A última Malfoy

5 Genituram autem Unionis - A maldição de Mathew Wood.


A enfermeira Athena observava Mathew desacordado, um rosto bonito que parecia tão tranquilo em seu sono profundo, mal sabia ela da luta que se seguia em seu subconsciente.

" Você é fraco Mathew, eu mereço estar no controle!" Matt gritava para ele com um olhar raivoso enquanto ele lutava para não ser vencido. Na escuridão de sua mente um corredor se formou e ele corria com Matt em seu encalço.

Foi assim por vários dias até que, finalmente ele conseguiu despertar e retomar o controle. Então explicaram ao garoto que ele havia desmaiado na volta do treino de Quadribol e que Ágata o havia encontrado e trazido a enfermaria junto com alguns colegas. Ele só conseguia pensar em como seus pais deviam estar nervosos em saber que aquilo aconteceu de novo.

— A Srta Malfoy veio vê-lo. — Athena anunciou, enquanto deixava Ágata, que vinha logo atrás, sentar-se perto da cama dele.

—Vou deixá-los a sós.- Deu uma piscadela para Mathew enquanto puxava as cortinas do biombo, provavelmente achando que Ágata era sua namorada.

—Olá Malfoy a que devo a honra? — Perguntou enquanto fazia um esforço sobre humano para levantar e se recostar em alguns travesseiros na cabeceira a fim de ficar sentado.

A garota ignorou sua dificuldade, sequer se mexeu para ajudá-lo a se ajeitar.

—Você me deve algumas explicações. – Ela foi direto ao ponto.

—Obrigado por ter me ajudado! Era isso que eu te devia: um agradecimento! Agora já pode ir. – Respondeu ele com mal humor virando o rosto para o outro lado. Não queria contar nada a ela, quem ela pensava que era para exigir algo dele?

Ela se levantou e andou calmamente, quando chegou perto pegou-o pelos cabelos e puxou com força para trás fazendo-o deitar bruscamente na cama enquanto chegava bem perto de seu rosto com um olhar feroz:

-Escuta aqui seu mimadinho de merda. – Sussurrou em seu ouvido. – Eu não tenho tempo nem paciência para o seu teatrinho de garotinho doente! Antes de desmaiar você disse que estava aqui em Hogwarts por mim. Depois fui interrogada pela diretora Medeia sobre tudo. Eu não dei nenhum detalhe mas se não me contar agora o que está acontecendo, eu juro que volto lá e digo para ela sobre seu comportamento estranho e você vai se entender com o Ministério da magia. E então o que vai ser, prefere contar para mim ou para a Diretora Medéia?

—Tudo bem eu conto! – Respondeu ele entredentes devolvendo um olhar igualmente raivoso para ela.

A garota soltou o cabelo dele que esfregou o local fazendo uma careta.

—Você tem sorte que estou fraco por ter ficado vários dias desacordado, senão seria seu fim. – Vociferou o garoto.

—Para de choramingar e vá direto ao ponto, meu tempo livre é curto e não quero desperdiça-lo todo com você

—Tudo bem! Sente mais perto, não posso correr o risco de deixar outras pessoas escutarem.

Ela puxou a cadeira para mais perto e ficou encarando-o e batendo o pé no chão impaciente.

—Pode começar. – Ordenou ela.

A contragosto ele começou a falar:

— Genituram autem Unionis. – Disse ele.

—O que isso significa?

—É latim, significa União de gêmeos. É um evento raro, geralmente acontece com famílias que no passado foram amaldiçoadas por ter envolvimento com magia negra. Quando a mãe engravida de gêmeos um absorve o outro ainda no ventre, e ao invés de dar á luz a dois bebes apenas um nasce. Devido a isso muitos pais demoram a perceber que o filho nasceu com a maldição: duas pessoas dividindo e disputando o mesmo corpo. Quase sempre as consequências são desastrosas e por isso quando detectado no início da infância uma sequência de feitiços são feitos até que um só permaneça, aquele que for mais forte. São casos muito raros, porém , já ouvi falar de um ocorrido onde de um dos dois ficou tão atormentado que acabou enlouquecendo e explodindo a própria cabeça com um feitiço.

