A última Malfoy
11 Um par para o baile.
Os dias em Hogwarts haviam se transformado em um verdadeiro caos. Marcus Skeeter fora encontrado, depois de dias vagando pela floresta. Tinhas as vestes em farrapos, estava magro. O que mais intrigava, era seu comportamento estranho que o Ministério não podia explicar, já que consideravam os Dementadores extintos, mas o menino parecia ter sido beijado por um. Logo o pânico se instalou na escola, fazia anos que não ocorria nada do tipo. Medeia estava enlouquecida com os pais tentando tirar seus filhos dali alegando que ela havia falhado no quesito segurança. Pessoas do Ministério vagavam pela escola e pela floresta proibida tentando investigar o que havia acontecido.
Do outro lado, jornalistas tentavam invadir o local afim de expor o que realmente havia acontecido. O que mais assustava a diretora era que os Skeeter não escreveram sequer uma nota sobre isso em seu jornal. Apenas foram buscar o filho sem saber explicar o que ele fazia lá, e desde então se mantinham em completo silencio. Fecharam o jornal e desapareceram com o menino, ninguém sabia para onde haviam ido.
Logo começaram a surgir boatos entre os alunos de que uma nova maldição assombrava o castelo. Até a lenda do Basilisco que habitava a câmara secreta foi revivida em várias versões diferentes. Em todos os boatos a culpa recaía sempre sobre os alunos da Sonserina. Todos estavam com os nervos à flor da pele e muitas brigas entre sonserino com alunos das outras casas começaram a ocorrer durante as aulas. A única pessoa que parecia satisfeita em meio aquele caos era Ágata. Adorava sentir o pânico e o medo dos outros alunos, e se divertia em ver Medeia perder a pose com tudo o que estava enfrentando. É claro que apesar de tudo ela continuava atenta, sempre pronta para cobrir seus rastros caso alguém desconfiasse dela.
Devido aos últimos acontecimentos, para acalmar os alunos e ao mesmo tempo mostrar para a imprensa e para o Ministério que estava tudo bem, a diretora se empenhou em dobro para que o Baile de Inverno daquele ano fosse o melhor de todos. A idéia de acalmar os alunos com o evento saiu pela culatra. Com o baile chegando o alvoroço aumentou ainda mais devido a pressão para encontrar um par e todo o drama adolescente que esses eventos atraíam. Juntando tudo isso com o medo de andar sozinho pelos corredores do castelo por causa das lendas que surgiram, o alvoroço aumentou ainda mais.
Os resultados dos N.O.M’s chegaram deixando alguns alunos satisfeitos, outros nem tanto. Malfoy como sempre estava entre os alunos com as mais altas notas, e foi convocada para participar das aulas extras de poções no próximo ano letivo. Ela ficou contente com o convite, se empenhara o ano todo para se destacar e fazer parte daquele grupo de alunos e assim poder aprender poções mais avançadas fora do horário de aula. Mal podia esperar para chegar ao sexto ano.
Faltava apenas três dias para o baile, as gêmeas se estapeavam brigando por um vestido em um catálogo. Enquanto isso Darla esbanjava nervosismo, pois mesmo tendo esclarecido sobre Marcus com Alex, ele ainda estava sem falar com ela. Ágata por outro lado não aguentava mais tantos garotos estúpidos tentando convidá-la para o baile. Enquanto cada uma tentava resolver seus próprios problemas, elas caminhavam juntas em direção a aula de poções.
Darla deu um suspiro triste pela décima vez e Lizzie criou coragem para obter a resposta que vinha rondando a mente de todos:
— O que rola entre você e Alex?
Darla suspirou mais uma vez antes de começar a responder. Já não queria mais ter segredos com as amigas que tanto a ajudaram.
— Nós estávamos juntos. Não oficialmente, mas saíamos as vezes.
— Isso explica porque eu acordava no meio da noite e você não estava lá. – Comentou Malfoy.
— Me desculpem por esconder isso de vocês, Alex sempre quis contar tudo e eu não deixei.
— Mas agora estão livres de segredos e podem ficar juntos. – Disse Lizzie animada.
— Ele me odeia, não fala comigo desde que descobriu que escondi meu namoro com Marcus dele.
— Peça desculpas e convide ele para ir com você ao baile. – Ágata comentou como se aquilo não fosse nada demais.
— E se ele disser não? – Darla mordeu a unha nervosa.
— É melhor do que correr o risco de ele ir com outra garota.
