ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
24 Estou de olho em você.
Notas iniciais
– Eu a ajudo.
Abby negou indo com suas muletas até a mesa de Adam e se sentando sozinha na cadeira confortável dele.
– Eu gostaria de estar em perfeito estado para passar o último dia com você.
Adam sorriu fraco indo até ela se sentando na mesa a sua frente.
– Uma porcaria de perna quebrada não é o suficiente para te deixar menos perfeita, senhorita Zelley – ele disse e ela sorriu revirando os olhos – quer ir pra minha casa? Ficar um pouco mais avontade?
– É perigoso alguém me ver com você.
– Sinceramente, ser visto com você agora não é mais um problema pra mim.
Abby o olhou.
– Vamos, eu ajudo – ele segurou as mãos dela.
– Você tem certeza?
– É claro, é só segurar minhas mãos que eu te ajudo.
– Não, não isso – ela revirou os olhos já de pé – me refiro a ser vista com você.
– É claro que tenho – ele sorriu – e afinal, oque eu tenho a perder agora? Nada, então simplesmente dane-se.
Abby sorriu e segurou o braço de Adam que a ajudava a andar.
– Simplesmente dane-se – ela repetiu e ele a olhou – parece que você aprendeu meu lema de vida.
Ela sorriu e envolveu o pescoço dele olhando seus olhos de perto.
– Eu te amo tanto – ela suspirou lutando para suas lágrimas não saírem – vou sentir muito sua falta.
– Você – ele respirou fundo também lutando contra as lágrimas – você pode me visitar sempre, e prometo que faço um esforço e venho te ver de vez em quando. Mesmo que isso signifique sendo apenas seu amigo.
Ela acariciou de leve o rosto dele.
– Quando você achar alguém por lá, me prometa que vai ser alguma menina boa.
Ele tocou o nariz no dela e acariciou sua cintura.
– Só se prometer não namorar um babaca feio.
Ela riu baixinho e o abraçou.
– Só seja feliz – ele disse – se você estiver feliz, eu também vou estar.
– Igualmente – ela beijou a bochecha dele.
* * *
– Ohohohou – Sarah riu – isso vai ser deliciosamente tenso, com uma pitada de discussão, uns tapas quem sabe – ela olhou para Emily e sorriu – e uma grande... não, uma enorme dose de rejeição.
– Não se esqueça da pitada de nojo – Emily completou e Sarah riu.
– Sabe, às vezes sinto que a lei de Murphy atua bem forte em você – ela disse – mas você tem sorte em muitas coisas, então isso serve para equilibrar os cosmos né?
– Sei lá – Emily respondeu com o cenho franzido refletindo sobre o pensamento filosófico de Sarah.
– Uma coisa não substitui a outra – Kate disse com um olhar meio avoado, provavelmente estava cansada, bom, pelo menos parecia cansada.
– Certo, estamos falando de cosmos agora? – Emily franziu o cenho novamente, esse era um assunto que ela não entendia nada.
– Pensei que estávamos falando da Lei de Murphy – Sarah disse.
– Mas foi você que veio com o papo de equilibrar cosmos – Kate protestou parecendo acordar um pouco.
– E você concordou.
– Eu fiz uma observação.
Sério que aquilo havia se tornado uma discussão?
– Oh deus, só falta começarem a discutir sobre horóscopos – Emily disse.
– Mas afinal, oque estávamos falando antes de tudo isso?
– O clipe, Emily, Charlie, e BAM! – Kate disse e Emily teve que rir da representação gestual e verbal de Kate.
– Amei a representação, Cupcake – Sarah disse sorrindo e Emily sorriu vendo que não foi apenas a seus olhos que aquilo foi engraçado.
– Agradeço Jones, e isso que a menina das representações é você.
– Meu deus, eu relente me desacostumei com essa loucura – Emily sorriu – e cadê a Abby falando nisso?
– Ela geralmente não almoça com a gente – Kate disse – faz ensaios extras em quase todos os horários de almoço, pensei que já tivesse percebido.
– Nossa, que dedicada.
– Não é mesmo?
Sarah franziu o cenho e deu um tapa na mesa simplesmente do nada que assustou as duas meninas.
– Meu deus Sarah! – Kate disse colocando a mão no coração.
– Espera ai – as duas a olharam – ela ta quebrada, como está fazendo aulas extras se não pode nem ficar em pé direito?
As duas franziram o cenho e se olharam.
– Verdade – Kate observou – deve estar vegetando, ou dormindo em algum lugar.
– Estranho, muuuuuito estranho – Sarah observou – oque acha, loira?
– Não sei, Abby é estranha, deve estar pegando alguém ou sei lá, vegetando mesmo – Emily deu de ombros – mas bem, tenho que terminar rápido aqui porque a guerra é daqui a pouco.
Ela tomou um pouco mais de seu suco.
– Estou dizendo, se aquele ser for para o hospital, podem ter certeza que foi culpa minha.
Elas riram, mal sabiam que Emily realmente falava sério, estava definitivamente perdendo a paciência com aquele ser petulante, idiota e imaturo, muito imaturo.
* * *
Charlie estacionou seu carro com um pequeno sorriso nos lábios e se dirigiu para a entrada da Jimmy Records.
Subiu pelo elevador ouvindo a musiquinha irritante do elevador, o qual ele não conseguiu reconhecer, mas aquilo também não importava.
Passou pelo corredor vendo as fotos de Emily admitindo a si mesmo que todas elas estavam lindas. Balançou a cabeça olhando para frente e abrindo a porta do estúdio cinco olhando a hora no relógio de pulso.
