ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
34 Está na hora de amadurecer, não é?
Notas iniciais
Charlie estava apoiado na parede olhando para a porta a sua frente. O clima naquele lugar estava mórbido, bem mórbido e ele realmente não estava gostando disso.
A porta abriu e uma Emily com o rosto vermelho e levemente inchado saiu de lá.
"Por favor, não chore, por favor".
– Você realmente não precisa mais ficar aqui, Charlie – ela respirou fundo – agradeço que você tenha vindo, mas deve estar com sono e com certeza tem algo mais interessante pra fazer.
– Eu não me importo em ficar, não precisa se preocupar comigo.
Ela assentiu e fez algo que Charlie não esperava, não mesmo. Ela o abraçou. Charlie suspirou surpreso e a envolveu forte com seus braços.
– Como ele está?
Ela negou com a cabeça e naquele momento ele notou que ela estava chorando.
– Eu posso fazer alguma coisa?
Ela negou de volta.
Charlie a abraçou com mais força acariciando seu cabelo, queria muito poder fazer algo para ajudá-la, como queria.
– Eu vou pegar algo pra comer – ele disse – quer alguma coisa?
– Eu pego, tenho que falar com a recepcionista mesmo – ela disse o soltando.
Charlie sentiu frio onde antes ela o abraçava.
Ele amava aquela loira.
– Se ele acordar, diga que eu já venho.
– Ok.
– Tem certeza que vai ficar?
– Claro – ele sorriu acariciando o rosto dela.
Nossa, como queria beijá-la pra quem sabe deixá-la mais calma, pelo menos antes ele conseguia deixá-la mais calma assim.
Ela se foi e Charlie olhou para a porta. Olhou em volta para ver se poderia ter alguém ali que o impedisse de entrar, quando viu que não, abiu a porta e entrou.
Edwin estava ligado a um monte de fios, e aquela tela ao lado dele mostrava sua frequência cardíaca. Ele estava desacordado e com uma máscara de oxigênio no rosto, Charlie mordeu o lábio e sentou na poltrona ao lado da cama.
– Oi senhor Davis – ele disse entrelaçando uma mão na outra – eu não sei se o senhor está me ouvindo, mas vou falar mesmo assim. Eu quero muito que o senhor melhore. Emily está sofrendo e eu não suporto vê-la assim, e eu sei que já fiz besteira, mas quero que saiba que eu amo sua filha, muito mesmo, e vou fazer de tudo para vê-la feliz, e você faz parte da felicidade dela, então, por favor, fique bem porque ela merece um pai, e você é um ótimo sogro – ele sorriu – pense nela e procure forças ai dentro para continuar, não é um coração que funciona mal que irá te derrubar, eu sei que não – Charlie voltou a sorrir – e escreva oque estou dizendo, você ainda vai entregar Emily para mim no altar, pra isso você tem que estar bem, não é?
Charlie se sentia um idiota, Edwin estava dormindo, não estava ouvindo nada.
Se assustou quando Edwin segurou braço dele e imediatamente olhou para o homem.
– Gosto de você, garoto – ele disse baixo ainda de olhos fechados – por favor, se eu não sair daqui, cuide dela.
– Não diga isso.
– Só me prometa.
Charlie suspirou.
– Eu jamais vou deixar algo acontecer com ela.
– Ótimo – ele esboçou um sorriso – Emily gosta de você, então não a chateie, entendeu?
Charlie suspirou, como ele conseguia ser ameaçador até falando daquele jeito?
– Entendi.
Ele apagou novamente e Charlie saiu do quarto, ele estava bem e era oque importava. Charlie gostava dele, nunca pensou que o pai da garota que ele amava estaria a favor dele, isso era esplêndido.
* * *
Os dois estavam na praça de alimentação do hospital comendo em silêncio, Charlie a olhava quase que fixamente. Era muito visível a preocupação que ela estava sentindo. O horário de visitas havia acabado, só depois Emily poderia entrar lá.
– Ele vai ficar bem, não se preocupe – Charlie disse e Emily o olhou.
– Minha preocupação não é a situação atual, mas o conjunto da obra – ela suspirou – pode não ter feito sentido...
– Fez.
Ela assentiu tomando seu suco.
– Vai passar a noite com ele?
Ela assentiu novamente.
– Você pode avisar Jimmy e pedir minhas desculpas?
– Claro – ele disse – ele provavelmente terá alta amanhã, certo?
Ela voltou a assentir.
– Eu levo vocês pra casa.
Ela o olhou e sorriu.
– Você está sendo ótimo, mas realmente não é necessário – ela disse – ainda sei dirigir.
– Sei que sabe, mas eu quero ajudar em alguma coisa.
– Já está fazendo demais – ela disse voltando a sorrir – sei que fui muito ingrata com você, me desculpa, é que...
– Eu sei – ele sorriu segurando a mão dela – eu ficaria igual se fosse alguém da minha família, na verdade, provavelmente eu já teria socado alguém – ele a fez sorrir – você está muito calma, a Emily de 19 nos não estaria assim.
– Não mesmo – ela riu – eu já teria batido o carro ou em alguma enfermeira que não me deixa entrar no quarto do meu pai.
Ele sorriu.
– Não sei se percebeu, mas eu estou bem mais... "zen" agora.
Ele assentiu.
– É, eu percebi, com certeza eu percebi.
