ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
23 Um babaca e um bolinho.
Notas iniciais
– Kate, por favor, abre a porta.
– Não estou com paciência para você, Nathan, some daqui.
Nathan suspirou apoiando a testa na porta. Era um idiota que ainda não havia se acostumado com o jeito sensível de sua namorada e sempre falava alguma besteira que a deixava brava, triste, ofendida, ou os três juntos. E naquele momento ele supunha que eram os três juntos.
– Eu já pedi desculpas, Cupcake – ele suspirou novamente – abre a porta.
E naquele momento, ao não ouvir nenhuma resposta nem um suspiro nem nada que ele percebeu que estava falando sozinho.
Pra variar um pouco.
– Kate!
O garoto literalmente sentou em frente a porta apoiando a cabeça nela e permaneceu ali, ele sabia que ela estava o mandando embora, mas queria que ficasse. Pelo menos isso ele havia aprendido durante aquele tempo em que namorava com Kate, quase tudo que ela falava quando estava com raiva, ou era exagero, ou controverso, igual a poucos minutos quando ela disse que o odiava, ele sabia que ela o amava acima de todas as brigas e por ser recíproco que ele estava sentado em frente a porta esperando ela ter piedade de seu ser.
Olhou para seu violão apoiado ao lado da porta e o pegou começando a tocar qualquer música para passar o tempo.
Naquele momento ele sabia que ela novamente estava na porta cogitando abri-la para ver se ele realmente estava ali ou havia ido embora, ele também sabia que ela queria que ele continuasse sentado ali, como um idiota para "pensar no que havia feito". Uma espécie de castigo da pré-escola.
– Eu sei que você esta ai Kate – ele sorriu olhando pra frente – e se quer saber, eu ainda estou aqui esperando você abrir a porta pra eu te jogar contra a parede e borrar todo seu batom.
Sorriu ao ouvi-la segurar a risada.
– Vai demorar muito? Porque eu to com sede. Se for demorar me avisa que eu vou em casa pegar água e já volto.
Nenhuma resposta.
– Ok então, vão achar que eu sou louco e estou conversando com o nada, mas ok, a gente apenas aceita.
Demorou um pouco, eu chutaria uma meia hora pra mais. E quando ela abriu ele levou um susto porque estava escorado na porta então o tombo foi grande.
– Oi – ele a olhou deitado no chão.
– Não acredito que ainda está aqui.
– É, nem eu – ele se levantou pegando o violão o guardando – pra você ver oque eu, um mero mortal sou capaz de fazer pela minha deusa.
– Olha, pode parar – ela deu um tapa em seu braço que ele quase não sentiu, mas deixa ela pensar que o machucou nem que fosse um pouquinho.
– Parar com oque? – ele a pressionou contra a porta a fechando.
– Eu ainda estou chateada com você – ela o empurrou pelo peito, mas ele permaneceu no mesmo lugar.
– Desculpa, meu Cupcake – mesmo lutando contra os tapas dela, ele conseguiu segurar seu rosto entre as mãos – eu te amo minha linda, você ta cansada de saber disso, e eu sou idiota e faço umas brincadeiras com você que as vezes você não gosta, mas você sabe que eu nunca seria capaz de te magoar de propósito.
Ela suspirou relaxando o corpo e quando Nathan pensou que ela cederia, ela o empurrou saindo de casa.
Nathan riu e foi atrás dela.
_ Volta aqui meu Cupcake gostoso!
* * *
As meninas almoçavam tranquilamente e assim que viram Abby a caminho da mesa com as muletas em baixo dos braços, se levantaram para ajudar.
– Estou bem, estou bem, estou bem! – ela disse antes que alguma delas chegasse perto demais.
– Sua mal agradecida, só queríamos...
– Ajudar, eu sei, e agradeço – ela sorrriu deixando as muletas no chão e se sentando devagar – mas eu consigo me virar, por enquanto ainda não sou inválida.
– Charlie ficou carregando Emily pra todo lugar quando ela machucou a perna – Sarah disse, apenas uma observação.
Emily mordeu o lábio e olhou para baixo, odiava lembrar da época em que eles namoraram e odiava que alguém lembrasse disso.
– Mas a Emily estava esfolada, é diferente – Abby disse.
A menina odiava pensar que estava sendo obrigada a conviver com ele em seu ambiente de trabalho, odiava saber que lançaria um dueto romântico com ele e que isso causaria boatos e ela sinceramente não queria seu nome ligado ao de Charlie de modo algum.
E o pior de tudo, ainda teria que gravar o clipe com ele.
– Eu achava adorável – Kate sorriu.
Emily a olhou semicerrando os olhos e Kate desviou o olhar tomando seu suco quieta.
Ela gostava de ser carregada por ele, se lembrava bem disso. Gostava de sentir seu cheiro e ouvir sua voz vibrar em sua garganta se sentindo um bebê nos braços dele. Foi uma época feliz, foi um tempo em que ela esteve muito feliz, pena que aquele Charlie doce, carinhoso e atencioso não existia mais.
Assim como a Emily ingênua e totalmente apaixonada.
– Emily, eu vou para perto do seu estúdio hoje, pode me dar uma carona? – Kate perguntou e Emily piscou se desviando de seus pensamentos.
– Claro.
– Obrigada – ela sorriu – Jimmy disse que a banda não vai precisar aparecer nesse clipe, oque é um alívio, então vou acertar uma coisas.
– Certo – Emily sorriu – você vai perder a última aula, tem problema?
– Não, é de atuação mesmo – ela deu de ombros.
