A Única Exceção do Rei
26 Racionalidade Dói
Notas iniciais

— Não está entendendo a gravidade da situação. — Thranduil disse, sua voz soando abafada, mas ainda assim muito clara. — E eu não tenho que lhe explicar nada.
— Não tem? — Légolas rebateu um tanto nervoso. — Me deixa um reino inteiro para governar sozinho sem mais explicações e some por meses! Ada, isso não combina com você; por favor, preciso entender o que está havendo! O reino inteiro está atrás do senhor, seus súditos desesperados, seu trono abandonado...
— Pensei que estava preparado para assumir. Confiei em você, íon. O criei para isso, para governá-lo em meu lugar quando eu partisse.
— Mas não assim, sem mais nem menos! O senhor nem me deixou uma carta, um aviso, um sinal de que estava tudo bem. Apenas desapareceu. E sabe o que aconteceu?
— Não use esse tom de voz comigo! — Thranduil irritou-se com o filho.
— O reino está sendo invadido por orcs, Thranduil. — Elrond interveio. — Recebi um comunicado de Légolas. Estava perto de Gondor, e vim até ele para ajudá-lo a descobrir onde estava.
— Os demais souberam do seu abandono. — Légolas esclareceu. — Então resolveram atacar, achando que o reino estava desprotegido por não tê-lo governando-o. Eu não consigo simplesmente aprender meu ofício de rei e proteger meus súditos tudo de uma vez.
— Não seja fraco, Légolas. Fiz exatamente isso quando meu pai morreu, e você poderia fazer o mesmo! — Thranduil exclamou e houve um minuto de silêncio. Provavelmente Légolas sentia-se traído pelo próprio pai. Não pensei em sua lástima uma vez sequer ao perdê-lo, certamente ele estava desesperado atrás de Thranduil. Aquelas palavras atingiram-me como um soco no estômago, que percebi realmente doer. Eu não ousava me mexer na cama mais do que o necessário, meu corpo ainda reclamava intensamente de dor e eu queria poder ouvir mais.
Alguns minutos depois Thranduil recomeçou:
— Eu estava voltando. Eu e ela, na verdade. Combinamos a algum tempo apenas, queríamos ficar à sós. Claro que eu não abandonaria meu reino por muito tempo, não sou tolo dessa forma!
— Thranduil, eu acho que prefiro ficar de fora disso. — Elrond esclareceu. — Mil perdões, Légolas, mas seu pai não está com a consciência plena. Analise o que aconteceu naquele quarto...
— Nenhuma palavra sobre isso! — Thranduil enfureceu-se. — Me traia dessa forma e eu espalharei seus maiores segredos.
Eu não via as expressões de nenhum dos elfos, mas podia jurar que Elrond ficara pálido naquele momento, pois nenhum som foi ouvido após isso.
— Realmente conheces muito sobre meus segredos, Thranduil. — Elrond rebateu minutos depois com uma voz pacífica. — Por isso, e por lhe respeitar como amigo, jamais pronunciarei uma palavra sequer do que aconteceu aqui. Mas, como último conselho que lhe dou: tome vergonha! Ela é apenas uma menina, e você passa do quarto milênio! Pelos céus, estás perdendo a razão?
— E você está com inveja! — Thranduil disse e eu tive que me segurar para não rir. — Está com inveja porque sei que gostaria de ter alguém novamente, e não tem coragem de...
— Nem mais uma palavra! — Elrond se estressou. — Mil perdões, Légolas, mas preciso ir. — Escutei a porta de entrada ser aberta e fechada num baque estrondoso.
Légolas e Thranduil permaneceram calados e minha mente fervilhou. Não sabia que Thranduil possuía segredos tão íntimos de Elrond, mas me tranquilizei ao perceber que nenhuma história seria contada por ele sobre o que acontecera aqui.
— Prometi algo a ela. — Thranduil recomeçou com a voz fria. — Que seria minha rainha.
Adoraria ver a expressão de Légolas nesse momento e apostaria em seu espanto, mas ele respondeu o pai com a voz mais doce que já ouvi em toda a minha vida.
