ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
21 Me diz que é brincadeira.
Notas iniciais
Mais uma vez o diretor pediu pra parar tudo. E mesmo não fazendo ideia do que havia acontecido, Emily sabia que a culpa era dela, sempre era.
Atuar era divertido, mas não era fácil. Ela olhou para o diretor excêntrico de cabelos brancos e olhos muito azuis esperando sua bronca para poder tentar consertar oque quer que fosse que havia feito de errado, porém o homem estava conversando com outra pessoa.
– Você faz ideia do que eu fiz de errado? – Emily olhou para o garoto que era seu irmão no clipe.
Ele era incrivelmente parecido com ela e isso era até meio assustador. Os cabelos eram do mesmo tom de loiro, os olhos verdes, a pele pálida e até aquele olhar pervertido. Emily ainda estava se acostumando a olhar para ele sem sentir algo estranho.
O garoto que ela achava que se chamava Jensen deu de ombros.
– Me pareceu bem aceitável até agora – ele disse e Emily suspirou – não leva o menor jeito, não é?
Ela acabou sorrindo e negou com a cabeça.
– É óbvio, não acha? – ela cruzou os braços.
– Talvez – ele também sorriu.
E claro, sendo incrivelmente parecido com Emily, o garoto era bastante bonito e Emily não conseguia parar de olhar para as covinhas que se formavam em suas bochechas quando ele sorria.
– Veja pelo lado bom – ele disse – atuação se aprende, cantar do jeito que você canta não é algo que se aprende, então eu diria que você está no lucro.
Ela sorriu corando um pouco.
– Obrigada.
Ele deu de ombros como se realmente não tivesse feito nada demais.
– Gente, vamos trocar as roupas de vocês – o diretor disse e os dois olharam para ele.
Uma mulher já foi arrastando Emily para o camarim enquanto outra trazia uma camisa manga curta simples branca para Jensen.
– Vista isso, Elliot.
Emily quase riu de si mesma ao ver que havia errado o nome dele.
Mas afinal, Jensen e Elliot são bem semelhantes, não acha?
* * *
– Se aquieta menina! – Jackson disse enquanto Emily cantava Misery no carro fazendo uma dancinha estranha.
– I am in misery
There ain't nobody
Who can comfort me (oh yeah)
Why won't you answer me?
Your silence is slowly killing me (oh yeah)
Girl you really got me bad
You really got me bad
I'm gonna get you back
Gonna get you back
Ele riu e negou com a cabeça.
– Essa música é muito velha, mas é muito boa.
– Não é tão velha, é de... 2010 – Jackson disse fazendo a curva pra direita.
– Então, isso não é velha? Eu tinha 15 anos quando lançaram essa música!
Jackson riu.
– Baby Emily.
– Não tão Baby – ela disse.
Eles entraram no restaurante para almoçar e imediatamente Jackson tirou seus óculos escuros e os deu a Emily que rapidamente entendeu o recado os colocando.
A menina prendeu seus cabelos rapidamente enquanto se sentavam á mesa.
– Temos quarenta minutos – Jackson a lembrou – oque quer comer?
– Pizza – ela sorriu.
– Não sei por que ainda pergunto – ele disse sorrindo chamando o garçom com a mão.
Enquanto Jackson pedia a pizza Emily olhava o celular respondendo a mensagem de seu pai dizendo que o jantar daquela noite estava confirmado.
– Eu vou ao banheiro rapidinho, não coma sem mim – ela disse se levantando e pegando sua bolsa.
– Pra que vai levar a bolsa?
– Porque minha cara inteira ta aqui dentro.
Ele riu enquanto ela saía. Emily entrou no banheiro se sentindo aliviada ao ver que não tinha ninguém ali. Tirou os óculos de Jackson e foi em direção ao espelho vendo se estava tudo certo. Não ia retocar o batom porque ia comer pizza, então seria um desperdício, agora o pó era necessário, ela estava brilhando porque pra variar um pouco, estava fazendo muito calor.
E bem no momento em que ela passava o pincel na bochecha a porta se abriu. Ela levou ou um susto com o barulho, mas no momento esqueceu que as pessoas estavam a conhecendo cada vez mais e com isso a reconhecendo com mais facilidade.
Até o momento que a menina gritou.
Ela se virou para ela com os olhos arregalados.
– MEU DEUS...
Emily correu até ela colocando a mão sobre sua boca.
– Por favor, não grita – Emily pediu, quase implorou na verdade.
A menina que aparentava ser um pouco mais nova que Emily assentiu ainda a olhando com os olhos arregalados.
– Eu posso...
– Faço oque quiser contando que não grite – Emily sorriu para ela que assentiu freneticamente.
Emily tirou oito fotos com ela e ainda autografou uma folha que ela arrancou do seu próprio caderninho porque a menina não tinha papel ali.
Emily voltou a guardar suas coisas na bolsa e colocou os óculos escuros.
– Lembre-se, segredo nosso – ela piscou para a menina que assentiu novamente voando em Emily para abraçá-la.
