ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
38 Enrrolar.
Notas iniciais
Emily acordou. Franziu os olhos antes de abri-los. O quarto estava escurinho como ela gostava, odiava acordar e já se chocar com a claridade.
Apalpou a cama ao seu lado, Charlie não estava ali. Imediatamente seu coração subiu até a boca, calma, respira.
Olhou para os lados agitada e seu coração se acalmou ao ver o relógio dele em sua cabeceira. Suspirou sorrindo.
Se levantou colocando uma roupa qualquer, porém arrumadinha, escovou os dentes, passou perfume e penteou os cabelos se olhando no espelho, não ia passar nada no rosto. Sorriu lembrando da noite anterior, aquele era o verdadeiro significado de felicidade, ela estava feliz, verdadeiramente feliz.
Saiu do quarto franzindo o cenho ao ver só seu pai no sofá assistindo o jogo de alguma coisa. Jurou que iria ver Charlie batendo o maior papo com seu pai.
– Bom dia – ela sorriu para o pai.
– Bom dia – ele sorriu enquanto ela se inclinava para beijar a bochecha dele.
– E o Charlie?
Edwin franziu o cenho.
– Ele foi embora cedo, não te disse?
– Não – ela sentou chateada.
Será que havia desistido dela?
– Mentira! – o garoto saiu da cozinha e Edwin começou a rir.
– Não faz isso! – Emily deu um tapa em seu braço rindo.
Charlie abriu os braços e Emily se levantou abraçando o homem.
– Bom dia, minha linda – ele beijou a cabeça de Emily que sorriu de olhos fechados – já viu a mensagem de Jimmy?
– Não – ela o olhou – o que aconteceu?
– Calma, nada demais – ele riu da cara da menina – ele quer que a gente vá para o estúdio em uma hora.
– E você não me acordou?
– Eu ia fazer isso agora – ele se defendeu e ela riu.
– Agora vou ter que trocar de roupa de novo! – ela disse brava subindo as escadas.
Charlie e Edwin se olharam e Edwin riu.
– Bem vindo ao meu mundo, garoto – ele disse e Charlie sorriu.
. . .
Eles entraram no estúdio e Jimmy olhou para os dois. Só então perceberam que obviamente as pessoas estranhariam eles chegarem juntos.
– Boa tarde, garotos – ele sorriu.
– Boa tarde – eles sorriram e Jackson apareceu com sua touca cumprimentando Emily com um beijo na testa e Charlie com um soco no ombro.
Garotos.
– Sentem.
Os três se sentaram, pareciam muito felizes.
– Sabe, Jackson me mostrou o cover de vocês.
– Ah, aquilo foi só uma brincadeira – Emily disse.
– Se acalme, ficou ótimo – ele disse – então eu tive uma grande ideia, podemos gravar vocês cantando covers e lançar no canal de covers da gravadora, tanto vocês dois solo, quanto juntos, as pessoas gostam de vocês juntos, gostam tanto que não seria uma má ideia vocês formarem uma dupla – ele disse – porém, não sendo dupla é mais bacana.
Emily assentiu e Charlie por baixo da mesa entrelaçou seus dedos no dela.
– E então? Querem entrar no canal de covers? Quase todos os contratados da Jimmy postam regularmente por lá, uns com os outros, sozinhos, é algo bem divertido e as pessoas gostam bastante.
Eles assentiram.
– E claro, vocês tem que começar a confraternizar com o resto dos cantores.
Os dois riram.
– Então pra começar, eu quero vocês dentro daquele estúdio cantando aquela musica de volta, que Jackson vai gravar. E claro, sempre que quiserem gravar com alguém daqui, ou sozinhos algum cover, avisem a mim e a gente arruma tudo.
Ambos assentiram.
– Charlie, os testes pra sua banda vão começar amanhã – Charlie assentiu – você disse que quer escrever suas músicas, certo?
Charlie assentiu e Emily o olhou. Ele compunha?