— Acha que ele faria isso?
— Depois que ele começou a andar com Matt as meninas começaram a reparar mais nele. – Disse Rosie.
— Mas como vou fazer isso sem parecer ridícula? – A insegurança de Darla era visível, nunca tinham visto a menina daquela forma.
— Não olhem para mim eu já deia idéia de convidá-lo e estou me cansando de todo esse drama. – Malfoy apertou o passo entrando na sala e deixando as meninas para trás no corredor.
— Deixa com a gente Darla, vamos te ajudar a recuperar seu homem! – Lizzie parecia confiante.
Enquanto isso em outra parte do castelo, Alex e Matt debatiam sobre o mesmo assunto:
— Quem vai levar ao baile? – Questionou Alex.
— Algumas meninas me convidaram, mas eu só consigo pensar na Malfoy.
— Vai ter que pensar em algo muito especial se quiser convidá-la, algo que não dê margem para ela dizer não.
— Acha que ela ia dispensar tudo isso? – Disse presunçoso.
— Digamos que depois do incidente com a poção do amor ela não está muito feliz com você.
— Tem razão, preciso fazer algo mais que perfeito para convidá-la ou vou acabar sendo azarado por ela e indo ao baile sem sobrancelhas.
— Você a intriga, com a maldição e tudo mais.
— Que animador, a única coisa que a atrai é o fato de eu ser amaldiçoado. – Disse ele revirando os olhos.
— É mais do que muitos garotos daqui já conseguiram.
— Você a conhece muito bem, me de algum conselho.
—Primeiro pare de ser tão egocêntrico, ela odeia pessoas assim. Em segundo não seja muito invasivo ela encara isso como falta de respeito. Na verdade, seja menos... você!
— Ajudou muito. – Disse o outro desanimado.
— Pelo menos você sabe quem quer convidar. — Comentou Alex com um tom de voz desanimado.
— O que rola entre você e a Darla?
— Nada. – Respondeu olhando para o outro lado.
— Da para perceber que vocês têm algo, ainda mais depois da cara que você fez quando ela revelou que namorava aquele maluco.
— Saímos algumas vezes, sempre escondidos. Ela nunca quis contar para nossas amigas e agora sei o porquê.
— Tudo já foi esclarecido, devia convidá-la.
— Não consigo perdoá-la por ter mentido para mim. E ela não está nem se esforçando para se desculpar. Talvez eu não tenha sido tão importante para ela da mesma forma como ela é para mim.
— Eu tenho uma idéia para te arrumar um par para o baile e deixar essa choradeira de lado.
— Sei que vou me arrepender disso...
— Depois que você começou a andar comigo muitas garotas têm demonstrado interesse, o seu problema é que está distraído demais com essa história da Darla para notar.
— Tudo bem, o que tem em mente?
— Só me encontre no pátio amanhã e vamos resolver tudo.
— Em troca vou pensar em algo que possa te ajudar a convencer a Malfoy a ir ao baile com você.
— Combinado. – Apertaram as mãos com uma expressão solene.
No dia seguinte as meninas se reuniram no pátio. Estavam aproveitando o tempo livre da primeira aula, pois tinham muito o que fazer para organizar o pedido de desculpas de Darla para Alex.
— Ainda não sei se é uma boa idéia. – Darla parecia enjoada.
— Eu acho que a melhor saída é ser simples e direta, sem planos mirabolantes. – Disse Malfoy com indiferença.
— Trabalhamos muito para organizar tudo e ela não vai desistir agora! – Disse Lizzie determinada.
— Até enviamos um bilhete para ele encontra-la a noite.
— Acho que vou vomitar! – A menina estava ficando pálida.
Darla sempre fora uma garota segura de si e muito centrada. Agora parecia desestabilizada e covarde diante da possibilidade de se desculpar com Goyle e convidá-lo para o baile. Malfoy nunca a havia visto assim. Talvez fosse o amor que enfraquecia e deixava as pessoas agindo feito tolas. Enquanto Malfoy refletia e tirava suas conclusões sobre aquilo, Matt Wood se aproximou dela sentando-se ao seu lado.
— Posso falar com você? – Ele parecia extremamente nervoso.
— É claro! – Respondeu ela despertando de seus pensamentos.
