Notas iniciais
Eu não possuo nenhum direito sobre os personagens, mas a história veio da minha cabeça. Olá! Eu sou a Carolin, não sou escritora mas espero que vocês apreciem essa minha tentativa! Boa leitura!

Capítulo 1

Aquela foi a primeira noite em dias que Isabella dormiu sem ser interrompida durante a madrugada. Ela e o pai estavam viajando por muito tempo e havia, no mínimo, uma semana que não trocava o vestido já puído de tempo de viagem.

Ainda assim, dormiu uma noite ininterrupta até o pai a acordar delicadamente.

— Bom dia, querida. Temos que levantar, o senhor Masen está nos esperando e você precisa comer.

— Não tenho fome, papai. Estou com sono.

Disse ainda esfregando os olhos pesados.

— Mesmo assim. Eu preciso falar com o senhor e não te deixarei sozinha.

A menina virou de costas, se aconchegando ainda mais sob as mantas do estreito colchonete.

O pai suspirou, procurando uma maneira de convencer a filha a levantar.

Ouviu passos no corredor e alguém bateu a porta.

— Senhor? O senhor Masen já está a sua espera. O senhor já está acordado?

O pai xingou baixo para a filha não ouvir.

Seguiu em direção à porta de madeira, do outro lado, Félix, o rapaz da noite passada que carregava a lenha — agora conseguia ver melhor sua fisionomia, era um homem, não muito novo, cerca de 20 anos — o esperava na porta.

— Sim, me desculpe, minha filha e eu fizemos uma longa viagem e eu estou tentando acorda-la. Não quero abusar da hospitalidade e deixar que durma até tarde.

Félix olhou para dentro do quarto e viu a criança encolhida virada de costas.

— Posso chamar a senhora Hale para ficar com ela enquanto o senhor fala com o senhor Masen. Ela é a governanta da casa.

O homem voltou a olhar a filha.

— Não quero interromper os serviços.

— Ela designará alguma das criadas para vir até aqui.

O homem aceitou com um aceno.

Fechou a porta olhando mais uma vez Bella adormecida.

Alguns minutos depois, Isabella sentiu alguém acariciar delicadamente seus cabelos.

— Bom dia, pequena.

Ela abriu um dos olhos.

Uma senhora de vestido azul-escuro sorria para ela. O avental branco estava impecavelmente limpo e os cabelos presos em um coque tão perfeito que nem um único fio parecia fora do lugar.

— Seu papai precisou conversar com o senhor Masen. Pediu que eu cuidasse de você até ele voltar.

Isabella piscou algumas vezes, tentando se lembrar de onde estava.

Então seus olhos encontraram a janela.

A neve ainda caía.

Sentou-se tão depressa que quase escorregou do fino colchão.

— Ainda está nevando!

A governanta sorriu diante do entusiasmo da menina.

— Está, sim. Mas, antes de qualquer coisa, você precisa lavar o rosto.

Pouco depois, uma criada entrou carregando uma pequena bacia de água morna.

Isabella mergulhou as mãos na água e soltou um leve suspiro.

Como era bom sentir calor.

Enquanto enxugava o rosto, a governanta puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado.

— Sabe me dizer qual é o seu nome?

A menina respondeu sem hesitar:

— Isabella Marie Swan.

— Um nome muito bonito. E quantos anos você tem?

Isabella franziu a testa.

Contar os anos era sempre um pouco difícil.

Depois de alguns segundos, abriu um sorriso.

— Cztery!

A senhora arqueou as sobrancelhas.

— Oh… E o que significa isso?

— Quatro.

Sorriu, orgulhosa de saber a resposta.

— É assim que o papai fala.

— Foi ele quem lhe ensinou?

Isabella assentiu energicamente.

— E você sabe contar na nossa língua?

Ela levantou quatro dedinhos.

— Até quatro.

— E em polonês?

Os olhinhos castanhos voltaram a brilhar.

— O papai me ensinou mais.

A governanta sorriu.

— Então, um dia, você me ensina também.

Isabella concordou com um aceno tão decidido que os cachos escuros balançaram de um lado para o outro.

Nesse momento, outra criada apareceu trazendo uma bandeja.

Sobre ela havia um pedaço de pão ainda quente e uma caneca fumegante de leite.

Os olhos da menina cresceram.

— Tudo isso é para mim?

A moça riu.

— Tudo.

Isabella observou o pão por alguns instantes.

Depois o partiu cuidadosamente ao meio.

— O papai também pode comer?

As duas mulheres trocaram um olhar silencioso.

— Claro que pode.

— Então vou guardar metade para ele.

Com toda a delicadeza do mundo, escondeu o pedaço de pão debaixo do travesseiro.

Na sua cabeça, se o colchão continuava quentinho, talvez o pão também permanecesse quente quando o pai voltasse.

