Notas iniciais
Oi oi gente! Então, pra quem lê Princesa Emily já sabe, mas vou repetir. Pode ser meio óbvio, mas não vou mais postar semanalmente, e não vou colocar uma data porque a vida ta difícil, ou seja, vou postar quando der, ok? Boa leitura!

Emily terminou de secar o cabelo, se olhou no espelho o penteando devagar. Terminou de arrumá-lo com a mão e pegou seu perfume.

Ela não tinha mais aquele certo pavorzinho de palco que ela sempre teve, mas nunca admitiu. Mas com certeza ia estar mais feliz se não tivesse que cantar com Charlie, muito mais feliz.

Ela sabia que ele não gostava dela, mas não pensava que ele a detestava tanto daquela forma. Mas ela de fato não ligava mais.

Saiu do banheiro já pronta e deu de cara com Sarah que colocava o sapato. A morena levantou lentamente os olhos pra loira e sorriu.

– Agora sim é a Emily Davis que eu conheço – ela disse e Emily sorriu virando de lado fazendo pose, Sarah riu.

– Obrigada – Emily pegou sua carteira – adorei o vestido, por sinal.

Sarah sorriu em agradecimento.

– É justo, Nick gosta e como eu faço qualquer coisa pra enlouquecê-lo...

Emily riu e olhou a hora no celular quase mordendo o lábio, até lembrar que estava de batom vermelho.

– Eu tenho que ir, te vejo no palco – ela piscou para Sarah que sorriu.

– Boa sorte!

– Valeu morena.

Emily destrancou a porta da frente vendo alguém de costas na frente da casa.

Ela fechou a porta como cenho franzido. O garoto ao ouvir o barulho da porta se virou para ela. Jay estava tipicamente de jeans, camisa e blazer. Emily apenas o ignorou fingindo que não o viu e saiu andando fazendo como de costume, seus saltos ecoaram no chão da calçada.

– Emily – ele foi até ela, mas novamente, ela apenas ignorou – me desculpa, eu fui grosso com você, desculpa.

– Veio aqui só pra isso? Porque se sim, pode se retirar.

– Na verdade não – ele disse.

Emily franziu o cenho para ele.

– Meu pai pediu para gravar você cantando – ele disse mostrando uma câmera – e eu achei a oportunidade perfeita par ter uma desculpa para ficar perto de você, e quem sabe assim, acertar as coisas.

Emily suspirou e olhou pra baixo vendo que não podia mandá-lo embora, afinal, Jimmy o mandou ali.

– Eu não te tratei como se deve, e me arrependo – ele segurou a mão dela – me desculpa?

Emily o olhou por alguns segundos e suspirou.

– Você faz ideia da magnitude da babaquice que fez, certo?

Ela assentiu.

– Se você ousar fazer algo assim novamente, vai ganhar mais do que um esculacho.

Ele sorriu.

– Ok, acho justo – ele ofereceu o braço para Emily que o segurou – e por sinal, você está linda.

– Sempre estou.

Eles chegaram no local onde a equipe de organização terminava de arrumar as coisas. Emily viu todos já em cima do palco prontos para passar o som.

– Te vejo depois.

Emily subiu no palco e todos começaram a se arrumar para começar. Emily não conseguiu evitar olhar para Charlie, ele como sempre estava lindo. Ele usava um jeans escuro, tênis preto, camisa branca, gravata preta xadrez e blazer preto com as mangas do blazer... logicamente levantadas até os cotovelos.

– Oque sugere loira? – o guitarrista perguntou em relação a música que começariam.

– Que tal Lucky? – perguntei – sabem?

Eles assentiram e ela olhou para Charlie.

– Sabe a letra? Consegue alcançar as notas? – ela brincou e Charlie revirou os olhos segurando de forma charmosa o tripé do microfone.

Foi uma boa primeira música, Charlie não disse nada, pelo menos não com ela. Aquela banda era extraordinária, 30 segundos de conversa e conseguiam tocar qualquer coisa, eram prodígios.

E acontece que aquela passagem de som foi boa, Emily sentia aquele pequeno frio na barriga de sempre, mas era um frio de entusiasmo, e ela adorava isso, era uma adrenalina diferente do que saltar de paraquedas, era muito melhor.

– Certo, a festa começa em dez minutos, podem fazer uma pausa, tomar alguma coisa... – Chris, a presidente do grêmio disse e todos saíram.