Jackson estava sentado na mesa com sua touca preta e café do Starbucks ao seu lado enquanto mexia no celular.
– Olá – Charlie o cumprimentou e Jackson saiu de seus devaneios.
– Oi – ele disse.
– Só nós por enquanto?
Ele assentiu e Charlie voltou a olhar o relógio, estava bem adiantado.
– Faltam mais de quinze minutos, pode ir comer alguma coisa, tomar um ar... não precisa ficar aqui.
Charlie mordeu o lábio cogitando a ideia e assentiu suspirando.
– Vou dar uma volta.
Jackson assentiu voltando a mexer em seu celular e Charlie se levantou indo dar uma volta.
Entrou no refeitório pegando um café e alguns chocolates, e como não tinha mais nada pra fazer foi realmente dar uma volta pelo estúdio. Deu uma olhada no estúdio de várias pessoas, muitas delas Charlie nem sabia que gravavam ali.
Olhava as fotos das pessoas como uma criança pensando que ele estava pisando no local onde todas aquelas pessoas gravavam. Se sentiu mais importante ligeiramente.
Contornou o estúdio tomando seu café vendo o início de uma chuva lá fora. Suspirou saindo correndo até a frente do estúdio lembrando que havia deixado a capota do carro aberta.
Foi até o estacionamento apertando o botão para ela subir, mas não subiu. Ele gemeu frustrado tentando fazer o trabalho manualmente, mas aquela coisa havia emperrado.
Quando a capota finalmente foi ele sorriu, mesmo começando a se molhar. Viu uma sombrinha roxa do outro lado de seu carro, e quando ela saiu da frete, ele viu os cabelos loiros.
Ele não havia desemperrado aquilo sozinho.
– Obrigado.
Ela apenas assentiu e saiu andando em seu salto até o estúdio.
Charlie suspirou e foi logo atrás. Entrou no estúdio já tirando sua blusa levemente molhada pela garoa. Emily que estava com os cabelos presos (raridade), porém a franja estava solta. Ele sacudiu a blusa para secá-la rápido enquanto Emily fechava sua sombrinha colocando-a no lugar dos guarda-chuvas.
– Eu vou trocar de blusa, se eu me atrasar, diga a Jimmy que já chego.
Emily o olhou e assentiu saindo cumprimentando a mulher da recepção. Charlie foi até seu pequeno armário e retirou de lá uma camiseta branca e um casaco azul.
Entrou no banheiro se trocando rapidamente sentindo o quentinho ao colocar a blusa e sorriu. Saiu olhando seu reflexo no espelho passando a mão no cabelo úmido já pensando em um possível resfriado por conta daquilo, mas apenas suspirou saindo do banheiro.
Os estúdios por lá eram muito iguais, apenas as fotos de quem gravava ali que diferenciava um de outro, e bom, como Charlie nunca havia feito aquele caminho, pode-se dizer que estava perdido. Mordeu o lábio olhando em volta e atravessando os corredores, nem em que andar ele se lembrava que estava. Viu as fotos de uma menina morena de olhos claros, bem bonita e deu de ombros, se tivesse que pedir ajuda, que fosse a uma garota bonita pelo menos.
Abriu a porta sem bater antes e levou um susto.
Ambos levaram um susto e se afastaram de súbito.
– Oque está fazendo aqui?
Charlie franziu o cenho.
– Oque eu estou fazendo aqui? – Charlie cruzou os braços.
Jay olhou para a garota rapidamente e pegou seu casaco saindo pela porta, Charlie semicerrou os olhos para a garota e fechou a porta indo atrás dele.
– Ei, onde pensa que vai? – Charlie o alcançou.
– Para o Estúdio cinco – e então se virou para Charlie – sugiro que faça o mesmo, com a boca bem fechadinha.
Charlie segurou a gola da camisa dele e o jogou contra a parede.
– Você é muito cara de pau, seu cínico – ele o segurou com mais força – ela não merece isso.
– Me solta seu troglodita, ela é minha namorada, não sua, então deixa que dela cuido eu.
– Babaca – Charlie apertou mais e ao ver que estava começando a impedi-lo de repirar soltou um pouquinho – Emily é a melhor garota que você poderá encontrar na vida, como ousa fazer isso?
– Eu realmente não devo satisfação da minha vida pra você.
– Quando se trata dela deve.
– Ela te deixou – ele disse em um sussurro e depois sorriu cínico – e agora a gostosa é minha, aceite.
Charlie deu uma cotovelada em seu rosto bem forte e Jay tentou socá-lo, mas não conseguiu.
– Eu não irei permitir que fale dela dessa forma, seu imprestável – Charlie apertou o pescoço dele com força, os olhos verdes chamuscavam de raiva, ele poderia matá-lo ali mesmo.
– Se não me soltar agora, o despeço.
Charlie riu.
– E eu arruíno sua vida.
– Vamos ver – ele sorriu torto.
Charlie deu mais soco em Jay, dessa vez forte o bastante para derrubá-lo.
– Eu só não conto agora – Charlie respirou fundo – porque não quero magoá-la.
– Garoto esperto.
– Calado! – ele gritou e Jay se calou – mas, se eu souber que isso se repetiu, eu te destruo, eu juro que destruo cada parte do seu corpo de tal forma que nada poderá consertar, eu fui claro?
Jay se levantou e saiu indo até o estúdio. Charlie suspirou e socou o armário.
– Porque eu me importo?
Ele apoiou a cabeça nos armário e suspirou, talvez já soubesse a resposta.
Sempre soube.
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