A Última Dança
33 Capitulo 33 – Sempre uma má influência
Notas iniciais
A casa já estava repleta de empregados, sua fisioterapeuta já havia ido embora e agora ela descansava em seu quarto, Daisuke não estava mais com ela, fazia seu cochilo da manhã em seu próprio quarto.
Estava distraída pensando no que o menino havia dito, mamãe...
Claro que ficou emocionada, quem não ficaria, mas podia sentir o peso daquela palavra, a palavra mais linda do mundo, a palavra que logo a criança que carregava no ventre diria.
Passou a mão pelo ventre, já podia sentir a vida ali dentro.
—Senhorita Haruno?
Uma empregada bateu na porta a logo entrou.
—Me chame de Sakura.
—Perdão... a jovem pareceu desconfortável, com certeza seria muito novo pra ela tratar de uma forma tão informal uma hospede dos Uchihas, e por certo não sabia se deveria fazê-lo.
—Somente Sakura, por favor. A rosada pareceu entender o conflito da jovem e lhe sorriu.
A mesma lhe sorriu de volta.
—Tem uma senhora que deseja vê-la, Senju Tsunade.
—Diga que entre, por favor.
A rosada se ajeitou melhor na cama, estava feliz que a mentora tinha vindo lhe ver.
—Nossa, esses Uchihas são bem extravagantes não é mesmo?!
A loira de seios fartos já entrou comentando.
Sakura sorriu.
—Como está Tsunade?
—Não tão bem como você, como posso ver, ele está cuidando muito de vocês, não está?
A loira deixou a bolsa na escrivaninha no canto do quarto e se encaminhou para junto da rosada, sentando-se ao seu lado na cama. Pousou a mão delicadamente sobre o ventre da cerejeira.
—Sim, estamos ótimos.
A loira sorriu.
—Bom, a que devo a honra?
A rosada a encarou.
—Como assim, não posso simplesmente vir ver como você está?
—Assim, de repente, sem avisar...o que você precisa Tsunade?
Uma veia saltou na testa da mais velha.
—Que ultraje...
Sakura sorriu.
—Estou esperando....
—Bom... começou a loira — acho que já está na hora de você voltar a atividade!
A rosada pareceu não entender
—Como assim?
—É hora de voltar as pistas de dança, pra escola, precisamos de você.
A rosada franziu o cenho.
—Tsunade, você sabe que eu não posso...
—Sakura, tudo que você precisa está aí dentro, precisamos da sua energia, da sua vitalidade, do seu amor pela dança, você é a melhor professora que eu já conheci na vida.
—Eu não sei se é uma boa ideia. Respondeu desviando o olhar para longe.
—Você quer mesmo passar seus dias nessa cama, sem fazer o que realmente gosta? Você mesma sempre disse que a dança vem de dentro, da alma, é emoção transbordando pelo corpo, e agora vai desistir de tudo?
A rosada voltou a lhe encarar, estava ponderando.
—Não é justo com todos nós, com a sua mãe e muito menos com você mesma.
—Eu não sei, realmente não sei...
—Bom, então pense, pense se você vai mesmo deixar essa deficiência a parar ou fazer o que sempre esperamos de você.
A cerejeira a encarou curiosa.
—Que nos surpreenda! Completou a loira e logo em seguida deu um beijo na testa da mais jovem se levantando logo em seguida.
Caminhou até a escrivaninha e pegou sua bolsa, mas antes de sair ainda completou
—E leve o Uchiha com você!
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Estavam sentadas no jardim tomando chá e jogando conversa fora, Daisuke havia saído com a babá para a fisioterapia, coisa que a rosada duvidava que o menino precisasse, ela pode comprovar de manhã que ele era uma criança normal, só precisava do que todas as crianças precisavam no mundo, felicidade.
Falavam sobre banalidades, mais sobre a condição da rosada do que qualquer outra coisa, notou que a amiga evitava falar sobre o casamento, o que era estranho para a cerejeira já que este era o assunto do ano para Tenten.
A amiga sempre alegre e esfuziante parecia calada e distante, na verdade nem parecia Tenten sentada diante de si naquele enorme jardim, usava roupas claras e sóbrias, o cabelo em apenas um coque baixo, de maquiagem, nunca antes havia visto amiga assim.
—Está tudo bem Tenten?
Sakura perguntou colocando sua xicara sobre a mesa.
A morena retirou seu olhar do jardineiro podando as flores mais adiante e se voltou para a rosada.
—Sim, só estou um pouco cansada.
—Tudo bem com você e o Neji?
—Sim, estamos bem.
A morena sorveu o liquido morno de sua xicara e voltou a encarar a paisagem.