Emily desceu do palco apressada e foi até o bar onde Jay estava encostado e sorrindo abertamente para ela. Ela pegou a Vodca que ele bebia e a terminou em um gole.

– Você foi fantástica.

Ela sorriu e pediu um Whisky.

– Quem é o garoto? – Jay olhou para o palco.

Emily olhou para Charlie rapidamente que ria conversando com o baterista, apenas deu de ombros.

– Um garoto – ela disse recebendo seu Whisky. Agradeceu com um sorriso e tomou metade do copo em um gole só.

– É que ele estava te olhando de um modo estranho, não curti.

– Que modo estranho? – ela perguntou desinteressada olhando para a bebida.

– Sei lá – Jay deu de ombros – apenas de um modo estranho.

Ela bebeu mais um gole do líquido tão amado por ela e olhou para Jay.

– Você se incomoda com isso?

– Não, você se incomoda?

– Não.

– Então ótimo.

Ela assentiu. Jay a olhou e girou a colocando contra o balcão, sorriu pra ela tirando o copo de sua mão e a beijou. Emily segurou a nuca dele correspondendo ao beijo. As mãos de Jay seguraram forte a cintura da menina pressionando seu corpo contra o dela.

– Vai querer ficar até o final? Porque pensei que você poderia ir até lá em casa...

– Claro que vou ficar até o final – ela riu – é a festa da ACBAH, a última vez que vou em uma festa da ACBAH.

Ele assentiu meio triste.

– Mas prometo que vou pra onde quiser quando a festa acabar – ela disse baixinho – mas claro, até lá não garanto que ainda estarei sóbria, ou acordada.

Ele riu.

– Não me importo, tomo conta de você.

– É mais fácil eu tomar conta de você, não acha passarinho?

Emily o chamava de passarinho às vezes, por ele ainda não ter "saído do ninho" e viver em baixo das assas do pai. E claro que Jay odiava aquilo.

– Não tire meu direito de macho da relação.

Ela fez bico.

– Jamais, passarinho.

Terminou a bebida em um gole e dando uma pequena piscada para Jay voltou ao palco.

Quando o primeiro grupo de cinco pessoas (com certeza novatos) chegou á praça, a banda começou a tocar.

Emily evitava ao máximo o contato visual com Charlie que parecia não estar dando a mínima pra ela estar ali ou não, na verdade, ele não parecia dar a mínima para se ela estava viva ou não.

Já faria quase quarenta minutos que a festa havia começado quando eles chegaram. Sarah segurava a cintura de Nick rindo de uma de suas piadas e Kate entrelaçava sua mão na de Nathan que sorria piscando pra ela e Abby esperava Sam em algum lugar.

– Perai, a loira já ta cantando! – Sarah olhou para Emily em cima do palco e soltou Nick para correr até o fuzuê de gente gritando – LOIRA GOSTOSA! UHUUUL!

Nick riu e foi até ela gritando junto coisas como "linda, arrasa" entre outras. Kate e Nathan riram observando Emily e Charlie cantarem.

Depois da euforia passar um pouco eles foram até o bar. Nathan tomou um pouco de sua cerveja olhando para o palco, piscou algumas vezes e cutucou Nick com o cotovelo que imediatamente o olhou erguendo as sobrancelhas em um claro "que?".

– É meio óbvio que o Charlie está... – Nathan voltou a olhar para o palco e Nick deu uma pequena risada.

– Fingindo que ela não o afeta? Mas isso é óbvio – ele disse – nós dois sabemos que ela mexe com ele, mesmo que seja do lado negativo, mas afinal, amor e ódio andam lado a lado.

Nathan assentiu.

– Sabe, acho que ele está se mostrando infantil para ela.

Nick deu um sorriso e deu de ombros.

– Infelizmente ele não nota isso, então oque nós, meros mortais podemos fazer?

– Assistirmos ele quebrar a cara.

– É, e depois, o ajudar a se levantar – Nick segurou a cintura de Sarah que estava bem entretida em uma conversa com Kate – é assim que o ajudaremos, Nate.

Nathan assentiu.

– Acho que eles ainda vão acabar saindo no tapa – Sarah se intrometeu – claro, não literalmente..