– Certo, não demore e quando estiverem prontas traga-as para cá e você e Jackson se acertam com elas – ele e Jackson trocaram um soquinho.
– Então pra dentro do estúdio vocês dois!
Havia duas câmeras em tripés apontadas para os microfones.
– Jackson deve postar hoje mesmo – ambos assentiram e Jackson soltou a música.
– Sejam lindos – Jackson disse ligando ambas as câmeras.
Ambos se olharam e sorriram.
. . .
– Jimmy, eu preciso te dizer algo – Charlie o chamou.
– Diga – ele disse.
Charlie olhou para Emily que espancava Jackson que ria, devia ter feito alguma besteira.
– Eu... – ele suspirou – eu e Emily, a gente... meio que se acertou ontem.
Jimmy cruzou os braços pedindo para Charlie continuar com os olhos.
– Como você sabe, a gente namorou há um tempo, antes de ela ir para Nova York, e terminamos principalmente por ela ir e... – ele olhou para Jimmy – enfim, a gente voltou ontem. E eu queria perguntar se não é bom expor isso por enquanto, ou tudo bem...
– Eu sempre soube, achei até que demorou – ele disse soltando um pequeno sorriso e Charlie também sorriu – mas eu vou pedir algo, vocês podem parecer amiguinhos por enquanto? Umas duas semanas, saiam juntos, deem a entender que estão se aproximando e depois, estão liberados.
Charlie assentiu.
– Mas por quê?
– Emily terminou recentemente com meu filho, e apesar dos motivos terem sido dignos já que ele se comportou como um troglodita, ele ainda era meu filho – Charlie assentiu – eu não quero que manche a imagem dela como se ela tivesse ficado com ele apenas pelo contrato, sabe? Porque com certeza é o que vão falar. Então vamos lançar esse cover hoje e vocês saiam todos os dias para algum lugar, enrolem um pouquinho e pronto.
– Certo, sem problema.
– Ótimo, tenho uma reunião com outro cantor agora, qualquer coisa, me mande uma mensagem.
Charlie assentiu.
– E a propósito, boa sorte pra vocês.
– Obrigado – Charlie sorriu.
Assim que Jimmy saiu Charlie olhou para Emily que agora brincava de lutinha com Jackson, mordeu o lábio e foi até eles. Puxou Emily pelo pulso a virando para ele e a beijou. Simplesmente do nada.
– Opaaaaaaaaaa! – Jackson gritou batendo palmas.
Emily ergueu as mãos até a nuca dele esquecendo que Jackson estava ali por um momento. Charlie a soltou e imediatamente olhou para Jackson. Emily ainda estava meio sem reação.
– Isso foi o jeito de te contar que estamos juntos – Charlie disse sorrindo.
– Meu deus, pera que eu vou cair – Emily disse sorrindo e Charlie a segurou mais forte – você me puxou muito rápido, to tonta.
– Sério, que massa – Jackson abraçou cada um com um braço – como conseguiu? – ele olhou para Charlie.
– Na verdade foi ela...
– Eu que invadi a casa dele – ela sorriu se sentado, realmente ficou tonta com aquele giro rápido.
– Isso ai loira, tem que tomar atitude mesmo, já que esse palerma é lerdão – Jackson sorriu dando um soco no ombro de Charlie.
Emily os olhou.
– Desde quando estão tão próximos?
– Desde sempre – Jackson sorriu – você que não percebeu.
Emily olhou para Charlie que assentiu.
– Estava ocupada demais virando a cara para a região contrária em que ele estivesse – Jackson virou a cara teatralmente.
– Haha – ela riu falsamente olhando para Jackson – fica me provocando que eu já jogo o salto na sua cabeça de volta.
Charlie ergueu as sobrancelhas.
– Oi? Perdi algo? – ele riu.
– Esse demônio loiro jogou o salto em mim uma vez porque eu tava provocando ela.
Charlie a olhou espantado.
– Não me dê motivos para fazer o mesmo com você, Martin.