— Posso ver o quanto gostas dela, Ada. — Ele esclareceu. — Mas ela é humana, uma plebeia, mortal, e você... bem, uma vez me disse que nem em meus mais belos sonhos poderia desposar uma plebeia. — Sua voz saiu cheia de sentimentos nesse momento.
— Não se espelhe em minhas atitudes, você terá o melhor. — Thranduil respondeu e aquilo me atingiu como uma flecha em meu peito, despedaçando cada parte dele que há pouco lhe declarou todo o amor que sentia.
Filho de uma...
— Não entendo porque diz isso se sente...
— Légolas! — Thranduil repreendeu o filho. — Apenas não!
— Como pode querer casar-se com ela espalhando por aí que esse tipo de coisa é repugnante para os outros? — a voz de Légolas se alterara. — Tens consciência de que não pode amá-la outra vez!
— Eu a prometi, e cumprirei! E basta a você entender isso.
— O reino pensará que o senhor está ficando menos rígido, Ada. Nos atacarão mais e mais, a espécie ficará fraca se começar a se juntar a humanos. Não que eu me importe com isso, sabe que eu acho que os humanos dominarão a raça na terra.
Thranduil suspirou alto, e me contive para não chorar. Conclusões e mais conclusões se formavam em minha mente.
— O que quer que faça? Fiz dela minha mulher, e assim tenho que cumprir. Não és tão ingênuo, sei que entende — o rei elucidou um tanto irritado.
— Cumpro com sua promessa...
— Como é?
Como é? — eu entendi direito?
— Caso-me com ela e cumpro com sua promessa. — Légolas afirmou. — Sei que, provavelmente, vocês dois já...
— Légolas!
— Escute, Ada! Caso-me com ela se preciso for, eu não me importo. Mas o senhor não pode amá-la! Não fará ela feliz, e quase a matou deixando-a desprotegida aqui. Acha que conseguirá prosseguir assim? — estava a ponto de vomitar mais uma vez ao ouvir aquilo. Ele estava falando sério?
Eu tinha que intervir de alguma forma. Não me casaria com Légolas pelos erros que eu e Thranduil cometemos. Mas ele era muito gentil ao propor aquilo, Légolas amava seu pai a ponto de fazer qualquer coisa para esconder seus erros.
Ouvi a porta abrir e Légolas entrar devagar. Encontrei meus olhos com os dele, desesperados, ansiosos, tristes e confusos. Ele não precisava se preocupar, entretanto. Se Thranduil não pudesse se casar comigo, ele também não o faria em nome do pai.
— Senhorita, eu não tinha consciência de que se encontrava desperta...
— Não...- Eu não esperei o príncipe terminar as suas desculpas antes de iniciar o que eu sabia que seria uma conversa desastrosa. – Não é necessário formalidades, nem desculpas. Eu ouvi tudo.
Percebi o desconcerto nos olhos de Légolas. Ele era tão parecido com Thranduil que a visão me fez sofrer antecipadamente. Sei que as minhas futuras palavras iriam feri-lo, contudo não me importei. Que ele me perdoasse pela grosseria.
— Senhorita... – Continuou Légolas após recuperar-se e ignorando o meu pedido. – Se ouviu a conversa entre meu pai e eu, sabes que o que pretendo fazer é para o bem do reino de meu pai e para o seu bem. Estou disposto a torna-la minha esposa e poupa-la de qualquer constrangimento para com os seus.
Será que ele ouvia a si próprio quando pronunciara aquilo? Era um total absurdo! Não ficaria sendo jogada de mão em mão no meio desse emaranhado entre pai e filho, rei e príncipe.
— Sei que suas intenções são boas e que deseja nada a mais senão poupar seu próprio pai. – Tentei sorrir para ele, que se encontrava tão próximo à mim que me senti tentada a observá-lo com mais cautela. – Mas estou declinada a rejeitar a proposta.
Joguei os lençóis para o lado e tentei me levantar, mas cambaleei assim que forcei as pernas a me erguer.
— Senhorita! – Legolas correu para me segurar. – Precisa ficar em repouso, perdeu muito sangue...
Sentada sobre a cama vendo o quarto girar e com um embrulho no estomago, eu procurei os sapatos com os pés e me atrevi a baixar para calça-los, Legolas gentilmente me ajudou mesmo protestando. Eu sentia dor, não só nas entranhas, mas também no meu coração. Eu já havia decido, não ficaria mais ali participando de um conto que antes foi encantado, pelo menos para mim, todavia, todo encanto um dia se extinguirá.