Ela sorriu olhando para a mesa.
– Crescer é uma droga – eles riram – era mais divertido antes.
Ele revirou os olhos tomando seu refrigerante a fazendo rir.
– Engraçado como você ao chegar a uma fase da vida onde é considerado adulto acha que não pode amadurecer mais, que você vai continuar agindo e pensando da mesma forma, que você sabe tudo, ou melhor, mais do que seus pais – Charlie disse e sorriu – ai você percebe que você ainda é um neném.
– Exatamente – ela disse – eu não tinha o juízo que eu tenho hoje – ela deu de ombros – eu acho que eu era meio dane-se pra vida.
Charlie riu.
– Você citou meu lema de vida agora – ele disse e ela sorriu.
– Agora você é uma pessoa totalmente diferente – Charlie franziu o cenho e ela tomou mais suco antes de continuar – eu vi três fazes sua, a da época que namoramos em que você era um garotinho amigável e fofo – ele sorriu – quando cheguei eu vi seu lado babaca ao extremo.
– Pois é.
Ela sorriu.
– E agora você é uma versão mais velha do de antes – ela semicerrou os olhos.
– E qual você prefere?
– O de agora, sem dúvida.
Ele sorriu assentindo.
– E qual Emily você prefere?
– Gosto de todas – ele sorriu.
– Mas não prefere nenhuma?
Ele negou.
– Como isso é possível? – ela riu.
– Eu gosto da Emily Davis, não importa como ela seja, porque no fundo, você sempre foi e sempre será a mesma.
Ela o olhou alguns segundos e piscou sorrindo.
– Você está lendo mais?
Ele riu.
– Um pouco. Da pra perceber?
Ela assentiu.
– Começamos a filosofar sobre a vida quando lemos demais, já passei por essa fase, já me acostumei com ela agora.
Ele riu a fazendo sorrir.
* * *
– Pensei que Charlie estaria aqui – Edwin disse ao entrarem no taxi.
– O obriguei a ir para a aula – Emily fechou a porta.
– Por quê?
– Porque é necessário, pai – ela disse colocando o cinto o olhado para ele fazer o mesmo – ele tem uma vida, só me fez um favor ao ficar aqui comigo.
– Um grande favor, por sinal.
– Pois é.
Edwin sorriu e Emily franziu o cenho.
– Que foi?
– Nada – ele a abraçou devagar – eu te amo minha loirinha, sabia disso?
– Claro que sabia – ela sorriu beijando a bochecha dele – também te amo, pai.
Entraram em casa e Emily logo o fez sentar.
– Você só vai levantar desse sofá pra ir ao banheiro, entendeu? – ela disse – Lucy vem amanhã, hoje eu fico com você.
– Sim capitã – ele sorriu e ela sorriu também.
A campainha tocou e Emily franziu o cenho indo até a porta.
– Está esperando alguém? – ela perguntou.
– Eu ia perguntar exatamente o mesmo.
– SENHOR DAVIS! – as três gritaram juntas.
Emily quase caiu pra trás.
– Ah não é a loira – Sarah riu abraçando a amiga com cuidado indo até a sala logo depois.
Emily piscou algumas vezes tentando processar os gritos.
– Viemos ver como você está, senhor Davis – Kate disse indo até o homem.
– Estou ótimo, querida – Edwin sorriu.
– Há controvérsias – Emily cruzou os braços sorrindo.
– Ele parece ótimo – Sarah o defendeu sentando ao lado do homem.
Emily revirou os olhos sorrindo.
– E ah, temos um presente – Abby abriu sua bolsa tirando uma caixa de chocolates a entregando para Edwin.
– Nossa, que gentileza, meninas – ele sorriu.
– Você ta bem? – Kate apareceu ao lado da loira acariciando seu ombro.
– Estou – ela sorriu fraco.
Kate sorriu sentando ao lado no braço da poltrona em que ela estava.
– Quando chegamos ao hospital de manhã, vimos Charlie saindo.
Emily assentiu olhando para o chão.
– Eu não sei nem dizer o quanto ele me ajudou.
Kate assentiu acariciando a mão dela.
– Você realmente acha que alguém faria o que ele faz por você apenas porque se importa um pouco?
Ela negou.
– Eu sei que não.
– E sabe oque isso significa? – ela olhou para a menina que assentiu.
Kate sempre bancando o cupido.
– Sim, eu sei – Emily suspirou – e o fato de isso ser recíproco me assusta.
– Não devia, não mesmo – Kate sorriu abertamente – é Davis, está na hora de você fazer a coisa certa, não acha?
– E se não for a coisa certa?
Kate segurou forte a mão dela ao ver os olhos da menina lacrimejarem.
– E porque não seria certo?
– Deu muito errado uma vez, oque impede que aconteça o mesmo dessa vez?
– Não vai saber se não tentar.
– Eu não quero tentar para passar pelo que eu já passei uma vez.
Kate mordeu o lábio vendo Abby e Sarah bem entretidas comendo chocolates com Edwin.
– Não será a mesma coisa.
Emily a olhou e Kate sorriu.
– Vocês estão diferentes, mais velhos, mais maduros, por isso será diferente.
Emily mordeu o lábio piscando devagar e deitou a cabeça na perna de Kate que sorriu acariciando o cabelo da menina.
– Vai dar tudo certo, se acalme.
– Eu não tenho tanta certeza disso.
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