A única janela

1 "Burguesa em um caixão de vidro"


Notas iniciais
Ela não estava nesse plano
Mas vivia me infernizar
O tempo já havia passado
Eu viva a escrever que a amo

O quadro, sua poesia e sua casa...

Prazer, Heithor mas Hector sooa bem mais introspectivo.

" Estou caminhando para casa, enquanto escrevo e não é uma habilidade que precise de pratica somente sorte de morar em uma cidade tão pequena que as pessoas nem sequer costumam sair de suas casas e atordoarem.

Não é ruim, todavia indiretamente você acaba conhecendo a vida de cada um que cruza na sua frente. E sem você planejar já está conversando com uma pessoa por simplesmente estar em um local distante do universo e ter que conversar sobre a mesma ladainha de uma vida monótona e mortal, mas retirando toda essa bestelagem de adolescente que sente totalmente sem diversão, te surpreenderei quando disser que estar em um local desse foi a melhor coisa que me aconteceu.

Aos poucos desisti de ir para escola e fiquei em casa, então decidi que seria um vagabundo sustentando pelos pais ou então um milenar gênio, é isso aí, já faz exatamente cinqueta e quatro horas que estou me comportando como um o que não tem modificado meu status social na verdade, creio eu que apenas dificultou o restante da auto estima que estava perdida la no fundo quase inexistente. Primeiramente, descobri que sou péssimo em física e química, desde então percebi que meu talento nato só poderia estar em filosofia todavia até está acolhedora como ninguém me expulso e agora estou tentando me tornar o senhor da escrita. Não, isso não é para agradar uma garota desse lugar e pensando bem ainda agradeço por não ser, seria cômico ela me ver fracassando em beleza e inteligências os dois requisitos mais cobiçados por toda humanidade. Todo mundo quer ser belo, e ainda assim quando consegue almeja sabedoria pois somente esta diferenciará ela de um rosto de porcelana.

Há exatamente cinco dias zerei duas provas de químicas pela qual estudei como um louco, meu cabelo estava como de Einstein então pensei que dessa vez as coisas poderiam fluir e ainda assim tive de segurar o choro quando a recebi. Aí pela primeira vez eu pensei a respeito da prova e da desgraças dos meus sonhos eles não tinham a merda de relação alguma, foi exatamente as duas e meia da tarde do dia 19 de julho de 1995 que levantei daquela sala e foi embora, comprei com o dinheiro do lanche uma bebida e foi observar a vista do penhasco que ficava do outro lado da cidade.

Conforme as estrelas dançavam no céu minha mão tentava contorná-las para saber se de fato existia algo que me interligava com esse universo tão vasto,e por um segundo perante a lua pensei o quão desperdiçando minha vida eu estava. Eu podia me empenhar em ser o melhor em tudo o que poderia surgir sobre minha face, no entanto eu preferia viver como um qualquer e a coisa piorou no empecilho de perceber que todos são assim."

Assim que cheguei em casa, agradeci por não haver sequer uma pessoa alí e fui a luta, peguei meus materiais e as pedras que eu andava estudando há uma semana, presente de um viajante, fechei as janelas e tranquei meu quarto e coloquei um aviso de onde eu estava a até que horário apareceria e então finalmente subi na bicicleta, e fiz o caminho até o penhasco com um . Era uma visão magnífica da cidade, era o meu the sims particular. Sim, eu ficaria sozinho estudando até alta das madrugadas e meus pais sabiam onde me encontrar e como pacificamente eles aceitaram o fato de eu desistir da escola para ficar em casa e vangloriar por possuir um irmão que fez tudo o que eu não fui capaz de fazer, e de alguma forma para mim isso era normal.

Eu sempre levava duas velas e um celular o que para meus vizinhos era um indicio que eu estava em uma seita, um sanduíche a base de manteiga e esperava o melhor da videira que tinha ali nas redondezas. Era antiga, e a dona dela já estava morta então por incrível que pareça eu não me importava em entrar e pegar dois cachos de uva. Na verdade a monotonia que eu vivia havia me feito repensar muitas coisas,e uma delas era imaginar a vida daquela senhora antes de falecer.

Mas, poha, porque eu me sentia tão só? Todos os meus pseudo-s amigos estavam no terceiro anos do Ensino Médio prestes a tentar vagas nas mais renomadas faculdades enquanto eu escolhia desperdiçar minha vida em algo que me parece tão vazio. Eu não via graças em perder minha vida em qualquer bebida, não queria me decepcionar de novo então pensei o quão inútil era. O céu já ficava escuro, as nuvens ficavam cada vez mais esquivas, e meus olhos lagrimejavam por elas e eu não conseguia explicar o motivo.

Cheguei em frente a casa da senhora Lavouisier, diziam que era assombrada mas não me importei, a residência estava tombada e nem mesmo os três únicos mendigos se arriscavam naquele lugar pelo qual o tempo havia tomado sorrateiramente e era inevitável pensar que há alguns séculos no passado, este lugar deveria ser um espetáculo. As grandes janelas que mostravam a nobreza em um tempo de colonização, agora apenas possuíam uma grande arvore tomando conta do local enquanto os muros caiam em ruínas, liguei a lanterna do celular e desatei coragem em entrar na casa todavia percebi que a porta estava trancada e por um segundo pensei o que a pessoa poderia ter feito no dia do acidente

O acidente ocorreu na primavera no século dezessete, uma lenda que carrego na bagagem herdada de minha avó. Segundo ela ali exitia uma família de burgueses extremamente prósperos. A casa servia de repouso para os "monarcas" que viajavam durante meses para encantar com a visão do lago, no entanto após uma peste alastrar no Rio de Janeiro decidiram que passariam a viver ali. Ocorre que deixaram a única filha no local e o restante retornou a cidade para pegar as jóias e os bens familiares, só que o retorno jamais ocorreu dizem que morreram no caminho da viagem e outros contam que abandonaram a filha porque sabiam da doença e não queria morrer perto dela.

Ela aguardou o resto dos seus dias, e contam que toda família que passa em frente a casa conseguem ve-lâ na segunda janela sorrindo com um semblante de tristeza esperando seus pais, minha avó dizia que ela esperava como uma maldição de ter sido uma péssima filha e se arrependia por não ter desfrutado os melhores momentos da vida das únicas pessoas que se importavam com ela, então bastava agora ela apenas se arrepender para sempre na casa o que a fez surtar, e lúdica pela morte tomou o veneno e sentou-se na janela pela ultima vez.

A história me fazia lembrar do rosto dela, vivia me contando essa história quando eu fazia alguma mal criação, e agora vendo no vidro daquela porta antiga aquela cadeira torturada pelo tempo em um cetim inteiramente desfiado salmão manchado por uma história tão confusa. Repensei o quão triste era aguardar algo que talvez jamais retorne e encostei minha mão no vidro até sentir que deveria pegar logo as uvas e sair. Dei a volta na casa, as folhas secas se acumulavam no chão mas a videira continuava linda e não era somente por ser a única coisa viva naquele lugar. Saí calmamente até o portão e desejei internamente que se fosse real, conseguisse ver a família mesmo que seja por uma última vez.

E por um momento ao olhar para trás, pensei que eu poderia fazer isso mesmo que fosse impossível.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.