— Obrigada pela sua gentileza. Será que pode me ajudar a levantar? – Pedi ao elfo enquanto assistia as pernas tremerem.
Ele rejeitava o meu pedido com seus belos olhos azuis, tão belos quanto o de Thranduil. Ele tinha os mesmos traços do rei, mas era tão delicado com as suas palavras e atitudes que por um milésimo de segundo me senti frustrada em saber que havia lidado com o elfo errado todo esse tempo.
Mesmo não concordando Legolas me ajudou a levanta-me e caminhar. Quando cheguei na sala Thranduil se mantinha contemplando a janela perdido em pensamentos que pela sua expressão deduzi que eram dolorosas.
— Ada, convença-a que deve voltar para o leito. – Legolas fez Thranduil despertar ainda me conduzindo pela sala com destino para porta.
— Mas o que ela está fazendo de pé? – Ele caminhou apressado até nós e tentou tomar-me dos braços de Legolas.
— Não encoste em mim! – Protestei zangada.
— Mas o que... Por que?
— Nem tente, Thranduil! – Interrompi. – Eu não serei uma marionete na sua mão e na do seu filho. – Livrei-me dos braços de Legolas um pouco agressiva. – Eu ouvi toda a sua conversa. Acha que eu ficarei aqui e me tornar como uma concubina do rei e depois do príncipe?
A expressão de Legolas e de seu pai eram de puro espanto.
— Vocês dois em algum momento pararam para pensar em como eu me sentiria diante desta proposta insana e vulgar? Nem se quer tiveram a bondade de me perguntarem sobre o que penso disso tudo.
Comecei a chorar. Thranduil tentou se aproximar de mim para me acalmar como sempre fazia, por um momento desejei ter as mãos dele em meu rosto, seu abraço, seu afago. No entanto, eu o empurrei antes que caísse na tentação.
— Melrise, eu quero que sejas a minha rainha, foi a proposta que lhe fiz e ainda está de pé. Você aceitou, lembra? Case-se comigo. — Ele me falava beirando ao desespero, enquanto Legolas observava atônito. — Não dê ouvidos à Légolas, não há motivos para ele tomar meu lugar, e eu já deixei isso claro.
— Volto atrás com a minha resposta.
— Como é? — Thranduil assustou-se.
— Não me casarei com você, Thranduil. Só aceitei porque descobri que não poderia continuar sozinha sob as minhas condições, sozinha e passando fome em Esgaroth ou em qualquer outra parte, grávida. – Thranduil trocou suas feições gentis para decepção diante da minha revelação. E eu continuei após contempla-lo por instantes. – Pensou mesmo que eu aceitaria me casar com você depois de ter me revelado que nunca, jamais iria me amar algum dia? Que só fez tudo o que fez temendo a morte iminente por causa daquele pacto de sangue inconsequente?
— Como é? – Légolas assustou-se atrás de nós, assistindo a cena curioso.
— Eu tentei explicar-lhe que nós elf...
— Pare com estas desculpas esfarrapadas e encare tudo de cabeça erguida. Já chega! Eu vou embora e nunca mais quero ver a sua cara de palmito frio em minha frente.
Deixei de corpo mole e caminhei até a porta tentando ignorar a dor que sentia. Enquanto descia os dois degraus, Thranduil me seguia tentando convencer-me a ficar, implorando que não fosse, mas o ignorei. Segui até a arvore aonde o cavalo de Legolas estava ainda selado e decidida a toma-lo para mim, segurei as rédeas e ameacei a monta-lo, no entanto, Thranduil segurou a minha mão antes do meu objetivo.
— Mel, por favor, fique! Eu nunca implorei nada a ninguém, mas a você se preciso for fico de joelhos. Preciso de você comigo. Deixe-me explica-la que as coisas não são tão ruins quanto parecem.
Meu coração doía ao vê-lo tão vulnerável daquela forma. Mas já estava decidido, eu não poderia continuar ao lado dele. Agora que não havia mais outro ser crescendo em mim, eu poderia me ajeitar sozinha.
