ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
9 É sério, entendo de travesseiros.
Notas iniciais
– Kate?
– Oi Emy – ela disse – e como está ai?
– Ótimo, melhor agora – ela sorriu – eu preciso de uma pianista para fechar minha banda, conhece alguém?
O outro lado da linha ficou alguns segundos muda.
– Sério?
– Claro! – Emily riu ouvindo as comemorações de Kate – em cima da minha cama tem um endereço, vem pra cá AGORA!
– Ok ok ok, to indo! – Kate nem deu tchau e desligou o telefone.
Em menos de quinze minutos Kate já estava lá com um sorriso tão grande que mal cabia em seu rosto.
– O que eu toco? – ela perguntou para Emily que olhou para Jackson e ambos deram de ombros.
– Toca qualquer coisa Kate – ela disse.
– Fique avontade.
Ela sorriu assentindo e se sentou no banco do piano olhando para as teclas pensando o que poderia tocar, sorriu pensando em um clássico e começou a tocar "Fur Elise", Beethoven.
Emily olhou ansiosa para Jackson enquanto Kate ainda tocava, ele estava sério prestando atenção na música, mas parecia feliz.
Kate tocou uma versão resumida da música, e quando terminou olhou para Emily como se dissesse com os olhos "como eu fui?", em resposta a loira sorriu fazendo um joinha com a mão.
– O que achou? – Emily perguntou baixinho para Jackson.
O homem coçou a garganta, olhou para ficha e depois para Kate, e do nada sorriu.
– O piano é todo seu Kate.
Emily imediatamente levantou e foi abraçar a amiga que dava pulinhos repetidos parecendo um bonequinho de mola.
– E quem sabe o fato de vocês serem amigas faça Emily se sentir mais avontade no palco.
– Como se eu tivesse problemas com palco, não é? – ela olhou para Jackson sorrindo com uma sobrancelha erguida.
Jackson riu aliviado por um lado, era muito melhor que Emily fosse solta desde o começo, porque carismática ela já era, boa cantora nem se fala e ainda por cima era totalmente espontânea no palco, tava mais do que ótimo.
– Vão, podem ir – ele as dispensou com a mão – quatro horas aqui amanhã.
Elas assentiram e saíram.
Ao olhar o relógio Emily viu que eram 6h17 e arregalou os olhos.
– MERDA EU TO ATRASADA! – Emily saiu correndo e Kate foi atrás.
– Então vai indo que eu pego um taxi aqui – Kate disse.
– Que taxi o que menina, vai, você dirige, me deixa na Academia e depois eu volto andando.
– Mas...
– Vamo Kate!
. . .
Kate nem estacionou quando Emily praticamente pulou do carro e saiu correndo, eram mais de 6h30 sendo que a aula havia começado as 6h00.
Homens, vocês não sabem, mas correr de salto não é nada fácil.
Emily quase caiu quando virou a esquerda no corredor, mas deu uma apoiada básica nos armários e continuou mesmo morrendo de dor nos pés.
Abriu a porta da sala chamando atenção de todos inevitavelmente que estavam em silencio ouvindo Nicole falar.
– Tudo... bem? – Nicole perguntou e Emily sorriu meio constrangida em um claro pedido de desculpas e foi até ela.
– Desculpa, eu estava em uma reunião, não deu pra sair antes – ela disse no ouvido de Nicole que assentiu.
– Tudo bem querida, sem problemas.
Ela sorriu para Nicole e foi se sentar em uma das cadeiras vazias mais pro canto.
– Então, como eu estava dizendo – Nicole sorriu – já vamos começar a ensaiar para a apresentação, como sempre, e com isso temos que começar a decidir tudo, principalmente as músicas...
Charlie sorriu. As apresentações sempre foram algo divertido para ele, subir no palco era algo empolgante, mas de uns tempos pra cá, ele começou a gostar ainda mais. Como se o placo fosse sua casa, o lugar onde realmente tinha que estar, ele sempre soube que trabalharia com música, agora em que área era algo que o confundia, queria produzir cantores e revelar novos talentos, mas ao mesmo tempo queria ser esse talento a ser revelado. Talvez pudesse ser os dois...