Jackson riu.
– Ele me fez gravar a mesma música oito vezes porque disse que tava ruim que eu parecia um sapo com dor de barriga – ela se defendeu.
Charlie o olhou rindo e estendeu a mão para Jackson e se cumprimentaram.
– Ah, é assim então? Complô?
Ela cruzou os braços emburradinha, Jackson a olhou e sorriu de lado antes de pegá-la no colo.
– Meu deus! – ela gritou assustada.
Charlie estendeu os braços gargalhando e Jackson a passou para ele.
– Eu to de saia! Me bota no chão!
– Você ta de jeans, querida – Charlie ergueu as sobrancelhas.
Emily olhou para suas pernas.
– Desculpa, costume.
Ele sorriu e de surpresa a passou por cima do ombro.
– Charlie!
– Shiu mocinha – ele deu um tapinha na bunda dela.
Olhou para Jackson que entendeu o recado abrindo a porta e Charlie saiu correndo com ela que gritava batendo em suas costas.
Jackson ficou no meio do caminho gritando para Charlie que "estava aberto", o menino entendeu e foi correndo. Não subiu de elevador se não ela ia acabar descendo do colo dele, então foi de e escada mesmo. Subiu dois andares correndo e depois foi parando periodicamente, a essa altura Emily nem reclamava mais.
– Onde está me levando?
– Calma loira.
Ela riu vendo que ele subia as escadas em câmera lenta praticamente.
– Se quiser me botar no chão, eu agradeço – ele riu – minha circulação está toda na minha cabeça praticamente.
– Ah, ta bom assim.
– Uhum, não ta conseguindo nem andar mais.
Ele riu novamente e a colocou no chão. O cabelo dela estava todo bagunçado e ela fez um bico o arrumando com as mãos.
As escadas estavam vazias e levemente escuras como sempre. Ele a olhou e sorriu. Emily viu aquele sorriso e suspirou.
– Está pior do que eu acho né?
Ele negou ainda sorrindo e a puxou pela cintura beijando a testa dela.
– Você é linda.
Ela sorriu meio constrangida e o abraçou pela cintura sentindo seu corpo ser pressionado na parede de leve.
– Eu não canso de olhar para você – segurou o rosto dela entre as mãos – é meio idiota, mas... eu fiquei te olhado um bom tempo ontem, você é dormindo e tão bonitinha.
Ela ergueu as sobrancelhas sorrindo.
– Ficou me olhando dormir?
– Meia hora, talvez uma hora e meia, mas isso é irrelevante.
Emily riu e ele sorriu, adorava ouvir a risada dela.
– Você tava encolhidinha em mim, ficava passando a mão no meu peito e sorria bastante – ele tocou seu nariz no dela – porque sorria?
– Porque você estava ali – ela sussurrou de olhos fechados – fazia muito tempo que eu não dormia bem daquele jeito.
– Eu sou o melhor travesseiro da face da terra – ele brincou e ela riu acariciando a nuca dele de leve.
– Sem dúvida alguma – ela sorriu dando um selinho nele – você e esse seu corpinho...
– Delicioso, é o que dizem – ele deu de ombros metido e ela ergueu as sobrancelhas para ele – mas claro, você consegue ser mais gostosa ainda, e olha, é difícil.
Ela revirou os olhos e Charlie riu beijando a bochecha dela algumas vezes.
– E então, para onde estava me carregando?
– Ah é, vem comigo – ele estendeu a mão para ela que a segurou entrelaçando seus dedos nos dele.
Eles foram subindo as escadas em silêncio até não ter mais escadas para subir. Charlie a olhou e ergueu as sobrancelhas para ela com um sorriso abrindo a porta branca e enorme que tinha ali.
Ele deu passagem para ela que foi na frente.
A menina sorriu de orelha a orelha vendo o céu e foi correndo até onde podia. Ela não sabia da existência daquele terraço.
– Eu adoro esse lugar.
Charlie apareceu atrás dela a abraçando.
