamou – e como você sugeriu, vai cantar, preciso de alguém pra cantar com ela.
Adivinhem quem levantou a mão? Todo o povo masculino daquela sala.
Nicole riu.
– Gostei da empolgação, nem imagino o porquê dela – ela disse irônica e todos soltaram uma risadinha – mas serei justa e com isso será a primeira pessoa que levantou a mão, que foi o Charlie – ela disse.
E com todo o povo masculino, claro que Charlie estava incluso e foi de longe o primeiro a levantar a mão... nem imagino o porquê.
– Certo, Charlie e...
– Emily – Emily disse e Nicole assentiu.
– Certo, Charlie e Emily venham aqui na frente.
Os dois levantaram e foram, nenhum deles tinha vergonha alguma, ainda mais quando o assunto era cantar.
– E agora vem a parte interessante da coisa, vocês todos – ela apontou para o resto da sala – serão os instrumentos.
Todos pareceram ligeiramente confusos e ela sorriu.
– Faremos uma versão a capela dessa música, alguma pergunta?
Novamente ninguém se manifestou.
– Certo, por favor, alguém comece – ela pediu se sentando empolgada.
E do meio do silencio surgiu uma menina imitando o som do piano, logo outra se juntou fazendo um "Uhhhhh" e logo todos estavam fazendo um som formando uma sinfonia perfeita.
Nicole olhou para Emily que assentiu sorrindo esperando sua deixa, respirou fundo e cantou.
Charlie estava sério olhando para ela, completamente abobado, até se apoiou no piano para não cair, ficou tão hipnotizado que quase perdeu sua deixa, mas quando os olhos penetrantes da loira o olharam ele voltou a terra e entrou na sua hora não parando de olhar para Emily que por algum motivo não conseguiu parar de olhar para ele também.
No ultimo refrão os dois se empolgaram. Era mais do que óbvio que havia uma forte química entre eles, apesar de ela não admitir.
A música acabou e nessa hora até os "instrumentos" haviam se empolgado, e a professora também. Todos aplaudiram inclusive Emily que ficou impressionada em como tudo havia saído tão bom de primeira.
– Olha, isso foi muito bom, muito bom mesmo – Nicole disse enquanto Emily e Charlie iam se sentar.
O garoto sentiu que ganhou alguns pontos com a loira... muitos pontos.
. . .
Emily ainda estava meio atordoada com a aula de dança. Como Abby aguentava aquilo?
Elas haviam combinado de se esperarem na entrada do refeitório que por sinal, era ao ar livre então elas se encontrariam na porta de saída da Academia.
Emily chegou e viu Abby e Kate. Sarah atrasada como sempre.
– Cheguei – Emily disse se apoiando na parede.
– O que foi? – Kate levantou as sobrancelhas vendo que a loira parecia bem cansada.
– Aula de dança... como você aguenta, Abby?
Abby riu.
– Do mesmo jeito que você aguenta ouvir um monte de gente cantando.
Emily sorriu.
– E a atrasada?
– Ah, deve estar transando com alguém ai – Abby disse e Kate riu.
De longe elas viram Sarah vindo acompanhada de um garoto, os dois conversavam e Sarah tinha um sorrisinho simpático nos lábios.
– Oh meu Deus, eu fui no chute e acertei! – Abby disse rindo.
Sarah se despediu do garoto que seguiu caminho e depois foi em direção á suas amigas.
– Olá garotas – ela disse.
– Mas já? – Emily disse apontando com a cabeça para o garoto.
Sarah riu.
– Vocês transaram aonde? – Abby perguntou.
– Não transamos suas pervertidas! – Sarah riu mais um pouco – ele encenou comigo na aula e me trouxe até aqui, só.
– E ele sabe que é só isso? – Kate deu um sorrisinho de lado.
– Não sei, mas ele é bonitinho, não? – a morena perguntou enquanto elas iam comprar o almoço.
– É, de corpo ele é uma delícia, de rosto nem tanto – Emily disse.
