O Halloween não era uma festa comemorada seguindo as tradições. Seria difícil encontrar alguém que conhecesse a origem do Halloween, ou soubesse como é comemorada, naquele terrível pedaço de terra excluído do resto do mundo. Mas mesmo assim havia uma festa em celebração ao Halloween todos os anos.

O organizador, Sr. Alberto, decorava aquele horroroso galpão seguindo o que aprendera na igreja que o Halloween era: a festa do demônio. A música era a da moda. As pessoas, as mais desinteressantes. A não ser por aquela linda garota sentada a um canto vestindo um belo longo branco, com contas transparentes decorando toda a blusa e a barra. Os cabelos negros desciam-lhe pelas costas e ombros. Os olhos eram brilhantes como duas grandes gotas negras de chuva, e os lábios lembravam labirintos cobertos de sangue, tal era a intensidade de sua cor.

Silas não conseguia desgrudar os olhos daquela provocante figura. Ela, ao contrario, parecia não notá-lo em pé no palco tocando seu baixo. Após o termino da apresentação, o DJ tomou conta do som, e Silas foi direto ao encontro dela. Era necessário saber quem era aquela misteriosa e bela garota.

– Eu não estava procurando alguém especial, mas parece que encontrei – disse Silas chegando pelas costas dela e sentando ao seu lado. A garota não moveu um músculo: apenas o acompanhou com o olhar. Ele, notando que ela não era do tipo mais fácil, apresentou-se estendendo a mão – Silas.

– Agatha – disse a garota após um instante de hesitação. Ao estender a mão para cumprimentar Silas, o garoto a puxou e deu um leve beijo nos delicados dedos da moça.

À medida que a noite se aprofundava, seguia animada a conversa entre os dois. Silas sempre jogando indiretas. Agatha fazendo-se de desentendida.

– Essa música foi feita pra gente – disse Silas no momento que uma baladinha romântica começou a tocar.

– Essa poderia ser a nossa música se você me beijasse agora – comentou Agatha ao pé do ouvido de Silas.

Silas sorriu malicioso e beijo-a.

Ao fim da festa, Silas tentou acompanhá-la até sua casa, mas Agatha o impediu.

– Já que não existe amor à primeira vista, a gente podia se ver de novo amanhã? – perguntou Silas dando-lhe mais um beijo.

Ainda abraçados, Agatha olhou para o céu. Para a bela lua crescente que sorria marota no céu. Por alguns instantes parecia que ela fora transportada para outro mundo. Silas observava aqueles belos olhos tornarem-se o mais profundo abismo de tristeza.

– Está tudo bem? – perguntou Silas preocupado.

– Amanhã seria perfeito – respondeu Agatha recuperando a alegria de seu olhar, mas mantendo o mistério – Você vai tocar novamente, não é? – perguntou enquanto aproximava-se mais de Silas – Poderíamos nós encontrar aqui mesmo. Às 22 horas – completou.

Silas foi dormir naquela noite sentindo-se exausto, mas muito feliz por ter conhecido aquela bela, mas misteriosa garota.

Notas finais
Eu sei que tá muito ruim, mas dá um desconto. Foi uma das primeiras que eu escrevi. Se leu até aqui, deixa um review.