—E porque seus pais não recorreram as medidas necessárias, até que um de vocês permanecesse como era exigido? – Perguntou ela olhando-o desconfiada.

— Meus pais levaram um tempo para tomar a decisão, afinal, os dois eram seus filhos e qualquer pai ou mãe ficaria arrasado em ter que fazer essa escolha. Independente de qual seja as condições. Quando finalmente decidiram contar para o Ministério e tomar os procedimentos adequados eles notaram que ele era mais forte, mas também era uma criança sádica e problemática, com atitudes que os assustavam. Se deixassem isso acontecer, com certeza eu perderia a batalha e eles correriam o risco de ter um psicopata como filho.

—Nunca ouvi falar sobre essa maldição. – Ela ainda o mirava incrédula.

—Não é algo que você encontre em muitos livros. E os poucos casos que existiram são classificados como altamente sigilosos. Se o Ministério descobrisse, nos perseguiria e pensariam que minha família ainda está ligada a magia negra. Foi por isso que nos mudamos de volta, meus pais têm medo que descubram minha condição. Em minha antiga escola, quando começaram a notar algo estranho acabamos saindo do país e mudando para cá

—O que tudo isso tem a ver comigo? Você... ele, um dos dois falou meu nome!

—Realmente não sei. – Disse ele com sinceridade. – O que eu sei é que quem falou com você foi o Matt.

—Matt?

—Como eu expliquei, gêmeos que se absorvem acabam dividindo o corpo. Aquele foi um dos raros dias em que ele conseguiu o controle, realmente não me lembro de sequer ter falado com você.

—E porque vocês têm tanto medo que ele fique no controle? Ele já não é uma criança pode ter mudado.

—Porque ele é extremamente agressivo e sempre teve uma atração por magia negra. Quando tínhamos cinco anos me encontraram no quintal de casa sem saber onde estava com meu gato morto no colo. Aos onze quando entrei para escola de Magia e ele começou a se mostrar mais forte que eu, por um ano inteiro ele tomou o controle e coisas terríveis aconteceram. Foi então que meus pais encontraram uma saída: com algumas poções nós o mantemos fraco e “adormecido” para que eu possa viver normalmente e no controle.

—Então eles escolheram o filho bonzinho. – Disse ela com um riso debochado.

—Pense como quiser, ninguém quer um bruxo das trevas na família, ainda mais agora em tempos de paz.

—Como você se sente com isso?

—Eu odeio essas poções, elas me fazem sentir um certo mal-estar. Porém, quando resolvo diminuir as doses acontece o que houve aquele dia ou até pior. Eu ainda nem sei o que ele pode ter feito, fiquei um dia inteiro fora de controle e não me lembro de nada.

—É muita informação para absorver. – Disse ela pensativa.

—Não me importo se você acredita ou não, só mantenha em segredo. Se o ministério ficar sabendo meus pais serão presos por terem ocultado isso e nem sei o que fariam comigo.

—Seu segredo está a salvo comigo, pode confiar sempre mantenho minha palavra. Quando você sair daqui eu quero saber mais sobre isso, está se revelando alguém muito mais interessante do que eu imaginava Matt Wood.

—Mathew por favor. – Corrigiu ele. – Matt é como Ele gosta de ser chamado.

—Como quiser. Mas é com ele mesmo que eu estava falando.

Ele a olhou confuso, não sabia se era brincadeira ou se ela realmente estava falando com Matt. Devia ser sério, ela não era o tipo de garota que fazia piadas. Pensar que ela realmente pudesse estar gostando de sua maldição o deixava extremamente perturbado.

Ela se levantou devagar, se aprontando para deixar o local.

—Hey, obrigado por ter me ajudado. – Agradeceu o garoto, dessa vez com sinceridade.

—Não foi nada.

—Quer sair qualquer dia desses? Gosto de garotas agressivas,é o mínimo que me deve depois de quase arrancar meus cabelos. – Perguntou com um sorriso maldoso, sabendo que suas palavras a tirariam do sério.

—Não estou com tanta pena assim para aceitar. A historinha da infância transtornada não funcionou comigo!

Ele riu diante da resposta e ela deu-lhe as costas saindo da enfermaria.