– Concordo – Sarah disse – e é por isso que é "só isso".
– Ok – Abby disse fazendo uma cara hilária.
Elas compraram seus almoços e se sentaram em uma mesa redonda vazia dentre as várias.
– Então, o que aconteceu de interessante com vocês? – Sarah perguntou abrindo a embalagem com seu hambúrguer de frango que tinha mais salada do que frango. Do jeito que ela gostava.
– Bem, eu quase quebrei meu violão batendo nas costelas de um garoto – Kate disse.
As quatro se olharam e riram.
– Como assim?
– Ah, eu levantei e bati o violão nele sem querer – ela deu ombros – ai ele meio que surtou e começou a gritar em Frances... sei lá, o garoto era meio maluco.
– O garoto era Frances?
– Não, mas sabia falar... tinha cara de nojentinho – ela disse bufando.
– E você Abby?
– Comigo foi tranquilo – Abby deu de ombros mordendo um pedaço de sua pizza – agora a Emily está com uma cara ótima, o que houve com você loira?
Emily deu um sorrisinho de lado.
– Lembrando garoto do All of me? – ela perguntou e as três assentiram sorrindo.
– Transaram? – Sarah perguntou com a expressão normal como se isso já fosse rotina.
– Não! – Emily arqueou o cenho – cantamos Just Give me a Reason.
– Ai que romântico – Kate fez carinha de apaixonada.
– Não! – Emily disse de novo – ele é gostoso e tudo mais... mas haja garoto mais insistente.
– Então ele deu mais em cima de você?
Emily assentiu.
– E adivinhem, a peça é filho da Florence Martin.
Sarah engasgou com o suco e as três olharam assustadas para ela que começou a bater na mesa esperando sua respiração voltar ao normal.
– Florence Martin? EU AMO ESSA MULHER! Ela é tipo uma das melhores atrizes de teatro da atualidade!
– Pois é, ai sai um garoto daquele de dentro dela, vê se pode? – Emily disse.
– É, um garoto lindo e gostoso que ainda por cima canta bem, que absurdo não é? – Abby disse irônica olhando para Emily.
Ela havia desenvolvido uma antipatia por ele por algum motivo, talvez por ele achar que ela... gostava dele. Metido do caramba.
– Certo, e como vocês dois foram acabar cantando juntos? – Sarah perguntou.
– Destino – Kate novamente fez aquele olhar apaixonado.
– Sorte – Abby disse.
– Ou porque ele levantou a mão – Emily disse cutucando seu hambúrguer.
– E não me diga que ele fez aquele contato visual igual na audição.
– Fez! A praga não parava de me olhar com aquele sorrisinho... – ela perdeu a fala por um momento, mas logo a encontrou – ridículo.
Sarah sorriu de lado.
– Sabe, pra você saber que ele te olhou a música toda, você tem que ter olhado para ele também – Sarah disse.
As três olharam para Emily que estava corada. Era muito difícil deixar Emily Davis corada, e era totalmente adorável.
– Você ficou vermelha! – Kate exclamou – você gosta dele.
– Não – ela disse gaguejando um pouco, odiava ficar com vergonha – tenho que relembrar que eu não gosto de ninguém – ela levantou o dedo.
– Mas isso pode mudar – Abby cantarolou.
– Não – ela disse direta como sempre.
Colocou seu hambúrguer na boca para se ocupar com algo e ficar "impossibilitada" de responder qualquer pergunta.
No meio do refeitório a céu aberto um garoto forte de pele morena subiu na mesa gritando por atenção. Todos se calaram e olharam para ele.
– Boa tarde veteranos e novatos. Essa noite terá nossa costumeira festa de começo de ano as oito na praça do condomínio, estão todos mais que convidados.
As quatro se olharam com um sorrisinho de lado.
– Festa... – Sarah disse tomando seu suco logo depois.
– Agora as coisas ficaram interessantes – Abby disse com um sorriso mais malicioso impossível.
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