A Última Filha - Predador
4 Capítulo Quatro
Eu e Noah estávamos indo para meu apartamento quando eu perguntei:
– Pode me fazer um favor?
– Qual? – Ele quis saber enquanto subíamos as escadas.
– Tente ficar em casa, está bem?
Paramos em frente a minha porta e ele perguntou:
– Por quê? O que houve?
Eu suspirei e disse:
– Aconteceu um assassinato. Uma semideusa morreu.
Ele juntou as sobrancelhas e perguntou:
– Semideuses podem morrer?
– É claro. Não somos tão imortais assim.
Ele me olhou preocupado e eu disse:
– Não se preocupe, sei me cuidar.
– É isso que me preocupa.
Eu revirei os olhos e o beijei. E então a porta se abriu. Era Olga. Ela arfou e disse nervosamente:
– Ah, meu Deus. Sinto muito. – Ela disse tentando não olhar diretamente para meus olhos.
– Não. Tudo bem. Eu já ia mesmo. – Noah disse envergonhado. – Haide, te vejo depois.
Eu dei um sorriso e disse:
– Está bem. Tchau.
Então ele se aproximou e me deu um beijo na bochecha. Ele deu um sorriso para Olga e foi embora.
Eu olhei para Olga e ela saiu envergonhada da porta.
...
– E então...? – Perguntei a papai quando ele chegou em casa.
Todos nós estávamos reunidos, e, como sempre, Ross estava distante de mim, e ainda evitava me olhar.
– Bom, consegui evitar que eles culpem vocês, mas não tenho certeza por quanto tempo. – Papai disse com um tom frio. — Então sejam sinceros comigo. Algum de vocês sabe ou tem a ver com aquele assassinato?
A única coisa que se podia ouvir era o silencio mortal.
Papai passou seus olhos em nós um por um e disse:
– Então ninguém sabe. Eu espero mesmo.
Eu olhei para Ross que olhava diretamente para papai, com os olhos vazios.
– Bom, já que nenhum de vocês não sabe de nada. Tomem muito cuidado.
– Pai, a gente sabe se cuidar. – Nero lhe garantiu.
– É. Dóris também. Era a melhor guerreira do acampamento, e veja o que aconteceu. – Papai disse.
Nero abaixou o olhar.
– Eu posso cuidar deles, pai. – Ross finalmente disse.
Papai o olhou desconfiado.
– Você? Cuidar deles?
– Eu sei, eu sei. Eu fiz besteira à última vez, mas isso não acontecerá novamente.
– É disso que nós temos mais medo. – Jean murmurou.
Ross o olhou irritado e continuou:
– Pai, me dê mais uma chance. Não vou falhar desta vez.
Papai o olhou hesitante, mas então balançou a cabeça positivamente. Nero, Gareth e Jean olharam papai sem acreditar. E foi assim que aconteceu.
...
– Não acho uma boa ideia. – Gareth disse.
Eu, Nero, Gareth e Jean estávamos no meu quarto, tendo um tipo de reunião sobre o Ross.
– Gente nós devíamos dar uma chance a ele.
– Desde quando você é protetora do Ross? Você o odeia. – Gareth rebateu.
Eu revirei os olhos e Jean perguntou:
– Você quer fazer as pazes com ele, não é?
Eu o ignorei, suspirei e disse:
– Gente, sabemos que ele fez coisas horríveis, mas ele é nosso irmão.
– É, é isso que você fala. – Nero disse com um tom irritado.
– Você não estava no dia em que o papai quase arrancou nossas cabeças. – Gareth emendou com o mesmo tom.
– Isso é ridículo. – Eu rebati.
– Certo. – Gareth disse a todos nós. – Seja lá o que você esteja preste a fazer, Haide, eu não vou participar.
E nesse exato momento a campinha toca. Olga e John não estavam no apartamento, então suspirei e disse:
– Bom, tenho coisa pra fazer, então...
– Já entendemos. – Nero me interrompeu.
Todos eles se levantaram e entraram na sombra do meu quarto e eu saí de lá. Quando abri a porta de entrada, lá estava uma garota do meu tamanho. Tinha cabelos loiros, olhos verdes e intensos, e não devia ter mais do que uns quinze anos. Ela me deu um sorriso e disse:
– Oi, Haide.
Eu a olhei confusa. Seu sorriso se desfez um pouco e ela continuou:
– Sou a Agnes. Amiga do Jean.
Eu continuei a olhar confusa. Então sorriso sumiu, ela suspirou e disse:
– A garota do punhal.
– Ah, você. – Eu disse me lembrando daquele dia em que Jean pegou o punhal do papai e nunca mais devolveu.
Ela voltou a me dar aquele sorriso e perguntou:
– O Jean está?
– Ah, bom, ele não mora aqui. E como você me conhece e sabe onde eu moro?
Ele me olhou com uma expressão confusa e disse:
– Ah, Jean me disse.
– Hum. Pelo jeito ele deve ficar dizendo para seus amigos onde eu moro, mas não diz nada sobre onde ele morar, não é? – Ela riu com minhas palavras vazias e sombrias.
– Bom, eu nunca vi Jean com muitos amigos. Acho que sou a única que sabe onde você mora. – Ela disse ainda rindo.
– É bom saber.
– É. – Ela parou de rir. – Bom, mas sabe onde ele mora?
– Na verdade não, mas quando o ver eu aviso que você esteve aqui. – Eu disse dando um sorriso gentil.
Então ela sorriu, se virou e saiu. Eu fechei a porta rapidamente e peguei o celular no meu bolso, mas no exato momento em que fazia isso ele começou a tocar, eu o pressionei no ouvido e quando abri a boca para dizer coisas bem feias a Jean, ele disse:
– Vá para o quarto. – Ele desligou o telefone, então corri para o quarto. Quando abri a porta ele estava me encarando como se já estivesse preparado para o que quer que viesse.
– Quem é ela? Perguntei irritada.
Ele me olhou envergonhado e disse:
– Bom, é a Agnes, a garota do punhal e filha de Ártemis.
Eu o olhei sombriamente.
– Sério? Diga-me algo, no qual, eu não saiba, Jean. – Eu disse estupidamente.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas eu o interrompi:
– Por que ela está te procurando?
– Eu não sei. – Ele disse convincentemente, mas eu desconfiei.
– Mas como sabia que ela estava aqui?
Ele suspirou e disse:
– Eu sei lá, só desconfiei.
– Aham, eu acredito. – Eu disse ironicamente.
– É sério, Haide. – Ele disse dando uns passos até mim.
Eu cruzei os braços e o olhei irritada. Ele me deu um sorriso convincente, então eu dei um suspirou e bati em seu braço.
– Nunca mais diga a ninguém onde eu moro, entendeu? – Eu disse apontando o dedo em seu rosto.
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