ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
6 Primeira competição do ano.
Notas iniciais
Finalmente era Sábado, um doce, quente e muito ensolarado Sábado. Charlie não havia sossegado aquela semana inteira, mas não conseguiu roubar outro beijo da loira porque ela não deixou e parece que ele ficou meio traumatizado depois da joelhada assassina. Mas ela sabia que ele continuaria insistindo.
– De pé! – Abby entrou no quarto de Sarah e Emily batendo palmas para acordá-las já que ambas dormiam como pedra.
Sarah abriu os olhos os semicerrando por conta da claridade, pegou o travesseiro e o jogou com força em Abby que ainda batia palmas cantando uma música inventada com "levantem defuntos de suas camas!".
– Vai dormir! – ela disse enfezada, não gostava de ser acordada com gritos... na verdade não gostava de ser acordado de modo nenhum, gostava de dormir isso sim.
– Vamos, levantem porque já passou do meio dia e temos que procurar algum lugar interessante por aqui – Kate disse com seu violão nas costas.
– Vocês não sossegam poxa – Emily grunhiu com aquela voz rouca clássica de sono.
– Eu to com forme e precisamos achar algum lugar para comer – Abby reclamou.
As duas grunhiam um pouco, mas acabaram levantando. Emily usava uma camisolinha rosa e Sarah estava só de lingerie... tudo graças ao calor infernal naquela noite.
– Andou recebendo visitas essa noite, Sarah? – perguntou Abby enquanto Sarah abria o armário sem vergonha alguma por estar seminua, não que ela tivesse que ter vergonha porque tinha um corpo ótimo.
– Não, eu e a Emily transamos – ela sorriu de lado para Abby.
– Sim, foi ótimo – Emily riu – me beija Sarah.
– Vem meu amor.
As duas simularam um beijo e se abraçaram rindo se soltando logo depois para voltar a se trocar.
– Ataque lésbico – disse Kate – ok então.
– Já vou avisando que não curto ruivas, Cupcake – Sarah disse.
– Ta, chega de lesbiquice e se troquem porque eu to com fome!
Emily e Sarah se trocaram até que rápido, mas até se maquiarem e tudo mais, já havia passado uma hora.
Depois que todas estavam prontas, elas saíram entrando no carro de Sarah. O resto havia deixado o carro em NY, mas a preguiça de ir buscar era tremenda porque ao contrário do pai de Sarah que mandou o carro dela já que elas vieram de avião os pais da outras queriam que elas fossem buscar, os seja, ir de Nova York até a Califórnia de carro... o que não aconteceria de jeito nenhum né! Então elas ficariam só com um carro por um tempo.
– Pelo amor de deus, para no primeiro restaurante que aparecer – Abby implorou, estava morrendo de fome.
– Para ai se não ela vai desmaiar – disse Kate.
– Ta, calma ai – Sarah disse avistando um restaurante de longe.
Um ronco monstruoso ecoou pelo carro.
– Eu disse que estava com fome – Abby abraçou a própria barriga.
– Senhor amado, há quanto tempo você não come? – Emily perguntou.
– Sei lá, desde ontem lá por umas sete.
– Sua maluca, quer ficar doente? – Kate disse.
– Ai, eu não tava com fome – Abby fez bico cruzando os braços.
Elas entraram no primeiro restaurante no caminho e Kate deixou seu violão no carro. Se sentaram em uma mesa qualquer e pediram uma grande porção de camarão e outra big porção de batata fritas, só Abby que estava com uma baita de uma fome, mas mesmo assim não comia muito, nenhum delas comia muito isso explicava porque andavam em forma.
– Então, tentei ignorar, mas não deu – Sarah disse – porque trouxe o violão? – ela olhou para Kate.
– Velhos costumes nunca morrem, faremos nossa reunião de praça como sempre fizemos. Emily vai nos abrilhantar com sua voz, eu vou tocar e vamos acabar todas cantando e depois de um tempo você vai dormir – Kate disse e Sarah riu.
– E a dona da voz não é consultada não? – Emily tomou um pouco de suco.
– Como se isso fosse preciso, você canta até correndo Emily.
. . .
Kate tocava Price Tag enquanto todas cantavam. Sarah como previsto já estava deitada na grama quase dormindo, mas cantava baixinho e meio rouca.
