ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2

32 Tire aquele animal de perto de mim.


Notas iniciais
Oi oi gente! Como vão vocês? Eu vou super bem, cansada, mas bem. Demorei um pouquinho, sabemos, mas acho que vocês já estão acostumados, certo? Então sem enrolações, boa leitura!

Emily entrou vendo todos aqueles homens suados malhando ao som de um rock pesadão. Procurou aquele ser com os olhos até encontrá-lo quase na ponta do local, sem camisa levantando dois pesinhos, um com cada mão. Não erram pesos pequenos e Emily notou o quanto eram pesados quando todos os músculos dele se tencionaram juntos. Aquela seria uma cena tentadora se não estivesse tão brava.

– Olha a gatinha – um homem disse enquanto ela passava.

– Calado – ela respondeu seca seguindo seu caminho.

Uma sequência de assovios rondaram o local e Emily quis bater em todo mundo, mas permaneceu andando até ele.

– Nossa, é a loirinha que canta bem cara – ela ouviu.

Parou de frente para Charlie que a olhou e franziu o cenho.

– Veio malhar? – ele disse – porque bem, essa é a hora dos homens e...

– Não, não vim malhar – ela disse seca.

– Certo, mas eu estou meio ocupado aqui então se você pudesse, sabe – ele disse olhando para a porta.

– Como você pode?

Charlie ergueu as sobrancelhas.

– Oi?

Emily notou muitos olhares em cima de dela e bufou.

– Me recuso a falar com você aqui, te espero lá fora – ela saiu ignorado todos comentários, cantadas, ou qualquer som do gênero.

Ela saiu esperando na porta do lugar, e em dois minutos Charlie reapareceu com a toalhinha no ombro, ainda sem camisa, e o cabelo passado pra trás.

– Seja lá oque for, tem que ser agora? – ele perguntou.

– Porque contou a ela?

– Contei oque a quem?

– A manequim do vôlei – ela revirou os olhos.

Charlie se apoiou na parede agora interessado no assunto.

– Jen? – Emily assentiu – e oque necessariamente eu disse a ela?

– Olha, eu não sei, só sei que ela veio toda nervosinha pra cima de mim depois do seu jogo – ela disse brava.

– Por qual motivo?

– Ela deu um piti lá porque eu te deixei e coisa assim, e eu não sei o que você falou pra ela, nem como contou essa história, mas parece ter dito muito sobre mim para deixá-la assim.

Charlie coçou a nuca suspirando. Ah Jen, porque Jen?

– Eu contei a ela porque ela me encheu o saco – ele disse – e eu não disse nada que não aconteceu.

– Deve ter me deixado com cara de vagabunda, não é?

– Não, pelo contrário, eu disse que gostava de você.

– Ah é? Porque foi exatamente disso que ela e chamou assim que me viu.

– Espera, ela te xingou?

Emily riu.

– Me xingou, me deu um tapa na cara e provavelmente teria esfregado minha cara no chão se eu não tivesse saído de lá – ela disse rápido demais – ela é mais forte do que parece.

Ele olhou o rosto dela vendo-o um pouco vermelho do lado esquerdo.

– Eu não creio que ela fez isso – ele disse inconformado tocando o rosto de Emily.

– Não me toca – ela recuou.

– Espera, eu não disse nada para deixá-la assim, se ela se enfezou não pode me culpar por isso.

Ela o olhou e negou com a cabeça.

– Eu... eu estou cansada de ser a bruxa dessa história! – ela fechou os olhos segurando as lágrimas.

– Por favor, não chora.

– Não estou chorando – ela segurou bem as lágrimas.

– Eu vou falar com ela, tudo bem?

– Não é ai que eu quero chegar.

– Certo, então me diga oque quer que eu faça que eu farei.

– Primeiro deixe aquele animal longe de mim – Charlie riu e assentiu.

– Certo.

– E segundo, não quero te odiar e também não quero que me odeie – Charlie assentiu concordando – então quero ter uma relação saudável com você, ok? Nada de xingamentos, nem difamação de nenhuma das partes, você na sua e eu na minha.

Ele deu de ombros.

– Ok.

– E mais uma vez, controle aquela garota.

– Vou falar com ela – ele disse – era isso?

– Sim, era isso.

– Nossa, pela sua cara pensei que iria arrancar minha cabeça com o taco da Harley Quinn.

– Comecei com essa ideia, mas você não tem culpa dela ser explosiva.

– Ela não é, na verdade ela é um amor.

– Ah claro, e eu sou ruiva – Charlie riu – bom, não vou te incomodar mais, pode voltar a seu... treino, ou seja lá como chame isso.

Ele assentiu e ela virou o corpo para ir embora.

– Emily.

Ela se virou novamente pra ele.

– Você cresceu.

Ela riu.

– É, já me falaram isso.

– Não, não em altura, bom, também, mas não – ele disse – está madura, muito mais que antes.

Ela o olhou e sorriu.

– Não pensei que diria isso pra você, mas também está mais maduro.

E então ela foi embora.