Ágata caminhou pelo corredor vazio em direção ao salão principal para almoçar. Tom que durante a visita dela á Mathew estava quieto do seu lado, resolveu se manifestar:

— Está pensando no mesmo que eu?

Ela o olhou balançando a cabeça em concordância:

—Precisamos acordar o Matt!

Pensar em ter alguém tão raro como ele em seu grupo já a deixava extremamente empolgada, como uma criança ganhando uma boneca nova para brincar. Mais tarde naquele mesmo dia, ela dividiu toda a história com os colegas e quando terminou todos ficaram espantados.

—Uau! Essa história é muito intensa, quem diria que o Mathew era amaldiçoado. – Alex estava aturdido com o que a garota acabara de revelar.

—Eu não vejo como uma maldição, na verdade é uma benção. – Disse Malfoy com a excitação transparecendo na voz.

—Como assim? – Questionou Darla.

—O Mathew é um imprestável, só pensa em Quadribol e coisas fúteis. Mas o Matt parece ser como nós, segundo o que Mathew contou ele é o mais forte dos dois no quesito magia. Ele é um dos nossos!

—Você quer despertar o gêmeo do mal? — Perguntou Lizzie incrédula.

—Eu não o rotularia. – Disse revirando os olhos. – Você acha que somos más pessoas por termos um ideal e uma aspiração diferente da maioria?

—Claro que não. – Respondeu a menina rapidamente.

—Para Matt deve ser a mesma coisa. Sem contar que antes de perder a consciência ele disse que veio por mim, provavelmente se sentiu atraído pela presença...digo pela magia que o diário carrega. – Ela quase contara sem querer sobre Tom.

Por sorte ninguém percebeu, já tinham novas perguntas:

—Como você pretende fazer isso? – Perguntou Lizzie.

—Aí é que vocês entram! Como Alex divide o dormitório com ele, vai descobrir que poção é essa que ele toma para enfraquecer o Matt, Darla vai fazer uma versão bem mais fraca da mesma poção para trocarmos os frascos.

—E nós em que podemos ajudar? – Perguntou Rosie animada.

—Vocês vão colar nele, mais do que de costume, vão descobrir do que ele gosta e o que faz nas horas vagas, enfim, tudo o que for possível para que eu consiga me aproximar e ganhar confiança.

—Achei que não quisesse ter nenhum tipo de contato com ele. – Comentou uma das gêmeas.

—Quero me aproximar para convencê-lo a aceitar o Matt. Se ele concordar teremos os dois conosco. Se não aceitar vamos trazer Matt a força e ajudá-lo a se livrar do irmão.

Finalmente todos entenderam parte do plano. Se olhavam entre si quietos, já não havia mais o que falar depois do que Malfoy disse. Estavam apreensivos e com uma ponta de medo. Uma coisa era se vingar de alunos que se metiam com eles, outra bem diferente era lidar com uma maldição daquele nível e mudar a vida de uma pessoa. Logo uma das gêmeas quebrou a tensão que se instalara:

—Quer dizer que se fossemos amaldiçoadas poderíamos ser uma só. – Refletiu Rosie olhando para a irmã.

— Você se vestiria melhor se dividíssemos o corpo. – Respondeu Lizzie provocando.

—E você teria um cérebro! – Retrucou a outra começando a levantar a voz.

—Se acalmem já, as duas! – Ágata repreendeu. -Não suporto suas briguinhas tolas, olhando para vocês fico grata por não ter irmãos.

As duas ficaram quietas, miravam-se com raiva, mas não se atreviam a falar mais nada, tinham medo que Ágata pudesse se irritar com elas mais uma vez.

Algumas semanas se passaram e Mathew recebeu alta. A diretora havia colocado o professor Sander’s para ficar quase o tempo todo de olho nele e em Ágata, sempre desconfiada que ambos haviam escondido alguns detalhes no dia em que o garoto passou mal.

Mathew por sua vez, passou a evitar a Malfoy ou qualquer um de seus amigos. Desde que contara a ela sobre a maldição de sua família tinha receio de que ela voltasse a tocar no assunto. Não era algo que ele ficava à vontade em falar, e sabia que se ela o encurralasse teria métodos bem agressivos para fazê-lo contar mais sobre.