A criada desviou discretamente o rosto.

Sentiu um aperto inesperado no peito.

Como um gesto tão pequeno podia demonstrar tanto amor?

Mais tarde, o pai voltou usando as roupas de trabalho.

Vestia um macacão simples azul-escuro sob um pesado casaco de lã marrom. Ainda havia pequenos flocos de neve presos aos seus ombros.

Assim que entrou, Isabella correu para abraçá-lo.

— Ah! Finalmente acordou.

Ele sorriu.

— Vamos conhecer o restante da propriedade?

Os olhos da menina iluminaram-se imediatamente.

Sem dizer mais nada, segurou sua mão.

Assim que deixaram a casa, Isabella descobriu que aquela fazenda parecia não ter fim.

Homens serravam grandes troncos de madeira.

Outros descarregavam enormes sacos de farinha de uma carroça.

Mais adiante, alguns tratavam dos cavalos, enquanto dezenas de galinhas caminhavam pelo terreiro como se fossem donas de toda a propriedade.

Ela queria olhar tudo ao mesmo tempo.

Tudo parecia novo.

— Então esta é a pequena?

Um homem apareceu carregando um pesado saco de estopa sobre os ombros.

O pai sorriu.

— É ela. Estou mostrando a propriedade. Se não atrapalhar, vou levá-la até o pomar enquanto trabalho.

Os três seguiram juntos pelo caminho coberto de neve.

O homem lançou um sorriso caloroso para Isabella.

— E então, pequena… Está gostando daqui?

Ela olhou ao redor mais uma vez.

As árvores pareciam tocar o céu.

— Parece uma floresta sem fim…

Os dois adultos riram.

— Verdade.

O pai abaixou-se um pouco.

— Isabella, este é o senhor Dwyer. O que fazemos quando conhecemos alguém?

A menina imediatamente soltou a mão do pai e fez uma pequena reverência, exatamente como ele lhe ensinara.

— Prazer em conhecê-lo, senhor.

Dwyer sorriu, completamente conquistado.

— O prazer é todo meu, senhorita Swan.

As bochechas de Isabella ganharam um leve tom rosado.

Ela sorriu de volta.

Enquanto caminhavam, Dwyer lhe mostrava cada canto da propriedade.

Ali ficava o celeiro.

Mais adiante estavam os estábulos.

Depois vinham os pomares.

E, ao longe, os campos onde cultivavam verduras e legumes.

Pelo caminho, quase todos os empregados paravam por alguns instantes para conhecer a filha do novo trabalhador.

Quando finalmente chegaram ao pomar, o pai começou a colher algumas frutas, sem ter muito o que fazer, Isabella passou a construir pequenos bonecos de neve.

Usava gravetos para fazer os braços, pedrinhas para os olhos e folhas secas para criar pequenos chapéus tortos.

Depois de algum tempo, observou o pai enchendo cesta após cesta. Olhou para os próprios bonecos.

Depois voltou a olhar para o pai.

Franziu o nariz.

— Eu posso ajudar?

O pai soltou uma risada.

— Você ainda é muito pequena.

Ela fez um biquinho.

— Mas eu sou forte…

O pai fingiu pensar por alguns segundos.

Então pegou uma pequena cesta cheia de limões.

— Muito bem.

Entregou-a para a filha.

— Leve isto até a cozinha.

A menina segurou a cesta com as duas mãos.

Ela pesava muito mais do que imaginava.

Mesmo assim, ergueu o queixo, determinada. Era uma missão importante.

E ela faria o possível para cumpri-la.

Respirou fundo e começou a caminhar.

Os passinhos eram lentos, calculados. A cada poucos metros precisava parar por um instante para descansar os braços, quando encontrava alguém pelo caminho, perguntava com toda a educação:

— Com licença… Onde fica a cozinha?

Quase sempre a resposta vinha acompanhada de um sorriso.

— Continue em frente e vire à direita, pequena.

Ou:

— Eu levo você.

Mas Isabella fazia questão de terminar a tarefa sozinha.

Quando finalmente atravessou a porta da cozinha, colocou a cesta sobre a grande mesa de madeira e soltou um comprido suspiro de alívio.

Uma das cozinheiras bateu palmas.

— Conseguiu!

Outra aproximou-se para olhar a menina.

— E sem derrubar um único limão.

Isabella abriu um sorriso orgulhoso.

Sentia-se importante.

Como recompensa, uma das mulheres pegou uma laranja e colocou delicadamente em suas mãos.

— Pelo trabalho duro.

Os olhos da menina brilharam.

— É para mim?

— É.

Ela abraçou a fruta contra o peito como se fosse um tesouro.

— Obrigada!

Saiu da cozinha praticamente saltitando.

Ao longo daquela manhã, novas pequenas missões surgiram.