– Se duvidar já saíram – Kate cruzou os braços se apoiando no balcão – os dois são orgulhosos, confiantes e extremamente teimosos, realmente não sei como ainda assim podem combinar tanto.

Sarah riu.

– O coração tem razões que nosso pequeno cérebro não é capaz de entender, né amor? – ela olhou para Nick que sorriu dando um selinho nela – por exemplo eu, uma menina talentosa, linda e inteligente, fui amar logo um babaca, burrinho que acredita em alienígenas – ela olhou sorrindo para Nick que fez bico.

– Engraçado que me xinga tanto, mas não vive sem mim.

Ela sorriu o abraçando pela nuca.

– Não mesmo, loiro burro.

– Rabugenta – ele sorriu a beijando.

– Cruzes! Depois nós que somos grudentos, vê se pode? – Nathan abraçou Kate pela cintura que sorriu pousando a cabeça em seu ombro roubando a cerveja dele dando um longo e delicioso gole.

– Apenas aceite, sempre seremos o casal chiclete, meu amor.

Ele sorriu.

– Não é um título que me envergonho de ter – ele sorriu tocando o rosto dela a beijando devagar.

. . .

Até o momento tudo aparentemente havia sido... normal. Claro, dentro dos conformes do normal. Emily tinha lá suas dúvidas sobre o comportamento totalmente bipolar de Charlie, por exemplo, agora ele estava todo "Príncipe encantado" não apenas com ela, mas com todos, e se Emily não o conhecesse como conheceu até poderia acreditar que aquilo era verdade, que ele se preocupava nem que fosse um pouquinho com ela, e quem sabe, não estava mais todos nervosinho por um acontecimento de quase dois anos. Porém, ela sabia que aquilo era apenas atuação de palco, ou seja, ele estava sendo todo gentil para o clima não ficar chato e com isso não estragar a apresentação.

Oque realmente importava é que tudo estava... bem, tudo estava fluindo bem, até mesmo as músicas de improviso e isso era bom, muito bom. Eles se comunicavam com apenas uma olhada nas horas de passar a deixa para o outro, e quando não se olhavam, é porque cantariam juntos, e isso realmente estava funcionando. Nem precisava falar nada, e era oque mais Charlie queria, o menos de diálogo possível entre os dois.

Nos solos de Rap, Emily sempre passava a bola para Charlie, porque Rap não era uma especialidade dela, mas ele parecia se dar muito bem cantando tão rápido que mal se entendia oque ele dizia. A loira segurou um sorriso quando ele fez uma dancinha engraçada com os pés e deu um giro, ela havia se esquecido que ele dançava bem, não sabia se ele aprendeu sozinho ou se já fez aula alguma vez na vida, mas que dançava bem, dançava.

Fechou a expressão assim que se lembrou que estava brava com ele por esse um idiota... um idiota muito bonito e com um sorriso encantador... mas ainda sim, idiota.

E quando aquele ser lançou um olhar sarcástico para ela... foi a mesma coisa que acender seu pavio que não era nada grande.

Assim que a música acabou ela olhou para a banda, mais especificamente para o guitarrista que era a pessoa que mais confiava ali.

– So What – foi praticamente uma ordem.

Eles analisaram por um segundo a opção e o guitarrista logo começou fazendo aquele clássico solo do começo da música, e logo o resto o acompanhou. Foi a vez de Emily olhar para Charlie sarcasticamente e começar a cantar. Uma indireta, uma forma de fazê-lo descer do trono ou um simples e discreto tapa na cara? Um pouco dos três, com certeza.

Charlie a olhou com uma mistura de desprezo e confusão, e pela primeira fez ela não se sentiu nenhum pouco intimidada por ela, percebeu que tinha que parar de ser idiota, tentou ser educada com ele e tentar retornar a uma amizade assim que chegou? Sim, e oque recebeu? Uma patada, então agora ela também daria patadas, e ela era muito boa em esnobar as pessoas, afinal, aquele poderzinho feminino nunca falha, não é mesmo?

Assim que cantou a última frase se sentiu revigorada, como se tivesse tirada um peso de seu peito.

– Grenade – Charlie disse a banda.

Emily riu de escárnio, aquilo era um pedido silencioso de batalha? Pois bem, assim seria.

Notas finais
Espero que tenham gostado, desculpa pela demora e não se esqueçam de comentar meus lindhos! Até o próximo que espero que saia logo.