– Então, quero ouvir sugestões, boas, por favor – Nicole se sentou cruzando as pernas esperando sugestões.
– Como ano passado fizemos uma trilha sonora bem deprimente, esse ano poderia ser musicas mais agitadas, e ao invés de uma música só, poderíamos misturar várias delas fazendo uma apresentação grande ao invés de duas pequenas – uma menina soltou tudo de uma vez e Nicole arregalou os olhos.
– GE-NI-AL! – ela exclamou se levantando – assim daria para cada um de vocês solar bem tranquilo... é perfeito! Ótimo! – ela bateu uma palma – alguém contra?
Todos se olharam esperando para ver se alguém teria alguma outra sugestão.
Ninguém se manifestou, porque era uma ideia boa afinal de contas.
– Certo, turma participativa, assim que eu gosto – ela ironizou com um sorriso e todos soltaram uma risadinha – temos mais... dez minutos de aula, não creio que dê pra decidir muita coisa nesse tempo, mas se algum de vocês quiser fazer uma observação ou dar uma sugestão de uma das músicas que podemos encaixar... será bem vindo.
– Bem – uma voz surgiu e Emily procurou com a cabeça o dono dela vendo que todos olhavam para Charlie – sempre pegamos músicas de certa forma recentes, podíamos fazer com várias músicas antigas, mas não muito antigas, mas tipo... da década de 2000.
– A melhor época – uma menina disse sorrindo.
– Gostei Charlie – Nicole disse e depois olhou seu relógio – bom, na próxima aula decidimos as músicas, estão dispensados.
Todos começaram a recolher suas coisas e Emily suspirou, só havia pegado o finalzinho da aula, que ruim.
Levantou meio triste esbarrando em alguém e consequentemente derrubando todas as suas coisas.
Olhou para cima, claro que tinha que ser ele.
– Desculpa – Charlie se abaixou pegando as coisas dela as entregando a menina e sem esperar uma resposta saiu.
Emily o olhou e suspirou indo atrás dele.
– Ei – ela o chamou e surpreendentemente Charlie se virou para olhá-la.
– Oque?
– Sério, por favor, não quero que fique esse clima – ela apontou para os dois – não estou pedindo pra voltar a falar comigo como... antes, porque sei que isso não vai acontecer.
– Eu pedi desculpa – ele disse – não fiz nada que eu não faria com qualquer outra pessoa, e é isso que você é pra mim, mais uma colega.
Cara, como aquilo doía, Emily não queria admitir, mas doía muito.
– Certo – ela suspirou – obrigado por ter me ajudado com os fotógrafos, de verdade.
– Só não queria aqueles intrometidos atrapalhando a aula – ele olhou para outro lugar que não eram os olhos dela.
– Mesmo assim.
– Ok – ele deu de ombros colocando as mãos dentro dos bolsos da blusa e saiu.
* * *
– Fascinante, não?
Emily olhou para a obra a sua frente e suspirou assentindo.
– Magnífica.
Jay a olhou e franziu o cenho.
– Senti um tom de sarcasmo ai?
– Não, nunca – ela disse e ele a olhou bem – olha, desculpa. Eu adoro arte e tudo mais... mas não entendo merda nenhuma.
Ele a olhou, Emily era ótima, mas não leve ela a um museu nem exposição de arte, ela não tinha o mínimo de paciência com coisas assim.
– Não é pra entender, é pra sentir.
– Ah, eu sinto, tenha certeza – ela olhou para a escultura mais mal feita do mundo, até ela faria algo melhor que aquilo – eu sinto fome, tédio e uma certa angústia olhando pra isso.
Ele revirou os olhos.
– Você não entende – ele foi andando a frente dela que o seguiu.
– Não mesmo – ela concordou tirando o celular do bolso para ver a hora – entendo de muitas coisas, mas arte não é uma delas.
– E sobre oque você entende?
– Arquitetura – ela começou listando nos dedos – principalmente a grega e a romana, ah! Mitologia também, música, livros, comida, travesseiros...
Ele a olhou.
– É sério, tenho um conhecimento muito bom sobre travesseiros.
Ele suspirou indo com ela para fora da exposição.
– Você é estranha – ele disse.
Emily sorriu.