– Como o descobriu?
– Jackson.
– Então vocês realmente estão próximos dessa forma?
Charlie assentiu beijando a bochecha dela.
– Ele é um cara ótimo – ele observou.
– É mesmo – ela concordou.
– E eu e você precisamos conversar, senhorita – ele disse e Emily se virou para ele.
– O quê?
Charlie sentou no chão e Emily o olhou com uma cara de "não sento ai".
– Vem – ele deu batidinhas no chão ao seu lado.
Ela revirou os olhos e se sentou de frente para ele.
– Enquanto você batia no Jackson eu conversei com Jimmy sobre a gente.
Ela passou a olhá-lo com mais atenção.
– Ele foi contra? – ela supôs pela cara séria dele.
– Não – ele riu vendo que tinha assustado a menina.
– Que bom – ela sorriu – então qual o problema?
– Nenhum, na verdade – Charlie deu de ombros – só pediu para que "enrolássemos" para aparecermos como um casal.
Emily mordeu o lábio.
– Deixa eu adivinhar – ela disse – isso é porque eu terminei recentemente com Jay e ele não quer que eu pareça...
– Interesseira, exato – Charlie assentiu – até porque, eu sou muito mais bonito e gostoso que ele, mesmo se ele não tivesse feito o que fez, você teria motivos o suficiente para trocá-lo por mim.
Emily sorriu segurando as mãos dele.
– Teria mesmo – ela concordou e Charlie segurou o rosto dela a beijando rapidinho – é, eu teria muito motivos.
Ele riu e ela cariciou as mãos dele com os polegares.
– E quanto tempo precisamos enrolar?
– Umas duas semanas – Emily assentiu.
– Não é muito.
– Realmente – Charlie concordou – e ele pediu para que saíssemos frequentemente juntos, para não parecer que foi "do nada", sabe?
Ela novamente assentiu.
– Então será até fácil – ele riu – você só tem que controlar sua vontade maluca de me beijar o tempo todo.
Emily semicerrou os olhos para ele.
– Você do nada ficou todo cheio de si, não é?
– Ah – ele deu de ombros sorrindo – fiquei assim, bem feliz quando você veio atrás de mim, levei um susto quando acordei ontem e você estava no meu quarto, me olhando daquele jeitinho lindo, mas cara, foi uma felicidade que veio de dentro da alma... não sei explicar, só você consegue fazer isso comigo.
Ela sorriu meio constrangida olhando para o chão.
– Gostei bastante de você tomar uma atitude – ele continuou sorrindo segurando a mão dela.
– Foi constrangedor – ela riu – agora eu sei a vergonha que vocês passam quando tem que chegar em alguém.
Charlie assentiu.
– Na verdade, a minha verdadeira intenção era te deixar maluco e fazer você dizer algo que me desse uma brecha com um motivo plausível pra eu te agarrar.
– Era provavelmente o que teria acontecido se eu tivesse ido à balada, porque olha... – ele mordeu o lábio – você tava gostosa pra caramba.
Ela sorriu ainda olhando para o chão e ele sorriu passando a franja dela para trás da orelha.
Ergueu os olhos para ele e sorriu mais abertamente se atirando nos braços dele o abraçando.
– Emy – ele sussurrou a espremendo contra seus braços.
– Oi? – ela beijou o pescoço dele repetidas vezes.
– Você vai ter que ir pra Nova York comigo.
– Por quê?
– Tenho que te levar de volta para reconhecer todos – Emily riu.
– Acho que sua mãe não vai ficar muito feliz.
– Por quê? – ele franziu o cenho.
– Eu magoei o bebê dela – ela cariciou de leve o rosto dele – nenhuma mãe gosta disso.
– Ela conhece a história – ele deu de ombros – vai ficar brava não.
Emily deu de ombros e ele riu tocando seu nariz no dela.
– Hoje eu não estou com dor, ok? – ele sussurrou e Emily riu.
– Tava demorando!
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