Ágata, porém, tinha outras coisas na cabeça além da maldição do garoto. Com a maratona de estudos para os N.O.M’s ela quase não tinha tempo de ficar a sós com Tom ou de ir atrás do próximo objeto que a bússola de Salazar indicava. Apesar de não poder falar muito com Riddle, a presença dele sempre estava lá, silencioso, observando-a durante suas atividades. Ás vezes ao acordar pela manhã ela jurava sentir um toque percorrendo seus cabelos, mas quando abria os olhos não havia ninguém, então se convencia de que era coisa de sua cabeça. “Tom jamais demonstraria algum afeto, ele é apenas uma memória presa no diário”, ela pensava tentando colocar seus sentimentos em ordem.

O início do inverno chegou e com ele as baixas temperaturas fazendo com que os alunos passassem menos tempo lá fora e mais tempo recolhidos dentro do castelo deixando todos os locais tumultuados. Ás vezes alguns se arriscavam saindo para caminhar no lago, mas logo voltavam correndo para se abrigar das geladas chuvas que caíam constantemente. Pirraça em compensação aumentava o número de pegadinhas: virava baldes de água gelada nos alunos quando estes entravam para se abrigar da chuva, bombas de bosta estouravam misteriosamente por todos os lados, parece que até o Poltergeist ficava entediado em tempos de chuva e frio.

Em um desses dias de início de inverno, algo raro aconteceu: Malfoy e os amigos estavam reunidos nas arquibancadas, rindo e até torcendo para seus colegas da Sonserina durante um jogo de Quadribol. Ela nunca se misturava com a multidão, muito menos para assistir um jogo que segundo ela era praticado por babacas amadores. Mas ali estava, envolta em um cachecol prata e verde demonstrando seu apoio no jogo da Sonserina x Corvinal.

—VAI MATHEW! – Rosie gritou quase dentro do ouvido de Alex enquanto olhava o rebatedor em campo fazendo questão de demonstrar seu favoritismo pelo sonserino.

—Acho que fiquei surdo. – Reclamou Alex colocando a mão na orelha esquerda enquanto se afastava tentando ficar longe dos berros da amiga.

—Você não devia estar com a outra torcida? – Questionou Ágata enquanto olhava para a loira, que mesmo vestida com as cores da Corvinal decidiu se sentar junto com a torcida contrária.

—Minha mente é da Corvinal, mas meu coração é todinho do Mathew. – Disse sorrindo enquanto aplaudia o menino que havia acabado de bater com força em um balaço mandando- o para longe ao encontro de um jogador do time adversário. –Se isso significa ficar na torcida adversária, que assim seja.

— Devia pelo menos ter colocado outra roupa. – Reclamou Lizzie, que apesar de ser da Grifinória se encontrava vestida de verde dos pés à cabeça e torcendo fanaticamente por Mathew também.

— Para ficar parecendo um brócolis loiro igual a você? Não muito obrigada.

Darla, Alex e até Ágata riam da briga das duas esquecendo-se de prestar a atenção no jogo. Normalmente Malfoy daria uma bronca que silenciaria as gêmeas, porém a chegada do inverno a deixava de bom humor. Era a época que ela ia para casa e o pai tirava alguns dias de folga para passar o Natal com a família. Uma das raras vezes no ano em que ele tinha tempo disponível para ela.

Outro motivo de estar no jogo era para tentar se aproximar de Mathew, ganhar a confiança do garoto e dar um jeito de despertar seu gêmeo do mal. Ela havia sido muito rude com ele, e agora precisava achar uma forma de se aproximar sem deixá-lo desconfiado de suas intenções. Ir ao jogo era sua última saída, já que ele praticamente fugia quando a via.

O pomo foi capturado e o jogo terminou com a Sonserina vitoriosa. Rosie saiu correndo feito uma louca para o meio do campo com a irmã logo atrás. Mathew quando as viu se preparou para correr com um olhar de pânico, mas as duas foram mais rápidas e se jogaram nos braços dele ao mesmo tempo. Com o impacto os três foram ao chão, em uma mistura de cabelos loiros e um Mathew soterrado embaixo das duas. A cena acabou arrancando gargalhadas dos alunos e do time que tentava sair de campo.

