A Última Dança
2 Capítulo 2- O passar do tempo
Notas iniciais
Essa historia irá se desenvolver de um jeito mais fácil, ao meu ver.
Apreciem a leitura.
beijos
Terminou de digitar a ultima frase e colocou o ponto final.
Respirou fundo depois disso, estava exausto...
Nem imaginava que horas eram, também não importava, o importante era terminar aquilo o quanto antes.
Se levantou para esticar as pernas, sentiu-as doloridas, ficava tão concentrado no trabalho que não notava nada ao redor, como as luzes apagadas só não o deixando em completa escuridão pelas luzes da cidade lá fora, ou a secretaria eletrônica piscando, nem havia notado o telefone tocar.
Apertou o botão fazendo a luz vermelha parar de piscar. Se encaminhou para a janela parcialmente aberta no enorme prédio da empresa de sua família. Observava a torre de Tókio ao longe enquanto ouvia.
“Precisamos de você aqui, o Daisuke... –houve um momento de silencio- volte logo...por favor.”
Fechou os olhos os abrindo logo em seguida.
Virou-se e deu de cara com a figura loira o encarando.
Se não fosse Sasuke, com certeza a pessoa teria se assustado. Mas o moreno já estava acostumado com os maus hábitos do amigo.
-Não sabe bater na porta Dobe?!
O Uchiha voltou para sua mesa, sentando-se em seguida e começando a revisar o que havia terminado de escrever instantes atrás.
-Pensei que estivesse morto aqui dentro. Faz horas que não sai nem pra ir ao banheiro.
-Precisava terminar esse relatório o quanto antes.
-E então?
O Uchiha levantou o olhar para o amigo parado diante de si.
-Então o que?
-Vai voltar pra Konoha comigo amanhã?
Sasuke suspirou.
-Ino ligou, parece que não tenho escolha.
-Daisuke piorou?
-Parece que sim.
-Sasuke.... Naruto tentou começar mas foi interrompido.
-Me deixe acabar isso logo ou acabaremos passando a noite aqui.
Naruto se deu por vencido mas antes de se retirar completou.
-Ainda não é definitivo Sasuke, pode ser que ele melhore.
-Já é hora de admitirmos que Daisuke não anda e nunca vai andar, ele é uma criança deficiente, não há nada que possamos fazer quanto a isso. Agora me deixe trabalhar.
-Sabe, com o passar do tempo você fica cada vez mais ranzinza, espero que seu filho não te puxe, mesmo se ele nunca puder andar, afinal isso não é o fim do mundo pra uma criança que achamos que nem nasceria.
Então o Uzumaki fechou a porta e o moreno voltou a ficar sozinho na escuridão.
Ele sabia que era verdade, estava cada vez mais ranzinza, mal humorado, fechado, mas era a única forma que tinha de se proteger das pancadas que a vida lhe dava, e que nos últimos anos, tinham sido incontáveis.
Se lembrava de um Sasuke diferente, sorridente, feliz, inconsequente....mas estava tão longe em sua memória que pareciam ser lembranças de outra pessoa, de outra vida.
Se lembrou do motivo dos seus sorrisos.
Passou a mão nos cabelos, era passado, um passo muito distante, distante um oceano...e que ele não queria se lembrar.
Focou a visão novamente na tela plana do computador a sua frente.
Era o diretor da matriz das empresas Uchiha, tinha de honrar sua empresa, seu cargo...seu nome.
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Assim que fechou a porta da sala do amigo sentiu algo vibrar em seu bolso. Pegou o telefone sem nem olhar pra tela, já sabia de quem se tratava.
-Olá Shion, o que foi? Sim claro, a que você escolher estará perfeita. Não sei, converse com Tenten sobre o que ela acha...sim, claro que eu me importo com o nosso casamento mas não entendo nada de flores...
O loiro suspirou profundamente.
-Tudo bem, amanhã quando eu chegar vemos isso. Certo, eu também...tchau.
Desligou o aparelho o levando de volta ao bolso do casaco. No caminho olhou para sua mão e para o objeto reluzente em um de seus dedos. Guardou o celular colocando a mão no bolso, e por fim decidindo deixa-la por lá mesmo, longe de sua vista.
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Deitada sobre sua cama, sozinha, com um enorme casaco a cobrindo dos pés a cabeça, tendo apenas uma xícara com chocolate quente quase intocada por companhia, observava pela janela fechada a chuva que voltava a cair. Os fortes trovões não a assustavam...fosse o tempo que tinha medo de trovões, apenas pensava no Tenten havia dito:
“–Podem fazer as malas e voltar pro Japão. Nosso casamento vai ser no próximo mês, em Konoha.”
Konoha...quantas coisas passou naquele lugar.
Quantas coisas sentiu naquele lugar.
Estaria preparada pra voltar?! Isso sim a assustava, não a ideia de retornar em si, mas o que poderia encontrar lá.