Definitivamente não estava tudo bem. Sabia que a se amiga estivesse à vontade para lhe contar já teria falado, algo realmente estava a incomodando.
Decidiu mudar de assunto.
—Tsunade veio aqui hoje de manhã.
—E como ela está?
A morena não parecia muito interessada.
—Está ótima, como sempre.
Tenten não respondeu.
A rosada continuou.
—Veio me pedir para voltar pra escola de dança.
Finalmente ela tinha sua atenção.
—O que? Mas, como assim?!
—Ela me questionou se eu queria passar o resto da vida na cama ou se queria fazer o que eu realmente nasci pra fazer... e eu estou me questionando tudo isso desde a hora que ela foi embora.
Tenten a considerou, Sakura era incrível na dança, tanto dançando quanto ensinando.
—E o que você respondeu? Quis saber a amiga.
—Nada, por enquanto, disse que ia pensar.
—Acho que talvez seja uma boa ideia, ninguém ensina a dançar melhor que você. Seu lugar é lá.
—Eu também acho... mas eu só vou com uma condição.
—Qual condição?
—Que você volte pra lá comigo.
A morena quase engasgou com o gole de chá que acabava de sorver.
—Está louca Sakura? Eu não posso voltar pra escola de dança, o Neji...ele...
—E desde quando o Neji decide sua vida por você?! Você não é assim Tenten, você é livre e impetuosa, a mulher que fica sensual até mesmo com um moletom surrado!
A morena a considerou.
—Você, assim como eu, sabe que nosso lugar é lá, na pista de dança, chocando a sociedade.
A rosada sorriu.
A Mitsashi pareceu refletir.
Um sorriso maroto brotou em seus lábios.
Se levantou da cadeira de jardim e num impulso soltou seus longos cabelos do coque que usava.
—Quem diria que mesmo em uma cadeira de rodas você seria uma má influência não é mesmo?!
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Não sabia se era uma boa ideia receber o loiro sozinha em casa e àquela hora, mas como o mesmo dissera, era o único horário em que estava livre após sair da empresa, estava em um período de inúmeras reuniões e não se dispunha de muito tempo, mas mesmo assim não queria deixar de ensaiar com a Hyuuga
Quando ouviu a campainha tocar, desligou o fogo da panela onde estava preparando uma massa para o jantar e correu para abrir.
—Desculpe a demora, o transito está um caos.
O loiro sorriu e a morena deu passagem para que ele entrasse na casa.
—Não tem problema, estava fazendo o jantar, vamos comer primeiro?
A Hyuuga parecia ter perdido boa parte da vergonha de antes e já se sentia mais à vontade diante do Namikaze.
—Deveria jantar em casa mas com esse cheiro não sei se vou resistir. Respondeu sorrindo
O sorriso tão parecido com o dele...
—Bom, então fique à vontade, vou pegar os pratos.
Comeram ambos sentados no chão da sala, agora já mais relaxado, Minato havia retirado o paletó e a gravata e havia aberto os dois primeiros botões da camisa. Ambos eram de famílias ricas mas não se importavam em estar ali, numa casa mais simples comendo espaguete sobre o tapete.
Hinata temia em fazer essa pergunta, mas desejava já algum tempo e devido o avançar da hora não se conteve.
—O que sua esposa pensa de tudo isso?
Minato chupou a pontinha do macarrão e a encarou.
—Ela não sabe.
Foi tudo o que disse.
A duas luas de Hinata se arregalaram.
—É uma surpresa pra ela. Kushina sempre foi alegre, destemida e espontânea e eu o careta da relação, nem sei o que ela viu em mim. Disse sorrindo
Talvez Hinata pudesse entender o que ela viu nele.
—Não acha que ela pode, não sei...sentir ciúmes?
Finalmente Hinata corou.
—Depois de mais de 20 anos de casamento fico muito feliz se ela sentir ciúmes. Riu e coçou a cabeça, gesto muito parecido com o que Naruto fazia com frequência. –Mas não precisa se preocupar com isso, eu amo a minha mulher mais que qualquer coisa nesse mundo, foi tudo muito difícil pra nós no início, ela de uma família influente e eu não, lutamos muito pra ficarmos juntos, sua família não deixou nada pra ela depois que nos casamos, então comecei a empresa e juntos prosperamos, logo veio Naruto, Kushina quase morreu dando a luz a ele e talvez por isso nunca tenhamos tido mais filhos, tudo isso só serviu pra fortalecer nossa relação, Naruto só veio para completar nosso amor...por isso não entendo esse casamento dele!
Hinata se surpreendeu com o comentário final.
Então havia mesmo alguma coisa errada com o casamento dele...
—Bom, melhor começarmos logo, não? O loiro disse já se colocando de pé.
Hinata saiu de seus devaneios e também de levantou.