Elas sempre faziam isso em Nova York, iam até o Central Park e ficavam cantando por um bom tempo, as pessoas sempre passavam e ficavam olhando, e isso foi um bom treino para elas perderem a vergonha.
Uma hora Kate ficou apenas dedilhando as cordas tocando algumas músicas aleatórias enquanto elas conversavam sobre assuntos também aleatórios. E como era simplesmente cômico irritar Emily elas logo entraram no assunto Charlie que era o mais interessante por enquanto.
Emily não percebia isso, mas ficava absolutamente nervosa quando as meninas começavam a falar de Charlie.
– E o moreno, continua te assediando? – Sarah perguntou olhando para o céu.
– Ah, aquele lá não muda não – Emily disse.
– Ele te agarrou de novo?
– Uhum, Quarta-feira, eu dei uma joelha lá em baixo e acho que depois disso ele ficou com medo e não me agarrou de novo, mas fica me paquerando o dia todo.
– Mas de novo? – Abby disse.
– Sim! Ele não me deixa em paz – Emily se encostou em Sarah.
– E isso não é bom? – Kate franziu o cenho.
– Não, ele está me deixando louca.
– E você está adorando isso – Sarah disse encaracolando o cabelo da loira nos dedos.
Emily acabou sorrindo.
– É divertido, admito – ela disse – mas eu não gosto dele, de jeito nenhum.
– Você é tão anta – Abby disse – o menino é lindo, gostoso, beija bem e gosta de você. Qual o seu problema?
– Porque insistem tanto nele?
– Porque seus olhos brilham quando você fala dele – Kate disse.
Emily corou.
– Não brilham não – ela gaguejou um pouco.
As três riram e Emily deitou na grama.
– Não gosto de vocês – ela disse e elas riram mais ainda.
– 'Cause all of me, loves all off you – Abby cantarolou.
"Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I'll give my all to you
You're my end and my beginning
Even when I lose I'm winning
'Cause I give you all of me
And you give me all of you oh"
Emily apenas ficou com aquele carinha emburrada que era adorável, mas ela não sabia disso. Aquela música tinha um sentido duplo, porque tecnicamente Charlie havia a cantado para Emily e era uma música romântica.
– Eu definitivamente não gosto de vocês – ela fez um bico.
– Vocês vão acabar casando – Abby murmurou.
Emily pegou a palheta da mão de Kate e jogou em Abby que levantou as mãos rendida.
– Eu vou andar – ela se levantou e saiu andando.
– Ela não ficaria tão incomodada se não gostasse dele – Abby deu de ombros.
– Exatamente! – Sarah exclamou e Kate sorriu.
– Basta ela mesma perceber isso.
– Parte mais difícil, porque ela é mais cabeça dura que uma pedra.
Abby riu e Kate deu de ombros.
. . .
Eles estavam em uma aula desastrosa de atuação ouvindo o professor falar sobre uns dos clássicos de Shakespeare, obviamente ninguém ali se interessava porque não eram atores, mas tinham que assistir as aulas então, haja paciência.
– A essência das palavras dele... – o professor parecia emocionado – é algo que realmente corta o coração.
Quando a co-diretora, Carla entrou na sala houve um silencio, Emily agradeceu a ela por ter interrompido o discurso do professor.
Todos se calaram e olharam para a mulher que ia andando até a frente da sala. Usava um lindo vestido branco justo que ia até um pouco acima dos joelhos e um maravilhoso salto preto.
– O que a trás aqui, Carla? – o professor perguntou com um sorriso que a mulher correspondeu.
– Tem certeza que não sabe?
O professor pareceu pensar um pouco e depois sorriu.
– Ah claro, vá em frente – ele sinalizou com a mão e ela sorriu se alinhando no centro da sala.
– Olá alunos – ela disse sorrindo simpática – como vocês devem saber, fazem parte da equipe um... minha equipe e a primeira competição do ano acontecerá daqui um mês e é claro que vocês terão que se preparar, qualquer dúvida a professora Nicole ajudará vocês com isso após o almoço. Bem, é isso. Quero uma apresentação bem bonita viu? – ela sorriu e saiu da sala.
Os murmúrios foram quase que imediatos e o professor até se apoiou na bancando vendo que não conseguiria fazer aqueles jovens calarem a boca tão cedo.