— Não se humilhe desta forma, Thranduil. Nem parece o rei imponente que eu conheci há meses atrás.
— Precisa entender que não sou mais, pelo menos diante da senhorita. — Ele esclareceu e eu sabia que era verdade. Contudo, aquilo já fora longe demais.
— Não se preocupe, pois não terás mais a minha presença. — Atirei-lhe as palavras. – Podes voltar a governar a duras e frias mãos sem a interferência frágil e humana.
Soltei a mão dele da minha e com esforço enorme montei ao cavalo. Mas antes de dar partida rumo a um destino incerto, senti meu corpo vacilar nele e cambaleei. Por mais força de vontade que tinha em partir, ainda não estava em condições para cavalgar.
Thranduil segurou-me em seus braços e me desceu. Eu estava fraca, abatida, e sabia que mal conseguiria continuar sozinha. Mas eu tinha que ir, precisava partir e sair do lado dele e de seu filho doce e quase perfeito. Mas minhas forças se esvaíram e Thranduil me carregara outra vez para a cabana, me deitando na cama e me ajeitando por lá.
Maldição!
— Minha resposta ainda é não. — disse ao receber do príncipe um pouco de água. — Para os dois!
— Légolas, por favor nos deixe uns momentos a sós. — Thranduil pediu e Légolas saiu cabisbaixo do quarto. — Por que és tão teimosa? Não vê que não estás em condições?
— Por que insiste nisso? Não vê, Thranduil? Foi um erro! Eu não deveria ter confiado minha vida a você, um elfo frio, rude, sem coração... – chorei em meio às palavras, deixando a carne fraca contar para ele o que meu coração sentia. Eu o amava e passara a odiá-lo ainda mais nos últimos instantes.
— Acha mesmo que sou tudo isso depois de ter abandonado todo meu reino por sua causa? — ele disparou e eu sabia que minhas palavras não passavam de puro ódio. Não, Thranduil não era aquilo e eu soube desde o primeiro momento em que pude refletir seus olhos. – Depois de promete-la ser minha rainha, mesmo sabendo que posso ser julgado? Quero-a ao meu lado, não me importo com nada mais além...
— Nunca mais se humilhe desta forma, majestade. Você pode não ser nada disso, mas seu reino e seu filho precisam que você seja.
— Posso cuidar de tudo! Se fores minha rainha e me deixar...
— Não, Thranduil! Mirkwood precisa de você do jeito que era. Você precisa voltar a ser aquilo outra vez ou podem continuar tentando destrui-la. Não ouviu o seu filho? Eles estão a atacar o seu povo.
Conclui aos prantos outra vez. Era o mais sensato a se fazer naquele momento. Thranduil não podia se libertar e fugir para o bem de milhares de elfos.
— Finja que sou sua rainha nesse momento e me ouça. — Pedi, percebendo os olhos do rei marejarem. — Governe com frias e duras mãos como sempre fez. E abandone essa ideia de se misturar. Eu o compreendo mais do que qualquer coisa nesse momento.
— Ris, sei que está sendo racional neste momento, mas isso me dói.
— Me dói ainda mais, Thranduil, porque eu amo você e sei que jamais amarei outro da mesma forma. Mas meus sentimentos me levaram longe demais e se tem uma coisa que eu aprendi com você foi que não conseguimos sobreviver levando apenas sentimentos em conta. – Esclareci, tocando-o na face. – O tempo irá curar nossas feridas e fechar nossas cicatrizes. Quando perceber, eu terei partido desta vida para o desconhecido e você continuará como rei. Como sua rainha, imploro para que faça o que for preciso para cuidar das pessoas do seu reino.
O elfo concordou, suspirando e retomando seu antigo e gélido olhar.
— Certo. O que devo fazer então? – Questionou, beijando minhas mãos delicadamente enquanto permanecia prostrado diante mim.
— Volte a ser o que você era e volte para o seu posto, e me esqueça. — Conclui e vi Thranduil assentir.
O rei saiu do quarto e então pude recomeçar a chorar até cair em meu sono mais uma vez. Não sabia de onde tirara forças para lhe dizer tudo aquilo, mas fora necessário. Ele precisava voltar sozinho e colocar ordem no lugar. Aquele reino parecia carregar consigo uma maldição e precisava ser protegido por alguém forte e impiedoso como Thranduil, e eu não deixaria milhares de seus servos morrerem por causa da inconsequência de uma simples e reles humana como eu!