As vezes se pegava pensando como teria sido sua vida se não tivesse vindo pra Nova York. Se não houvesse ganhado aquela bolsa.
Como teria sido sua vida com...ele.
O que teriam vivido, compartilhado...
Tenten nunca comentou sobre ele em nenhuma de suas conversas, e Sakura também nunca perguntou.
Como estaria sua vida agora?
Havia terminado a faculdade, se casado....tido seu filho?
Será que ainda se lembrava dos passos de dança?
Sorriu com a ideia e pegou sua xícara com o chocolate já não tão quente.
Deu um leve gole sentindo o sabor doce descer por sua garganta. Fechou os olhos.
Quando o fazia podia lembrar de cada detalhe de sua ultima dança juntos. Cada toque, cada movimento, cada respiração.
Abriu os olhos deixando novamente a xícara sobre o criado ao lado da cama.
Puxou o notebook que estava fechado próximo a seus pés. Abriu e começou a escrever.
Não sabia porque mas sentiu uma vontade absurda de começar a escrever....de começar a descrever aqueles passos, de poder senti-los de novo, nem fosse só por pensamento. Teve uma vontade súbita de começar a dançar, de ser guiada, de se deixar levar, como a muito tempo não tinha.
Retirou os olhos do computador e um raio cortou o céu iluminando o quarto sendo acompanhado pelo trovão logo em seguida.
Ao mesmo tempo que se lembrar dele faziam vir a tona todas aquelas sensações, a amargura não deixava de vir acompanhando.
Porque ele nunca a procurou?
Um telefonema, um e-mail, uma carta que fosse.
Nada.
Fechou novamente o computador deixando as palavras que escrevia incompletas.
Deitou-se olhando pro teto.
Segundos depois seu celular tocou.
Levantou o braço ainda olhando para o mesmo ponto no teto.
Mais um relâmpago iluminou o quarto.
Tateou o criado desviando a mão da xícara agora fria pegando o aparelho.
-Alô.
Ficou um instante em silencio.
-Sim , estou bem...Gaara, precisamos conversar.
Sakura mordeu o lábio inferior.
-Te espero amanhã de manhã.
E terminou a ligação.
Não sabia se aquela era a melhor opção.
Mas se arrependeria amargamente se não a escolhesse.
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Mal dormiu aquela noite observando a chuva cair, presa em seus próprios pensamentos.
Se arrumou para mais um dia, tomou uma xícara de café e comeu uma maçã.
Pegou tudo que precisaria para as aulas daquela manhã até ouvir a campainha tocar.
Colocou o cachecol lilás sobre o pescoço. Mantinha os cabelos em rabo de cavalo alto naquele dia.
Sorriu levemente ao abrir a porta para Gaaga.
-Bom dia. Ele entrou e lhe deu um leve beijo nos lábios.
-Fiquei preocupado com você ontem a noite, parecia estranha no telefone.
-Não era nada...só, esse projeto da faculdade dando trabalho.
-Você sempre foi a melhor da sala, desde o colégio, tenho certeza que vai se sair bem.
Ele estava de pé diante dela, que ainda segurava a porta aberta.
-O que você tinha pra me dizer?
A rosada fechou a porta e se virou para o Sabaku.
-Falei com as meninas ontem.
-E?
-E Tenten me disse que vai se casar.
-Hum, eu já sabia.
-Sabia? Como?
-Neji me contou. Não é só você que ainda tem amigos em Ko...
Ele parou.
-Konoha. Ela completou pra ele.
-Sim.
-Ela me chamou pra madrinha.
Ele a encarava sem grande expressão no rosto.
-E o que você respondeu?
-Na verdade eu não respondi nada, ela não convidou, ela nos intimou, sabe como a Tenten é.
-É, eu sei.
-Estava pensando em...
-Em ir, não isso que quer dizer?!
Sakura olhou para outro ponto qualquer na sala.
-É. Você...iria?
Gaara se aproximou e trouxe a rosada para seus braços.
-Não deixaria você ir sozinha nunca.
A rosada sorriu nos braços do ruivo.
-Além do mais, Neji também me chamou pra padrinho.
Sakura ergueu a cabeça para encarar o Sabaku.
-E quando pretendia me contar?
-Nem sei se iria contar, eu ainda não respondi o convite.
-Você vai aceitar?
-Ainda não sei.
Sakura se soltou dos braços do ruivo e o olhou nos olhos.
-Então, vamos mesmo pra Konoha.
-Parece que sim.
Ele sorriu com a lateral dos lábios e Sakura o abraçou novamente.
Mas no instante seguinte, o sorriso nos lábios do Sabaku se esvaiu.
Enquanto seu queixo era apoiado sobre a cabeleira rosada, foi a vez de seus olhos vagarem para um ponto distante.
CONTINUA...
Notas finais
beijos.
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