. . .
A aula de canto estava uma zona, todo mundo ficou meio elétrico com essa apresentação. A professora Nicole estava quase tendo um enfarto porque não conseguia falar, mas aos poucos a turma foi se tocando e ficando quieta até não dar para ouvir um ruído.
– Ótimo – Nicole sorriu – vejo que estão muito animados e logicamente querem saber qual será a música.
Todos ficaram alvoroçados novamente, mas logo pararam.
– Eu desenterrei uma música, porque acho que seria uma performance interessante. Por isso essa música será Toxic.
Mais e mais murmúrios.
– Preciso de 7 pessoas para solar 4 meninas e 3 meninos. Quem se habilita?
Como ninguém ali era tolo, todos levantaram a mão.
– É essa empolgação que eu gosto, mas vamos ter que decidir isso de alguma forma... todos irão cantar e eu vou decidir quais irão solar, mas se acalmem que todos vão cantar ok? – ninguém se manifestou – então, como devem saber a letra dessa música é um tanto ousada, então quero uma performance igualmente ousada, sim terá uma coreografia e não precisa ser brilhantemente elaborada... só algo bem sedutor.
Charlie sorriu de lado olhando levemente para Emily, aquilo poderia ser bem divertido.
– Vamos resolver tudo amanhã e eu vou deixar coreografia e figurino a escolha de vocês, então não me decepcionem. Então vamos continuar com nossa aula porque eu tenho que aperfeiçoá-los para o show!
. . .
Na mesa do almoço das meninas, todas comentavam sobre o show. A turma dos atores de Sarah fariam uma representação de uma pequena peça criada por seu professor, os dançarinos de Abby fariam uma coreografia original, os músicos de Kate misturariam várias músicas e fariam algo bem interessante, e os cantores de Emily se virariam no Toxic.
– Espera – Abby disse em meio as conversas – se eu e Sarah somos da equipe dois e a Emily a Kate da um... quer dizer que vamos meio que competir?
As meninas se calaram por um momento, não haviam pensado nisso.
– É, teoricamente – Kate disse – mas isso não quer dizer nada.
– É, continuarei amando vocês quando eu e a morena aqui deixarmos vocês no chinelo – Abby disse.
– Ah meu bem, não cante vitória porque eu estou no jogo – Emily disse.
Elas começaram a conversar sobre mais um assunto aleatório quando Charlie, Nick e Nathan as avistaram. Os três em particular haviam ficado bem próximos durante aquela semana e meia, Simon era muito caladão, na dele e Nathan insistia que ele era gay, Dylan era um grosso e Lester um garoto emo meio sombrio que não curtia conversas.
Os três se sentaram na mesma mesa desde o primeiro dia e Charlie fixou seus olhos em Emily, há algumas noites andava tenho sonhos nada inocentes com ela e sempre quando acordava seu amiguinho lá em baixo estava a ponto de bala.
– Para de secar a menina – Nathan deu um soquinho no ombro de Charlie.
– Hã?
– Você não para de olhar a loira – ele disse.
Charlie desviou os olhos para a comida e suspirou.
– Eu não sei o que está acontecendo comigo – Charlie disse meio furioso consigo mesmo.
– Você gosta dela, simples assim – Nick disse como se fosse absolutamente óbvio.
– Parece que é mais que isso – Charlie passou a mão no cabelo – não sei explicar.
– E suas tentativas de se aproximar não estão funcionando? – Nathan perguntou.
– Não, a última vez que tentei ela me deu um chute... lá – ele disse e Nick quase cuspiu o refrigerante.
Logo ele e Nathan estavam rindo como condenados.
– Não é engraçado, doeu caramba.
– É claro, parece que ela não vai muito com a sua cara.
– Ela gosta de mim sim, pode negar o quanto quiser eu reconheço um olhar apaixonado. Ela só não sabe ainda.
– É claro, ela te ama, mas não sabe. Faz todo sentido – Nathan disse.
– Ela vai ser minha, escrevam o que estou dizendo – ele disse decidido batendo a mão na mesa.
– Ok conquistador, vá em frente.
Charlie olhou novamente para Emily semicerrando os olhos. Como ele poderia quebrar o coração de gelo da loira?
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