Antes que ele pudesse dizer o que queria, Benji um garoto do sexto ano da Grifinória aproximou-se deles. Ambos o olharam confusos, ele nunca havia trocado uma única palavra com o grupo. O menino parou a alguns passos de distância, conjurou um feitiço e soprou um pássaro de papel em direção a Malfoy. Ela revirou os olhos e abriu o bilhete:
“ Gosto de suco de caju e torta de limão. Aceita ir ao baile com o mais gato da Grifinória, sim ou não? ”
Com um sorrisinho afetado ela soltou o bilhete no chão.
— Pode até ser o mais gato, mas com certeza não é o mais inteligente. Achou que conseguiria o que com esse poema medíocre?
Com um aceno de varinha da menina, imediatamente o pássaro de papel pegou fogo até sobrar apenas cinzas. Rapidamente o garoto se afastou a passos rápidos com o rosto vermelho de vergonha, enquanto um grupo de alunos da Sonserina que estavam próximos riam e aplaudiam a cena. As gêmeas por outro lado olhavam com pena:
—Porque dispensou ele? — Perguntou Lizzie. – Ele é o mais lindo da Grifinória e capitão do time de Quadribol, quem me dera ser convidada por ele.
— Aproveita e vai consolá-lo, quem sabe seu desejo se torna realidade e ele a convida? – Respondeu a outra de forma sarcástica.
— Boa idéia! – Ela levantou-se e começou a correr para alcançar o garoto. – Benji espere!
Balançando a cabeça em sinal de desaprovação, a menina virou-se novamente para Matt.
— E então o que queria me dizer?
—N-nada, me esqueci! – Ele respondeu gaguejando enquanto também se afastava para o outro lado do pátio.
Sem entender nada a loira virou-se para as amigas:
— Será que todo mundo tirou o dia para agir de forma idiota? – Esbravejou.
Matt caminhou apressado para longe do campo de visão de Ágata. Ainda não entendia porque quase estragou tudo agindo daquela forma. Esse baile estava acabando com sua autoconfiança. Não entendia também como a menina conseguia se manter sempre inabalável e rejeitar todo mundo que a convidava. A maioria das garotas estavam surtando por causa de um par. Não teve muito tempo para pensar, pois Alex vinha ao seu encontro:
— Então, qual a brilhante idéia para me ajudar a encontrar um par?
— Elas já estão chegando, sente aí. – Disse orgulhoso enquanto uma fila de garotas vinha ao encontro deles.
— Que diabos está acontecendo? – Perguntou Alex confuso e assustado ao mesmo tempo.
— Faltam dois dias para o baile, essas são todas as meninas que ainda estão sem um par. Todas elas estão interessadas em conhecer você.
— Eu vou te matar! – Ameaçou ele tentando se levantar enquanto Matt o forçava a sentar-se novamente.
— E a primeira candidata é Dana da Lufa lufa! – Disse Matt com uma voz que parecia um apresentador de Televisão dos anos 60. – Ela gosta de quadribol e passeios perto do lago!
Uma garota de mais ou menos uns dois metros de altura se aproximou de Alex com a cara amarrada e parou na sua frente fazendo pose e cruzando os braços.
— Hum, obrigada, você é parece ser muito interessante, mas não faz o meu perfil. – Disse Alex se encolhendo todo com medo de levar uma surra da grandalhona.
— Você é quem perde cara. – Respondeu ela enquanto se afastava.
— A próxima é Martha, da Corvinal! – E Matt continuava falando enquanto segurava um microfone imaginário nas mãos. – Ela adora ficar na biblioteca, e brincar com seu ratinho JoJo.
Uma loira com rabo de cavalo e enormes óculos de grau se aproximou sorrindo.
— Obrigada por ter vindo Martha. – Respondeu Alex – Mas isso não é necessário.
Ela o olhou desapontada e foi embora.
— Na verdade meninas. – Ele começou a falar mais alto para que todas pudessem ouvi-lo. – Me sinto lisonjeado, mas realmente não é assim que eu quero encontrar um par para o baile!
Todas começaram a vaiar, algumas jogaram até bolinhas de papel nele. Alex levantou os braços na altura do rosto tentando se defender.
— Olha aí, ofendeu as meninas. – Disse Matt desanimado.
— Que bagunça é essa aqui no pátio? Todos para aula já. – O zelador Willian’s ouvindo a bagunça, apareceu para enxotar todo mundo dali.
Depois de toda a comoção no pátio o dia passou praticamente voando. A noite enquanto todos estavam na sala comunal, Alex se dirigiu até o local onde costumava encontrar-se com Darla. Mais cedo ao receber o bilhete marcando um encontro ele hesitou, pensou até em não ir, mas ficou curioso com o que ela poderia querer. Além disso, ele ainda tinha muitos sentimentos por ela, e mesmo estando magoado não consegui tirá-la da cabeça muito menos deixa-la esperando por ele.