Algumas celebridades odeiam ser reconhecidas, outras odeiam os fãs mesmo. Emily amava aquilo, tudo aquilo.
Emily voltou para a mesa onde Jackson olhava para o relógio.
– Com pressa?
Ele a olhou.
– Na verdade sim. Jimmy acabou de me ligar, vamos levar a pizza e comer no estúdio.
Ela deu de ombros.
– Ok – se sentou em frente a ele – Jimmy disse a razão para a pressa?
Jackson negou.
– Apenas que era algo que precisava ser resolvido o mais rápido possível.
Ela assentiu se ajeitando na cadeira.
– Jimmy tem que parar de ser tão misterioso assim, isso assusta.
Jackson riu assentido.
– Pois é.
A pizza chegou e eles pegaram a caixa e saíram. Emily notou que Jackson dirigia um pouquinho mais rápido que o permitido. Todos ficavam nervosos quando Jimmy dava uma de misterioso e apressado, porque bem, na maioria das vezes não eram notícias boas.
Chegaram ao estúdio onde Jimmy os aguardava.
– Oque foi? – Emily perguntou enquanto mastigava um pedaço de pizza.
Jimmy sorriu.
– Venham.
Jackson e Emily se olharam e deram de ombros seguindo Jimmy.
– Nosso tempo quanto ao dueto está curto, então eu acho que acabei de achar a pessoa – ele sorriu – e acho que você vai gostar.
Emily sorriu empolgada indo ainda mais depressa atrás de Jimmy.
Ela entrou na sala sorrindo abertamente, sorriso esse que não ficou por muito tempo estampado em seus lábios.
Ele usava os fones pretos dentro do estúdio de gravação enquanto cantava Pillowtalk.
Emily olhou para Jimmy e negou.
– Por favor, me diz que é brincadeira.
Ele franziu o cenho.
– Eu achei perfeito, porque vocês se conhecem, cantam bem juntos sem dizer a química entre vocês que é mais do que perceptível.
Emily engoliu seco. Charlie ainda cantava de olhos fechados sem notar que ela estava ali.
– Pode até ser, mas... a coisa é complicada, Jimmy.
– Oque quer dizer?
– Digamos que o clima entre nós não é confortável.
– Mas vocês tem química.
Emily coçou o antebraço, estava começando a ficar nervosa.
– Isso não vai dar certo, Jimmy.
– Vamos tentar, ok? – ele disse indo até o estúdio.
Emily não conseguia parar de se perguntar por que Charlie estava ali, era só pra provocá-la? Porque Emily não enxergava outro motivo para ele ter aceitado aquilo.
– Porque não entra lá, conversa um pouco com Charlie e daqui uns dez minutos começamos as gravações?
Emily suspirou e abriu a porta do estúdio de gravação. Charlie finalmente abriu os olhos verdes e os focalizou nela. Emily olhou para Jimmy e Jackson em um claro "podem nos dar licença?", e eles imediatamente saíram fechando a porta.
– 10 minutos! – Jimmy gritou antes da porta estar totalmente fechada.
Ela voltou a olhar para Charlie que tirava os fones os pendurando no microfone.
– Olá Davis.
Ela cruzou os braços.
– Oque você está fazendo aqui?
– Cantando a música do ex One Direction – ele disse com um sorrisinho irônico – não é tão ruim como eu imaginava.
– Em primeiro lugar, nunca zoe One Direction na minha frente – ele levantou as mãos rendido – e você entendeu minha pergunta. Qual seu problema?
– De acordo com meu psiquiatra, nenhum – ele sorriu ainda mais irônico – e bem, foi seu empresário que veio me procurar, não o contrário.
– E porque aceitou?
– Porque eu não sou burro o suficiente de misturar o profissional com o pessoal, senhorita Davis – ele me olhou – aqui, você é Emily Davis, cantora com a qual eu gravarei uma música, nada além disso.
Emily semicerrou os olhos.
– Mas agora você não é o único que não me quer por perto, isso é recíproco.
– Eu sei, e isso é ótimo porque facilita minha vida – ele cruzou os braços agora tirando aquela expressão irônica, apenas ficou sério – não precisamos nos dar bem para cantar juntos, a festa foi... bem sucedida até.
– Tem o clipe também, está ciente disso, não?
Ele assentiu.
– Não vejo problema – ele deu de ombros – afinal, é só uma música e um clipe, nada que vá me matar.
– Sabe que aqui não vai poder ficar dando seus ataquezinhos, não é?
Ele riu.
– Se isso é uma tentativa de me deixar irritado para eu recusar, pode desistir, querida.
– Senhorita Davis, querido – ela sorriu – só profissional, certo senhor Martin?
Ele sorriu.
– E assim vivemos – ele arrumou os fones pendurados no microfone – com o mínimo de contato possível, e nada além do profissional.
– Ótimo.
– Ótimo.
Ela semicerrou os olhos para ele novamente e saiu atrás de Jimmy para começaram aquilo rápido.
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