Sarah a olhou e Kate tentou disfarçar tomando seu suco.
– Qual é, do mesmo jeito que eu acho atuação uma chatice você também odeia as aulas de música – ela se defendeu já que Sarah permanecia com seu olhar frio – cada uma aqui tem sua respectiva área, e assim como exatas e humanas não se dão bem, nós com outras áreas também.
– Realmente – Emily sorriu – eu odeio...
– Dança, é sabemos – disseram as três em uníssono e Emily sorriu arrumando sua pulseira.
Era tão óbvio assim?
– Enfim, pra onde você vai? – Emily perguntou olhando para Kate.
– Preciso de novas palhetas para meu clarinete – ela disse.
O olhar de confusão das três era evidente.
– Palheta para clarinete? Pensei que palheta era só para gritara, violão... – Abby disse e Kate riu.
_ Erro comum.
– Ok – Emily sorriu – vai me esperar pra voltar ou... ?
– Não, eu volto sozinha, pode deixar.
– Ok – Emily assentiu _ certeza?
_ Sim.
_ Absoluta?
_ Sim _ Kate sorriu e ela deu de ombros.
* * *
– Ta, pra esquerda?
– Sim.
Emily virou pra esquerda e avistou a loja de instrumentos, sorriu parando ali.
– Está entregue Cupcake.
– Valeu super star – ela disse e Emily sorriu acenando com a cabeça enquanto ela saía.
Emily fez o retorno e voltou para a Jimmy Records. Fez o mesmo caminho de sempre indo até o estúdio olhando suas fotos espalhadas pelo corredor, tinha que admitir que gostava bastante daquilo.
Entrou se deparando com Jackson, Jimmy e... Charlie.
Os três conversavam e riam. Como aquela praga chegou ali antes dela?
– Olá querida – Jimmy sorriu e Emily sorriu pra ele.
– Oi Jimmy – ela foi até ele como uma criança o abraçando – tira essa touca Jackson – ela pegou a touca do garoto a tirando do mesmo que logo arrumou o cabelo.
– Oi pirralha – ele disse e Emily sorriu deixando sua bolsa na cadeira entre eles.
– Antes de começarmos eu posso tomar um café?
– Claro.
Ela agradeceu e foi depressa até a cozinha.
– Oi amor!
Emily grudou na porta de susto ao ver Jay ali.
– Meu deus Jay! Não me assuste assim!
– Desculpa – ele riu indo até ela a abraçando pela cintura.
Emily o abraçou fechando os olhos por um segundo para sentir o cheiro dele melhor.
– Vim ver a gravação do clipe hoje.
Arregalou os olhos mordendo o lábio.
– Soube que está indo muito bem, meu amor – ele beijou sua bochecha.
– É, mais ou menos... então vai ficar para a gravação?
– Sim, algum problema?
– Não nenhum, só vim tomar um café.
Emily se virou para a máquina de café rezando para que um meteoro caísse na China e Jay fosse correndo pra lá só pra não ver essa maldita gravação.
– Meu pai disse que acharam alguém pra cantar com você e que vão começar a gravar hoje, ai vim ver – ele deu de ombros e ela assentiu tampando o café.
– Que amável – ela sorriu ainda tentando pensar em uma forma de tirá-lo daquele prédio.
– Eu sou amável – ele a abraçou pelas costas beijando os ombros dela.
– É, tem horas né? – ela se virou para ele e o abraçou pela nuca o beijando.
Foram andando até o estúdio, o coração de Emily estava na mão, quase que literalmente.
– Oi Jimmy, então Jay vai assistir a gravação? Pensei que ele tinha coisas pra fazer – Emily disse em um tom que fez Jimmy entender exatamente oque ela queria.
– Hã... na verdade ele não devia estar aqui, não é?
– Ah pai, quero ver minha loirinha em ação – ele disse – e cadê o garoto que vai cantar com ela?
Olhei para Jimmy em pânico e o mesmo tirou o celular do bolso.
– Ah droga, Jay preciso que você vá até minha casa e pegue uma pasta em cima da mesa.
– Pai...
– Por favor, é urgente.
– Mas eu...
Ele parou de falar quando Charlie entrou no estúdio novamente com um bolinho de chocolate na mão.
– Oque ele faz aqui?
Charlie olhou para ele e ergueu as sobrancelhas.
– Eu? No momento estou comendo um bolinho.
– Ah filho, esse é Charlie, vai fazer o dueto com Emily.
Os olhos de Jay me encararam furiosos e eu dei um passo para trás.
– E que fique bem claro que eu não tenho absolutamente nada a ver com ele ter sido escolhido.
Charlie sorriu se sentando enquanto olhava para Emily.
– Seu carinho por mim me comove de tal forma, que tenho até vontade de chorar.
– Olha aqui seu... – Jackson parou Jay no meio do caminho.
– Oque está acontecendo? – Jimmy franziu o cenho.
– Como pode contratar o ex babaca dela para fazerem o dueto? – Jay se soltou de Jackson avançando um passo para mais perto de Jimmy.
– Como?
Jimmy me olhou e eu suspirei.
– Eu e Charlie namoramos por um tempo.
Jimmy fez uma pausa, logo após assentindo.
– É, faz sentido.
Jay o olhou esperando que ele fizesse algo.
– E qual é o problema? – ele olhou para Jay.
– Qual é o problema? Qual não é o problema?
– Bom, não vejo problema – Jimmy deu de ombros – agora vá buscar a pasta e a entregue para seu tio.
Jay lançou um olhar mortal antes de sair praticamente bufando.
– Então vamos começar essa gravação?
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