Sentia os lençóis macios sobre meu corpo em uma cama quente, e um sono de estalos de brasas de madeira queimando em uma lareira. Abri os olhos e vi aquele verde de seu olhar me observando com preocupação, era Kirkel sentado em uma cadeira perto da lareira pequena do quarto, um pouco distante da minha cama, me observando. Mas como ele chegara até ali? Será que Thranduil o procurara?
— Kirkel? – Forcei os braços ajudarem o meu corpo a sentar-se sobre a cama.
— Melrise? Céus, estava preocupado que não acordasse. Tem noção do quanto lhe procuramos? Seu pai está aflito, pensa que perdeu você para alguma fera naquela floresta. — Ele disparou a falar. — Sua mãe e suas irmãs vestem luto. E eu morri em meu coração, pranteei a sua perda mesmo com a esperança de reencontra-la com vida. — Kirkel disparou com notável aflição.
— Eu sou uma ingênua e peço perdão por isso. – Disse com sinceridade e lágrimas nos olhos. – Imaginei algo que só existe nos livros e contos que lia. Uma menina ingênua que se tornou uma mulher forçadamente de pés firmes.
— O que está dizendo? Fugira por fantasiar um mundo diferente em que vivíamos? – Kirkel perguntou-me com desconfiança, aproximando-se e se sentando à beirada da cama, fitando meus olhos com doçura.
— Ainda me ama? — perguntei segundos depois de milhões de respostas virem à minha mente para os seus questionamentos.
— Você sabe que eu nunca deixarei de ama-la, Melrise. Mesmo que o mundo a leve para longe dos meus braços.
— Mesmo eu não sendo mais donzela?
— Mas o quê... Quem foi o desgraçado que... — ele perguntou, mas não precisava raciocinar muito. — O rei! Céus, Mel, o que o rei da Floresta...? Você e ele? Por isso me pediu para protegê-la?
Fiz que sim com a cabeça
— Prometo lhe revelar tudo o me aconteceu depois que fugi. — Enxuguei as lágrimas que já rolavam involuntárias pelo meu rosto. – Ainda não me respondeu Kirkel. Me amaria mesmo sabendo que pertenci a ele?
— Mas é claro, Melrise. – Sem pensar duas vezes, ele disse com a voz mais doce que eu já ouvira, até mais que a de Legolas. — Sinto meu peito afogar-se em desespero ao saber que fora..., mas meu amor por você vai além de sua compreensão, acho que nunca pude lhe dizer isto. És tudo o que tenho! E eu lhe protegeria mesmo que não recebesse uma ameaça daquele elfo. — Ele esclareceu e me assustei com a atitude de Thranduil. Mas não o questionei sobre tal coisa, sabia em meu íntimo que o rei jamais me deixaria desamparada. Ficou muito claro isso em todos os nossos momentos juntos até aqui.
Cai em prantos. Kirkel me abraçou com lágrimas nos olhos também.
— Me perdoe, Kirkel, você não sabe o quanto me arrependo! – Disse aos soluços sobre os braços do meu companheiro. – Aconteceram tantas coisas.
— Você é apenas uma menina, Melrise. Ainda quero me casar com você, é o meu desejo termos uma família, sempre foi e nada mudará o que sinto por você. Amanhã mesmo falarei ao seu pai em noivado, e não precisará se preocupar em não ser mais donzela e solteira. – Ele afirmou, acariciando-me a face.
— Não me deixe, Kirkel, por favor. Não deixe que Thranduil chegue perto de mim outra vez.
— Não o deixarei. – Kirkel prometeu-me, juntando nossas mãos e beijando as minhas logo após, sentando-se ao meu lado na cama. – Vamos sair daqui, sim? Este lugar, por mais belíssimo que seja, não parece fazê-la bem.
O humano ajudou-me a levantar e abraçou-me por algum tempo antes de partirmos para a cidade. Estava desolada, mas era melhor assim, pois todo esse tempo perto de Thranduil e longe de Kirkel parecia-me um devaneio, um sonho tortuoso que finalmente estava chegando ao fim.
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