Levou um novelo de barbante até o celeiro, buscou pregadores para uma das criadas, entregou uma caneca de água ao pai e carregou um pequeno saco de batatas que, para ela, parecia pesar tanto quanto um cavalo.

Sempre havia alguém que encontrava uma maneira de recompensá-la.

Às vezes era uma maçã ou um biscoito amanteigado entregue às escondidas pela cozinheira, antes que a senhora Hale percebesse.

— Não conte para ela.

Isabella levava o dedo aos lábios.

— Prometo.

Depois saía correndo, convencida de que guardava um enorme segredo.

Sempre que alguém lhe agradecia, ela respondia com um sorriso tão sincero que era impossível não sorrir de volta.

Sem perceber, a pequena Isabella começava a conquistar um empregado diferente a cada nova tarefa.

Na hora do almoço, já se ouviam comentários pelos corredores.

— Alguém viu a pequena Isabella?

— Acho que está ajudando o pai no pomar.

— Não… Acho que foi levar alguma coisa para a cozinha.

Na verdade, quase ninguém precisava realmente da ajuda daquela menina.

Mas todos gostavam de tê-la por perto.

Havia algo em seu jeito curioso e gentil que parecia tornar o trabalho mais leve.

Foi enquanto carregava um pequeno saco de couves para dentro da despensa que Isabella viu um menino parado na varanda principal.

Ele devia ter uns seis anos.

Era um pouco mais alto do que ela e usava um elegante casaco de lã azul claro, botas novas e um cachecol perfeitamente amarrado ao pescoço.

Nas mãos segurava um cavalinho de madeira cuidadosamente pintado.

À sua frente estava uma mulher de cabelos dourados presos em um penteado tão elaborado que Isabella não conseguia descobrir onde uma mecha terminava e a outra começava.

Vestia um pesado casaco verde-escuro, fechado por delicados botões dourados, e um pequeno chapéu enfeitado com penas.

Parecia ter saído de um livro de histórias.

— Ela parece uma princesa… — murmurou baixinho para si mesma.

Isabella nunca tinha visto uma princesa de verdade, mas imaginava que fossem exatamente assim.

A mulher mantinha uma expressão paciente, embora claramente cansada.

— Edward, vista o casaco.

— Eu já estou de casaco.

— Refiro-me ao outro. O mais grosso.

O menino cruzou os braços.

— Eu não quero.

— Está nevando.

— Eu não estou com frio.

Elizabeth suspirou.

— Seu pai pediu que você o vestisse.

Edward franziu ainda mais a testa.

— Então diga a ele que eu não quis.

Por um instante, Isabella ficou surpresa.

Ela jamais responderia daquele jeito ao pai.

Elizabeth fechou os olhos por um breve momento, como se contasse silenciosamente até dez.

Depois apenas balançou a cabeça.

— Muito bem. Quando mudar de ideia, o casaco estará na entrada.

Ela entrou novamente na casa.

Edward observou a porta se fechar atrás da mãe.

Resmungou alguma coisa que Isabella não conseguiu entender.

Chutou um pequeno montinho de neve com a ponta da bota.

Foi então que percebeu que não estava mais sozinho.

Levantou os olhos.

A menina continuava parada, segurando o saco de couves com as duas mãos.

Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos.

Isabella sorriu.

Edward não.

Continuou encarando aquela garota de vestido simples, avental um pouco grande demais para seu tamanho e botas cobertas de neve.

Parecia tentar descobrir quem ela era.

Por fim perguntou:

— Quem é você?

— Eu sou Isabella.

Ela respondeu como se aquilo bastasse.

Edward apenas assentiu.

— Eu sou Edward.

Silêncio outra vez.

Isabella esperou que ele dissesse mais alguma coisa.

Talvez perguntasse sua idade ou de onde ela vinha.

Ou se também gostava de brincar na neve.

Mas Edward apenas voltou a girar o cavalinho entre os dedos, como se o brinquedo fosse muito mais interessante do que qualquer conversa.

Isabella inclinou levemente a cabeça.

Que menino estranho.

Deu de ombros.

Ainda precisava entregar as couves.

Entrou na casa sem olhar para trás.

Edward, porém, permaneceu imóvel.

Acompanhou a menina com os olhos até ela desaparecer pela porta da cozinha, só então voltou a olhar para o cavalinho.

A discussão com a mãe já havia sido esquecida, o que permanecia era uma curiosidade inesperada.

Quem era aquela menina que parecia sorrir para tudo sem motivo?

Notas finais
Palavras da Polônia “Cada palavra aprendida é também uma lembrança preservada.” •Cztery Pronúncia: Tchté-ri Significado: Quatro. Onde apareceu: — Cztery! Curiosidade Mesmo vivendo em outro país, Isabella responde sua idade em polonês. Isso mostra como o idioma faz parte de sua infância. Até breve!