A Última Filha de Astra

2 Capítulo II - Gato de Cheshire


Notas iniciais
Então… Passaram-se quase dois meses sem que eu atualizasse e devo dizer que não conseguirei postar novos capítulos em menos tempo por enquanto e isso se deve principalmente a faculdade. Eu acabei de sair de uma semana de prova realmente cansativa e espero que entendam minha longa ausência. Fiquem com o segundo capítulo e tenha uma boa semana. Com carinho, Mandy Cruz.

Capítulo II – Gato de Cheshire

Luna Albuquerque

— O que você está fazendo?

Observo Valentina tentar sair pela janela de nosso quarto compartilhado. Sua aparência deixa claro qual é o seu verdadeiro objetivo especificamente para uma noite de sábado, mas, ainda assim, finjo ignorância quando noto como seu cabelo ruivo está trançado em uma trança lateral, seu rosto está carregado de maquiagem, que ela está vestindo aquela regata preta com rendas que tinha comprado há apenas algumas semanas, a calça jeans também é nova e possui pequenos rasgos nos joelhos e ela está calçando seu par de botas de cano curto favorito. Ela está saindo para mais uma de suas festas, apesar das regras da escola que proíbe a saída não autorizada de estudantes, principalmente a noite e nos finais de semana, mas Valentina nunca está preocupada com a possibilidade de ser pega. Há momentos que penso que ela é viciada em adrenalina e na emoção de viver para quebrar as regras do sistema. Se me perguntarem, particularmente acho que esse é um estilo de vida imprudente.

— Está tendo uma festa na velha mansão. Lucas me chamou e eu aceitei. – Valentina responde simplesmente e pisca seus grandes olhos castanhos para mim. Ela provavelmente sabe quais sãos minhas opiniões sobre suas escolhas de diversão, embora eu jamais tivesse coragem de lhe mostrar minha verdadeira opinião, além disso, festas na velha mansão são conhecidas por juntarem o pior que nossa cidade tem oferecer, no entanto meu cenho franzido não a impediu de prosseguir: – Você deveria vir comigo e se divertir um pouco.

A tentação é grande, devo admitir, a preocupação em conservar minhas notas altas nesses últimos dias me estressaram e se eu fosse uma pessoa menos determinada em manter minha ficha escolar perfeita eu certamente aceitaria de bom grado seu convite, felizmente ser audaciosa não faz parte da minha personalidade e consequentemente não me ponho em risco desnecessariamente. Somente sorrio, um sorriso fraco e sem emoção, eu sei que poderia discutir com ela sobre ir em lugares perigosos como a velha mansão, porém da última vez que tinha feito isso nós brigamos feio e por causa disso eu gostaria de garantir a paz entre nós, especialmente porque nós dividimos um quarto e não desejo causar atritos que podem dificultar nosso convívio.

— Desculpe, mas desta vez eu passo. Tenho que pôr em dia algumas matérias em que estou atrasada – Digo. Não é uma mentira completa, é só uma meia verdade. A expressão facial desanimada de Valentina quase me faz sentir culpada, contudo me mantenho firme e continuo no tom mais alegre que posso alcançar: – Você vai ter que se divertir por nós duas, sei que vai ser difícil, então não perca tempo e desça logo pela árvore!

— Tá bom então. Tchau sua nerd!

Valentina desaparece e finalmente sou deixada sozinha no pequeno espaço que chamo de quarto. Não há muito que fazer do que finalizar meus deveres de casa, concentro-me nos cálculos que tinha errado na última tarefa de matemática enquanto escuto algumas músicas do álbum Electra Heart da Marina and The Diamonds. Particularmente prefiro escutar Bubblegum Bitch quando faz minhas tarefas de matemática, Catalina diz que é uma mania peculiar – eu sei que na verdade ela quer dizer estranha sem ser indelicada –, mas essa é a maneira mais fácil que encontrei para me concentrar corretamente.

Passaram-se seis minutos desde iniciei o exercício sobre logaritmo – sinceramente não faço a mínima ideia de como aplicarei esse conhecimento na minha vida fora do colégio, mas ok, né – e então ocorre um apagão. Literalmente as luzes piscam umas três vezes antes de desligarem completamente e ouço uma risada sinistra vinda do corredor que me fez senti uma vibe de filme de terror. Eu sei que isso é uma “brincadeira” de mau gosto feita por alguma das minhas colegas de dormitório, talvez seja Beatrice ou Laila que estejam planejando assustar a todas com tinha feito no início do ano. Não me interessa qual das duas seja, a única coisa que realmente importante no momento é a grandiosa bronca vou dar quando encontrar uma dessas pestes.

Levanto-me da escrivaninha, com a lanterna do celular ligada finalmente abro a porta e coloco-me no corredor. Sigo o som da risada de filme de terror pronta para acertar qualquer uma que entra na minha visão, contudo o que eu efetivamente vi não foi o que esperava. Eu esperava muitas coisas, Beatrice se escondendo no final do corredor enquanto Laila tocava repetitivamente a risada sinistra em seu celular, todavia o que encontrei foi definitivamente pior. Piscando os olhos inúmeras vezes encaro embasbacada alguns objetos – parecem os itens pessoais de algumas das meninas daqui – flutuando ao redor de um gato preto que sorri como se fosse o gato de Cheshire dos contos de Alice no País das Maravilhas.

— Mas que porra é essa? – Sussurro.

O gato gira o pescoço no melhor estilo O Exorcista, seus olhos amarelos brilham em minha direção e eu me sinto petrificada. Oh Deus, é nesse momento que eu morro? O gato demoníaco começa a caminhar em minha direção, os objetos ainda flutuando ao seu redor e as lágrimas estão se acumulando em meus olhos.

— Ahhh! – Por fim grito.

Notas finais
Gostaram? Deixem comentários com suas opiniões e eu terei prazer em lê-los
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.