-Garotas por favor não me envergonhem. – Reclamou a Malfoy chegando logo atrás.

Mathew se levantou limpando sua roupa que agora estava cheia de grama.

— Podia ter segurado elas antes de resolverem me atropelar! – Reclamou ele.

— Só queríamos cumprimentar o jogador mais lindo e mais talentoso da casa. – Lizzie sorria para ele com uma folha presa no cabelo.

—Menos Lizzie, ele nem é tudo isso. – Retrucou Ágata de forma maldosa e rindo ao ver a reação do outro.

— Hey! Eu sou o melhor, antes de entrar no time a Sonserina havia perdido quase todos os jogos. – Respondeu ofendido.

—Tão bom como jogador e tão covarde como garoto.

Ao ouvir isso Alex e Darla começaram a se afastar em direção ao castelo puxando as gêmeas a força com eles e deixando Malfoy sozinha com o garoto no campo. Eles sabiam que era uma deixa para que ela pudesse encurralar Wood e conversar.

— Essa sua forma de me parabenizar pelo ótimo jogo é muito estranha. – Disse ele irônicamente. – Porque me chama de covarde?

Começaram a caminhar em direção ao castelo em passos lentos, afastados dos colegas que já estavam bem a frente.

— Acha que não tenho percebido que você vem me evitando desde a nossa conversa na enfermaria? O que foi Wood, está com medo que eu te obrigue a falar novamente?

—Sabe o que eu acho? – Disse ele parando bruscamente e ficando de frente para a menina, com o rosto quase colado ao dela. –Acho que você está com saudade de me ver implorando para sair com você. Reconsiderou a proposta é?

Dizendo isso se aproximou mais ainda, seus lábios quase tocando os dela. Imediatamente ela o empurrou com força para longe.

—Prefiro beijar um trasgo do que sair com você Mathew!

—E quem estava falando em beijos? Eu sabia! Aí no fundinho desse coração de gelo tem uma garotinha que escreve Sra Wood dentro de um coração no diário. – Ele continuou provocando e se divertindo com o olhar de fúria da garota.

—Por um momento achei que pudéssemos ser amigos, mas você sempre me prova que tenho razão em te achar um idiota! – Ela apertou o passo fazendo- o correr para alcançá-la.

—Espera. – Ele pediu segurando-a pelo braço e fazendo-a parar de caminhar. – Me desculpa, vamos recomeçar.

—Mais uma vez? – Dessa vez ela riu com sarcasmo. – Toda vez que brigamos tentamos recomeçar e ser amigos, e sempre acaba em uma nova briga.

—Acho que só funcionamos assim, eu te irrito, você arranca meus cabelos e todo mundo fica feliz.

Ambos riram lembrando-se da visita de Ágata quando ele estava na enfermaria.

—Falando nisso, como você está? – Perguntou ela tentando abordar o assunto sutilmente.

— Estou bem, mesmo tendo que lidar com a Medeia me perseguindo, meus pais preocupados e toda a pressão dos exames.

— Se serve de consolo, ela também colocou o Sander’s atrás de mim. Anda desconfiada porque fui a primeira a te encontrar aquele dia.

— Faz algum tempo que estou pensativo sobre o que me disse, que antes de cair desacordado ele falou com você.

—É algo que também me tira o sono, gostaria de entender mais sobre vocês.

— Ás vezes tenho vontade de parar com essas poções, para entender tudo melhor também. Mas não sei como ele vai reagir, faz muito tempo que mantemos ele enfraquecido, tenho medo de perder o controle e não conseguir voltar.

— Quer um conselho de uma observadora imparcial e sem nenhum interesse no assunto? – Perguntou ela séria.

—Pode falar menina Malfoy.

—Deveria "abraçar" esse seu lado negro!

—Não entendo... – Ele começou a ficar nervoso enquanto olhava para os lados, certificando-se de que ninguém estava por perto ouvindo-os.

—Não é errado nem vergonhoso ter um lado negro na família, ao contrário te faz mais poderoso. Ao invés de transformar Matt em um inimigo deixando- o adormecido e ficando sempre com medo de que ele tome o controle, porque não aceita esse seu lado? Conviva com ele.