Abriu a porta da sala e tudo estava escuro, deu alguns passos e de repente várias velas se acenderam formando a frase: “Me desculpa?”, entrou e caminhou até ela que esperava no fundo da sala com um olhar esperançoso. Pétalas de rosas estavam por todo o chão e em combinação com a luz das velas deixavam o ambiente aconchegante e romântico. Darla estava mais linda do que nunca em seu vestido azul, com os cabelos presos.
— Preciso que me perdoe por ter mentido para você. Eu nunca quis te magoar Alex, eu só não sabia como te contar sem te afastar de mim. – Ela aproximou-se dele.
— Confesso que fiquei muito magoado por você ter me escondido que tinha um namorado. Mas depois entendi o seu lado. Tentei de tudo para me afastar, mas não consigo parar de pensar em você.
Ela sorriu e uma lágrima escorreu por sua bochecha.
— Achei que fosse perder você. – Disse ela
Ele secou a lágrima, e a abraçou:
— Eu amo você Darla e você nunca vai me perder, é uma promessa.
Com o coração disparado de alegria por ouvir aquelas palavras ela o olhou nos olhos:
— Eu também amo você Alex Antony Goyle! E prometo que nunca mais teremos segredos um com o outro.
Eles se beijaram deixando o momento mais perfeito do que já estava. Foi um beijo urgente, forte, expressando a saudade que sentiram um do outro em todos aqueles dias que estavam afastados.
— Isso quer dizer que você é minha namorada agora? – Perguntou ele quando finalizaram o beijo.
— É claro que sim! E não quero mais saber de meninas fazendo fila para te convidarem para o baile. – Disse ela rindo.
— Falando nisso... – Começou ele.
— Não, espera. – Ela interrompeu.
Bateu palma duas vezes e as velas se moveram formando outra frase:
“Quer ir ao baile comigo?”
Ele sorriu de orelha a orelha. Ela não parava de surpreende-lo.
— É claro que eu quero, será uma honra levar o baile a garota mais linda dessa escola.
Eles se beijaram mais uma vez.
Naquela mesma hora na sala comunal da Sonserina, Ágata lia um livro muito concentrada apesar do barulho do enorme número de alunos que estavam por ali naquele momento. Mal percebeu quando Matt Wood se aproximou dela.
— Malfoy tenho uma coisa para você. Por favor não me estupore se não gostar. – Disse ele brincando.
Ela levantou o rosto olhando para o menino, que tinha uma caixinha cor de rosa nas mãos.
— Não posso prometer nada. – Disse ela em tom de brincadeira, sem desconfiar o que ele pretendia.
Desfez o laço e abriu a caixa. Assim que levantou a tampa, milhares de pequenas e encantadas borboletas azuis começaram a sair de dentro da caixa enchendo a sala, conforme saíam voavam em círculos criando um redemoinho brilhante e azul em torno dos dois. Várias meninas suspiraram enquanto tentavam tocar as pequenas criaturas. Pela primeira vez em muito tempo Malfoy ficou impressionada com algo que não envolvia magia negra. Levantou-se devagar enquanto dava um giro de 360 graus admirando o local que agora parecia saído de um livro de contos de fadas.
Ficou de frente para Matt novamente, ele sorria para ela enquanto algumas borboletas sobrevoavam acima dele e se transformavam em pontinhos de luz formando a frase: “Quer ir ao baile?” Ela ficou em silencio. Todos a olhavam com expectativa para ouvir a resposta, já que a garota era famosa por sempre ir sozinha aos bailes e acabar com a auto estima de quem tentava convida-la. Matt a olhava um pouco nervoso, tentando manter o sorriso enquanto aguardava a resposta também. Depois de alguns segundos que para ele pareceram séculos ela finalmente falou algo:
— Aceito. – Disse ela sorrindo. – Parabéns Wood, conseguiu me impressionar.
Com um aceno do rapaz as borboletas se transformaram em várias fagulhas azuis enquanto caiam ao chão e iam se pagando. Ele se aproximou e a abraçou forte.
— Obrigado por aceitar. – Disse ele no ouvido dela.
— É melhor não se comportar como um Trasgo no baile. – Respondeu ela voltando ao tom de superioridade de sempre.
— Não estrague o momento! – Retrucou ele.
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