A última vez
1 Bem-vindo ao lar
Notas iniciais
Touya, mais conhecido como Black, e N são personagens relevantes para a trama de Pokemon Black and White, isso tanto no mangá de Pokemon Special/Adventures como nos jogos. Eu estou usando esse mangá como base, tendo Touya como protagonista do mesmo e N como seu respectivo rival e antagonista (Touya apenas pela minha preferência ao nome japonês, já que poderia o chamar de Hilbert também).
Para àqueles que não sabem, essa região possui uma lenda de extrema relevância quanto ao lendários principais dessa região e seus parceiros. A informação necessária é que Zekrom, o pokémon negro, acompanha o herói do ideal enquanto Reshiram, o branco, segue o da verdade. Os dragões junto de seus primeiros companheiros, deram origem à região de Unova nas lendas, os "treinadores" eram irmãos e após tomarem rumos diferentes ?” um tomar o caminho da verdade e o outro o do ideal ?” ambos começaram a discutir sobre quem realmente estaria certo, cada dragão tomou um posicionamento e dai começou a grande batalha. No final, os irmãos resolveram que não havia um lado certo, mas seus filhos retomaram a luta e após causarem grande destruição para a região, ambos desapareceram.
No mangá, N despertou Zekrom para poder realizar seu ideal de um mundo melhor para os pokemon, mas isso ao custo da morte de milhões de humanos, Touya meio que está por lá para o impedir, porém ele próprio questiona varias vezes sobre se o ideal de N não estava tão errado assim, além de entrar numas crises existenciais sobre esse lance de "eu tenho que ser a verdade".
Do mais é isso, sinto muito pelo texto enorme, mas é bom para quem não entende pegar um pouco mais de contexto. Sinto muito caso tenha algum erro, eu li esse mangá já faz um bom tempo.
Agora eu já falei de mais, boa leitura!
Seu cheiro estava impregnado ao ar, fazendo com que a sonolência me dominasse mais uma vez, assim como estava fazendo a muito nesses últimos tempos.
Eu simplesmente estava cansado de procurar uma verdade, principalmente após conseguir vê-la em sua forma final, mais perfeita do que qualquer coisa que pudesse vir a imaginar e mesmo assim… eu a perdi sem muita chance de fazer algo, pois estávamos em lados opostos desse tabuleiro e eu não poderia me dar ao luxo de perder para você, seria como desistir de meus ideais e isso me quebraria, quebraria com tudo o que eu acreditei por todos esses anos e seria a cartada final para meu possível desespero, ou ao menos era o que eu pensava.
Fomos até o final em meio a essa dança, com nossos passos em plena sincronia, eu sentia um misto de irritação e adoração quando tinha o prazer de o olhar, pensava em como diabos você poderia ser minha verdade… mas estava límpido como água os motivos de tal, a verdade não precisava ser extremamente complexa para combater com palavras minhas ideias de vida, ela não precisava ser a mais madura para se igualar a mim de algum jeito.
Você como verdade era puro e honesto de uma forma que eu não compreendia, parecia ser incapaz de reproduzir falácias com seus belos lábios recheados de paixão, sua determinação era exorbitante em níveis inacreditáveis e até mesmo vinha a me deixar atordoado, pois era inexplicável a forma como você parecia sempre se manter inabalável de alguma forma. Era como se eu fosse uma criança lutando contra um adulto que não se permitia levar pela desistência e o sentimento de fraqueza, assim como da mesma forma os papéis pareciam se inverter quando eu finalmente vinha a acertar um de seus únicos pontos fracos, mas esses também eram aqueles que mais o abalavam e você parecia destoar quando isso acontecia, assim nós perdíamos o ritmo da dança e eu voltava a guiar, mesmo que fosse apenas por uns instantes — esses que deveria parecer extremamente longos para você, mas que para mim passaram voando de uma forma que quando pude finalmente me dar conta, já estávamos em nossas posições anteriores novamente, não… dessa vez você estava mais perto de mim e isso o tornava uma ameaça.
Éramos dois reis brigando pela coroa, ou ao menos era o que me fizeram acreditar, pois eu era uma dama em pele de rei e por isso pude usufruir de mais movimentos do que você jamais poderia e mesmo assim você se recusou a desistir, usando cada um de nossos passos em meio à dança que nos pertencia, usufruindo ao máximo do potencial fajuto de cada peça que lhe vinha cercar e assim mesmo o peão mais inútil e incompetente vinha a se tornar um ás de espadas pronto para me perfurar em suas mãos, mesmo que essas não fossem suas verdadeiras intenções.