Queria estar com raiva dele, mas não conseguia, ele... não tinha culpa pelas atitudes daquele animal em forma de jogadora.

* * *

Ele entrou calmamente vendo o treino ainda acontecer. Jen nem havia notado sua presença e ele queria que continuasse assim até o final.

A treinadora anunciou o final do treino e Jen foi direto para a arquibancada pegar sua água. Charlie a olhou e desceu os degraus da arquibancada até a menina que parecia muito concentrada em acabar com a garrafinha o mais rápido que coseguisse.

– Jen.

Ela abriu os olhos e o olhou.

– Oi Charlie – ela sorriu – tem treino hoje?

– Não – ele disse – na verdade eu precisava falar com você, pode ser?

Ela assentiu.

– Claro, só vou tomar um banho e já volto ok?

Ele assentiu e ela saiu apressada para o vestiário.

Demorou menos que ele esperava para ela sair de lá já pronta como Jen, não jogadora Taylor.

– E então? – ela o abraçou – em que posso ser útil, meu garotinho?

Ele permaneceu sério.

– Porque você brigou com ela?

Jen o olhou alguns segundos até piscar e cruzar os braços.

– Então ela foi chorar pra você?

– Não, ela ficou indignada – ele disse – você bateu nela.

– E ela bateu de volta.

– E com razão, não acha?

Jen suspirou.

– Ah não, você está defendendo ela.

– Não estou defendendo ninguém, Jen.

– Como não? – ela riu – eu bati nela sim e bateria de novo. Ela te magoou Charlie, é obvio que eu não ia aceitar isso, sabe por quê? Porque me importo com você, e seu sofrimento me afeta.

– Eu agradeço a preocupação, mas não precisava disso tudo – ele suspirou.

Jen segurou o rosto dele que a olhou.

– Ainda gosta dela.

– Eu...

– Não foi uma pergunta, você ainda gosta dela.

Ele bufou se sentando na arquibancada.

– Eu não queria, meu deus, como eu não queria – ele a olhou depois dando de ombros – é mais forte que eu.

Jen mordeu o lábio se sentando ao lado dele.

– Ela parecia uma pessoa legal... até eu meio que atiçar ela e começar a xingá-la.

Ele a olhou.

– Ela é uma pessoa legal – ele voltou a olhar para o chão.

– Precisava extravazar comigo? – ela perguntou segurando o braço dele.

– Não exatamente – ele riu – na verdade, ela está com medo de você.

Jen riu.

– Então provei a mim mesma que consigo botar medo – Charlie voltou a rir – e quer voltar com ela?

– Eu não sei oque eu quero da minha vida, Jen – ele a olhou – eu sinto que tem algo extramente errado, eu transei com ela outro dia e foi incrível, mas ela acordou brava, e nossa... eu perdi aquele brilho de antes – ele franziu o cenho – entende oque quero dizer?

Jen assentiu.

– Mas se rolou quer dizer que ela sente algo, já é um começo, certo?

– Pensei que era, mas tudo com ela é tão complicado, confuso e difícil – ele disse – ela me jogou pra amigo, e tenho quase certeza que de lá eu não saio.

Jen revirou os olhos.

– Quer que eu ajude?

Ele riu.

– Não acho seguro colocar vocês duas no mesmo recinto novamente.

Ela riu segurando a mão dele.

– No que posso te ajudar, então?

Charlie a olhou e entrelaçou seus dedos.

– Não me deixe virar um idiota apaixonado, eu não quero sofrer por não ser correspondido.

– Não vou deixar – ela o abraçou – e para a surpresa de todos, Charlie Martin tem um coração.

– Maior do que eu me lembrava – ele suspirou – mas ainda estou chateado por ter soltado os cachorros em cima dela.

Jen deu de ombros.

– Você pode viver com isso? Porque eu posso numa boa.

Ele revirou os olhos sorrindo.

– Até fazendo besteira você parece certa.

– Mas realmente estou – ela disse – você pode não saber, mas eu posso ter ajudado bastante, dei um chacoalhão nela, pode ter aberto seus olhinhos bonitinhos.

– Ela tem olhos lindos, não é? – ele sorriu abobado.

– Odeio admitir, mas sim – Jen suspirou – por inteiro ela é linda, na verdade – ela riu – parece até de mentira.

Charlie sorriu.

– Eu teria pedido uma foto se não estivesse tão brava – ela o olhou – ela é a Davis, não é?

Ele assentiu.

– Por sinal eu estou no cd dela, então pode comprar.

Jen gargalhou e voltou a abraçar Charlie.

– Vamos resolver sua situação, querido.

Charlie assentiu.

– Eu só quero isso.

– Na verdade você só a quer.

Ele riu.

– Também – ele a olhou – mas isso já é mais difícil.

– Menos do que você acha e talvez, menos do que consiga – ele franziu o cenho a olhando – uma hora você vai entender.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e amanhã tem Mr. Martin porque eu ainda tenho que corrigir o cap e estou com muita preguiça para fazer isso agora, perdão. Atá amanhã, ou pra quem não lê Mr. Martin, até a próxima!