Sorriu para o loiro.
Talvez se Naruto fosse como o pai, ela não teria sofrido tanto por amor durante toda a vida.
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Haviam acabado de jantar e agora Sakura estava deitada ao lado de Daisuke na cama....dele.
Sasuke parecia distraído lendo alguns papeis da empresa a apenas alguns centímetros deles, também sobre a cama.
Usava apenas uma calça larga de moletom azul, os cabelos rebeldes, o torso nu de fora, estava....sexy.
Se pegou olhando mais para ele do que para a televisão ligada no volume quase mudo.
—Parece que Daisuke dormiu, melhor leva-lo para o quarto.
Disse o moreno deixando os papeis de lado e se levantando para pegar a criança.
Sakura pareceu despertar de seus devaneios vendo o moreno com a criança no colo.
—Já volto. Ele sussurrou para a cerejeira e ela apenas concordou com a cabeça.
Deus, como tinha sorte...Sasuke era tudo que sempre sonhou, um bom pai, um bom companheiro, um bom homem no geral, e junto a tudo isso...
Sentiu algo crescente no seu baixo ventre e um arrepio a tomar por inteiro terminando exatamente onde sua coluna não funcionava mais.
Ele era tão lindo.
Ainda sentia aquela insegurança, ela ali, paraplégica e gravida, sem ter nada para oferecer a ele.
Nem notou quando o mesmo já estava novamente no quarto.
—Chega de trabalho por hoje. Disse o Uchiha pegando os papeis e os deixando de lado, deitou-se ao lado da rosada na cama, Sakura sentiu aquele arrepio novamente.
Ele se aproximou e a beijou, Sakura fechou os olhos sentindo a língua do moreno pedindo passagem, e ela deu... pode senti-lo aprofundar o beijo e a trazer mais para si, por ser relativamente pequena e leve, o Uchiha não tinha dificuldades em manuseá-la, então ela pode sentir as mãos grandes e firmes passeando por sua barriga quase plana, o arrepio se intensificou quando o mesmo desceu os beijos para seu pescoço, ela quase soltou um gemido.
Passou a mão pelos cabelos rebeldes do moreno os bagunçando ainda mais, fechou os olhos quando sentiu os beijos descendo ainda mais, para seu colo...
Abriu os olhos e foi como se entendesse toda aquela situação. Ela não poderia fazer aquilo, ela não sabia como fazer aquilo!
—Sasuke
Ao ouvir o chamado ele parou e levantou o olhar, tinha a respiração entrecortada e os olhos repletos de desejo.
—Eu não sei se consigo.
Pensou que talvez ele pudesse ficar chateado, até mesmo bravo, mas não foi o que aconteceu, ele apenas se afastou e lhe deu um beijo na testa.
—Tudo bem, quando estiver pronta nós o faremos.
—E se...e se eu nunca estiver pronta?
Sentiu seu corpo retesar, não sabia o que ele pensava sobre isso, nunca chegaram a conversar sobre o assunto.
A verdade é que Sakura não sabia se ainda era capaz de fazer amor, e isso a quebrou ainda mais por dentro.
—Então eu vou ter que me acostumar a tomar banhos gelados com frequência.
Ele respondeu e sorriu.
Como amava aquele sorriso, como amava ele!
—É melhor te levar para o seu quarto, não sei se é seguro você ficar aqui, comigo...
A rosada sorriu e ele se aproximou a pegando no colo e se encaminhando com ela para a cadeira de rodas, quando chegaram no quarto da mesma ele fez o mesmo procedimento, a pegou no colo e a depositou sobre a cama como se ela fosse de porcelana.
Deu um beijo em sua testa e se encaminhou para a porta, mas antes que a fechasse ela o chamou.
—Sasuke!
Ele a encarou.
—Amanhã precisamos ir até a academia de dança.
O rosto do rapaz demonstrou uma mistura de surpresa e curiosidade.
—Para que? Quis saber.
—Vou voltar a dar aulas.
Sasuke não era de demonstrar sentimentos e quando o fazia era muito sutil, mas aquela expressão de espanto ele não conseguiu disfarçar.
—E você vai comigo.
Ela sorriu, aquele sorriso travesso que ela só dava quando estava prestes a aprontar algo.
Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu com a lateral dos lábios.
—Tsunade esteve aqui, não foi?
—Sim... ela respondeu.
Sasuke girou os olhos e começou a se retirar, enquanto fechava a porta do quarto ela pode ouvir o som de sua voz quase abafado.
—Eu escolho os estilos que vou dançar dessa vez!
A rosada sorriu, o maior sorriso de todos.
Estava surpresa ao constatar isso, nunca nos últimos 4 anos havia sorrido tanto!
CONTINUA...
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