– Que bom que sabe, agora... eu tenho que encontrar as meninas no shopping em... uma hora, podemos comer em algum lugar e depois você poderia fazer o imenso favor de me deixar no shopping, não é?
– Ok – ele abriu a porta do carro para ela que sorriu agradecendo.
* * *
– Sem pânico, cheguei! – Emily apareceu na entrada no cinema onde as meninas conversavam.
– Oxi, pequeno atraso hein – Abby olhou o relógio em seu pulso.
– Desculpa, mas só atrasei... 10 minutos.
– Compramos seu ingresso porque somos boas pessoas, porém a próxima sessão só é daqui a uma hora e meia, então estávamos te esperando para ir fazer algumas comprinhas ou algo do tipo – Kate disse.
– Por mim já estávamos na loja.
Elas entraram em uma loja de roupas bem legal que nenhuma delas conhecia, mas tinha roupas muito bonitas.
– Tem muita estampa animal aqui – Abby comentou meio rindo – vou tentar achar algo verde.
– Verde?
– É, percebi que tenho poucas roupas verdes, então vou atrás de algo verde.
– Ok então – Emily riu – eu não sei oque eu quero.
– Eu também – Sarah riu junto com Emily e elas trocaram um toquinho de mãos.
– Eu quero muito, muito um lenço – Kate disse – eu adoro lenço e tenho poucos, isso é uma negação.
Emily e Sarah se olharam.
– Loucas – disseram ao mesmo tempo.
Emily havia achado um vestido maravilhoso que de acordo com Sarah havia ficado extremamente sexy na loira e que se ela não comprasse seria uma idiota, então ela comprou né, Kate já havia achado seu lenço e no momento ajudava Abby em sua procura pelo verde e Emily esperava Sarah sair do provador com uma blusinha que a loira havia achado que era muito a cara de Sarah, ou seja, preta e linda.
No final todas saíram com alguma coisa, até Abby que não achou a roupa da cor que queria comprou uma calça vinho. Dali foram para o cinema comprando pipoca e besteiras diversas entrando na sala logo depois.
– Que filme vamos assistir? – Emily sussurrou, não sabia afinal de contas qual filme havia sido decidido.
– Um romance cheio das explosões – Sarah disse – agradou a todas no final.
– Faz sentido – Emily deu de ombros.
O filme poderia ser classificado em parte como terror, porque deu cada susto nelas que senhor. Emily acabou com toda sua comida na primeira hora de filme de tanto nervosismo.
– Jesus amado, não vou dormir por uma semana – Kate disse enquanto elas saiam do cinema.
– Eu preciso do meu pai – Emily disse meio aterrorizada.
– Dramáticas – Abby cantarolou.
– Como eu sempre digo, transa que passa – Sarah disse – a resposta pra tudo na vida é transar, pronto.
– Você podia escrever um livro "transa que passa", ia vender bem – Abby disse e Sarah riu.
– Claro que ia, só pelo título o povo assanhado já ia comprar pensando que é livro erótico.
– Oque não deixa de ser uma ideia ruim – Emily observou e elas riram com Kate negando com a cabeça.
Emily olhou para o lado onde tinha um grupinho de meninas cochichando e olhando pra ela, e quando elas viram que ela olhava deram um gritinho.
– Ô Jesus, tem uma caneta ai? – ela perguntou pra Sarah.
– Por quê...? – ela olhou disfarçadamente para as meninas.
– Olha, acho que te reconheceram – Abby disse.
– Quer fugir? – Kate perguntou como quem dissesse "se quiser, eu ajudo".
– Não, fugir é pior – ela disse – se preparam, estão vindo.
Sarah e Abby se seguraram para não se matarem de rir enquanto Emily tirava fotos e autografava capinhas de celular, agendas e acreditem, até braços ela autografou, agradeceu todas as meninas e quando estavam indo embora uma delas voou no pescoço de Emily que arregalou os olhos a abraçando meio assustada.
– Eu acho você linda – ela disse.
– O-obrigada – ela agradeceu e a menina saiu junto com as outras.
– Então vamos antes que o resto das pessoas se toquem que Emily Davis está no Shopping – Sarah brincou e elas saíram consideravelmente rápido.
Teria que começar a sair mais disfarçada.
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