Éramos dois conceitos bastante divergentes, o suficiente até para que colidissem um com o outro enquanto tivessem a chance, porém que também vinham a se completar de alguma forma. Você era um falso ideal de uma verdade que ninguém poderia imaginar, mas que vinha a se encaixar de uma forma perfeitamente inusitada com o papel que você deveria vir a cumprir. Eu era uma verdadeira ideia, mas que não necessariamente era um bom ideal e hoje, olhando para trás, eu penso se ele realmente me pertence ou se era apenas eu usando dos dizeres de outros.
Éramos duas crianças engatinhando enquanto tentávamos ser aquilo que haviam nos dito que éramos para ser. Uma verdade, um treinador, um amigo, um campeão ou apenas um garoto com grandes ambições que sempre buscava e ansiava por mais. Um ideal, o seguidor de uma ideia, alguém que realizaria um sonho, um rei, um garoto cansado ou alguém que apenas buscava e implorava por um pouco de amor.
Depois de muito pensar, eu achava que havia conseguido encontrar um caminho para nós, uma saída para toda essa bagunça de conceitos e ideias, porque não éramos só isso, não éramos simplesmente ferramentas que teriam que ser usadas para brigar apenas porque “uma vez foi assim”. Eu não era aquele ideal que foi o primeiro quando vivo e você não era aquela verdade que vinha a combater isso. Nós éramos humanos que carregavam o peso de lendas, pois estes eram os papéis atribuídos à nós de forma completamente injusta e sem nexo.
Mas quanto mais eu buscava me manter afastado para tentar salvar você, mais eu sentia a necessidade de estar ao seu lado e você parecia compartilhar desse mesmo desejo ao insistir em ficar, tentando chegar cada vez mais perto até alcançar alguma parte escondida de meu coração. De início eu imaginava que sua intenção com isso seria me machucar, porém você se mostrou tendo a ideia completamente contrária.
“Então eu acho que tenho que ficar agora”
Eu ainda esperava que um dia eu pudesse sair dessa inércia cansativa e que você viesse me buscar, com suas mãos quentes e sorriso esbelto, me dizendo algo como... “Vamos voltar para casa agora, já está muito tarde para que fiquemos mais tempo por aqui”. Mesmo que demorasse uma noite inteira ou até cem anos, eu esperaria e faria de tudo para poder sentir novamente o calor que emanava em cada parte de você, mas enquanto eu não o tivesse, precisaria de um lugar para me esconder, mesmo que não houvesse nenhum por perto. Eu queria me sentir vivo novamente, mesmo que fosse para tentar recomeçar sem sua presença, no entanto eu ainda não conseguia enfrentar meus medos do lado de fora, ainda precisava de tempo para que pudesse me recuperar.
Eu havia fugido de tudo o que já tive sem nem sequer olhar para trás, assim talvez eu conseguisse encontrar um lugar melhor. Fugindo do sentimento avassalador que sentia ao lembrar de você e do que um dia já foi “nós”, e continuava a fazer isso dia após dia, sem forças ou vontade para encarar o amanhã que não brilharia mais. Algo que eu não gostaria de lembrar, ele sempre se encontrava no único espaço vazio em minha mente já desgastada graças a tanta bagunça emocional.
Não é adorável? Estando completamente sozinho, meu estado é mesmo o mais deplorável. E esse sorriso decepcionado em meio às lágrimas quentes que escorrem por meu rosto? Ele nunca existiu, ao menos eu gostaria que não.
Eu estou me rasgando aos pedaços, pele e osso, pois mesmo uma mente de pedra pode sustentar um frágil coração feito de vidraças velhas, mas mesmo que demore uma noite ou mesmo cem anos, eu ainda sim esperarei por você Touya.
— Olá N, bem-vindo ao lar — E mais uma vez seu sorriso iluminava a noite.
Notas finais
Essa one foi baseada na música Lovely da Billie Eilish.
Eu amo o mangá de pokémon special/adventures, não como um mangá em si, mas sim mais como conteúdo dessa extensa e maravilhosa franquia. Como mangá, talvez não tenha nada de tão especial nele, porém os fãs de pokémon como eu costumam gostar bastante dele, já que o mesmo costuma abordar de forma um pouco mais madura e menos infantilizada certos temas, ainda que seja um mangá infantil. Eu o recomendo para todos àqueles que curtem esse universo, acho que se derem uma chance podem acabar se deixando cativar, assim como foi o meu caso.
Posso dizer que lembrei do @Kaminhonete enquanto escrevia isso? BW é meio que nossa região favorita, fico feliz de compartilhar a mesma opinião que alguém e sei que ao menos uma pessoa vai ler isso kkk (chorando por dentro por estar escrevendo uma fic que vai floppar, mas tudo bem, a gente supera).
Cara, tenho que agradecer e muito à @DreamerMoon por essa capa maravilhosa, e o que dizer dessa betagem feita por @Mi_kun? Só tenho meus agradecimentos à ambos, sem vocês eu não estaria apresentando essa fanfic com tamanha qualidade.
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