A última Batalha
15 Felizes Para Sempre
A reserva quileute estava em festa. Não que eu tivesse visto alguma coisa. Alice me mantinha presa em seu quarto, na mansão dos Cullen.
\"Alice!\"
\"Não reclama.\"
Ela fazia questão de preparar tudo. O que eu achava uma bobagem. La Push era linda, e eu preferia que tudo fosse muito simples. Mas simples é apenas mais um estilo fashion para Alice. O simples de Alice é bem diferente do meu simples.
Bella me olhava da porta. Ela sabia exatamente o que eu estava sentindo. Ela fora cobaia de Alice antes e sabia do que ela era capaz. Mas eu não podia reclamar. Alice era perfeita.
O carro estava nos esperando. Edward, um cavalheiro, me conduziu juntamente com Alice até a praia quileute, que agora havia dado trégua aos limites do acordo. Os Cullen e os quileute podiam cruzar a linha quando bem entendessem, desde que mantivessem o trato inicial. Ninguém mais seria transformado. Bella fora a última.
Ao chegar na praia, percebi como as coisas estavam. Era tudo imenso e lindo. Alice preparara tudo com muito esmero. Havia cadeiras brancas com mesas por toda a parte, muitos tecidos brancos esvoaçantes e flores brancas também. Havia até um barco, muito romântico, à beira da praia, onde serviria de altar para o ancião da tribo.
Altar.
Como eu me imaginaria nesse momento?
Eu, que era sozinha no mundo, sem família, há tanto tempo vivendo às minhas próprias custas? Eu, realizando um sonho importante, que não seria descrito nos livros? Eu estaria me casando com Seth.
Eu seria Lisa Clearwater.
E lá estava ele, tão lindo, tão perfeito, me esperando ao lado de Billy Black e do velho Quill. Infelizmente, seu pai não estaria ali. Mas sua mãe, Sue Clearwater, estava lá, ao lado de Charlie.
Seríamos todos uma família só.
Eu e Seth, Leah seria minha cunhada. Sue, minha sogra, que em breve se casaria com Charlie, o pai de Bella, agora uma vampira e mãe, pertencente à família Cullen.
Finalmente, lobos e vampiros não só conheceram uma trégua, como também fazem parte de uma única família. Que pode e deve ser uma família feliz.
Seth contribuíra para isso, tornando-se o melhor amigo de Edward, no episódio com a vampira Victoria.
Mas eu sentia mais orgulho ainda por ser a responsável por essa união. Se eu não tivesse enfrentado a tudo (quase pondo tudo a perder, assumo, mas por amor), talvez as famílias não tivessem se unido unicamente pelo casamento de Sue e Charlie.
E eu estava feliz. Radiante, até.
Mais do que isso: eufórica.
A única família que eu tinha era Mary Poppins.
E ela fora ao meu casamento com Seth. Ela era minha madrinha, e estava lá, ao lado de Seth, me esperando.
\"Querida, essa é a última vez que nos encontramos. E eu quero que você seja imensamente feliz!\"
\"Obrigada, Mary Poppins. Eu estou feliz. Mas falta entregar-lhe uma coisa.\"
De dentro das flores de meu buquê, tirei o pequeno cordão, onde pendia o camafeu. O ergui, para que o sol, tão raro naquela cidade, pudesse iluminá-lo. Seu reflexo atingiu o rosto de Mary Poppins, que sorriu.
\"Fique com ele. Como lembrança.\"
\"Não, fique com ele a senhora. Eu não poderei mais voltar, nem a senhora poderá vir aqui de novo. Então, fique com ele, para que lembre-se sempre de mim.\"
Mary Poppins segurou o camafeu e o pendurou em seu pescoço, junto com o outro.
Nos abraçamos, finalmente. E então, ela se foi.
Mary Poppins não poderia mais estar ali. Bella não narraria mais a história. A história terminaria com seu final feliz, junto a Edward e sua filha. E eu teria meu final feliz. Uma vida inteira pela frente para viver ao lado do meu marido, Seth.
Quanto a Mary Poppins, restava-lhe ler e reler os capítulos finais do livro Amanhecer, onde ela poderia ver os últimos momentos de minha vida. E então o meu feliz para sempre.
Eu jamais esqueci Mary Poppins. Não fosse por ela, eu não teria vivido os melhores momentos de minha vida, com as melhores pessoas que eu já vi no mundo, e nem me apaixonado pelo Seth querido.
E hoje, vivo aqui, na reserva Quileute, com meu lobinho cor de areia. Feliz demais. Para sempre.
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