— Ninguém iria se aproximar de mim, eu ia começar a agir de forma bem estranha, acredite.

— Você poderia se surpreender com o número de pessoas que tem orgulho de ser descendentes de bruxos das trevas e te achariam interessante.

— Você é uma dessas pessoas?

—Sinceramente? Sim! Sou orgulhosa de vir de uma família de ex Comensais. Toda história tem dois lados, e não existe lado “errado” só uma parte da história que não foi devidamente contada.

—Olha só, Ágata Malfoy não é só frieza e ofensas, ela também sabe fazer os colegas se sentirem melhor.

—Não estou dizendo isso para que você possa dormir melhor a noite. – Retrucou ela. – Estou dizendo isso porque é a coisa certa a fazer, é o melhor para você e para ele. Está na sua cara que você não concorda que Matt é um inimigo. Ele te faz mais forte, porque não abandona a mediocridade e o liberta de vez?

—Não vou mentir, você faz parecer que é o melhor a se fazer.

—Não trate isso como uma maldição. – Ela colou a mão carinhosamente em seu rosto. – Não é ruim ser diferente é isso que te destaca, o Matt te faz especial.

— Vou pensar em tudo o que você está me dizendo, eu prometo.

—Quando decidir fazer a coisa certa me procure, teremos muito o que conversar.

Dizendo isso ela adentrou o castelo deixando para trás um Mathew pensativo e confuso. Ele levara anos se convencendo de que fazia a coisa certa, e ela destruiu tudo em alguns minutos de conversa. Aquela garota era intensa!

Chegou em seu dormitório, pegou no malão todos os frascos com a poção que tomava diariamente para manter Matt adormecido e jogou pela privada. Não tinha certeza se estava fazendo a coisa certa, mas estava cansado do desconforto que os efeitos colaterais lhe causavam, e a conversa com a garota o tinha encorajado.Se arrumou e desceu para jantar no salão principal. De longe observava a pequena Malfoy conversando com as amigas, quando ela o viu encarando-a respondeu com um aceno sorrindo. Ela nunca o havia tratado assim! Ele queria mais, queria conhecer esse lado dela, também queria fazer parte de seu círculo de amigos cuidadosamente escolhidos, afinal ele era especial, era diferente e queria mostrar isso a ela.

Ágata por sua vez observava Mathew olhando-a com aquela cara de abobado que a maioria dos garotos fazia quando ela passava. Fora tão fácil entrar na cabeça dele, nem precisou concluir seu plano de trocar seus frascos de poções e trazer o outro á força.Esperava que sua outra versão fosse mais inteligente. Feliz da vida ela acenou para ele que retribuiu sorrindo.

Se arrependia de não ter levado o diário com ela, queria que Riddle tivesse visto e ouvido toda a conversa, mas não podia correr o risco de perder o diário em meio ao fluxo de alunos presentes no jogo. Ela precisava pensar em uma forma de transfigurar o diário em algum objeto que pudesse levar aos lugares com mais facilidade, um anel ou um colar talvez. Mas isso era um detalhe que ela poderia pensar melhor depois! Naquele momento o que importava é que ela teria muito o que contar para ele. Tomou seu suco de abóbora, enquanto pensava no quanto Tom ficaria orgulhoso dela.

Mathew estava terminando o jantar quando começou a se sentir mal de novo, suas mãos tremiam, e ele começou a suar frio. Antes que acontecesse algo ali no salão principal na frente de todos, ele se retirou e andou apressado até as masmorras para se recolher ao seu dormitório.

Foi ao banheiro, talvez a água fria o ajudasse a sentir melhor. Molhou o rosto e ao levantar a cabeça para secar mirou- se no espelho e tomou um susto quando seu reflexo falou com ele:

—Olá irmão! Devo agradecer a linda Malfoy por eu conseguir estar aqui depois de tanto tempo? – Perguntou com um sorriso torto e um olhar de quem estava se divertindo.

Notas finais
Gostaria de saber o que estão achando da história me contem, please! Prometo que não mordo e respondo a todos haha! Críticas construtivas são muito bem vindas. O que vocês mais tem gostado e o que esperam ver nos próximos capítulos?